ESTADÃO: Encruzilhada petista (negociam com os "golpistas" por cargos na Câmara)

Publicado em 25/01/2017 02:47
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Depois do impeachment e da surra eleitoral de 2016, a Lula e seus estrategistas restou fazer o que sabem melhor, isto é, a baixa políticaolpistas" por cargos na Câmara)

A decisão do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), a mando de Lula da Silva, de autorizar sua bancada no Congresso a apoiar a candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara e a de Eunício Oliveira (PMDB-CE) à presidência do Senado deflagrou uma grave crise dentro do partido. Os petistas que se consideram mais à esquerda, fiéis ao espírito radical que fundou a legenda, dizem não aceitar que o partido se engaje em candidaturas que, segundo sua visão, representam aqueles que se articularam para dar um “golpe” e derrubar a presidente Dilma Rousseff. 

É claro que, assim como aconteceu em outras ocasiões como essa ao longo da trajetória petista, todos os que ousarem questionar as decisões daquele Politburo, que nada mais faz do que dar formato institucional às ordens do chefão Lula, serão devidamente expurgados ou marginalizados. Desta vez, porém, a crise parece mais grave, dadas as circunstâncias muito adversas. 

Será um teste importante para medir o atual alcance da liderança de Lula entre os próprios petistas, que andam pelos cantos a se queixar de que o chefão não aproveita a oportunidade oferecida pelas recentes derrotas do partido para reconduzi-lo às suas “origens” – que podem ser resumidas em uma frase do manifesto de fundação do PT, na qual o partido diz que “pretende ser uma real expressão política de todos os explorados pelo sistema capitalista”.

A principal reclamação dos dissidentes petistas diz respeito à flagrante contradição de um partido que, enquanto denuncia o “golpe” contra Dilma Rousseff, aproxima-se dos partidos que apoiam um governo cuja legitimidade questiona. “O PT não deve apoiar golpistas no Congresso Nacional”, disse Bruno Elias, secretário nacional de movimentos populares do PT, que defendeu candidatura própria ou apoio a um nome da oposição. Para ele, “a militância petista e o campo democrático e popular devem se mobilizar contra essa posição”.

A manifestação mais contundente partiu do senador Lindbergh Farias (RJ), expoente da defesa de Dilma Rousseff no processo de impeachment. “É um escândalo, um erro brutal, uma decisão descolada da realidade, sem consonância com a militância do partido e da esquerda em geral”, disse Lindbergh. 

Nos tempos em que estavam acocorados nos píncaros da glória, os petistas pouco se queixaram publicamente quando o PT se associou ao que havia de pior na política nacional – com o objetivo de reduzir o Congresso a uma mercearia e destruir os fundamentos da democracia representativa – para permanecer para sempre no poder. Naquela época, Lula da Silva era considerado por essa turma um gênio da tática política.

Hoje, depois do impeachment e da surra eleitoral de 2016, a Lula e seus estrategistas restou fazer o que sabem melhor, isto é, a baixa política. Aceitaram negociar com os “golpistas” para obter espaço na direção da Câmara e do Senado e, assim, manter uma migalha de poder no Congresso antes das eleições de 2018, além de abrir ao partido preciosas vagas para acomodar os correligionários hoje desempregados.

Aos petistas magoados, Gilberto Carvalho, espécie de porta-voz informal de Lula, disse que o PT está numa “encruzilhada”. Segundo ele, seria uma “posição mais tranquila” declarar “que não votaremos em golpistas”, mas a decisão do partido sobre a eleição na Câmara e no Senado “é apenas uma batalha dentro de uma guerra ampla que estamos travando contra os verdadeiros autores do golpe, o capital financeiro internacional, nacional e seus lacaios e representantes”. 

Nesse conflito épico, os cargos nas Mesas Diretoras do Congresso darão ao PT, segundo Carvalho, “mais condições de impedir e dificultar a marcha golpista”.

Não surpreende que alguns petistas tenham se considerado insultados em sua inteligência por esse tipo de raciocínio. O que surpreende é que eles tenham levado tanto tempo para perceber que o partido, formado oficialmente para representar os trabalhadores, só existe mesmo para atender aos interesses de Lula da Silva.

Lula afirma que Lava Jato tem ‘dedo estrangeiro’, por JOSIAS DE SOUZA (UOL)

Candidato ao Planalto, Lula passou a enxergar o Brasil de forma inusitada. Ele vê o país com o distanciamento de um scholar, como se nada fosse com ele. Num discurso para sindicalistas, na manhã desta terça-feira (24), Lula disse estar convencido de que a operação que combate o maior escândalo de corrupção já descoberto na história do país foi tramada no exterior: “Hoje, tenho convicção de tem dedo estrangeiro nesse negócio da Lava Jato. Tem interesse no pré sal.” (assista no rodapé)

Lula declarou também que o brasileiro está negligenciando os efeitos deletérios que o combate à corrupção provoca na economia. ''Não estamos levando a sério o que a chamada Operação Lava Jato está fazendo com a economia brasileira. Segundo várias informações, o efeito chega a 2,5% do PIB.”

