Bolsonaro disparou, e já tem 22%, 7 a menos que Lula (em O Antagonista)

Publicado em 13/11/2017 21:14 e atualizado em 14/11/2017 21:50
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O site de política O Antagonista não informa quem, quando e como foi realizada a pesquisa

Jair Bolsonaro disparou nas pesquisas eleitorais.

Numa delas, realizada na semana passada, ele já aparece com 22% dos votos, a menos de sete pontos de Lula.

Ele saiu do nicho direitista e conseguiu atrair quase metade do eleitorado que quer ver Lula na cadeia.

Que Jair Bolsonaro pode ser eleito presidente do Brasil ninguém mais duvida.

O foco, agora, é tentar descobrir o que ele pretende fazer no governo.

Leia o editorial da Folha de S. Paulo:

“Firme no segundo lugar das pesquisas, Bolsonaro ainda procura o que dizer sobre os destinos do país.

Mesmo no seu tema de predileção, a segurança, jamais propôs diretrizes mais consistentes para a ação do Estado. Limita-se a pregar a repressão de crimes por meio de métodos violentos e do armamento da população.

Não faz muito tempo, apresentava-se como um nacionalista econômico, simpatizante de políticas da ditadura militar, contrário a privatizações, favorável ao protecionismo e ao fechamento de fronteiras, inclusive para imigrantes.

Mais recentemente, de modo trôpego, tenta incorporar a sua retórica alguns rudimentos do liberalismo e da responsabilidade orçamentária. O próprio deputado, no entanto, reconhece que pouco entende do assunto.

Tampouco se tem grande noção do pensamento de Bolsonaro por meio da análise de sua carreira política — afora o que se conhece de seus rompantes e grosserias, costumeiramente ofensivos a mulheres e homossexuais.

A despeito de exercer seu sétimo mandato consecutivo, a trajetória parlamentar é apagada. Não se destacou por apresentar ou relatar projetos de importância, por articular ou liderar grupos políticos de relevância no Congresso.

Carece de aliados, de planos de substância, de partido. Muito terá de trabalhar para que não seja tão somente mais uma outra ameaça ao soerguimento do país.”

Mercado se rende a Bolsonaro contra Lula

Os economistas e analistas de instituições financeiras — o chamado “mercado”— preferem ver na disputa presidencial de 2018 Henrique Meirelles e os tucanos Geraldo Alckmin e João Doria, mas, como já registrou O Antagonista e destaca a Folha neste domingo, “um elemento estranho foi anexado à lista: o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ)”, que desbancou os demais nas pesquisas e despontou como rival de Lula.

“Bolsonaro chegou a se reunir com investidores em Nova York, apoiado pelo banqueiro Gerald Brant, da firma de investimentos Stonehaven.

O seu novo combo econômico fala de Estado mínimo, eficiente e livre da corrupção; prega a redução do juro para 2%; e até aceita privatizações — algo no mínimo esquisito para um nacionalista de carteirinha que considera um perigo o avanço global chinês.”

Em nova ‘carta’, Bolsonaro defende independência do BC

Jair Bolsonaro recorreu novamente à internet para afastar temores sobre a política econômica que executará num eventual governo.

Ele postou em seu perfil no Facebook que segue na “construção de uma pauta propositiva moderna, dentro de parâmetros profissionais e éticos” e defendeu um “Banco Central Independente”.

E avisou que usará o Facebook como canal de comunicação. “Acreditamos que esse formato institucional evitará que pessoas desqualificadas e mal intencionadas ganhem com especulações, boatos e as conhecidas Fake News.”

Leiam abaixo:

O Brasil precisa de um Banco Central independente! No tripé macroeconômico (taxa de câmbio flutuante, metas de inflação e superávits primários), o Banco Central é responsável por dois dos três pilares.

Com sua independência, tendo mandatos atrelados a metas/métricas claras e bem definidas pelo Legislativo, profissionais terão autonomia para garantir à sociedade que nunca mais presidentes populistas ou demagogos colocarão a estabilidade do país em risco para perseguir um resultado político de curto prazo.

O exemplo recente é a desastrosa condução da inflação sob o mandato de Dilma Rousseff.

