Temer promete a sindicatos regulamentar imposto sindical em 15 dias

Publicado em 04/10/2017 18:40 e atualizado em 07/10/2017 01:19
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Em reunião com politicos da Oposição, no apto. de Kátia Abreu, Maia diz que Temer vai enfrentar cenário mais conturbado para se livrar de nova denúncia

Temer Sindicalistas

O deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, e dirigentes da Força Sindical deixaram o Palácio do Planalto, nesta terça-feira (3), com a promessa de regulamentação da contribuição assistencial, que abastecerá os cofres dos sindicatos, no prazo de 15 dias.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, afirmou, nesta terça-feira (3), que o presidente Michel Temer se comprometeu a enviar ao Congresso Nacional um projeto que regulamenta a Contribuição de Negociação Coletiva em substituição à contribuição sindical.

Segundo a proposta, o valor da contribuição será fixado pela assembleia geral da categoria profissional e será descontado na folha de pagamento da empresa no mês em que for registrada a convenção ou acordo coletivo de trabalho no Ministério do Trabalho.

O desconto será aplicado a todos os trabalhadores, independentemente de sua filiação a sindicatos, desde que a assembleia conte a presença de 10% da categoria.

Leia a notícia na íntegra no site Notícias Brasil Online.

NA CASA DE KÁTIA ABREU

Maia diz que Temer vai enfrentar cenário mais conturbado para se livrar de nova denúncia

(Por Vera Rosa, O Estado de S.Paulo)

BRASÍLIA - Em jantar na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), na terça-feira, 3, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ter avisado o presidente Michel Temer de que há muitas insatisfações na base aliada, recomendou uma espécie de "refundação" do governo e previu que ele enfrentará mais dificuldades na votação da segunda denúncia.

Maia lamentou que Temer não tenha seguido o seu conselho, dado após a Câmara impedir a abertura de processo por corrupção passiva no Supremo Tribunal Federal, em agosto. Na época, o deputado chegou a sugerir ao presidente até mesmo mudanças no Ministério. "Só que ele não fez", observou.

Às vésperas de deixar o cargo, no mês passado, o então procurador-geral da República Rodrigo Janot acusou Temer dos crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça. Na avaliação de Maia, o cenário político, agora, está mais conturbado.

O jantar de terça-feira reuniu senadores e deputados, a maioria de oposição ao Palácio do Planalto, como o ex-líder do PMDB Renan Calheiros (AL), que não poupou críticas a Temer e à condução do governo. “Foi uma reunião entre amigos. Minha casa não é local de conspiração. As críticas que faço ao governo são à luz do dia”, disse Kátia, que desde meados de setembro está suspensa de suas atividades partidárias por dar causa de declarações contra a cúpula do PMDB.

As estocadas na direção de Temer, as eleições de 2018 e a crise institucional protagonizada por Executivo, Legislativo e Judiciário predominaram no encontro. “A voz corrente na Câmara e no Senado é que a denúncia contra Temer e os ministros (Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral) deve ser rejeitada, mas ninguém sabe se o Brasil aguentará o custo disso. Vai sair muito caro”, afirmou o senador Jorge Viana (PT-AC), presente ao jantar.  “Teremos um presidente sangrando até 2018”, insistiu Renan.

Maia disse esperar “respeito” do PMDB, que vem assediando parlamentares em negociação com o DEM, mas não falou em rompimento com o governo, embora suas relações com o Planalto estejam desgastadas. O presidente da Câmara é o primeiro na linha de sucessão de Temer.

“Eu me manifestei no jantar para dizer ao Rodrigo que ele tem um papel muito importante nesse processo todo, até 2018. De um lado, o governo semiparlamentarista está fragilizado e, de outro, ele vem assumindo cada vez mais protagonismo”, argumentou o senador Armando Monteiro (PTB-PE).

