No ESTADÃO: Bolsa fecha em alta de quase 2%, no maior patamar desde março de 2012

Publicado em 23/01/2017 18:24
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Vale e bancos impulsionaram movimento, embalado por uma melhor perspectiva para a economia do País; dólar encerrou em baixa, aos R$ 3,16

Com a melhora da percepção dos investidores sobre o Brasil e a entrada de recursos estrangeiros no País, o dólar comercial abriu a semana em baixa de 0,41%, aos R$ 3,1663. O movimento também beneficiou a Bovespa, que avançou 1,90% e encerrou os negócios na máxima do dia, aos 65.748,62 pontos. O patamar é o maior desde 27 de março de 2012.  

Foto: Paulo Whitaker/ReutersBovespa

Otimismo em relação à economia brasileira fez Bovespa avançar

A melhora nas perspectivas para a economia e também para o minério de ferro impulsionou a procura por ações dos bancos e da Vale. No caso da mineradora, houve inclusive uma melhora na recomendação das ações por um banco, e as siderúrgicas seguiram a mesma tendência. Dentro do setor bancário, além da melhora nas projeções para inflação e juros neste ano, analistas citam o começo do período de divulgação de balanços, que será inaugurado pelo Santander na próxima quinta-feira. Na ponta negativa, Estácio e Kroton reagiram ao noticiário sobre o Fies e terminara o pregão em queda de 2,85% e 4,44%, respectivamente.

A Vale ficou entre as principais valorizações do Ibovespa, com altas de 4,83% (PNA) e 3,77% (ON). Bradespar PN avançou 5,19%. O Citi elevou a recomendação da Vale para compra diante do aumento da projeção para o preço do minério de ferro. Para 2017, a estimativa para o preço do insumo foi elevado de US$ 56 a tonelada para US$ 65 a tonelada.

Segundo relatório enviado ao mercado, os analistas afirmam que a estimativa do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da mineradora brasileira para 2017 subiu para US$ 15 bilhões, ante uma previsão anterior de US$ 11,315 bilhões. O preço alvo da ADR da Vale foi revisto para US$ 14, ante o preço anterior de US$ 8,80. 

O minério de ferro com teor de concentração de 62% de ferro iniciou a semana com alta de 0,9% e foi a US$ 80,8 a tonelada seca no porto de Tianjin, na China, de acordo com dados do The Steel Index. Já o insumo com pureza de 62% de ferro e com 2% de alumínio, cotado no porto de Qingdao, subiu 0,9% indo a US$ 81,1 a tonelada seca.

Entre as siderúrgicas, a maior alta do Ibovespa ficou com Usiminas PNA (+8,30%, na máxima). Também subiram CSN ON (+3,76%), Gerdau PN (+3,85%) e Metalúrgica Gerdau PN (+4,54%). Hoje, o Citi manteve a recomendação de venda para CSN, mas elevou o preço-alvo de R$ 5,40 para R$ 6,50. Os operadores citam ainda que as ações das siderúrgicas têm elevada relação risco/retorno, o que estimula a compra por investidores que buscam ganhos no curto prazo.

No caso da Usiminas, as sócias controladoras Ternium e Nippon Steel marcaram para a primeira quinzena de fevereiro a reunião que poderá colocar fim ao conflito societário entre as companhias que já perdura por quase três anos. Mais cedo, a Coluna do Broad informou que a Justiça irá julgar, no dia 8 de fevereiro, a apelação da CSN, que tenta provar que houve troca de controle na Usiminas no momento em que o grupo ítalo-argentino Ternium/Techint ingressou no capital da siderúrgica mineira, em 2012.

Já a Petrobrás  fechou mais perto da estabilidade, com a PN em leve queda de 0,06%, e a ON em alta de 0,84%. Na Nymex, em Nova York, o petróleo WTI para março fechou em baixa de 0,88%, a US$ 52,75. Na ICE, em Londres, o tipo Brent também para março caiu 0,47%, a US$ 55,23 o barril.