Como se não bastasse, ainda havia a discussão de como gastar as reservas internacionais para, sob a orientação dos “sábios” conselheiros do PT, estimular a politica “desenvolvimentista”. O impeachment evitou que quebrassem completamente o Brasil!

A produção acadêmica internacional deixa claríssimo o benefício de ter um banco central independente. São os países que adotam tal modelo os que conseguem ter uma inflação mais baixa, juros menores, serem os mais ricos e estáveis do mundo.

Assim, que tal nos inspiramos em países que estão no rumo certo, como Canadá, Japão, Grã-Bretanha, Israel, EUA, Austrália, México, Chile, Peru, entre outros? Há também uma alternativa, que são os países que não o têm: Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, Paquistão, etc.

O menor risco de ingerência política gera, comprovadamente, menor inflação e redução dos juros de longo prazo. Precisamos construir as condições para que o Brasil tenha juros baixos de forma sustentável e estruturada. Basta de querer baixar os juros na canetada!

Quanto aos populistas de plantão, que irão argumentar que o Banco Central poderá manter os juros elevados para beneficiar os banqueiros, explicamos que um banco não ganha dinheiro aplicando seu próprio capital. Banco ganha com o spread! O capital serve de garantia para a intermediação. Quando os juros sobem, a inadimplência aumenta e os lucros caem.

Atualmente, com a Selic próxima de seus mínimos históricos, o lucro dos bancos é recorde e as ações dos bancos se valorizaram.

O problema no Brasil é que este é mais um setor onde o PT/PSDB permitiu a concentração do mercado, diminuindo a concorrência. Monopólios e oligopólios capturam o excedente do consumidor. Traduzindo: os juros do Banco Central caíram, os juros do consumidor não! O lucro dos bancos subiu com juros baixos!

No Brasil temos pouca poupança interna (pouca oferta de crédito) e enormes demandas reprimidas (muita demanda por crédito) com investimentos óbvios em infraestrutura ou o potencial de crescimento do consumo de bens duráveis, educação superior, habitacional, etc.

Como se não bastasse, ainda aparece o governo pegando uma parte deste escasso crédito para financiar despesas operacionais (déficit primário). Os economistas chamam tal movimento de crowding out. Por último, os juros são elevados para nós cidadãos normais! Os amigos do rei têm o BNDES.

Hoje, após o desastre em que Lula nos deixou, com seus ungidos Dilma/Temer, nossa taxa de investimento é baixíssima. Há uma enorme capacidade ociosa e nossa pequena poupança interna nos atende. Mesmo assim, o déficit em transações correntes prova que o financiamento do déficit do setor público vem do exterior.

Quando voltarmos a crescer, teremos o mesmo problema de sempre: trazer poupança do exterior, o que é volátil! Qualquer problema global e paramos de crescer. Precisamos libertar o Brasil de sua dependência do capital internacional! Como fez o Chile!

O primeiro passo é um BC independente, com mandato e metas de inflação claras, aprovadas pelo Congresso Nacional, para nunca mais um populista colocar em risco o orçamento das famílias brasileiras. A missão de um governo sério é proteger as pessoas.

A percepção de risco, embutida nos juros das dívidas mais longas, será reduzida, viabilizando investimentos e o crescimento de nosso Brasil.

Bolsonaro pede apoio ao dono da igreja Sara Nossa Terra

Jair Bolsonaro se reuniu com o bispo Robson Lemos Rodovalho, dono da igreja evangélica Sara Nossa Terra, uma comunidade que nasceu em Brasília e hoje tem mais de 1,3 milhão de fiéis em todo o mundo.

Rodovalho foi eleito deputado federal em 2006, pelo então PFL, hoje DEM.

Na carreira política, também comandou a Secretaria de Transportes do governador cassado José Roberto Arruda. O líder religioso mantém no ar, há 20 anos, uma rede de comunicação chamada TV Gênesis, considerada a maior rede gospel do país.

Como já dissemos, Bolsonaro buscará os votos e as orações dos evangélicos para chegar ao Planalto em 2018.

Na última semana, o presidenciável havia dado uma entrevista ao pastor Fadi Faraj, líder da igreja evangélica Ministério da Fé, que é investigado pelos crimes de corrupção, falsidade ideológica, uso de documento falso e coação de testemunhas.

