Poder360: Entenda o impasse para integrar Roraima ao Sistema Nacional de Energia

Publicado em 13/02/2018 14:18
694 exibições
Estado é o único fora do SIN; Funai precisa aprovar obra; Com a crise enfrentada pela Venezuela, Roraima corre o risco de ficar no escuro... (por MARLLA SABINO, do Poder360)

Durante visita do presidente da República Michel Temer a Roraima, nesta 2ª feira (12.fev.2018), a governadora Suely Campos reiterou o pedido de conectar Roraima ao SIN (Sistema Interligado Nacional), sistema de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil.

O Estado é único do país que não é interligado no sistema nacional e, por isso, é abastecido pela energia elétrica gerada na Venezuela desde 2001. A ligação entre Boa Vista e o complexo hidrelétrico de Guri, em Puerto Ordaz, é feita pelo Linhão de Guri.

A inclusão do Estado no sistema nacional é discutida há anos. Para solucionar a dependência enérgica da Venezuela, o governo pretende construir 1 linhão, chamado de Tucuruí, interligando Boa Vista à Manaus. O presidente Michel Temer afirmou, nesta 2ª feira (12.fev) reconhecer o impasse e disse que irá “debater muito esse assunto”.

“Nós já determinamos que haja todas as medidas judiciais, contrárias às medidas judiciais propostas, para resolver a passagem do linhão do Tucuruí”, disse.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) licitou a obra em 2011. O consórcio TransNorte -formado pelas empresas Alupar e Eletronorte, investiu R$ 300 milhões no empreendimento, que deveria ter sido entregue em dezembro de 2015. Mas, as obras sequer começaram.

O linhão cruzará 125 quilômetros de território indígena e as empresas não têm autorização para entrar nas terras do povo Waimiri-Atroari. Em dezembro de 2015, o Ibama emitiu Licença Prévia para o empreendimento, mas o problema esbarrou na Licença de Instalação. É necessário que a Funai (Fundação Nacional do Índio) se manifeste sobre a passagem da obra pela região.

A dependência da energia da Venezuela coloca o Estado em risco de ficar no escuro. Principalmente diante da crise econômica enfrentada no país vizinho. A energia de Guri está sujeita a corte total, por falta de manutenção na rede ou pelo cenário político do país vizinho.

DEMANDA CRESCENTE POR ENERGIA

De acordo com o governo de Roraima, a demanda atual de energia elétrica no Estado é de 189,1 MW. Cerca de 50% é suprida pela geração venezuelana. A Linha de Guri tem capacidade para 95 MW. A previsão do governo de Roraima é que a demanda por energia cresça 10% ao ano: 252 MW em 2018 e 277 MW em 2019.

Segundo o Balanço Energético Nacional da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a capacidade instalada de produção de energia no Estado é de 257 MW. Em 2016, a geração total atingiu 156 MW. Sendo 144 MW vindos de usinas termelétricas a óleo diesel. A opção, mais cara e poluente, está cada vez mais sendo utilizada devido a deterioração da linha de transmissão entre Brasil e Venezuela.

De acordo com o governo estadual, a produção desse tipo de energia custa R$ 720 milhões por ano. Mais de R$ 500 milhões são direcionados para a compra de diesel, combustível usado para operar as térmicas.

Roraima também conta com a energia produzida na Usina Hidrelétrica de Jatapú, que desde o começo deste ano, opera em capacidade total de 10 MW, em fase de teste. A energia, no entanto, só é suficiente para abastecer 3 municípios, de acordo com o governo estadual.

Desde 2016, a migração de venezuelanos aumentou de forma significativa no Estado. Segundo a Prefeitura de Boa Vista, há mais de 40 mil venezuelanos na capital, mais de 10% da população local.

...uma crise humanitária sem precedentes, COLUNA POR QUÊ? (na Folha de S. Paulo)

Como comentamos neste espaço na semana passada, a Venezuela passa por uma crise humanitária sem precedentes. Papel higiênico e comida? Só para o exército e para os muy amigos de Maduro. As fronteiras pululando de gente. Um país que estava, vejam vocês, entre os mais ricos do continente nos ano 1980. Rico e democrático!

O petróleo, que a alguns ajuda, nesse caso atrapalhou. Não que ele seja o vilão direto. Se eu ganho um bilhete premiado eu estou rico mesmo. Até aí tudo bem, o ticket não tem como me deixar mais pobre de cara... Ou pode? Depende de como eu o administro, e como lido com os abutres que vão querer tirar uma lasca. Se eu começo a gastar mais do que deveria, passo a distribuir benesses para amigos e familiares, e se toda uma corja se mobiliza e organiza para tirar proveito da minha renda extraordinária, posso terminar pior do que comecei, cheio de dívidas e, sem aquela capacidade de trabalho que tinha antes...

O bilhete detonou com o sistema politico venezuelano; trouxe para o comando populistas militarizados. As coisas vinham mal já há mais de década, mas agora o país cai de joelhos. O congelamento de preços destruiu os incentivos dos produtores. Muitos se mandaram, outros tiveram seus ativos expropriados. Ah, a nacionalização dos meios de produção! O povo, representado pelo messias Maduro, enfim no poder. Mas sem papel higiênico.

As estatais, começando pela Petróleos de Venezuela (PDVSA), foram dominadas pelos cupinchas do rei; técnicos competentes de longa data, demitidos e substituídos por lacaios. A produção de petróleo, claro, despencou afinal, general não é especialista em extrair óleo do subsolo. E o governo, perdendo receita sem parar devido à recessão e à incompetência, mas precisando agradar os amiguinhos, meteu o pé na jaca, quer dizer, na impressão de moeda. Consequentemente, a inflação já anda na casa dos 100% ao mês.