A difícil situação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), afastado do mandato pelo Supremo - após denúncia apresentada com base nas delações da JBS -  foi outro tema do encontro. Para Renan, o Senado se “acovardou” ao esperar o julgamento do Supremo, marcado para o dia 17. A avaliação ali, porém, foi a de que a maioria do Senado não quis desafiar a Corte por temer retaliações, já que vários parlamentares são alvos da Lava Jato.

Rodrigo Maia, pautado para ser o novo Cabral a (re)descobrir o Rio, cumpre agenda anti-Temer (por REINALDO AZEVEDO)

Nem o mais virulento político do Centrão atuaria à moda do doutor; usa o posto a que chegou porque teve o apoio do presidente para alvejar o presidente. Não é mosca azul. É sabotagem mesmo!

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), erra quando atribui a assessores palacianos a metáfora até meio desgastada de que ele foi picado pela mosca azul. Quem primeiro escreveu isso fui eu, que não sou assessor de ninguém. O texto está aqui. A imagem segue abaixo. Foi publicado no dia 6 de julho.

Reproduzo trechos daquele artigo.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), passou o dia de ontem cercado de moscas azuis. E elas o picavam aqui, ali, acolá… Gente que acompanhou o cerco de perto e as conversas de corredor a que tive acesso me fizeram pensar na “performance sedutora” dos diabos das peças de Gil Vicente ou Padre Anchieta. São canhestros, desastrados, até divertidos na sua parvoíce.

E o que os capetas de segunda grandeza queriam ontem com Maia? Ora, direta ou indiretamente, muitos lhe fizeram o convite para que entregasse o presidente Michel Temer em domicílio, como um motoboy a levar uma pizza ao diretório do PT, e buscasse articular a sua própria ascensão à Presidência pelo Colégio Eleitoral.

O que isso quereria dizer na prática? Na narrativa de corredores, que me parece aloprada, o relator da denúncia contra Temer na CCJ da Câmara, Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), considerado próximo do presidente da Casa, faria um relatório recomendando a continuidade do processo. Tal texto seria aprovado por maioria simples na CCJ, e isso ensejaria um desembarque em massa da base aliada, com os tucanos atuando como VRU: Vanguarda do Retrocesso dos Urubus.
(…)
Silêncio ambíguo
Conversando com pessoas que dizem ter conversado com Rodrigo Maia — e ouvi o mesmo de várias fontes —, fiquei com a impressão de que o presidente da Câmara não deixou suficientemente claro que não ambiciona o lugar de Temer. Muita gente saiu com a convicção, que considero, em princípio, erro de interpretação, de que o presidente da Câmara não rejeita a ideia.

Bem, o meu conselho? Que fale com mais clareza quem é seu candidato a concluir o mandato, desautorizando especulações doidivanas, vindas até da esquerda. Ontem à noite, Lula afirmou, num evento com petistas, que os companheiros não devem se conformar com a possibilidade de que Maia substitua Temer. Segundo o chefão do partido, todos são golpistas. Ele quer eleições diretas.

Retomo
Depois, naqueles dias, ele foi almoçar com um vice-presidente da Globo — eu o aconselho a almoçar menos ou, ao menos, a variar o cardápio de convivas — e voltou dizendo que “gente muito importante” achava que Temer, se sobrevivesse à primeira denúncia, não sobreviveria à segunda. A primeira opção dos golpistas era Cármen Lúcia. Maia passou a ser a segunda.

Agora que se foram as esperanças de deposição de Temer, resta tornar a sua vida um inferno até as eleições de 2018. E Maia cumpre direitinho o seu papel.

Dia desses, nós o vimos a dizer que achava que o governo tinha, no máximo, 200 votos para a reforma da Previdência. Depois, em entrevista ao jornal Valor Econômico, do grupo Globo (varie o cardápio, deputado!), afirmou que não tinha sido picado pela mosca azul e que não tentara derrubar o presidente. Aproveitou para acusar o ex-vice de ter conspirado contra Dilma e deu a entender que ele próprio, puro como as flores, não atuou em favor da queda da petista. Dizer o quê?