Cuidado com quem tu andas, Jair.

Camisa preta não dá, Bolsonaro

Jair Bolsonaro foi homenageado em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, por um monte de gente vestida com camisas pretas.

Camisa preta é um símbolo fascista.

Recomenda-se a Bolsonaro que mande aposentar as camisas pretas.

No ESTADÃO: Bolsonaro defende independência do Banco Central nas redes sociais

Comunicado é assinado pela equipe do deputado e por dois colaboradores; um deles, ex-diretor da corretora do Banco Votorantim

O deputado e presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) lançou nesta segunda-feira, 13, um novo comunicado em sua página no Facebook para defender um Banco Central independente, fazer críticas aos governos do PT e mostrar que sabe, sim, o que significa o “tripé macroeconômico” – pergunta não respondida por ele durante programa de entrevista da jornalista Mariana Godói, na Rede TV, e que teve grande repercussão na internet.

O pré-candidato também avisou que vai usar as redes sociais como canal oficial para se precaver das “fake news”. O comunicado é assinado pela equipe de Bolsonaro e por dois colaboradores, Abraham Weintraub e Arthur Bragança Weintraub.

O economista que Jair Bolsonaro (PSC) tem procurado ouvirDeputado Jair Bolsonaro Foto: Dida Sampaio/Estadão

Os Weitraubs se juntam ao economista Adolfo Sachsida e ao advogado Bernardo Santoro – já identificados como participantes do “time” que estaria ajudando Bolsonaro a formular as bases de seu plano econômico e de governo. Abraham é ex-diretor da corretora do Banco Votorantim e diretor do Centro de Estudos de Seguridade (CES).

Já Arthur é advogado e doutor e direito previdenciário. Sachsida foi criticado pelo staff do precidenciável por ter “falado demais”. Por esse motivo, os Weintraubs preferem evitar declarações públicas. Na última quarta-feira, o grupo de apoio ao Bolsonaro divulgou uma primeira carta em que afastava a hipótese de ideias pouco ortodoxas saírem de sua futura equipe econômica.

A repercussão da não- resposta de Bolsonaro à pergunta sobre o ‘tripé macroeconômico’ e a necessidade de se afirmar como um candidato palatável ao ‘mercado’ é o que parece guiar o novo comunicado. Logo de cara, Bolsonaro e equipe afirmam: “O Brasil precisa de um Banco Central independente! No tripé macroeconômico (taxa de câmbio flutuante, metas de inflação e superávits primários), o Banco Central é responsável por dois dos três pilares.”

Na sequência, explica e politiza: “Com sua independência, tendo mandatos atrelados a metas/métricas claras e bem definidas pelo Legislativo, profissionais terão autonomia para garantir à sociedade que nunca mais presidentes populistas ou demagogos colocarão a estabilidade do país em risco para perseguir um resultado político de curto prazo.”

Ainda sobre a independência do Banco Central: “O primeiro passo é um BC independente, com mandato e metas de inflação claras, aprovadas pelo Congresso Nacional, para nunca mais um populista colocar em risco o orçamento das famílias brasileiras.”

Na seara política, o texto faz críticas a ex-presidente cassada Dilma Rousseff por “desastrosa condução da inflação” e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por, segundo o comunicado, ter nos deixado “com seus ungidos Dilma/Temer”. Bolsonaro e equipe dizem saber que “irão enfrentar grupos organizados e sem escrúpulos que farão qualquer coisa para vencer as próximas eleições”.

Além disso, cita Goebbels, Galileu e um versículo bíblico: “nquanto a esquerda prefere gurus do Nacional Socialismo como Joseph Goebbels: "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade"; nós ficamos com Galileu Galilei: eppur si muove! Todavia, a convicção que venceremos vem de João 8:32 “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”

No final da carta, Bolsonaro e equipe afirmam que as redes sociais serão o canal oficial de comunicação do grupo - e que em breve haverá a divulgação de um novo comunicado. “Para finalizar, informamos que este será nosso canal de comunicação e esperamos enviar um próximo comunicado em breve. Acreditamos que esse formato institucional evitará que pessoas desqualificadas e mal intencionadas ganhem com especulações, boatos e as conhecidas Fake News.” Na terça-feira, 14, a partir das 10h30, Bolsonaro estará em Vitória (ES) cumprindo agenda de candidato - com direito à caminhada e encontro com policiais.

