Ibovespa fecha pregão na maior pontuação da história (no ESTADÃO)

Publicado em 15/09/2017 13:04 e atualizado em 15/09/2017 17:58
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Otimismo com agenda e indicadores econômicos se sobrepõe ao noticiário político e leva o índice que reúne as ações mais líquidas da Bolsa aos 75.756 pontos, o maior patamar histórico de fechamento

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais líquidas da Bolsa, fechou o pregão desta sexta-feira, 15, com alta de 1,47%, em sua maior pontuação histórica, aos 75.756 pontos. O principal indicador do mercado de ações brasileiro renovou máximas acima dos 75,5 mil pontos durante todo o pregão, atingindo o maior registro intraday (antes do fechamento) às 17h08, com 75.820 pontos.

Segundo operadores, a melhora dos indicadores econômicos do País e a percepção de que o governo deve ganhar força para aprovar a reforma da Previdência têm impulsionado o mercado de ações, e com isso, a própria Bolsa deve melhorar suas receitas já no terceiro trimestre.

Os papéis de instituições financeiras aparecem entre os destaques de alta. As ações preferenciais de Itaú Unibanco subiram 1,87%; as preferenciais e as ordinárias de Bradesco, ganharam 2,13% e 2,86%, respectivamente; os papéis ON de Banco do Brasil avançaram 1,46%; e as ações de Santander Brasil Unit subiram 2,13%.

As siderúrgicas também figuram entre as variações positivas. CSN ON fechou em alta de 4,43%, a R$ 10,85, e Usiminas PNA subiu 2,97%, a R$ 8,68. De acordo com operadores, os fundamentos para o setor continuam sólidos e há melhora dos indicadores no Brasil, além de tentativas do governo para ampliar os investimentos em infraestrutura.

As ações ordinárias e preferenciais da Vale tiveram reações distintas ao impacto da nova queda de 2,51% do preço do minério de ferro na Ásia e da paralisação das atividades de mineração de Onça Puma. Vale ON ganhou 0,54%, a R$ 33,80, enquanto as ações PNA avançaram 3,49%, na máxima, a R$ 32,06.

Apesar de haver a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o risco Brasil recua hoje, segundo aponta o indicador de contrato de swap de default de crédito (CDS, na sigla em inglês).

"O ambiente aqui está calmo, ninguém está dando importância para o Janot, mas é normal alguma realização (nos juros) antes do fim de semana. Mas a tendência continua sendo de queda dos juros e alta da Bolsa", comentou Paulo Petrassi, sócio-gestor da Leme Investimentos.

JBS terminou o pregão com alta de 3,03%, a R$ 8,85. De quarta-feira, 13, quando ocorreu a prisão do presidente e sócio do frigrífico Wesley Batista, até o início do pregão desta sexta-feira, as ações acumulavam valorização de 10,15%.

Operadores do mercado afirmam que segue a expectativa pela saída de Wesley à medida que novas provas surgem contra os irmãos Joesley e Wesley Batista. Mensagens de WhatsApp no celular de Wesley indicam que partiram do próprio empresário as ordens para compra de dólares no mercado futuro, segundo a Polícia Federal.

Alimentos podem fechar o ano com deflação histórica

Oferta gerada por supersafra no campo deve fazer com que alimentação no domicílio registre decréscimo de até 4% nos preços

A queda dos preços de alimentos tem surpreendido constantemente o mercado e já é o principal responsável pela queda nas projeções para inflação no ano, medido oficialmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A expectativa de economistas ouvidos pela reportagem é que o conjunto de preços de alimentação no domicílio, que representa pouco mais de 16% da cesta de produtos e serviços usada para integrar o IPCA, termine 2017 no nível mais baixo desde o Plano Real. A oferta abundante por causa da safra inédita de grãos é o principal fator a empurrar os preços dos alimentos para baixo.

Depois de fechar com altas de 10,38% em 2015 e de 9,4% em 2016, o segmento de alimentação no domicílio deve terminar o ano no campo negativo, podendo ficar entre -3% e -4%, conforme os analistas. A última vez que foi registrada queda nessa categoria foi em 2006, de -0,13%, o resultado mais baixo da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1994.

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Esse cenário contraria até mesmo a estimativa mais otimista do início do ano, que era de taxa positiva na faixa de 2%. Além da boa oferta de alimentos, o câmbio comportado também vem permitindo um cenário mais favorável para os preços alimentícios e, em magnitude menor, a recessão econômica e até mesmo a crise deflagrada pela JBS.

Para alguns, a queda esperada em alimentação no domicílio pode fazer o IPCA fechar este ano abaixo de 3%, que é a banda inferior da meta inflacionária (4,50%). Essa marca aquém de 3,00%, se confirmada, seria o menor nível desde 1998 (1,65%).