Qual o tamanho do desastre? Espia esse gráfico aí abaixo. Ele contém todas as taxas de crescimento médio para períodos consecutivos de três anos (média móvel) desde metade dos anos 1990 até 2017, para 165 países diferentes. Na média dos últimos três anos, o PIB venezuelano cai 14,2% cada ano! Ou seja, entre 2014 e 2017, a renda dos venezuelanos foi reduzida pela metade. E 2018 não deve fugir do padrão. Nos últimos 20 anos, apenas Serra Leoa e Líbia, países imersos em guerra civil, testemunharam quedas do PIB mais violentas.

Gráfico sobre a crise na Venezuela

O pior: não há possibilidade de acordo, liderado por negociadores internacionais —com o governo de Maduro. Ele não largará o osso mesmo que lhe seja oferecida uma proposta lucrativa e indecente. Maduro não é irracional; ele sabe que promessas podem se tornar rapidamente vazias a posteriori. Uma vez deposto o tirano, que incentivo teriam os bem-intencionados negociadores para manter sua palavra? Maduro terminaria mais provavelmente atrás das grades ou debaixo da terra. E ele sabe disso.

Há luz no fim do túnel? Sim, há. Mas trata-se de um trem vindo em nossa direção. A incompetência do governo no campo da economia é tamanha que podemos chegar ao ponto em que não lhe seja mais possível continuar pagando pelo apoio de que ainda desfruta. Nesse ponto, os soi-disant amigos começam a escassear, e a situação se complica. Infelizmente, é preciso mais deterioração para que haja uma mudança de governo. Maduro só cairá de maduro. 

(Por quê? coluna onde especialistas traduzem aqui, para o bom português, o economês do seu dia a dia/ FOLHA DE S. PAULO).

Migração venezuelana tem números semelhantes aos da crise no Mediterrâneo, alerta agência (ESTADÃO)

POR Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

Dados oficiais da organização destacam que a Itália, uma das principais portas para a Europa, recebeu 155 mil estrangeiros em 2015 e 181 mil em 2016. Praticamente todos eles partiram de portos líbios ou da Tunísia. 

No auge da crise de refugiados, a passagem entre a Turquia e a Grécia chegou a registrar cerca de 1 milhão de pessoas. Mas a rota foi fechada por um acordo entre a Europa e o governo de Ancara. Em 2017, a OIM estima que 186 mil pessoas entraram no continente europeu pelas rotas marítimas, principalmente pela Itália.

Governadora de Roraima pede a Temer atuação do Exército no policiamento

No caso sul-americano, os dados da entidade Migración Colômbia apontam que 470 mil venezuelanos entraram no país vizinho em 2017. Ao final do ano passado, existiam cerca de 202 mil cidadãos venezuelanos vivendo de forma irregular na Colômbia.

"Em alguns dos meses, já vemos um fluxo maior de venezuelanos para a Colômbia que o total mensal que a Itália recebe do norte da África", aponta Millman. 

Existem, porém, duas classificações no que se refere ao fluxo de pessoas. Aqueles que consideram que estão fugindo de perseguição ou repressão, podem pedir asilo. Um número bem mais elevado, porém, se refere a pessoas que deixam seus países de origem por conta da pobreza, o que não caracterizaria uma condição de refugiado. Nesse caso, são classificados como "migrantes econômicos".  

Do lado brasileiro, a cidade de Boa Vista já teria recebido 40 mil venezuelanos e o governo estuda medidas para repartir essa população em outros Estados da federação.  O presidente Michel Temer anunciou também um reforço da ação militar ao longo da fronteira, com o envio de 200 soldados por pelotões, além da duplicação dos postos de controle. 

Temer promete solucionar crise de refugiados venezuelanos em Roraima até o fim do ano

O fluxo de venezuelanos tem sido gerado por uma situação cada vez mais dramática da economia do país e de sua crise política. Dados anunciados nesta semana pela Organização dos Estados Americanos (OEA) indicam que em 2014, 48% das famílias da Venezuela estavam em condições de pobreza. Em 2016, esse número já chegava a 81,1%.

Na semana passada, o Tribunal Penal Internacional anunciou que analisará supostos crimes cometidos pelo governo da Venezuela. Mas na ONU, apesar da pressão de certos governos, nenhuma resolução conseguiu sequer ser elaborada para denunciar o governo de Nicolás Maduro nos diferentes órgãos da entidade. Caracas, ao longo de anos, costurou um forte apoio entre governos do Movimento de Países não-alinhados e Maduro ainda tem o apoio chinês e russo.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al-Hussein, apontou também em 2017 que as violações cometidas pelo regime chavista poderiam ser considerados como crimes contra a humanidade. 

"Minha investigação sugere a possibilidade de que crimes contra humanidade possam ter sido cometidos, o que apenas pode ser confirmado por uma investigação criminal subsequente", disse Zeid. 

Ele acusou Maduro de "esmagar instituições democráticas e vozes críticas, incluindo por meio de processos criminais contra líderes da oposição, prisões arbitrárias e em alguns casos tortura".

Uma ideia: bens de Lula para refugiados venezuelanos (em O Antagonista)

O dinheiro do leilão do triplex de Lula deveria ser destinado a financiar campos para refugiados venezuelanos.

O sítio de Atibaia de Lula deveria ser confiscado para servir de abrigo a crianças venezuelanas.

Lula é diretamente responsável pela tragédia causada pela ditadura na Venezuela.

 

Fonte: Poder360/FOLHA/Estadão

Nenhum comentário