PF prende Wesley Batista e Joesley tem novo pedido de prisão decretado

Publicado em 13/09/2017 07:44 e atualizado em 14/09/2017 07:29
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Executivo é investigado por manipulação do mercado financeiro, por suposto lucro obtido com venda de dólares às vésperas de divulgação da delação da J&F

A Polícia Federal prendeu preventivamente nesta quarta-feira, 13, o empresário Wesley Batista na Operação Acerto de Contas, 2ª fase da Tendão de Aquiles. Há uma ordem de prisão contra o empresário Joesley Batista, irmão de Wesley, donos da J&F.

Joesley está preso temporariamente, ppr ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, desde domingo por suspeita de violação de sua delação premiada.

Os executivos são investigados na Tendão de Aquiles em inquérito sobre manipulação do mercado financeiro, referente ao suposto lucro obtido com a venda de dólares às vésperas da divulgação da delação premiada dos executivos da J&F.

Leia a notícia na íntegra no site do Estadão

PF prende Wesley Batista em São Paulo

A Polícia Federal prendeu temporariamente nesta quarta-feira, 13, o empresário Wesley Batista. Há uma ordem de prisão contra o empresário Joesley Batista, irmão de Wesley, donos da J&F.

Os executivos são investigados em inquérito sobre manipulação do mercado financeiro, referente ao suposto lucro obtido com a venda de dólares às vésperas da divulgação da delação premiada dos executivos da J&F.

As ordens de prisão são da 6 Vara Federal Criminal de São Paulo. No Pedido de prisão da Polícia Federal diz que ‘há provas que os irmãos agiram pesdoalmente para manipular ações do grupo no mercado’.

Em junho deste ano, a Operação Tendão de Aquiles, ação da PF coordenada com a Comissão de Valores Mobiliários, mirou o uso indevido de informações privilegiadas por parte das empresas JBS S/A/ e FB Participações S/A em transações de mercado financeiro ocorridas entre abril e maio de 2017.

Leia a notícia na íntegra no site do Estadão.

Saiba quem é Wesley Batista, um dos donos da JBS, preso pela PF

O empresário Wesley Batista, um dos donos da holding J&F, que controla a JBS, foi preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal (PF). A prisão ocorre dias após Joesley Batista, irmão de Wesley e sócio da J&F, e o diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud, serem presos após a suspensão dos benefícios obtidos no acordo de delação premiada que tinham firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

A decisão foi tomada após a gravação de uma conversa entre Joesley e Saud indicar que os colaboradores da empresa omitiram informações da PGR. Wesley não participou do áudio, mas teve a ordem de prisão expedida pela Justiça Federal de São Paulo na investigação que apura se os executivos aproveitaram a própria delação para ganhar dinheiro no mercado financeiro.

Wesley é o irmão do meio entre os três filhos homens de José Batista Sobrinho, o JBS. O embrião do conglomerado empresarial foi o modesto açougue Casa de Carnes Mineira, fundado pelo patriarca da família em 1953, em Anápolis (GO). Wesley, assim como Joesley, não conseguiu concluir o Ensino Médio por conta das tarefas que lhe eram designadas nos frigoríficos da família.

Foi Wesley o responsável pela internacionalização da marca. A rede de frigoríficos foi chefiada pelo irmão mais velho, José Batista Júnior, o Júnior da Friboi, entre 1960 e 2005. Após a saída de Júnior da empresa, Wesley assumiu as rédeas e, sem falar inglês, se mudou para os Estados Unidos, onde morou por quatro anos. Lá, o executivo foi responsável pela compra das empresas Swift Foods Company, em 2007, e, no ano seguinte, da Pilgrim’s.

As aquisições foram fundamentais para a expansão da marca no exterior. Elas só foram possíveis graças ao aporte de recursos do BNDES, que investiu 10,63 bilhões de reais na JBS, entre 2005 e 2014. Atualmente, o apoio prestado à empresa é alvo das investigações que apuram os laços promíscuos mantidos entre os executivos e agentes do poder público.

