China pode barrar soja americana como resposta à sobretaxa de aço de Trump

Publicado em 09/03/2018 19:32 e atualizado em 11/03/2018 05:11
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no ESTADÃO

Por Jamil Chade, correspondente em Genebra de O Estado de S.Paulo

 

GENEBRA - Produtora de metade do aço mundial, a China indica pela primeira vez que pode responder às taxas americanas com medidas retaliatórias. Em comunicado, o Ministério do Comércio de Pequim indicou que vai "defender de forma firme seus interesses".

As principais entidade do setor siderúrgico chinês, controlados pelo estado, propuseram que medidas sejam tomadas contra produtos agrícolas e eletrônicos dos EUA, além de aço.

Um dos temores é de que a China possa retaliar os americano com barreiras à soja. EUA e Brasil concorrem pelo mercado chinês de soja e qualquer modificação nas regras do comércio internacional podem ter uma repercussão profunda para o setor.

Apesar de insistir na via pacífica, a Europa também alertou que não está disposta a fazer concessões aos americanos, nem no setor comercial e nem na aliança militar. "Não vamos fazer concessões no comércio, mesmo que isso tenha sido apontado como um problema", disse o vice-presidente de Comissão Europeia, Jyrki Katainen. "Isso não é uma negociação comercial. É uma ação unilateral", afirmou.

A relação entre a barreira e a contribuição da Europa na OTAN também foi rejeitada por Bruxelas. "São duas coisas separadas", insistiu o vice-presidente. "Isso é um problema comercial, que precisa ser resolvido. Depois, se a questão da OTAN quiser ser tratada, é um outro assunto", disse.

A Europa vende em média 5,5 milhões de toneladas de aço aos EUA e uma barreira poderia custar mais de US$ 2,5 bilhões por ano.  Jean-Yves Le Drian, ministro de Relações Exteriores da França, insistiu que a Europa precisa agir de forma "firme". "A Europa precisa mostrar seu poder e soberania", disse. Para ele, é a influência americana que será afetada por contas das barreiras. 

Katainen confirmou que, se as negociações fracassarem, a UE já está em conversas com outros governos para levar um caso conjunto à OMC contra os EUA. "Queremos a lei do mais forte ou as leis internacionais?", alertou.

Durante o dia a quinta-feira, 9, o governo brasileiro também proliferou conversas com outros parceiros comerciais para entender quais podem ser os próximos passos. 

Enquanto governos ensaiam resposta, a OMC voltou a pedir que países "reflitam", "conversem" e evitem a adoção de barreiras comerciais.  Recuperando uma declaração do diretor-geral da OMC, Roberto Azevedo, a entidade insistiu na necessidade de manter o diálogo entre os governos com o objetivo de se evitar uma guerra comercial. 

++ Trump sugere isentar Austrália e 'outros países' de tarifas de aço e alumínio

"Está claro que vemos um risco muito maior e claro de iniciar uma escala de barreiras comerciais pelo mundo", disse Azevedo. "Não podemos ignorar esse risco e pedimos a todos que considerem e reflitam sobre essa situação de forma cuidadosa", completou. 

Daniel Pruzin, assessor de imprensa da OMC, confirmou que o tom é o de um apelo ao diálogo. "Ainda há tempo para conversar", disse. "A medida só entra em vigor em 15 dias", apontou. Segundo ele, o diálogo pode ocorrer nos comitês da OMC e, mesmo depois que uma queixa formal seja lançada, as conversas podem continuar. 

Azevedo estará em Brasília para uma reunião com o presidente Michel Temer. Mas vem insistindo no impacto que a medida americana e as respostas dos parceiros comerciais poderiam ter. "Uma vez que entremos nesse caminho, será muito difícil reverter a direção", disse Azevedo. "Olho por olho deixará todos nós cegos e o mundo em uma profunda recessão", afirmou o brasileiro.  "Temos de fazer todos os esforços para evitar ver o primeiro dominó cair. Ainda há tempo", disse o diplomata. 

 

 

Fonte: Estadão

3 comentários

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Vejam vocês, o presidente dos EUA está aumentando os impostos dos de fora e diminuindo os de dentro do país, mas para as autoridades brasileiras isso é errado. As politicas esquerdistas é que são entreguistas e concentradoras de recursos e de renda...
    Essas declarações de funcionários do governo brasileiro são muito ridículas. Em vez de se preocupar com o Brasil, ficam alimentando quimeras, ilusões que só existem em suas cabeças ocas. Como podem, funcionários do alto escalão do governo, os mesmos que tributam a alimentação, o trabalho, o transporte de todos os brasileiros pobres, para poder usufruir de luxo e conforto, se meter em um assunto que não lhes interessa e de que não tem a mínima noção. O déficit comercial dos EUA com a China é monstruoso, toda a economia chinesa é sustentada pelos EUA e esses grandes funcionários públicos brasileiros querem dar pitaco na politica internacional americana? São ridículos, são patéticos, fazem toda a nação brasileira passar vergonha. O governo brasileiro impede os produtores de produzir alimentos em quantidade, qualidade e preços baixos para a própria população brasileira e quer posar de grande administrador de conflitos? È muita falta de capacidade e noção de realidade.