Dilma caiu legalmente. E Maia foi, sim, entusiasta da causa, em parceria com Eduardo Cunha, de quem chegou a ser fiel escudeiro. Por um tempo ao menos. Quando o outro caiu em desgraça, seria capaz de dizer: “Cunha? Quem é esse?”

Quem tem Cunha no passado deveria ter, se não medo, ao menos cuidado.

Agora, o homem volta. Continua a fazer previsões. Diz que o governo terá dificuldades para fazer com que a Câmara rejeite a nova denúncia. E isso depois da escandalosa desmoralização de Rodrigo Janot; depois de terem ficado claras todas as ilegalidades e indignidades cometidas; depois de evidenciar a cadeia criminosa que se armou para derrubar o presidente.

Sabem o que acho curioso? É Maia falar em acordos não-cumpridos. Pergunto: quais acordos? O que diferencia o doutor do mais virulento, vamos dizer assim, chantagista que pertencesse ao sempre malhado Centrão? Ou alguém ignora que o presidente da Câmara se torna especialmente duro quando o presidente se torna alvo?

Dia desses, um amigo me perguntou: “Maia quer derrubar Temer agora?” Ao que respondi: “Não! Acho que ele e alguns golpistas, seus amigos e interlocutores, agora se empenham apenas em fabricar um placar mais apertado do que o da votação anterior. Afinal, o Brasil está em franca recuperação econômica, em razão de medidas adotadas pelo governo, e não se deve dar àquele que tentaram derrubar em uma semana a chance de se recuperar.”

Maia só é presidente da Câmara porque contou com apoio do governo Temer. Também se vendeu à imprensa que sua agenda seria institucional, à diferença do Centrão, que seria fisiológico. Hoje, ele passa os dias com a faca no pescoço do presidente. Deveria tomar cuidado. “Gente importante” do Rio de Janeiro já inventou antes um Sérgio Cabral administrador exemplar. Vejam a pindaíba a que Cabral e “gente importante” conduziram o Estado.

Na manifestação mais agressiva do presidente da Câmara, eu o vi como chefete de facção, a reclamar que o PMDB estava roubando dissidentes do PSB que, sei lá por quê, ele julgava seus. Ah, sim: ao Valor Econômica, com deselegância característica e tentativa desastrada de humor, disse que sua mãe, Mariangeles Ibarra Maia, gosta de Temer. Reproduzo a grosseria:
“Não sei o que aconteceu que ela [a mãe] gosta do presidente Michel Teme. mas como é chilena, então, coitada, nem pode contabilizar a favor”.

Bem, o segredo de aborrecer é dizer tudo. Admirar Temer é certamente o lado ortodoxo da mulher que CASOU com César Maia. Rodrigo já tinha 20 anos em 1990, quando seu pai, César, desafiando Brizola, foi à rua distribuir panfletinhos em defesa do… Plano Collor!

Mesquinharias
Pois não é que o doutor usa a posição só alcançada com a ajuda de Temer para alvejar o presidente, sendo instrumento, agora, de algumas mesquinharias de quem prometeu ao público aquilo que não pode entregar?

Ah, sim: ao Valor, para provar que não é golpista, disse que Temer só não caiu porque ele, Maia, resistiu à tese tucana do desembarque. Falso! Vamos ver agora. À época, o desembarque contou com menos da metade da bancada do PSDB. Ainda que assim fosse: se alguém um dia salvar a sua vida, leitor amigo, ela, a sua vida, não passa a ser propriedade de salvador. Nem você deve se sentir obrigado a ser escravo do outro.

Se Maia quiser enviar ao blog a lista de demandar que tem com o governo, lerei com carinho. Uma coisa é certa: não gosto dessa sua mania de fazer palestra para representantes do mercado, posando de fiscalista radical, mas depois, com passos lentos e pesados, com a pachorra dos calculistas, afirmar: “Ah, acho que a reforma da Previdência terá apenas 200 votos”…

Para encerrar, acrescento que ele nada fez em favor de uma reforma política realmente substantiva. Quando meia-dúzia de reaças saíram berrando contra isso e aquilo, retirou o time de campo e permitiu que o voto distrital misto naufragasse junto.