Essa forte deflação esperada para a categoria de alimentos em casa, que acumula -5,19% em 12 meses até agosto, deve produzir inércia para baixo nos outros preços da economia, diminuindo os riscos da política monetária seguir estimulativa por mais tempo.

+ OPINIÃO: Inflação baixa e crescimento

Como não descarta novas surpresas em Alimentação, o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio Souza Leal, vê bastante chance de a inflação terminar abaixo de 3,00% em 2017, embora sua projeção atual seja de 3,10%.

A estimativa do economista do ABC Brasil é de retração de 3,70% em alimentação no domicílio este ano, número que não tinha nas suas planilhas no começo do ano. "Pensando em um bom ano de alimentos, esperávamos anteriormente cerca de 3% de alta. Foi surpreendendo mais e mais até chegar nessa queda tão forte."

"Em quatro momentos ao longo do ano o mercado chegou a antecipar que haveria uma normalização dos preços, mas seguiu surpreendendo", lembra o economista João Fernandes, da Quantitas Asset Management, que prevê queda de 4% para o segmento.

Para o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, a "inércia boa" trazida pela forte deflação de alimentos no IPCA acumulado em 12 meses deve perdurar nos outros preços da economia durante bastante tempo, puxando a inflação toda para baixo. "Sempre trabalhamos com a inércia maligna, com o Banco Central (BC) tendo que combater subindo juros", lembra. Agora, diz, o efeito baixista deve possibilitar a política monetária a permanecer "frouxa". "O BC vai poder manter a taxa de juros estimulativa por mais tempo."

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O próprio BC vem ressaltando que a dinâmica favorável dos alimentos "persiste até o momento", conforme retrata a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês. Segundo o Banco Central, "essa queda intensa dos preços de alimentos constitui uma substancial surpresa desinflacionária". Ainda de acordo com a ata, o recuo do grupo responde por parcela relevante da diferença entre as projeções de inflação para 2017 e a meta de 4,5%. Em 12 meses até agosto, o IPCA acumula 2,46%.

Conforme Fernandes, as dúvidas que ficam se dão em relação à intensidade e à duração do ciclo de queda da Selic. "Será que haverá normalização dos preços em 2018 ou a queda se estenderá?", questiona. A Quantitas já vê Selic caindo para 6,50% no ano que vem.

Caso continue sendo surpreendido, o economista Leonardo França Costa, da Rosenberg Associados, não descarta a possibilidade de a taxa de juro terminar 2018 aquém da estimativa atual de 7,00%, que também é esperada para o fim deste ano. "Só passamos a esperar recuo em alimentação no domicílio no meio do ano. Chegamos a esperar alta de cerca de 4%. Agora, estimamos queda de 3%. Será histórico", afirma, levando em consideração projeção de 2,80% para o IPCA em 2017.

Contudo, para o economista do Fibra, outras surpresas desinflacionárias dos alimentos não devem ter força para provocar cortes mais agressivos da Selic pelo BC. Na opinião de Oliveira, o hiato do produto, que deve se fechar ao longo do próximo ano, é o principal fator que o BC está monitorando. "Por mais que exista espaço de pressão baixista por mais tempo que o BC imagina, o hiato do produto se fechando nos próximos trimestres é muito importante", diz ele que estima 3,7% de alta do PIB em 2018 e 4,5% em 2019.

"A discussão agora não é mais se o juro vai atingir 7% no fim do ano, mas por quanto tempo a taxa será mantida nesse nível e para qual patamar vai subir quando começar o ciclo de alta. O grupo Alimentação não entra nessa discussão", completa Souza Leal.

Prato feito. A despeito da lista de alívio nos preços englobar uma gama de produtos, o arroz e o feijão são os mais lembrados pelos economistas. Depois de o feijão ficar mais caro 56,56% em 2016, só o do tipo carioca - um dos mais consumidos, acumula queda de quase 28% de janeiro a agosto deste ano. O arroz, que subiu 16,16% em 2016, já cai 8,58% neste ano até agosto. "Feijão, hortaliças e legumes, frutas e até mesmo as carnes estão caindo. É uma mistura de fatores: safra recorde, restrição orçamentária e os problemas da JBS após a delação dos seus empresários", afirma o economista da Rosenberg.

A gastança crônica e o duro aprendizado, por CELSO MING (no ESTADÃO)

Três anos de recessão no Brasil e de forte desemprego, devidos a erros exclusivamente nossos, construíram um arsenal de experiência

O escritor inglês Oscar Wilde disse uma vez que “experiência é o nome que damos a nossos erros”. Três anos de recessão no Brasil e de forte desemprego, devidos a erros exclusivamente nossos, construíram um arsenal de experiência. Se algum benefício terá proporcionado foi o de ter amolecido corações e mentes para entender melhor a natureza das coisas e assumir nova postura diante de verdades que o brasileiro se recusava a aceitar.

