Temer antecipa reforma abrangente e decide trocar agora todos os ministros candidatos, diz fonte

Publicado em 14/11/2017 13:12

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer começou esta semana uma série de reuniões com os presidentes dos partidos e ministros que devem ser candidatos nas eleições de 2018 para adiantar a reforma ministerial mais abrangente inicialmente prevista para março, disse à Reuters uma fonte palaciana.

Entre os possíveis candidatos está o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que ainda analisa se poderá apresentar sua candidatura à Presidência pelo PSD, seu partido. Meirelles já afirmou mais de uma vez que, neste momento, não é candidato, e que tem até março para decidir.

No entanto, o ministro da fazenda será um dos chamados para conversar com o presidente. De acordo com a fonte, Meirelles só sairá agora se confirmar que é candidato. "Se ele disser que não agora mas mudar de ideia em março, isso não temos como controlar", disse a fonte.

Temer tem enfatizado, no entanto, que mesmo com uma suposta saída do chefe da equipe econômica, a política do governo não muda.

 

ABRIL

O prazo de desincompatibilização de ministros que pretendem concorrer a cargo público em 2018 é o início de abril do ano que vem, e Temer planejava deixar a reforma para março. No entanto, a combinação da pressão do centrão --especialmente PP e PRB--, que quer os cargos pertencentes ao PSDB, e o pedido de demissão do ministro das Cidades, o tucano Bruno Araújo, precipitou a situação.

Para não fazer duas reformas, disse a fonte, o presidente teria decidido fazer todas as trocas necessárias nas próximas semanas.

Araújo pediu exoneração na segunda, logo depois de lançar, com Temer, o cartão reforma, principal programa da sua pasta, Alegou que não tinha mais apoio do partido para permanecer no governo.

Na primeira semana de dezembro, O PSDB se reúne para decidir, muito provavelmente, pelo desembarque do governo. Incomodado com os movimentos tucanos, Temer já havia decidido não ficar a reboque do PSDB, mas foi pego de surpresa pela decisão do ministro das Cidades.

O ministério é um dos mais cobiçados pelo centrão, por ter verbas e possibilidade de obras no próximo ano. O bloco cobra ainda a substituição do tucano Antonio Imbassahy, ministro da Secretaria de Governo e responsável pela articulação com o Congresso.

A tucana Luislinda Valois, dos Direitos Humanos, também deve perder o cargo. Poderia restar no governo apenas o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, como cota pessoal de Temer, se o chanceler decidir não concorrer a senador novamente.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Comércio entre Colômbia e Equador cai com intensificação de guerra tarifária, dizem grupos empresariais
China diz que ONU deveria rever decisão sobre encerrar missão de paz no Líbano
Bolsonaro passa por cirurgia no ombro direito sem intercorrências, diz hospital
Casa Branca diz que hostilidade contra Irã se encerrou diante de prazo de autorização dos poderes de guerra
Síria depende do petróleo da Rússia apesar de estar se voltando para o Ocidente
Irã envia proposta de negociações com os EUA ao mediador Paquistão