“Osmercáduz” pisca a Bolsonaro? Será infiltração petista? Não há notícia melhor para o PT  (por REINALDO AZEVEDO)

O que interessa é saber em quais valores deputado ancora a sua postulação, que pauta a sua ascensão encarna e quais forças sociais mobiliza para se manter na disputa

Xiii, aquele ser estranho, que não tem corpo, endereço ou convicções definidas, está de volta. E agora dá piscadelas a Jair Bolsonaro.

Quem é esse? Atende pelo nome de “Ozmercádus”.

Ai, ai, eu sempre temo a hora em que essa personagem, que assombra todas as eleições, decide dizer porcarias. Escrevi sobre “Osmercáduz” na coluna na Folha, no dia 27 de outubro, em que recomendava a Luciano Huck que ficasse longe da eleição para não transformá-la num plebiscito de “sim” ou “não” à Globo — e o “não” venceria com folga.

Uma pequena digressão: o grupo que não consegue mais nem depor presidente da República não vai conseguir elegê-lo, certo? Vejam o caso da gestão Michel Temer: desde que a Globo existe, é o primeiro governo que a emissora nem apoia nem ajuda a derrubar ao mudar de lado, como fez com Collor ou Dilma. O grupo exigiu a renúncia de Temer, comportou-se editorialmente como ordem unida, pôs as forças armadas de microfone das ruas, avançou com a coluna de tanques de tanques no Congresso, mobilizou a Cavalaria para enviar mensagens aos Senhores da Guerra da República. E nada! Travou-se até batalha naval, com submarinos na Comissão Especial da Câmara que avaliou as denúncias. Dava o tiro e… “água!” À noite, o deputado Alessandro Molon (Rede-AP) e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) choramingavam no “Jornal Nacional”.  Mas volto ao leito.

“Ozmercádus”, li na Folha deste domingo, “flerta com a agenda reformista de Bolsonaro”. Não soubesse eu ser isso, com efeito, verdade, seria capaz de jurar que a repórter é uma agente petista infiltrada no jornal. Qualquer pessoa com a quantidade necessária de neurónios para distinguir, como diria Dilma, uma criança de um cachorro, que é a “figura oculta que corre atrás”, percebe que não poderia haver notícia melhor para o petismo.

Notem que falo “o petismo”, não a candidatura de Lula. A chance de que este não seja candidato por impedimento judicial é gigantesca. Assim, cumpre criar um cenário de “contra Lula, vale tudo”: proibi-lo de ser candidato; lançar um apresentador de TV; flertar com um militar reformado destrambelhado (com um discurso que transforma a direita numa caricatura); algum ET, se aparecer. O que poderia acontecer de melhor para os “companheiros” do que reeditar a luta do “Nós” contra “Eles”, agora estimulada pelo adversário: “Eles” contra “Nós”?

Quem diria, né? Quando comecei a advertir para esse risco, há precisamente um ano, disseram que eu exagerava, que estava louco, mas aí está. E nem vou me dedicar agora a esse particular. Ainda não é a hora de dizer, mas chegará, “a história me deu razão”. Falta muita água para arrastar a ponte.

Segundo a reportagem, “Ozmercádus”, este onipresente sujeito oculto, estaria vendo com bons olhos a “pauta liberal” de Bolsonaro. Com a devida vênia, duvido que o pré-cadidato saiba a diferença entre “economia de mercado” e “economia de supermercado”. Ele jamais teve apreço por esse debate e, nas vezes em que se manifestou sobre o tema, até passado recente, suas convicções econômicas não o distanciavam muito das do PSOL ou do PCO. Mas vá lá: vamos dar de barato que tenha se tornado um admirador tático da “economia de mercado”…

É bom parar com certa conversa mole que carrega um quê de terrorismo eleitoral  e que apela ao medo — sentimento que sempre procura morar perto da burrice e da ignorância. O Brasil já tem mercado de capitais — aliás, seu porta-voz mais idiota costuma ser “Osmercáduz”. Se algum candidato vitorioso, ou em vias de, resolver ultrapassar a linha do aceitável, tem as pernas quebradas. O Brasil não é a Venezuela. Lula, Bolsonaro, Ciro ou outro qualquer, no que diz respeito ao curto prazo, fariam o discurso da ordem. Eleitos, nos dois meses que antecedem a posse, qualquer um deles se ajoelharia no milho para não assumir a Presidência com o dólar nos cornos da Lua e a inflação certa que disso adviria.

