The Economist: Real volta a ficar sobrevalorizado, apura índice Big Mac

Publicado em 18/01/2017 04:51
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Só mais 4 moedas tiveram sobrevalorização em relação ao dólar na pesquisa semestral da revista The Economist (por Álvaro Campos, em O Estado de S. Paulo)

Após dois anos o real voltou a ficar sobrevalorizado, segundo o índice Big Mac, calculado semestralmente pela revista britânica The Economist. Na pesquisa atual, a moeda brasileira aparece com sobrevalorização de 1,1%, ante subvalorização de 5,1% em julho do ano passado. A última vez em que o real esteve sobrevalorizado foi em janeiro de 2015 (8,7%). 

Câmbio

No ano passado, muitas moedas emergentes foram prejudicadas pela eleição de Donald Trump, que elevou as expectativas sobre um aperto nos juros nos EUA

O preço do sanduíche no Brasil é R$ 16,50 (US$ 5,12) e a taxa de câmbio de mercado usada na pesquisa é de R$ 3,22. Entretanto, o índice Big Mac indica que a taxa de câmbio, com base no custo do sanduíche, deveria ser de R$ 3,26.

Das 48 moedas acompanhadas pela revista, a mais frágil é a libra egípcia (subvalorizada em 71,1%), seguida da grívnia ucraniana (-69,5%) e do ringgit malaio (-64,6%). Divisas dos países dos Brics também aparecem mal na lista, como o rand sul-africano (-62,7%) e o rublo russo (-57,5%). Na América Latina, um dos destaques é o peso mexicano (-55,9%).

Além do real, apenas outras quatro moedas estão sobrevalorizadas em relação ao dólar: o franco suíço (25,5%), a coroa norueguesa (12,0%), a coroa sueca (4,0%) e o bolívar venezuelano (3,7%). No caso da Venezuela, a situação da moeda não significa força econômica, mas um descontrole da inflação, em meio à intervenção do governo na economia e a escassez de produtos.

Para tentar colocar outros aspectos na conta, a Economistcalcula um índice Big Mac ajustado, que analisa se uma moeda está sobrevalorizada ou subvalorizada comparada com o que se esperaria dado o nível de desenvolvimento de um país, tomado pelo PIB per capita.

Nesse caso, o real aparece com sobrevalorização de 66,6%, a maior do mundo. Nessa conta, o real está sobrevalorizado desde 2010 (quando o índice ajustado começou a ser calculado), e sempre entre os primeiros do ranking. Em janeiro de 2016, quando o câmbio de mercado estava em R$ 4,02, a moeda brasileira atingiu o menor nível de sobrevalorização (7,1%).

A revista lembra que no ano passado muitas moedas emergentes foram prejudicadas pela eleição de Donald Trump nos EUA, que elevou as expectativas de um aperto monetário mais rápido no país.

Governo afirma que aceleração já começou

BRASÍLIA - O Brasil completou em 2016 dois anos de recessão econômica, segundo cálculos do governo. A equipe econômica estima que a atividade encolheu 0,5% no último trimestre do ano passado em relação aos três meses anteriores.

Caso seja confirmado pelo IBGE, instituto oficial de estatísticas, em divulgação prevista para o dia 7 de março, o resultado será o oitavo negativo consecutivo nessa base de comparação e levará à queda de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016.

Foto: Dida Sampaio/EstadãoMinistro Henrique Meirelles

Para economistas, medidas microeconômicas anunciadas pelo governo no final do ano passado não devem reativar atividades no País

Agora, a avaliação é de que a aceleração demorará a ser percebida pela população, embora já esteja em curso. Economistas, contudo, são mais cautelosos e avaliam que ainda não há sinais concretos de retomada, e o desemprego continuou crescendo no fim de 2016. Para eles, nem mesmo as medidas microeconômicas anunciadas no fim do ano passado devem reativar a atividade do País.