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    • LIONES SEVEROPORTO ALEGRE - RS

      Rodrigo, dizer - 'O déficit comercial dos EUA com a China é monstruoso, toda a economia chinesa é sustentada pelos EUA "- é um muito exagero. Segundo a agencia de classificação Moodys, pela medida do PPP mas não pelo PIB, a economia chinesa já ultrapassou a economia americana em setembro de 2014. O PPP corresponde a todas as riquesas do país, mais a poupança do povo. O PIB chinês é de 11 trilhões de dólares e o povo chinês tem os mesmos 11 trilhões de dólares em poupança. O deficit comercial americano sempre foi imenso até mesmo antes da China aparecer no cenário mundial. O mundo também já sabe que tem mais bilionários na China do que em Nova York.

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    • RENATO LUIZ HANNISCHPALMAS - TO

      Falou e disse!....

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      http://www.valor.com.br/internacional/5369119/deficit-comercial-dos-eua-sobe-em-janeiro-e-e-o-maior-desde-2008

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      Empresas americanas instaladas na china = https://g1.globo.com/economia/noticia/empresas-americanas-alertam-para-guerra-comercial-com-china.ghtml

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      Outros dados da economia chinesa: - Dívida pública: US$ 9,4 trilhões (em 2016) - Déficit público (porcentagem do PIB): 16,1% (em 2016) - Dívida Externa: US$ 1,46 trilhão (em janeiro de 2017

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Essas declarações de funcionários do governo são muito ridículas. Em vez de se preocupar com o Brasil, ficam alimentando quimeras, ilusões que só existem em suas cabeças ocas. Como podem, funcionários do alto escalão do governo, os mesmos que tributam a alimentação, o trabalho, o transporte de todos os brasileiros pobres, para poder usufruir de luxo e conforto, se meter em um assunto que não lhes interessa e de que não tem a mínima noção. O déficit comercial dos EUA com a China é monstruoso, toda a economia chinesa é sustentada pelos EUA e esses grandes funcionários públicos brasileiros querem dar pitaco na politica internacional americana? São ridículos, são patéticos, fazem toda a nação brasileira passar vergonha. O governo brasileiro impede os produtores de produzir alimentos em quantidade, qualidade e preços baixos para a própria população brasileira e quer posar de grande administrador de conflitos? È muita falta de capacidade e noção de realidade.

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    • CARLO MELONISAO PAULO - SP

      Clicar no positivo e' pouco, por isso me acho na obrigaçao de externar que este seu comentario e' 100% certo e logico.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Esse Roberto Azevedo não consegue enxergar a realidade das coisas, os EUA vão elevar o preço do aço e é só isso. Então acabou a farra dos chineses levar ferro do Brasil para a China, controlando toda a cadeia diga-se, fabricando aço lá e vendendo aos EUA favorecidos por um câmbio controlado pelo governo. Essa conversa de que a china vai retaliar, de que precisamos da OMC é balela. Trump, o presidente dos EUA já deu mostras claras que organismos internacionais não vão ditar leis dentro do país deles. Mas isso amigos, serve para demonstrar o grau de subserviência dos funcionários do governo brasileiro à esses organismos internacionais. E não só funcionários, políticos também. É tanto absurdo acontecendo no país, que vemos até um ministro fazer lobby para uma empresa de capital aberto e que pertence à um fundo de pensão de funcionários públicos. E os inocentes acreditam que é pela agricultura, pelos agricultores. A besteira, a desfaçatez é tão grande que chegam a divulgar noticias inverossímeis com ares de grandes verdades, a de que a china de uma hora para outra vai parar de comprar soja dos EUA... e vão fazer o que? Deixar os rebanhos morrerem de fome??. É preciso muita paciência com essa gente, que custa muito, não produz nada, e, quando age, é para atrapalhar.

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    • LIONES SEVEROPORTO ALEGRE - RS

      Rodrigo, o Canadá e o Brasil encabeçam uma lista de quase 30 países que exportam aço para os Estados Unidos e são os maiores prejudicados. Um dos últimos - e de menor expressão - é a China.

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2018/01/12/interna_internacional,930652/canada-sauda-proposta-de-trump-de-ampliar-negociacoes-do-nafta.shtml

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      Liones, o preço das ações da Vale, Usiminas, e mais algumas acompanham a cotação do minério de ferro de Dalian, e influencia tanto que operadores de opções olham diariamente essas cotações. Por falar nisso, essa semana o minério de ferro caiu 8%, derrubando o preço das mineradoras brasileiras e mundiais.

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