Não sou e não serei político. Aquele meio não me interessa. Mas já vivi mais do que Maia. Ele é bem mais antigo do que pensa.

Encerro com uma advertência: cuidado, deputado, com os Pigmaleões que se consideram escultores de políticos, dando-lhes vida depois. Não se candidate a ser um novo Sérgio Cabral, o Rei do Rio.

Talvez Maia tenha razão. Não é mosca azul. É sabotagem mesmo!

Bancadas ‘boi, bala e Bíblia’ ampliam pedidos ao governo

As principais frentes parlamentares da Câmara dos Deputados reforçaram nos dois últimos meses as demandas por pautas de seus interesses no governo federal. A investida coincidiu com a delação do Grupo J&F e o início da tramitação da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva.

As chamadas bancadas “BBB” (Boi, Bala e Bíblia), que se organizam para defender temas ligados ao agronegócio, à segurança pública e à religião, abrigam 80% dos 213 deputados que não declararam publicamente como vão votar a respeito da admissibilidade ou não da acusação formal, segundo o Placar do Estado.

Além de distribuir emendas parlamentares e de receber mais de uma centena de deputados, Temer já atendeu algumas reivindicações das frentes e indica que poderá apoiar outras demandas históricas dos grupos. A sinalização mais clara foi dada à bancada ruralista, a mais organizada e combativa da Câmara, formada por 205 deputados.

Para barrar o prosseguimento da denúncia na Casa, Temer precisa de um mínimo de 172 votos. A admissibilidade da acusação requer um mínimo de 342 votos. O governo está confiante de que a denúncia será rejeitada. A sessão está marcada para quarta-feira.

A expectativa, contudo, é de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente ao menos uma nova acusação formal contra o presidente, que ainda é investigado pelos crimes de obstrução da Justiça e organização criminosa. Esta situação intensificou o clima de cobrança na Câmara.

No mês passado, em meio à tramitação da denúncia, Temer destravou os principais itens da chamada “Pauta Positiva” apresentada pela Frente Parlamentar pela Agropecuária em maio de 2016 ao então vice-presidente – uma semana antes do afastamento de Dilma Rousseff.

Entre os itens da pauta, foi sancionado no dia 11 deste mês a medida provisória que permite a legalização em massa de áreas públicas invadidas, apelidada por ambientalistas de “MP da Grilagem”. Oito dias depois, o presidente Michel Temer aprovou parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que determina que o entendimento do Supremo Tribunal Federal no julgamento da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, deve balizar próximas demarcações.

O governo também encaminhou neste mês de julho ao Congresso um projeto de Lei que altera os limites da Floresta Nacional do Jamanxim e cria uma Área de Proteção Ambiental de mesmo nome, no Pará. Na prática, o governo propõe o aumento da área passível de ser desmatada, o que gerou protestos de ambientalistas.

O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), coordenador da Frente Parlamentar Mista da Agricultura destaca avanços nas negociações com o governo Temer em relação a demarcação de terras indígenas, venda de terras para estrangeiros, licenciamentos ambientais e anistia às dívidas de agricultores com o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), entre outras.

“Estamos mantendo um bom diálogo com o governo em diversos aspectos, principalmente em pautas que não avançavam há muito tempo”, disse Leitão.

Pressões. A Frente Parlamentar Evangélica conseguiu em junho que o Ministério da Educação determinasse a retirada de circulação de mais de 90 mil livros didáticos de conteúdo considerado impróprio pelos religiosos. A ação foi uma demonstração de força dentro da Comissão de Educação e mostrou a disposição do governo em dialogar com o grupo.

O deputado Alan Rick (DEM-AC), membro da frente, afirmou que na volta do recesso a bancada deve concentrar suas atenções para proposições ligadas à descriminalização do aborto – mais especificamente o Estatuto do Nascituro, que, na prática, transformaria o aborto em crime hediondo.