O governo acelerou a elaboração das medidas após crescente pressão para que o Ministério da Fazenda revertesse o quadro de perda de confiança na economia, reforçado justamente por mais um resultado negativo do PIB no terceiro trimestre. Uma das principais iniciativas adotadas foi a permissão de saques de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cuja estimativa de impacto é de R$ 30 bilhões – ainda não foi informado a partir de quando as retiradas poderão ser feitas.

Expectativa.“Apenas a autorização de saques das contas inativas do FGTS teria algum impacto marginal na atividade, mas não há nenhuma ‘injeção na veia’. O que pode ajudar a recuperação é a agenda de investimentos em infraestrutura, mas essas concessões só ganharão impulso em 2018”, avalia a economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria Integrada.

“É muito difícil ainda, porque estamos na metade de janeiro e não há nenhum indicador do mês fechado. Ainda está muito no início para dizer se vamos ter crescimento positivo ou não de fato”, afirma a economista Solange Srour, da ARX Investimentos, que projeta avanço de 0,5% no PIB em 2017.

A Tendências, por sua vez, manteve a previsão de alta de 0,7% na atividade este ano, mas já considera o número otimista. “O cenário é bem desafiador justamente por conta do efeito de carregamento (uma espécie de herança estatística ruim de um ano para o outro). Para se chegar a essa expansão, seria necessário um crescimento médio de 0,6% em cada trimestre deste ano”, explica Alessandra.

Na média, as projeções de economistas de mercado giram em torno de crescimento de 0,5% este ano, de acordo com o Boletim Focus do Banco Central. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê alta de 0,2% para a economia brasileira este ano.

Todos os números são mais pessimistas do que o sustentado pelo governo hoje, que é de avanço de 1% em 2017. No entanto, como antecipou o Estado, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já admitiu em conversas recentes com parlamentares que a economia pode crescer menos, algo como 0,5%.

O mais provável é que esse seja o valor a ser usado no decreto de programação orçamentária a ser editado em março, quando o governo terá de trazer suas contas para o cenário real da economia e definir o corte os gastos previstos no Orçamento. 

Em 2018, País terá muito a mostrar em Davos, diz Trabuco (BRADESCO)

DAVOS - Cheio de previsões otimistas para o Brasil, como expectativa de inflação abaixo do centro da meta e crescimento de 2,3% anualizado em julho do ano que vem na comparação com igual período deste ano, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, avaliou que as projeções feitas durante o Fórum Econômico Mundial de Davos no ano passado nem de perto se concretizaram. “Um ano atrás, quem brilhava nos corredores aqui era o ex-primeiro-ministro inglês David Cameron”, citou. “Quem imaginava que ia acontecer o Brexit?”, questionou, sobre o referendo britânico que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, levando à renúncia de Cameron.

Foto: Ueslei Marcelino/Reutersctv-pa0-trabuco ueslei-marcelino reuters

Para o presidente do Bradesco, o País já está saindo do processo recessivo: ‘O Brasil é uma boa aposta’

Para o principal executivo do Bradesco, os sinais passados na edição anterior do evento não foram verificados, como petróleo cotado a US$ 20 e minério de ferro a US$ 27. “Me impressionei na ocasião porque o estoque de crédito da cadeia de óleo e gás é tão intenso que o custo da dívida seria maior do que a geração de caixa. Um ano depois, o minério está a US$ 70 e o petróleo, acima de US$ 60”, comparou. Ele disse ainda que Donald Trump não era assunto nos painéis nem a volta do populismo.

No Brasil, houve, segundo ele, uma mudança de quase de 180 graus no modelo econômico. “A economia era baseada na oferta e em parâmetros não adequados e, com o governo Temer, foi possível voltar a conceitos básicos”, considerou. “É surpreendente ver o alinhamento entre Meirelles e Ilan”, disse, citando o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Segundo ele, há cinco anos o País tinha dois comandantes da economia, além do Planejamento, e com formas diferentes de trabalho. “As políticas não tinham sintonia e isso redundou em um custo enorme para o Brasil. O País tem condições de voltar a Davos em 2018 com muitas coisas a mostrar. Aqui tive a convicção de que o investidor não abandonou o Brasil. O que quer é coerência para continuar investindo. O mercado estabeleceu um risco muito razoável para o Brasil e o dólar reflete isso.”

