Em contra-ataque, ex-procurador pede a Fachin que ouça Janot sobre atuação em favor da J&F

Publicado em 12/09/2017 16:05

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O ex-procurador da República e advogado Marcello Miller pediu nesta terça-feira que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), tome o depoimento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a fim de esclarecer se ele pediu que intercedesse de alguma forma em favor do grupo J&F.

Miller também defendeu que sejam ouvidos outros quatro procuradores da República e um promotor de Justiça a respeito de eventual favorecimento do grupo e também se ele cobrou acesso a informações de investigações do Ministério Público Federal (MPF) que envolviam a empresa.

Janot pediu ao STF na sexta-feira a prisão de Miller sob suspeita de ele ter atuado como agente duplo: mesmo ainda no cargo de procurador, teria favorecido a J&F. Fachin, contudo, rejeitou prendê-lo temporariamente --ele tomou essa providência em relação a Joesley Batista e Ricardo Saud, executivos do grupo.

Miller, Joesley, Saud e o executivo da J&F Francisco de Assis foram chamados a depor no processo de revisão da delação dos executivos da J&F. Ele foi aberto após a divulgação de uma conversa de Joesley e Saud na qual supostamente admitem que esconderam informações do acordo de colaboração, contando com a atuação de Miller, que ainda não tinha sido formalmente desligado do MPF.

No pedido apresentado ao ministro do Supremo, Miller negou que tenha cometido qualquer crime em suas conversas com integrantes da J&F, quando ainda era procurador da República. Ele disse ter tido acesso, das mãos de Ricardo Saud, do que seria um anexo do acordo que estava sendo costurado pelo grupo --não soube precisar se era de uma delação dos executivos ou da leniência do grupo.

Ainda procurador, Miller relatou ter demonstrado a Saud um desconforto com a situação e se limitou a fazer "pequenas correções ortográficas" ao texto.

"Jamais, no entanto, o requerente disse ou mesmo sugeriu ao senhor Ricardo Saud que adulterasse notas fiscais ou as escondesse dos olhos do Ministério Público Federal, derivando tal imputação de mera ilação desprovida de base empírica a sustentá-la", disse.

O advogado criticou o que chamou de "simulacro de depoimento" que prestou no processo aberto de revisão da delação dos executivos da J&F, por não ter sido levado em consideração os esclarecimentos que prestou. Destacou que não recebeu qualquer pagamento direto do grupo e afirmou a Fachin que coloca à disposição seus sigilos bancário e fiscal.

(Reportagem de Ricardo Brito)

Fonte: Reuters

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