Em tramitação desde 2007, e já com parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o projeto deve ir ao plenário da Câmara tão logo a denúncia contra Temer seja um assunto do passado. Rick acredita que o Estatuto terá apoio do governo e de sua base. “Já conversei com o presidente e ouvi que ele, pessoalmente, é contra o aborto. Por isso, estou confiante que iremos conseguir barrá-las com o apoio do governo.”

Sem ter suas pautas atendidas de forma tão direta, a Frente Parlamentar da Segurança Pública projeta para o segundo semestre uma resposta do governo à sua principal demanda: a revogação do Estatuto do Desarmamento.

O grupo quer que o projeto do deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), que flexibiliza pontos do Estatuto do Desarmamento, seja lavado ao plenário. Entre os principais pontos estão o fim da obrigatoriedade da renovação do registro de armar e a redução da idade mínima para compra de armas de 25 para 21 anos. “Temos que insistir na votação da flexibilização do Estatuto. O governo não pode ser tão reticente ao tema”, disse o deputado Alberto Fraga (DEM-DF), coordenador da Frente Parlamentar da Segurança Pública. “Antes era o viés da omissão. Agora, ao menos, estamos trazendo essas questões para o debate”, completou.

Repúdio da população aos corruptos deverá se impor, tornando o apoio de Temer um enorme passivo

À margem do meio, por MONICA DE BOLLE, em O ESTADO DE S. PAULO

“É a economia, estúpido!”, frase de James Carville, estrategista de Bill Clinton, marcou uma era. A era breve em que a economia se sobrepôs à política, às guerras de valores, às “guerras culturais” que chegam ao Brasil com certo atraso. A frase, tão anos 90, não mais ajuda a entender as tensões, a raiva, o repúdio ao establishment que têm caracterizado as reviravoltas políticas mundo afora. Trump não foi resultado de uma economia mal gerida – os EUA já apresentavam anos de recuperação quando de sua surpreendente vitória. O Brexit tampouco resultou de fracassos econômicos, bem como a ascensão do partido de ultradireita alemão, o AfD, não pode ser atribuída a inexistentes erros econômicos do governo Merkel. Em todos esses casos prevaleceram valores, questões de identidade, e outros fatores políticos e culturais ortogonais à economia. O alardeado aumento da desigualdade como explicação para esses acontecimentos surpreendentes, sobretudo nos EUA e na Grã-Bretanha, perde força quando se considera que a distensão da distribuição de renda precede a crise de 2008.

Se as evidências mundo afora revelam que as preferências dos eleitores, hoje, têm maior relação com fatores não econômicos do que econômicos, por que haveria de ser diferente no Brasil? Sobretudo nesse Brasil destroçado pela corrupção? Por que haveria de ser diferente em um país onde a desconfiança em relação ao establishment está exacerbada pelos escândalos em profusão e escala jamais vistos?

Faço-me essas perguntas por notar no Brasil, entre determinados setores da sociedade, profunda desconexão com o que revelam as pesquisas de opinião e as pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2018. A narrativa esperançosa que prevalece no mercado, alimentada por alguns economistas, cientistas políticos e formadores de opinião, é que a recuperação econômica que começa a despontar será suficiente para mover mentes e corações em outubro do ano que vem.

Segundo esse raciocínio, eleitores dar-se-ão conta de que a continuidade do crescimento, da melhora no mercado de trabalho, da inflação baixa, apenas serão possíveis com a vitória de um candidato do meio, o meio reformista. Caso a profecia se concretize, não há por que temer o descalabro fiscal armado por Dilma e acentuado por Temer – afinal, haverá solução com uma equipe econômica responsável, indicada pelo vencedor “centrista”.