Participante de um almoço do governo com investidores, Trabuco relatou que foram muitas as perguntas a Meirelles sobre a efetividade da reforma da Previdência. “O governo apresentou uma proposta de reforma necessária, porque a possível é sempre um remendo, mas a necessária foi provocada e isso vai fazer preço no mercado e reduzir o custo Brasil e renovar a confiança do investidor no País. O Brasil é uma boa aposta”, afirmou.

Alinhado com o discurso do governo, a avaliação do presidente do Bradesco é a de que o País está saindo do processo recessivo. “O segundo semestre vai surpreender. Quando chegar a julho de 2018 e comparar com julho de 2017, o Brasil estará crescendo acima de 2,3%. Chegamos ao fundo do poço, mas não tinha armadilha porque o diagnóstico do ajuste fiscal foi feito. O mercado vai precificar favoravelmente o País.”

Para ele, também é um sinal positivo a aceleração do afrouxamento monetário feito pelo BC. Trabuco acredita que a inflação está ancorada e deve surpreender, ficando abaixo de 4,5% este ano.

Trump, 'defensor da globalização'? (por MARCOS TROYJO, na FOLHA)

Guerra comercial, instabilidade emocional, populismo, tolerância com autoritarismo, inexperiência no mundo político. Todas essas noções fazem parte da "nuvem" Donald Trump e da presidência que se inicia no próximo dia 20.

O Fórum Econômico Mundial que se reúne agora nos Alpes suíços projeta um enorme enorme ponto de interrogação sobre o que aguarda o cenário global nos próximos quatro anos.

  Evan Vucci/Associated Press  
O presidente eleito, Donald Trump, discursa no Chairman's Global Dinner em Washington
O presidente eleito, Donald Trump, discursa no Chairman's Global Dinner em Washington

A nova liderança norte-americana lança o mundo nas sombras da incerteza. Tradicionais parâmetros de política externa dos EUA para a Europa, Oriente Médio e Ásia-Pacífico parecem destinados ao abandono. Essa impressão foi reforçada na entrevista que Trump concedeu ao "The Times" britânico no início da semana

A desglobalização supostamente tem em Donald Trump seu mais importante proponente. Inversamente, nesta terça (17), o presidente chinês Xi Jinping foi saudado por Davos como defensor da globalização. Tal mudança de posições —EUA insulares e China extrovertida— era inimaginável há apenas alguns poucos anos.

Sabemos que Donald Trump é um jogador. Gosta de blefar, de negociar sob cortinas de fumaça, de "chutar para cima" de modo a obter o melhor resultado possível.

Nessa linha, de todas as intervenções feitas até agora em Davos, sem dúvida a mais surpreendente foi a de Anthony Scaramucci, ex-gestor de fundos que hoje ocupa lugar de destaque dentre os principais assessores de Trump.

Scaramucci, que chefiará o Escritório de Relações Públicas da Casa Branca, pôs Davos em parafuso ao argumentar que a globalização sairá fortalecida com o próximo presidente americano. Literalmente, sugeriu que "Trump representa uma esperança para o globalismo".

A frase de Scaramucci está em diagonal oposição ao que seu chefe propagou durante a campanha. Mais especificamente, em seu discurso de nomeação como candidato republicano à Casa Branca, Trump defendeu: "o americanismo, e não o globalismo, será a nossa crença".

Ainda assim, Scaramucci relacionou uma série de tópicos em que, segundo ele, a opinião pública global não estaria lendo corretamente a mensagem que o futuro presidente dos EUA quer transmitir. Ou seja, o mundo não está vendo Trump pela ótica do "copo meio cheio".

Vamos então a algumas das posições mais controvertidas de Trump e, de acordo, com Scaramucci, como o cenário global em conjunto pode sair ganhando.

Nos tratados comerciais, Scaramucci contou à plateia de Davos que Trump está longe de ser um opositor do livre-comércio. A crítica do presidente eleito residiria no caráter "assimétrico" dos acordos. No segundo pós-guerra, os EUA, com o FMI ou o BIRD, o Nafta ou outorga da cláusula de nação mais favorecida à China, estaria trocando influência geopolítica por benefícios econômicos.