Esse não é e nunca foi o ponto.

A questão é saber, e isso vale também para Lula e para o PT — e volto ao tema em outro post — em quais valores o buliçoso capitão reformado, que foi punido pelo regime que tanto defende (e, no seu caso, por bons motivos), ancora a sua postulação. Que ele não botaria fogo no circo da economia, ah, isso é óbvio. Nem deixariam. Antes que piscasse, seria destituído por um processo de impeachment. O risco, meus caros, não é Bolsonaro ser o candidato da desordem nesse particular, mas justamente o da ordem.

O que interessa é saber em quais valores ancora a sua postulação, que pauta a sua ascensão encarna e quais forças sociais mobiliza para se manter na disputa. Não será, por certo, o único candidato a acenar com uma pauta liberalizante. Também o farão, por exemplo, Geraldo Alckmin (sim, no PSDB, será ele) e um nome do PMDB (por que não Henrique Meirelles?). Do outro lado da linha, estará Lula ou quem ele apoiar (e é tolice descartar que seja Ciro Gomes). No debate econômico, Bolsonaro pode ser humilhado por qualquer um (e isso inclui Lula). Vai lhe restar amplificar as besteiras que já prodigaliza hoje no terreno dos costumes e do anticomunismo rombudo e chinfrim.

Vamos agora para o tempo das conjecturas. Nesse cenário, não teria saída senão exacerbar um tanto mais o discurso de extrema direita, para se diferenciar do conservadorismo civilizado e mais informado. Essa crispação fortaleceria o candidato viável da esquerda, que forçaria o discurso, ora vejam, da integração, da paz social, da tolerância.

“Osmercáduz” é a voz mais idiota do mercado. Flertar com a candidatura de Bolsonaro, de Luciano Huck ou de qualquer outro exotismo para evitar Lula e o PT é o caminho mais curto para eleger o chefão ou quem ele indicar.

Caramba! Será que “Osmercáduz” está a cuidar do meu parco dinheirinho? Se estiver, preciso fazer alguma coisa. Com tanta burrice, eu ainda acabaria sem nada!

Risco Lula nunca foi socialismo, mas capitalismo de Estado. O Risco Bolsonaro é a desordem

A corrosão dos valores democráticos, em nome da tolerância, caminhava junto com a agenda de tomada do Estado, tendo setores do mercado como parceiros. Foi assim que se engendrou um sistema que só foi à breca NÃO PORQUE A LAVA-JATO RESOLVEU DESTRUIR O PT. O lava-jatismo só progrediu porque o regime petista de gestão do Estado entrou em colapso...

Então o tal “Osmercáduz” pisca para Bolsonaro, conforme escrevi aqui? Ah, esse ser estranho, que dá pinta a cada eleição, já foi fanaticamente lulista, sabiam? Sim! Eu mesmo cheguei a ter uma conversa algo azeda com esse tal “Osmercáduz” porque apontei: ao mesmo tempo em que o PT adere ao credo do mercado, constrói uma estrutura de poder autoritária, que corrompe o Estado, e é pensada para se eternizar. Sabem o que ouvi como resposta? Se o partido cumprir as regras do livre mercado, que mal haveria nisso? Segundo o gênio que então falava comigo, político é mesmo tudo igual, e era preciso ter alguém que respeitasse as regras de… mercado.

Em certa medida, no que pode haver de absolutamente negativo na comparação, Bolsonaro guarda, sim, semelhanças com Lula. Este abjurou de teses históricas do partido com a tal “Carta ao Povo Brasileiro” em 2002. Foi escrita com dois propósitos: 1) se o PT vencer, não haverá calote da dívida interna nem 2) desrespeito a contratos firmados pelo Estado. O objetivo era frear a especulação. E Lula cumpriu aqueles termos. E, NOTEM, SE ELEITO, OU O SEU PARTIDO, SERIAM CUMPRIDOS DE NOVO.