Uma dessas verdades é a necessidade de promover reformas, sem as quais o País estaria condenado à prostração e ao atraso. Durante muitos anos, o discurso do equilíbrio das contas públicas vinha sendo considerado por tanta gente no Brasil, principalmente pelas chamadas esquerdas, nada mais que pregação de ortodoxos neoliberais, destinada a preservar a renda dos mais ricos em prejuízo dos trabalhadores.

ctv-lzp-14set ilustraExperiência com a recessão deve lembrar que as reformas para equilibrar as contas do Estado são mais que necessárias Foto: Marcos Müller
Agora se viu que o projeto que pretendeu empurrar o crescimento econômico baseado em intervenções na economia e no voluntarismo produziu um desastre atrás do outro. Não foi apenas a economia do Brasil que foi para o vinagre. Alguns Estados, como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, foram sucateados e já não conseguem pagar em dia nem salários nem aposentadorias.

A ameaça de que o Brasil caminha para o mesmo destino desses Estados parece ter empurrado os políticos à responsabilidade fiscal. Enfim, independentemente do destino que vier a ser dado às novas denúncias do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, equilíbrio nas contas públicas passou a ter importância. Falta saber quanta.

E isso a gente vai saber dentro de semanas, quando entrarem em pauta as discussões no Congresso sobre o projeto de reforma da Previdência Social. Todos os argumentos supostamente técnicos da oposição foram desmontados, inclusive o de que o projeto não foi suficientemente discutido. Nos anos mais recentes, o primeiro a defender a reforma da Previdência foi o então presidente Lula. Dilma, que lhe sucedeu, também colocou o tema em pauta, sob o argumento de que, se nada de importante se fizer para reverter o quadro falimentar do sistema, o próprio aposentado ficará sem sua renda. O resto é lenga-lenga.

O outro tema fortemente demonizado até recentemente é o das privatizações, que, ao longo do último debate eleitoral, a atual oposição chamou de privatarias. A principal razão pela qual a privatização ficou inevitável não é a premente necessidade de caixa do setor público, nem a busca de mais eficiência no serviço público, nem mesmo a necessidade de atacar o gigantismo do Estado. A principal razão é a necessidade de garantir imediatamente os investimentos com que o Estado quebrado não tem mais condições de arcar. Sem privatização e sem concessão de serviços públicos, como garantir a construção de novos portos, rodovias, ferrovias e serviços de telecomunicação?

Mas o brasileiro parece ter ficado mais propenso a mudar seu ponto de vista apenas porque entendeu que manter hidrelétricas no setor público é entregá-las para os amigos do Edison Lobão.

Mas não basta a experiência. O problema do aprendizado com a experiência são as recaídas. O ser humano está sempre desaprendendo. E tem uma estranha atração por desastres, especialmente na área econômica.

» A surpresa do IBC-Br

O Índice da Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que existe para antecipar o comportamento do PIB, apontou em julho avanço de 0,41% sobre o mês anterior. Ninguém esperava tanto. A projeção do Banco Central para o PIB de 2017 é de 0,5%. Este é mais um indicador de que a recessão ficou para trás. Trata-se de um número forte, que tende a puxar um efeito arrasto para os meses seguintes. Mesmo que haja uma desaceleração, daqui para a frente a tendência é de retomada firme do PIB.

ctv-jfw-14set ibcbrjulhoAlém do avanço de 0,41% frente a junho, o IBC-Br acumulou alta de 0,14% em 2017 até julho 

Terminou nesta 6ª feira período do vazio sanitário na maioria dos estados produtores do Brasil

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O vazio sanitário encerra-se nesta sexta-feira (15) nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Roraima e em algumas áreas produtoras do Estado do Pará. Com isso, o plantio da soja já pode começar. No Paraná, o fim do vazio sanitário ocorreu já na semana passada, dia 10 de setembro.

A medida, que tem período mínimo de 60 dias, é uma forma de combater a ferrugem asiática, principal fungo da cultura da soja e que causa perdas consideráveis nas lavouras. Atualmente, 12 estados e o Distrito Federal adotam a estratégica de combate à doença.

Ao descumprir a lei, o produtor pode ser autuado e multado com valores determinados pelas unidades fiscais de seu respectivo estado.

Veja abaixo o período de vazio sanitário nos estados e no DF:
Paraná: 10/06 até 10/09
Mato Grosso: 15/06 até 15/09
Mato Grosso do Sul: 15/06 até 15/09
Roraima: 15/06 até 15/09
São Paulo: 15/06 até 15/09
Santa Catarina: 15/06 até 15/09
Tocantins: 01/07 até 30/09
Goiás: 01/07 até 30/09
Minas Gerais: 01/07 até 30/09
Distrito Federal: 01/07 até 30/09
Bahia: 01/07 até 07/10

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Fonte: Notícias Agrícolas + ESTADÃO

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