Como muitas da razões para a existência dessas iniciativas —como a reconstrução da Europa pós-1945 ou comunismo como força geopolítica— deixaram de figurar no tabuleiro, caberia portanto reestruturá-las de modo a harmonizar as condições de competição não apenas dos EUA, mas também de outros países.

No início da semana, Trump disse em diferentes entrevistas que a Otan está "obsoleta", que as razões de sua criação relacionadas à Guerra Fria deixaram de existir. Para Scaramucci, isso não significa que Trump deseja abandonar a Europa à sua própria sorte, mas sim revela o pedido de atualização da Aliança de modo a que ela possa também combater ameaças como o terrorismo internacional.

A esses argumentos de Scaramucci podem somar-se uma série de outras posições de Trump que, em princípio, poderiam ajudar a globalização.

O cenário global teria a ganhar com instituições de Washington (FMI, Banco Mundial) reformadas? Sem dúvida. A ONU precisa de atualização de modo a refletir novas correlações de poder e capacidade de contribuição orçamentária? Claro.

O mundo se tornaria mais seguro se Washington e Moscou cooperassem em áreas como a luta contra o terrorismo? Em tese, sim.

O comércio internacional se tornaria mais justo se o governo chinês oferecesse menos incentivos e escudos de proteção a suas empresas de economia mista? Muito provavelmente.

Para que mundo possa enxergar Trump pelo "copo meio cheio", além de apontar incoerência e deslealdade em outros países, a nova administração teria de estar também disposta a mexer nas muitas assimetrias patrocinadas pelos próprios EUA.

Essas passariam por rever o inquestionável protecionismo na esfera agrícola ou a politica de incentivo à inovação industrial disfarçada de orçamento do Pentágono —bilionários recursos que ajudam a manter os EUA na vanguarda dos setores de alta tecnologia.

E, no limite, para ajudar a globalização, como Scaramucci buscou vender à elite de Davos, Trump, além de seu conhecido acervo crítico, precisa apresentar ao mundo uma agenda propositiva. Disso, até agora, ninguém tem notícia.

Brasil 2017 tem de pegar no tranco (por VINICIUS TORRES FREIRE)

  Alan Marques/Folhapress  
Presidente do BC, Ilan Goldfajn, comanda a reunião do Copom
O presidente do BC, Ilan Goldfajn, comanda reunião do Copom

AGORA QUE as taxas de juros começaram a cair de fato e abriram-se, pois, algumas velas antes enroladas, a economia depende dos ventos. Não há gasolina no motor do barco. Vai ter de soprar pelo menos uma brisa.

Trocando em outros miúdos grossos, a economia vai ter de pegar no tranco, com o empurrãozinho que temos. No curto prazo, não há nada mais que o governo possa fazer, dados os limites da política que propôs e a ruína deixada pela administração da antecessora.

O corte da Selic na semana passada levou a taxa de juro real "básica" no mercado para 6% ao ano. No começo de dezembro, ainda estava em cerca de 7%, em torno do qual flutuou em 2016. Pode cair ainda mais, logo.

Nesta terça-feira (17), o Banco Central publicou a exposição de motivos da decisão que levou a Selic de 13,75% para 13% ao ano, na semana passada. Pelo jeitão do comunicado do BC, economistas e o povo que negocia dinheiro passaram a acreditar que a Selic pode cair a 11,5% até abril.

Feitas outras contas, é possível dizer que a taxa de juro real "básica" no mercado baixe para menos de 5% lá por abril. A última vez que rondou tal nível foi no início de 2014.

Vai acontecer? Esqueça-se por um momento de Donald Trump, de outros infortúnios internacionais e da baderna sórdida da política brasileira. Considere-se que os riscos permaneçam na mesma e que não sobrevenham acidentes novos. Assim, os juros vão depender do ritmo de baixa da inflação e do grau de catatonia da economia deste país.

