Que liberais são esses que preferem Ciro Gomes a Paulo Guedes? (RODRIGO CONSTANTINO)

Publicado em 15/04/2018 06:17 e atualizado em 17/04/2018 02:12
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‘A velha política morreu em praça pública’, diz o economista de Bolsonaro. “Estou tentando ajudar o caos”, afirma Paulo Guedes, referindo-se à situação econômica do Brasil. (no ESTADÃO)

QUE “LIBERAIS” SÃO ESSES QUE PREFEREM CIRO GOMES A PAULO GUEDES? (POR RODRIGO CONSTANTINO)

Aqui nos Estados Unidos, a esquerda conseguiu usurpar o termo liberal para si, e hoje a dicotomia se dá entre esses “liberais” e os conservadores. Mas entre os conservadores, há grande parcela dos antigos liberais clássicos, e alguns mais radicais preferiram se denominar libertários para marcar as diferenças. É no lado republicano conservador, porém, que o legado do liberalismo permanece sendo defendido, em termos gerais.

Quando comecei a perceber a intenção da esquerda brasileira de fazer o mesmo em nosso país, após a derrocada do esquerdismo com o governo lulopetista, declarei guerra a tal estratégia, por entender como ela foi prejudicial ao liberalismo nos Estados Unidos. Liberais que defendem política de identidade, hedonismo irresponsável, relativismo moral, fim de controles da fronteira, desarmamento e aborto? Não, esses não são liberais, mas sim “progressistas” de esquerda.

É verdade também que, do lado direito, há conservadores que não são liberais, apesar de pontos de convergência, e nacionalistas autoritários, reacionários e estatizantes que sequer conservadores são, ou ao menos não os “de boa estirpe”, que sustentam o legado do Iluminismo britânico. Mas os liberais clássicos ainda são minoria política, e quem não tem cão caça como gato.

É por isso que liberais têm se dividido entre apoiar centro-esquerdistas como os tucanos, ou Jair Bolsonaro, que tem feito esforço para ser ou parecer mais liberal, ao menos na economia. Candidatos mais liberais mesmo até temos nessa eleição, como João Amoedo do Novo e Flávio Rocha do PRB, mas ambos apresentam mínimas chances de acordo com as pesquisas. O que fazer então, do ponto de vista mais pragmático? 

Eu posso entender o liberal que tem medo de Bolsonaro, que enxerga apenas sua militância raivosa nas redes sociais ou seu passado estatizante, e por isso fecha com o PSDB de Alckmin. Posso entender, mas não concordo. Acho que o Brasil cansou dessa hegemonia de esquerda e precisa de uma guinada à direita, ainda que mais conservadora do que liberal. O pêndulo extrapolou demais para o lado “progressista”, e o caos está aí para comprovar.

Mas, se posso compreender um liberal que, por receio de Bolsonaro, fecha com Alckmin, simplesmente não é compreensível ou aceitável um liberal que fecha com Ciro Gomes! Em absolutamente nada Ciro é melhor do que Bolsonaro, do ponto de vista liberal. No aspecto econômico, que costuma ser o foco de muito liberal, Bolsonaro indicou Paulo Guedes para ministro da Fazenda, assumindo com humildade seu desconhecimento na área. Já o ministro de Ciro seria… Ciro mesmo, ou algum fantoche qualquer. O “coronelzinho” acha que entende tudo de economia, e eis onde mora o perigo.

Que Bolsonaro é bem melhor do que Ciro pela ótica liberal está fora de qualquer dúvida. Mas tem algum liberal que prefere Ciro? Bem, não são liberais de fato, mas tem a turma “liberal” do Livres e do Renova que fechou com o PPS do ex-comunista Roberto Freire, e esse, por sua vez, pode pular do barco furado tucano e cair no colo do destemperado Ciro Gomes, segundo coluna de Ancelmo Gois (nunca muito confiável, é bom lembrar):

Ciro Gomes, que flerta com o PT, poderia atrair Roberto Freire e seu PPS, que absorveu “liberais” do Livres: que coisa linda! Quando critiquei o esquerdismo evidente dessa turma, e disse que jamais um liberal se sentiria em casa num partido como o PPS, fui criticado por um deles, Paulo Gontijo, e outros “liberais” que me atacam com frequência por eu não ser mais crítico a Bolsonaro (e sou bastante, mas não sou cego para a realidade da política nacional).