O risco de Lula, e eu o adverti centenas de vezes, não era instituir o socialismo no Brasil, mas levar adiante um processo de corrosão dos valores liberais, da institucionalidade, da cultura democrática. E isso ele fez com dedicação e zelo. Convenham: ninguém corrompeu — no sentido de PERVERTER — tanto a economia de mercado como o PT, tornando mais agressivos todos os seus vícios e mitigando todas as suas virtudes. Parte importante da corrupção, agora no sentido vulgar mesma, originou da decisão de Lula de criar os grandes “players” da economia, segundo a lógica do capitalismo de Estado.

Quando “Osmercáduz” percebeu que o PT não queria acabar com ele, mas se tornar seu sócio, todos deram risos de felicidade e se conformaram logo à nova situação. E Lula passou a ser considerado um mago. Quem não cansou de ouvir elogios ao realismo do então presidente, vindos de banqueiros e de potentados do capital, alguns deles agora querendo brincar de antipetismo radical?

O problema de Lula eram os valores que encarnava, que nos empurravam para trás, em vez de nos preparar para um novo ciclo de desenvolvimento. Com ele, a metáfora do crescimento foi o voo do supergalinha: durou um pouco mais, mas o bicho se estabacou. Dada a má tradição do Estado brasileiro, a gestão lulista foi mediana. A questão é saber para onde nos conduziram suas escolhas de longo prazo. A crise que se abateu sobre o país, com a maior recessão da história, diz isso com todas as letras. Dilma Rousseff, a personagem acidental do demiurgo, não inventou nada. Ela só não soube sair da armadilha. Não que a percebesse: ela dobrou as apostas erradas do lulismo: mais gastos, mais subsídios, mais desoneração, mais intervenção artificial em preços como juros e tarifas… O resultado é conhecido.

Como todo mundo sabe, eu nunca temi o Lula socialista. Até porque não existe. Isso é papo-furado de anticomunistas profissional, que batem a carteira de empresários mais ignorantes do que eles próprios, ameaçando-os com supostas grandes conspirações. Eu sempre repudiei, aí sim, o Lula do capitalismo de Estado; o Lula que fez o Estado sócio de empreiteiras, de petroquímicas, de empresas de telefonia, de frigoríficos…

Enquanto Lula operava esses prodígios, vejam vocês, o petismo exercitava, com desenvoltura ímpar, o discurso do ódio a tudo aquilo que não atendia à pauta do partido e das ditas “minorias” que a legenda mobilizava. A corrosão dos valores democráticos, em nome da tolerância, caminhava junto com a agenda de tomada do Estado, tendo setores do mercado como parceiros. Foi assim que se engendrou um sistema que só foi à breca NÃO PORQUE A LAVA-JATO RESOLVEU DESTRUIR O PT. O lava-jatismo só progrediu porque o regime petista de gestão do Estado entrou em colapso.

De volta
E agora o tal “Ozmercáduz” me vem falar de Bolsonaro? Lula, ao menos, tinha um partido grande a lhe garantir interlocução no Congresso. O ex-militar destrambelhado nem isso. A negociação com o Parlamento teria de começar do zero, tendo no comando um líder, Deus Meu!, de viés carismático, que não preparou seu exército para defender a pauta liberal, mas para caçar tarados e dizer boçalidades anticomunistas cuja extensão ele próprio desconhece.

Se “Osmercáduz”, ou parte dele ao menos, acha que isso representa um risco menor do que Lula, então é bom que se apresente. A primeira coisa que você deve fazer é identificar esses agentes e manter o seu dinheiro bem longe deles. A razão é simples: são uns imbecis!

Sintetizo: hoje, o risco de um petista vencer a disputa é bem maior do que o de dar Bolsonaro na cabeça. Isso uma coisa. Mas cabe outra pergunta: quem representaria um risco maior para o país? Qualquer não bolsonarista que saiba fazer, digamos, contas histórias, responderá o óbvio: Bolsonaro!