O que podemos dizer sobre o futuro da variação dos preços e da recessão? A julgar pela mediana das previsões dos economistas de consultorias e instituições financeiras, não seria possível dizer grande coisa confiável. Para falar francamente, as estimativas recentes de inflação estavam furadas de modo alarmante.

Até o começo de outubro de 2016, faz três meses, previa-se que o IPCA terminaria o ano passado em 7,23%. Terminou em 6,29%. Se erraram feio o alvo de tão perto, a gente fica tentado a duvidar das previsões para daqui a 12 meses.

Suponha-se que as miras agora estejam mais ajustadas. A queda da taxa de juro real no mercado para 5% ou menos lá por abril afasta as expectativas sombrias de nova regressão do PIB em 2017, caso mais nada dê errado.

O que pode dar errado? Governo tendo que fugir da polícia ou naufrágio nas "reformas".

Por outro lado, pode ser até que consumidores e empresas respondam a inflação e juros mais baixos de modo mais animado do que o padrão registrado nas estatísticas, jogando para cima as possibilidades de crescimento. Não é impossível.

No mais, não tem outro empurrão. A julgar pelo que dizem os bancões, o estoque de crédito não vai crescer neste ano. Se tudo correr bem, as concessões de dinheiro novo começam a aumentar entrado o segundo semestre.

É possível que o governo tenha até de cortar mais investimentos. Não está no horizonte melhora relevante das exportações –ao contrário. O programa de concessões de obras e serviços de infraestrutura para o setor privado está com cara de ficar quase inteiro para 2018, no que teria de efeito prático.

Venda de imóveis cresce 10% em novembro, após 16 meses em queda (MARIA CRISTINA FRIAS, Mercado Aberto)

  Diego Padgurschi/Folhapress  
SABO PAULO, SP, BRASIL - 29-09-2015: ESPECIAL MORAR - ZONA LESTE - Vista da cobertura do empreendimento Camille Claudell na rua Rua Cândido Lacerda, 312, no Jd. Analia Franco (Diego Padgurschi /Folhapress - ESPECIAL MORAR) ***EXCLUSIVO***
 

 

Após 16 meses em queda, a venda de imóveis novos subiu 10,1% em novembro, em comparação com o mesmo mês de 2015, segundo dados da Abrainc, que reúne grandes incorporadoras, e da Fipe, de pesquisas econômicas.

A alta "é uma boa notícia, mas não uma tendência", afirma o diretor da associação, Luiz Fernando Moura.

O resultado ainda é negativo no acumulado de 2016: até novembro, foram 93,3 mil unidades comercializadas no país –8,8% a menos que em igual período de 2015.

"A base de comparação é pequena, então qualquer aumento gera impacto."

Um dos grandes entraves do setor, os distratos (desistência do imóvel) tiveram uma pequena redução no fim de 2016, mas seguem em um nível alto, segundo Moura.

"A onda de devoluções ocorreu por conta de investidores que buscavam retorno a curto prazo. Como eles já deixaram de comprar imóveis, a taxa tende a cair, mas ainda há as famílias com dificuldade para pagar."

Nos 12 meses anteriores a novembro de 2016, 37,7 mil unidades haviam sido distratadas –uma queda de 4,1%.

As construtoras se mostraram otimistas com os sinais de desaceleração dos juros, que têm impacto direto no financiamento do setor.

Uma retomada de investimentos em novos empreendimentos, porém, deverá acontecer só a partir do segundo semestre deste ano, segundo Moura.

A projeção é que, no atual ritmo de venda, os imóveis estocados demorarão um ano até chegar a um patamar adequado –são cerca de 120 mil unidades paradas.

Há boa probabilidade de que voltemos à meta de inflação em 2017 (ANTONIO DELFIM NETTO)

O ano de 2016 terminou com uma boa notícia. A despeito de todas as dificuldades políticas e econômicas, logramos chegar com uma taxa de inflação acumulada em 12 meses (IPCA) de 6,3%, praticamente no limite superior da "meta" de inflação (de 4,5% mais ou menos 2%). Não é pouca coisa.