São muitas as falácias dessa narrativa. De um lado, há a crescente rejeição ao governo Temer apontada pelas mais recentes pesquisas de opinião. Difícil acreditar que um governo tão carente de aprovação e com imenso índice de rejeição seja capaz de apoiar candidatos em 2018. Dito de outro modo, ainda que o governo possa se vender como o fiador da melhoria econômica, o repúdio da população aos corruptos encastelados deverá se impor, tornando o apoio de Temer não um ativo, mas enorme passivo. De outro, há indícios claros de que a sociedade clama por alguém que represente a “mudança”, independentemente do que esteja acontecendo na economia. Entre determinadas faixas de renda e regiões do País, Jair Bolsonaro desponta como candidato da “mudança”. Para os mais pobres e para os nordestinos, Lula ainda simboliza a mudança, pois, afinal, foi no seu governo que houve melhorias significativas na vida dessas pessoas. É provável que Lula não seja candidato viável em 2018. Contudo, isso não aumenta as chances de qualquer candidato que queira se autodenominar “centrista”, pois os que aí estão não são vistos como agentes de mudança, à possível exceção de Marina Silva.

O elevado grau de pulverização do suposto centro reformista tampouco casa bem com a ideia de que um desses candidatos chegue ao segundo turno, ou, mesmo que chegue, que possa enfrentar o discurso da lei e da ordem, antiestablishment, de Jair Bolsonaro. Bolsonaro não tem agenda econômica – o pouco que disse remonta ao velho nacional-desenvolvimentismo pregado por outros partidos. Mas a ausência de propostas para a economia não deverá ser fator decisivo – ou mesmo de segunda ordem – nas eleições. Quem acredita em James Carville, preso está aos anos 90, fadado poderá estar a ver sua versão Clinton esmagada pelo forasteiro.

Disse Fernando Pessoa que o gênio, o crime, a loucura representam de diferentes maneiras, uma inadaptabilidade ao meio. Não temos gênios, mas crime e loucura temos de sobra. Extinguir essa inadaptabilidade ao meio começa pelo duro reconhecimento da realidade.

* ECONOMISTA, PESQUISADORA DO PETERSON INSTITUTE FOR INTERNATIONAL ECONOMICS E PROFESSORA DA SAIS/JOHNS HOPKINS UNIVERSITY

Planalto nega ceder à pressão das bancadas temáticas

Questionada sobre a pressão das chamadas bancadas “BBB” (Boi, Bala e Bíblia) e a vontade do governo em atendê-las, a assessoria do Palácio do Planalto informou, por meio de nota, que o presidente Michel Temer sempre recebe parlamentares em audiência para tratar de temas de interesse da população e suas decisões não têm relação com as bancadas a que eles pertencem. “Não existe relação entre as ações do Governo Federal na área de Meio Ambiente e votos de parlamentares em qualquer tipo de matéria.”

No caso de Jamanxim, o Planalto diz que buscou o “equilíbrio para atender aos moradores assentados há décadas no Jamanxim e para manter a proteção ambiental”. A decisão garantiria “a preservação de parte da aérea de reserva sem punir os brasileiros que vivem e têm atividades produtivas na região.”

Sobre o recolhimento do livro Enquanto o Sono não Vem, o Ministério da Educação confirma que ele ocorreu a pedido da bancada evangélica, mas afirma que a decisão obedeceu a critérios técnicos. “Com base em parecer técnico da Secretaria de Educação Básica (SEB), o ministro da Educação, Mendonça Filho, decidiu recolher os 93 mil exemplares do livro Enquanto o Sono Não Vem, distribuídos pelo Programa de Alfabetização na Idade Certa (Pnaic).” O parecer consideraria a obra “não adequada para as crianças de 7 a 8 anos do ensino fundamental, pela abordagem do tema incesto”. 

Para a deputada Érica Kokay (PT-DF), membro de frentes ligadas aos Direitos Humanos e de defesa das questões indígenas, as frentes ruralista e religiosa são mais fortes do que os próprios partidos e, por isso, “é natural” que o presidente se dirija a elas na hora de negociar sua sobrevivência. “Essas bancadas estão claramente ‘colocando um ‘preço’.”