Oh, sim, ele tentaria seguir, se eleito, as regras do mercado. Ajoelhar-se-ia no milho. Ocorre que terá de satisfazer a sanha e a sede de seus justiceiros de meia-tigela. A questão é saber quem faria apostas de longo prazo num “líder” com essas características. A resposta é óbvia, não?

“Isso é uma declaração de voto, Reinaldo?” Não! Um eventual segundo turno entre Lula (ou um escolhido seu) e Bolsonaro, e eu não votaria em ninguém. Sim, acho que é um imperativo ético o compromisso com o mal menor. Se notaram bem, eu estou falando do MAL MENOR. No caso em tela, seriam ambos MALES MAIORES, ainda que distintos. Distintos, mas combinados. Autoritarismo estatista ou desordem? Nenhum!

E não é só jogo de palavras, não! Não estou me referindo a ordens de grandeza; trato do que cada um deles representa de essencial.  E, pela primeira vez desde que sou eleitor, eu anularia convictamente o meu voto.

Pena não haver mais a possibilidade de a gente mandar um recadinho na cédula. Escreveria: “Olhe a cagada que a Lava Jato fez!” E perguntaria a alguns procuradores e juízes se estão satisfeitos com a sua, literalmente, grande obra.

Fonte: O Antagonista/Reinaldo Azevedo

8 comentários

  • Charles Castro Aparecida - SP

    Se 54% querem Lula preso -- SEGUNDO O DATA FALHA -- como é que ele teria 29% de aceitação?? Só otario pra acreditar nessa midia vendida #FakeNews! É melhor JAIR se acostumando!

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  • armelindo corte dos reis Enagenheir Bel trão - PR

    Chega de PT... quando falam deu Pt , estão constatando: "deu perda total"!!!

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  • marco antonio stahlschmidt Araquari - SC

    ....por favor,....Jair messias,...deputado,...o recado e´claro, chega de politico,..a chance de endireitar e´agora em 18! politico nunca mais !...não sejamos mediocres em acreditar que 7% seja uma gloria alcançada para encostar no lula. temos ótimos nomes no setor privado para acreditar.....

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  • Renne Bueno São Paulo - SP

    Está na hora de endireitar o nosso país. Chega de mentiras, manipulações, corrupção e criminalidade com PT, PMDB, PP, PSDB e companhia. Não acredito em salvador da pátria, mas Bolsonaro é o que melhor representa a mudança que necessitamos neste momento. Que ele tenha sabedoria para montar uma boa equipe. Além de Bolsonaro, precisamos renovar nosso congresso. Vamos votar direito!

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  • Augusto Mumbach Goiânia - GO