Ela caiu de 10,7%, em dezembro de 2015, para 6,3% em dezembro de 2016. Em matéria de inflação, o ano foi muito interessante.

A taxa acumulada dos últimos 12 meses resistiu bravamente ao afrouxamento da demanda global, permanecendo em torno de 9% até agosto, enquanto o PIB caía 4,5% e o desemprego aumentava 3% entre setembro de 2015 e o seu homólogo de 2016. Em agosto, a inflação ainda era de 9%. A partir daí caiu para 6,3% em dezembro, cedendo 2,7 pontos percentuais, cerca de 30%, em apenas quatro meses.

O componente principal dessa redução foi a queda de preços dos produtos que compõem o grupo "alimentação e bebidas", incluídos no IPCA e que têm um peso de cerca de 26% em seu cálculo.

Ele caiu, no índice acumulado em 12 meses, de 13,9%, em agosto, para 8,6% em dezembro, uma queda de 5,3 pontos que, multiplicada por seu peso no índice (26%), resulta em 1,4, ou seja, praticamente a metade da redução da taxa de inflação do período.

Esse fato tem diversas explicações. Os propensos a aceitar o programa do governo Temer creem que se deva a uma mudança nas expectativas de inflação, criada pela firmeza do Banco Central, que reafirmou que sua única missão é conduzir a taxa de inflação à meta de 4,5%. Os que o rejeitam dizem que ela foi, apenas, o resultado da tremenda recessão, causada por Temer, que estamos vivendo. A explicação verdadeira é uma combinação dessas duas causas.

É importante reconhecer que boa parte do aumento de preço dos alimentos foi resultado da péssima safra de 2015/2016 que, devido a efeitos climáticos, foi 11% menor do que a de 2014/2015. Os preços só começaram a cair quando ela já estava colhida, isto é, quando não havia mais razão para os agentes econômicos reterem os estoques e especularem nos preços.

Isso sugere um efeito muito positivo sobre a continuidade da queda da inflação. As previsões de crescimento da safra 2016/2017 são que ela será maior (se as condições climáticas continuarem "normais"): qualquer coisa como 14% (arroz, 10%, feijão, 24%, milho, 27%, e soja, 9%).

Mesmo que haja uma recuperação da atividade de 1% a 2%, há uma boa probabilidade de que voltemos à meta de inflação em 2017, o que abre um espaço para a redução da taxa de juros real, com todas as suas consequências positivas para o avanço do equilíbrio fiscal.

 

 

Fonte: ESTADÃO + Folha de S. Paulo

2 comentários

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Já Marcos Troyjo esculhamba com o novo presidente dos EUA. Começa chamando Trump de "nuvem", depois faz propositalmente uma confusão dos infernos entre globalização e globalismo. A primeira é comércio mundial, o segundo um programa politico e social que visa a formação de um governo mundial, através de instituições coalhadas de comunistas, como a ONU por exemplo. Essa gente há muito tempo deixou de fazer jornalismo para confundir os leitores, basta ver como Obama sempre foi apresentado pela Folha e Estadão como um sujeito descolado, humilde, pacifico, coisa que ele não é de jeito nenhum. A mentira e a falsidade são os pilares principais dos comunistas. Já seus adversários são xenófobos, homofóbicos, autoritários, elitistas e por ai vai. A esquerda construiu seu império sobre os escombros da verdade.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Não há como negar a inteligência do Delfim Netto, mas ele tem certas malandragens que passam despercebidas pelos leitores, como a citação: "recessão, causada por Temer". Ou que a inflação dos alimentos se deu somente por quebra de safra, não é esse o único motivo, a desvalorização cambial foi o principal motivo da alta inflacionária principalmente das carnes. E o motivo é sabido por todos, exportamos milho quase além da nossa capacidade, e o barateamento da soja brasileira para os compradores estrangeiros, fez com que os preços subissem no mercado interno. Foi uma desvalorização cambial de 100%, o que fez com que o preço da soja subisse pouco mais de 70% no mercado interno. Para o produtor de carnes e seus consumidores finais, inflaciona mesmo, não tem outro jeito.

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