Bom mesmo era o país governado por Lula. “Provamos que era possível aumentar o salário mínimo sem aumentar a inflação”, disse o pajé do PT. “Fizemos isso 12 anos seguidos. Nos meus oito anos de mandato, a inflação ficou sempre dentro da meta.” Dilma Rousseff errou, admitiu o orador. Entre os seus equívocos, o mais notável foi o excesso de desonerações tributárias concedidas a setores empresariais. ''A caixa foi ficando vazia.”

Com seus discursos de candidato, Lula leva a empulhação às fronteiras do paroxismo. O mensalão e o petrolão tem raízes na sua administração. A Lava Jato não é senão consequência do descalabro. O PT, seu partido, comandou o assalto ao erário. Foi dando acesso aos cofres federais que Lula recebeu apoio no Congresso. Deve-se a Lula também o mito da supergerente, que resultou no fiasco histórico de três anos de recessão.

Uma das mais sinistras ironias da trajetória de Lula e o fato de o morubixaba do PT ser obrigado a se reapresentar como candidato ao Planalto para se contrapor aos fatos que teimam em aproximá-lo da cadeia.

O fator agro, POR CELSO MING (ESTADÃO)

O Brasil já produz uma tonelada de grãos por habitante. É o quinto dos líderes da produção agrícola no mundo nesse quesito, depois da Argentina, Austrália, Canadá e Estados Unidos. (Veja tabela no Confira.)

Quando as estatísticas focam a produção de grãos, pode ficar a impressão de que a agricultura brasileira se concentra apenas em soja, milho, arroz, feijão e outras oleaginosas. O setor ainda é grande produtor mundial de cana-de-açúcar, café, algodão, batata, silvicultura e ainda conta com as frutas, as hortaliças e todos os ramos da pecuária e da avicultura.

Produtividade

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Quem fica nas cidades e só vê tragédias pela TV pode ficar com a impressão de que continua tudo muito ruim na economia brasileira. E, no entanto, o agronegócio está bombando. Produzirá neste ano cerca de 215 milhões de toneladas de grãos, aumento de 15% em relação à produção anterior. A vantagem adicional é a de que os preços estão, em geral, melhores do que os do ano passado. Isso significa que grande massa adicional de renda deverá irrigar o País a partir do interior. As primeiras estimativas da Conab são de que as safras que começam agora deverão injetar neste ano quase R$ 200 bilhões na economia.

Quem argumenta que, do ponto de vista do PIB, essa boa notícia é pouco relevante, na medida em que a agricultura pesa apenas alguma coisa mais do que 5% da renda nacional, deixa de prestar atenção para o fato de que a participação da indústria de transformação mal ultrapassa os 11%. O setor de mais expressão no PIB é o dos serviços, com 72% do total.

O bom momento do agronegócio arrasta consigo também boa parte do setor de serviços na medida em que se apoia e, ao mesmo tempo, apoia a infraestrutura, o comércio, transportes, fornecimento de sementes, fertilizantes, defensivos, equipamentos, máquinas, etc.

A atual expansão do setor acontece com duas principais características: grande aumento da produtividade e utilização intensiva de tecnologia de ponta.

Em 1990, o Brasil produzia 57 milhões de toneladas de grãos em 37 milhões de hectares, ou 1,52 tonelada por hectare. Neste ano, deverá produzir 3,7 vezes mais com a utilização de apenas 1,6 vez hectares a mais. (Veja ao lado o gráfico sobre o avanço da produtividade.) Esses números são a principal resposta contra aqueles que vêm afirmando que o aumento da produção agrícola vem sendo feito à custa do desmatamento e da deterioração ambiental.

O incremento da tecnologia acontece em todos os subsetores, no preparo da terra, na produção de sementes, no cultivo e monitoramento da plantação, irrigação, na colheita, transporte e armazenamento das safras. Cada vez mais o agricultor brasileiro utiliza equipamentos de última geração, que vão de semeadeiras georreferenciadas à utilização de drones para controle de doenças e pragas. 

Alguns economistas temem que o sucesso do agronegócio acabe por transformar a economia brasileira num fazendão atrasado, pela baixa agregação de valor de sua produção. Está acontecendo o contrário.

CONFIRA

Grãos por habitantes

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Aí está a produção de grãos por habitantes entre os maiores produtores do mundo, segundo o departamento de agricultura norte-americano (o USDA).

O fator Trump

Não está tudo claro para o futuro do agronegócio do Brasil. Desta vez, a incerteza maior não tem a ver com as condições climáticas nem com o comportamento dos preços. A maior incerteza para a agricultura tem a mesma fonte das incertezas para as demais áreas da economia. Ninguém sabe o que, na prática, será a política econômica e comercial de Trump.

Fonte:
O Estado de S. Paulo

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