    Não precisamos de um gênio da economia. Economia é fácil. Para qualquer empreendimento dar certo, e isso vale para um país também, as receitas tem que ser maiores que as despesas. Vou tentar explicar de uma forma simples que talvez até um gênio como o Reinaldo Azevedo consiga entender (se se esforçar). Bolsonaro pretende deixar o empresário e o agronegócio em paz e com segurança júridica. Apenas isso já significa um AUMENTO enorme da RECEITA. Bolsonaro não quer ficar com um magote de mamão de teta em seu governo. Isso, por si só já é uma REDUÇÃO enorme da DESPESA. Bolsonaro quer acabar com os superfaturamentos de obras públicas. Isso é uma REDUÇÃO absurdamente grande da DESPESA. Não precisa ser gênio, não precisa fazer mágica, não precisa de planos mirabolantes. É só fazer um feijão com arroz, mas de forma correta. Quem não entende é porque não quer entender, ou porque não é conveniente entender.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Hoje em dia o socialismo se "modernizou", eles sabem que o Estado não consegue gerir empresas, e que tudo acaba em quebradeira e corrupção quando o governo se põe a "empreender", então descobriram que é melhor colocar tudo na mão da iniciativa privada, pois sabem que os verdadeiros empresários conseguem tirar petróleo do pré sal, eles fazem e economia funcionar. Descobriram que é melhor então deixar que tirem o petróleo e quando estão ganhando dinheiro o Estado vai lá e tira deles através da tributação. É mais fácil e não dá trabalho nenhum.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    De outro angulo, como complemento ao meu comentário anterior, se por exemplo o governo resolvesse implantar uma politica de redução de custos na agricultura, com redução de impostos e abertura comercial, liberação das amarras ambientalistas, etc... É evidente que os produtores investiriam mais, comprariam mais máquinas, implementos, infraestrutura, indústrias, e tudo o mais que a agropecuaria pode proporcionar. Todos comprariam as empresas do setor na bolsa. Isso geraria uma quantidade de empregos que nem sei se haveria brasileiros em quantidade suficiente para tanto. Mas não, o governo faz exatamente o contrário tributando pesadamente o setor produtivo alegando a necessidade de resolver problemas que o próprio governo cria. Tirar dos que tem e fazem para dar aos que não tem e não fazem. A classe politica se favorece desse sistema e por isso não muda. Por fim, quanto mais o governo tira do setor produtivo mais aumenta a pobreza e maior é a necessidade de tributar.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Agencias de análise de mercado, que são as que aconselham onde as pessoas devem investir seu dinheiro estão se reunindo com os bancos e fazendo aquilo que sabem fazer, onde colocar o dinheiro se Bolsonaro ganhar a eleição, é só disso que se trata. Então o articuloso articulista Reinaldo enlouquece e sai desfiando o rol de besteiras de sempre em defesa de Alckmin. Para falar a verdade os caras que operam no mercado financeiro lidam com expectativas, não querem saber se Lula vai ganhar, se Bolsonaro vai ganhar, eles querem saber o que não pode deixar de acontecer em caso de vitória de um ou outro. Se Alckmin tivesse a minima chance de subir também seria analisado. Querem um exemplo? Se Lula ganhar, os agentes que operam irão comprar Kroton, Brasken,... enfim, todas essas empresas que foram beneficiadas com dinheiro público nos governos de Lula. Sigam o dinheiro, ou de outra forma investirão nas empresas para as quais o dinheiro "público" será direcionado. Quanto à lava jato sabemos que ela parou não por incompetencia da operação, mas pela ação dos politicos envolvidos nos crimes e que garantida pela lei atua para garantir a própria impunidade.

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    • SANDRO ROBERTO LAUTERTCONDOR - RS

      O Antagonista é de São Paulo?

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      Sr. Sandro, o Antagonista é uma agencia de noticias..., me refiro à agencias de análises financeiras como a Empiricus, Eleven...

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    • GILBERTO RODRIGUES FREITASMINEIROS - GO

      De novo, análise errada... Reinaldo comenta que: 1- PIB já rondando os 3% no último trimestre de 17 e com perspectiva de 3 ou mais pra 18; 2- Inflação na casa dos 3% (eram 10,5%); 3- Desemprego recuando; 4- Arrecadação federal aumentando (retorno do crescimento). Um nome do governo (isso mesmo: apoiado por Temer) seria uma possibilidade bastante viável pra 2018. Nas entrelinhas dos textos do Reinaldo, lê-se Henrique Meireles, e não Alckimin (PSDB tá abrindo cova pra se enterrar)... Mais análise e menos torcida...

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      Oh!, com grandes caciques do PMDB presos e outros a caminho, com o Governo com 3% de aprovação, além das alianças feitas entre o PMDB e o PT em seis estados brasileiros, Temer vai ser um baita cabo eleitoral??!!,... o que o desespero não faz.

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    • GEORGE WANDERLEYBARREIRAS - BA

      Rodrigo Polo Pires agora já são 08 Estados! E a teoria do "golpi" tá caindo por terra. O impeachment na verdade foi uma armação para o PT não se queimar com as reformas que seriam necessárias, ainda que não da forma como está sendo feita, mas necessárias.

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    • VICTOR ANGELO P FERREIRA VICTORVAPFNEPOMUCENO - MG

      O primeiro ato da revolução de 64 foi criar o Banco Central, exigência do apoio dos banqueiros ao ato revolucionário... Acontece que desarticulou a FIBAN (Fiscalização de Bancos) que era exercida com eficiência pelo Banco do Brasil... O que aconteceu desde então é que o pais entrou em descontrole monetário, o que nunca existiu antes de 64... Agora falar em Banco Central independente é, na minha opinião, entregar o dinheiro que obviamente é o resultado do trabalho de todos nas mãos de um grupelho que na realidade irá comandar o Brasil... Caro candidato, seja esperto, não entre nesta canoa, que é furada...

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