Ao retornar dos EUA, Wesley foi encarregado de integrar as operações brasileiras às americanas. Os irmãos Batista decidiram, em 2012, criar a holding J&F Investimentos para reunir as empresas do grupo, que já havia se expandido para fora do setor alimentício. Entre elas estavam a Vigor, de produtos lácteos, a Eldorado Brasil, de celulose, e a Alpargatas, de vestuário e dona da marca Havaianas. Todas foram vendidas após o acordo de delação firmado com a PGR.

Wesley, o delator

Na sua colaboração, Wesley disse que houve repasse de propinas para o ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB), que cumpre prisão domiciliar após ter firmado acordo de delação. Também revelou um esquema fraudulento para redução de alíquota do ICMS no Mato Grosso do Sul, que teria começado no início dos 2000, sob o governo de Zeca do PT (PT), e se estendeu até o final do ano passado, nas gestões de André Puccinelli (PMDB) e Reinaldo Azambuja (PSDB).

Wesley disse que houve pagamentos ilícitos ao ex-governador do Ceará Cid Golmes (PDT) e à campanha do atual governador do estado, Camilo Santana (PT), em 2014. Em outros anexos, Wesley detalhou como o doleiro Lúcio Bolonha Funaro agia como o operador de propinas do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Operação Lava Jato.

A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) e o ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD-SP), também teriam recebido vantagens indevidas, segundo Wesley. Os repasses a Kassab chegariam a 20 milhões de reais, em contratos firmados durante seis anos.

Defesa

O advogado Pierpaolo Bottini, responsável pela defesa de Wesley, disse que “é injusta, absurda e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da Justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos”. Ele afirmou que “o estado brasileiro usa de todos os meios para promover uma vingança contra aqueles que colaboraram com a Justiça”.

Joesley alega ‘incerteza’ sobre delação e se cala à PF (na VEJA)

Defesa do empresário afirma que ele 'não se recusou a falar', mas apenas respeitou procedimento de revisão aberto pelo STF a pedido da PGR

O empresário Joesley Batista, da JBS

O empresário Joesley Batista, dono do Grupo J&F (Adriano Machado/Reuters)

O empresário Joesley Batista alegou necessidade de aguardar resolução sobre validade de seu acordo de colaboração premiada e optou por ficar em silêncio em depoimento na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, na manhã desta terça-feira. A oitiva seria feita no âmbito da Operação Greenfield, que investiga possíveis irregularidades no aporte de fundos de pensão em empresas do Grupo J&F.

No depoimento aos investigadores do caso, o empresário estava acompanhado de seu advogado, Ticiano Figueiredo, que entregou uma petição na qual explica que o silêncio de Joesley se deve à “situação de incerteza” em que se encontra o acordo de colaboração assinado com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em tese, o colaborador não pode optar por permanecer em silêncio nas investigações sobre temas abordados no acordo firmado com a Justiça. Entretanto, segundo o advogado do empresário, a opção pelo silêncio não é uma violação ao acordo, uma vez que ele está suspenso enquanto a PGR realiza um procedimento para apurar possível omissão de informações pelos delatores.

“Joesley não se recusou a falar, mas, em respeito ao procedimento que corre perante o Supremo Tribunal Federal (STF) , permaneceu calado e se compromete a explicar todos os fatos após a resolução dessa situação”, afirmou o defensor.

Delação pode ser revista

No início da semana passada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, abriu um procedimento de revisão do acordo de delação premiada dos executivos do Grupo J&F, que controla a JBS, e pediu a revogação do benefício de imunidade penal concedido aos delatores.

O ministro Edson Fachin, do STF, aceitou pedido de Janot e suspendeu os benefícios dos delatores em despacho na última sexta-feira. Na mesma decisão, Fachin também autorizou a prisão temporária de Joesley Batista e do diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud.

O pedido para as prisões preparado pela PGR foi embasado pelo conteúdo de uma gravação entregue pelas defesas dos próprios delatores, na qual Saud e Joesley falam sobre a suposta interferência do ex-procurador Marcello Miller para ajudar nas tratativas de delação premiada.

O ex-procurador ainda fazia parte dos quadros do Ministério Público Federal quando começou a conversar com os executivos, no fim de fevereiro. Ele pediu a saída da instituição naquele mês e foi exonerado, de fato, apenas em abril.

(com Estadão Conteúdo)

Fonte: Estadão + VEJA

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