Para Antonio Augusto Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a fim de garantir apoio dos grupos de pressão, Temer está se comprometendo agora a encampar a agenda dos partidos conservadores, mas vai colocar os temas da bancada BBB na pauta só depois de aprovar as reformas.

“A prioridade de Temer nesse momento é sobreviver. Por isso, a agenda prioritária será a do mercado. Mas passada a agenda das reformas, o PSDB deve desembarcar do governo. Ele ficará, então, nas mãos dos partidos mais fisiológicos e conservadores. Nesse momento ele vai encampar as demandas das frentes.”

Já o sociólogo Murilo Aragão, da consultoria Arko Advice, avalia que as demandas dos grupos de pressão são mais um elemento nas negociações. “A agenda do agronegócio deve avançar. A bancada ruralista é muito organizada. Já a evangélica é mais difusa.”

Fonte: Notícias Brasil Online / Estadão

2 comentários

  • adegildo moreira lima presidente medici - SC

    Para quê fazer reforma trabalhista se a alteração mais valiosa -- que era acabar com a ditadura dos sindicatos e a exploração dos trabalhadores pelos sanguessugas --, vai ser revogada?

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    • GUSTAVO FERREIRA -

      Temer e Paulinho são da mesma mafia, estava na cara !

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    • ROBERTO CADORECRUZ ALTA - RS

      Quem já teve empregado que "agiu de má fé " e após anos de serviço, ajuizou ação na Justiça do Trabalho...sabe que há que se fazer uma reforma. Por que, se entrou lá...dificilmente vai sair de lá sem pagar nada. Concordo com o Sr. sobre os sindicatos e a exploração dos trabalhadores, isso realmente é muito importante. Mas existem outras questões. A Reforma, deveria desburocratizar o sistema e tornar menos oneroso o trabalhador e seus encargos, e aumentar o nível de emprego, sem perder a qualidade. Então, outras mudanças tem que haver. Por exemplo, não pode ser somente o empregador, o responsável por se defender daquele que tudo pode pedir, sendo isso verdadeiro ou não, com a conivência e o conhecimento do profissional advogado. O assunto é complexo e sei que não tenho o conhecimento necessário para um melhor posicionamento. Sou empregador, quero fazer o certo...mas a lei é muito complicada... impossível de ser cumprida em sua totalidade. Somente por grandes produtores, com o serviço delegado a contadores ou advogados e há um custo alto demais. Aliás, a um tempo atrás, ouvi da boca de um advogado o que me pareceu bem apropriado. Resumiu ele em uma frase "a Justiça do Trabalho, faz o papel de distribuidor de renda no Brasil". Infelizmente, existe muita injustiça social, mas não são os empregadores os responsáveis. Por essas e outras é que precisaríamos dessa ampla reforma...

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    • ROBERTO ANDREA MAFFESSONICASCAVEL - PR

      vamos às ruas, e desta vez para ficar. NÓS PRODUTORES, NÃO ACEITAMO MAIS O PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS, PARA SINDICATOS QUE NÃO REPRESENTAM-NOS, E SIM AOS MOVIMENTOS SOCIAIS CRIADOS PARA FAVORECER AO PT E OS LADRÕES DO GOVERNO. LULA O MST, CUT ETC NÃO NOS REPRESENTAM. NÃO ACEITAMOS PAGAR PARA SUSTENTAR DESOCUPADOS E VAGABUNDOS.

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  • Cassiano aozane Vila nova do sul - RS

    Buenas, se Deus é por nós, quem será contra nós? Seria a ditadura democrática mamadeira, que quer se impor sem prestar contas, e sem prestar serviço que preste dos sindicatos deste pseudo país???. Onde está a livre iniciativa, o livre arbítrio, o ir e vir? Já vi! Sou escravo das infamias dos sanguessugas.

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    • EDMEU LEVORATOUBERABA - MG

      O mordomo de filme terror não perde tempo. A preocupação dele é permanecer no poder. O povo que se exploda, como diria o Justus Veríssmo.

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