O mercado doméstico também reagiu a um dos primeiros atos de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Nesta segunda-feira, Trump assinou um decreto que retira formalmente o país da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) e o distancia da Ásia nas relações comerciais.

O dólar acompanhou o exterior e encerrou os negócios no menor patamar em quase dois meses, refletindo a cautela dos investidores. Também os leilões de swap cambial tradicional contribuíram. O Banco Central vendeu hoje o lote integral de 15 mil contratos para rolagem dos vencimentos de fevereiro. Com este leilão, o BC já vendeu o equivalente a 3,450 bilhões de dólares para rolar o total de 6,431 bilhões de dólares que vencem em fevereiro./COM REUTERS).

Mercado projeta inflação de 4,71% e Selic de 9,50% em 2017

BRASÍLIA - Na esteira da divulgação do IPCA-15 de janeiro, os economistas do mercado financeiro reduziram suas projeções para a inflação neste ano. O Relatório de Mercado Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira, 23, pelo BC, mostra que a mediana para o IPCA - o índice oficial de inflação - em 2017 foi de 4,80% para 4,71%. Há um mês, estava em 4,85%. Já a projeção para o IPCA de 2018 permaneceu em 4,50%, mesmo patamar de quatro semanas atrás. 

Na prática, as projeções de mercado divulgadas hoje no Focus indicam que a expectativa é que a inflação se aproxime do centro da meta, de 4,5%, em 2017 e 2018. A margem de tolerância para estes anos é de 1,5 ponto porcentual (inflação até 6,0%).

O que é a Selic

Expectativa é que a inflação se aproxime do centro da meta em 2017 e 2018 -- 

Sob influência da decisão de política monetária do início do mês, quando o Banco Central acelerou o corte de juros, e dos dados mais recentes sobre a inflação, o mercado voltou a reduzir suas projeções para a Selic no fim de 2017 e 2018. O Focus desta segunda-feira trouxe que a mediana das previsões para a Selic este ano passou de 9,75% para 9,50% ao ano. Há um mês, estava em 10,50% ao ano.

No Focus de hoje, a Selic média de 2017 passou de 11,08% para 10,91% ao ano. Há um mês, a mediana da taxa média projetada para o ano era de 11,53%. No caso de 2018, a Selic média foi de 9,70% para 9,50% ao ano. Quatro semanas antes, estava em 10,00%.  

Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a taxa básica terminará 2017 em 9,50% ao ano, mesmo patamar de uma semana antes. Há um mês, a projeção era de 10,00% ao ano. O Top 5 também manteve a projeção para a Selic no fim de 2018, de 9,50%, ante 10,25% um mês atrás.

PIB.  O Relatório de Mercado Focus indicou manutenção nas projeções de atividade para 2017 e 2018. Pelo documento divulgado hoje, a mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano seguiu com alta de 0,50%. Há um mês, a perspectiva também era de avanço de 0,50%.

Para 2018, o mercado manteve a previsão de alta de 2,20%. Quatro semanas atrás, a expectativa estava em 2,25%. 

No último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de dezembro, o BC projetou recuo de 3,3% do PIB em 2016 e avanço de 0,8% para 2017. Já o Ministério da Fazenda trabalha com estimativa de crescimento de 1,0% para este ano. Esta projeção deve ser revisada, conforme o ministro Henrique Meirelles, nos próximos dias.  

Câmbio. A cotação da moeda americana estará em R$ 3,40 no encerramento de 2017, mesmo valor projetado uma semana atrás, segundo o boletim Focus de hoje. Há um mês, a expectativa estava nos R$ 3,50. O câmbio médio de 2017 foi de R$ 3,36 para R$ 3,35, ante R$ 3,42 de um mês antes. 

No caso de 2018, a projeção para o câmbio no fim do ano seguiu em R$ 3,50. Quatro semanas antes, estava no mesmo patamar. Já a projeção para o câmbio médio no próximo ano seguiu em R$ 3,45, ante R$ 3,48 de quatro semanas atrás.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo

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