Então quer dizer que qualquer aliança com Bolsonaro, mesmo tendo Paulo Guedes como eventual ministro da Fazenda, deve estar fora de cogitação, mas namorar com o esquerdista Roberto Freire e até com Ciro Gomes tudo bem, está liberado? Que tipo de “liberal” é esse que prefere Ciro Gomes a Paulo Guedes? Hoje, por acaso, tinha a coluna de Guedes no GLOBO, logo depois dessa nota de Ancelmo Gois. Eis o que ele escreveu:

Somos prisioneiros do fechamento cognitivo da social-democracia brasileira ante o desafio econômico do baixo crescimento e o desafio político da corrupção sistêmica. A hipertrofia e o aparelhamento do Estado deturparam valores morais e práticas políticas. Fabricaram escândalos, desmoralizaram partidos e reduziram nosso crescimento.

[…] Instituições obsoletas e estagnação econômica são sintomas da falta de sintonia da plataforma social-democrata com os requisitos da nova ordem global. Com regimes previdenciários irrealistas, legislações trabalhistas inadequadas e organizações sindicais anacrônicas, a armadilha social-democrata tornou inflexíveis os mercados de trabalho. O problema do desemprego crescente é mais agudo entre os jovens. Bilhões de eurasianos mergulharam nos mercados de trabalho globais, condenando ao desemprego em massa países com mercado de trabalho inflexível. Uma verdadeira guerra mundial por empregos.

O avanço das novas tecnologias aprofunda o desemprego e ameaça de marginalização toda uma geração ao impedir o acesso de jovens pouco experientes aos mercados de trabalho digitalizados. Ainda jovens e já sem futuro, devem perguntar a seus pais por que as garantias trabalhistas e previdenciárias outorgadas a si próprias pelas gerações mais velhas destruíram a capacidade de geração de empregos para os mais jovens. Herdam de seus pais valores morais, bens materiais mas também suas instituições. E o conflito entre gerações aumenta quando a juventude é ameaçada pelo despreparo, pelo egoísmo e pela irresponsabilidade dos mais velhos com seu legado institucional.

Pergunto: dá para comprar tal lucidez liberal com qualquer coisa já dita ou pregada por Ciro Gomes, defensor do nacional-desenvolvimentismo adotado pelo PT que destruiu o Brasil? E esses “liberais” vão continuar condenando todo liberal que, por falta de opção concreta, defender o voto útil em Bolsonaro, enquanto migram para partidos que podem apoiar a candidatura de um sujeito como Ciro Gomes? É sério?

Volto ao caso americano para concluir. É perfeitamente legítimo um liberal que critica Donald Trump, alguém que claramente não é liberal, ainda que tenha adotado muitas políticas liberais. O que não parece muito legítimo é um liberal detonar Trump e enaltecer Obama ou Hillary Clinton, dois esquerdistas radicais e certamente bem mais distantes do liberalismo clássico do que o próprio Trump. Quem tem queda por Hillary e Obama e ojeriza de Trump só é “liberal” no sentido americano mesmo, ou seja, esquerdista que roubou até o rótulo dos liberais.

Rodrigo Constantino

Paulo Guedes (economista de Bolsonaro) defende programa liberal e aliança de centro-direita (no ESTADÃO)

Paulo Guedes, economista liberal, afirma que o velho sistema político está “morrendo em praça pública” e é o momento de um novo modelo, baseado numa aliança de centro-direita em apoio a um programa liberal na economia. Ele defende privatizações amplas e aceleradas, recompra da dívida pública para reduzir gastos com juros e um novo modelo de Previdência, entre outras medidas. Guedes diz acreditar nas intenções de Bolsonaro, apesar do histórico do deputado de defender posições estatizantes e intervencionistas. “Para que ele ia me pedir um programa liberal se não quisesse?”

Quais seriam as medidas prioritárias do governo Bolsonaro?

A mudança de regime fiscal e a reforma do Estado foram as grandes omissões dos últimos 30 anos. Políticos inebriados, economistas inexperientes e uma sequência de planos malsucedidos. Havia um aparelho modelado pelo regime militar e entrou uma democracia emergente com outra camada de prioridades. Como atender a essas prioridades sem reformar o antigo, sem eliminar privilégios? Mas estamos aprendendo. Estou otimista.

Por qual razão?

Não tem a ver com candidatos específicos. É o fenômeno da dinâmica da sociedade aberta. Com o impeachment de Collor, veio a independência do legislativo. Agora, com as condenações da classe política na esteira da Lava Jato, veio a do judiciário. Estou confiante que vamos chegar lá. A governabilidade virá em novos eixos.

  • Por quê?

A velha política está morrendo em praça pública. O mais popular líder brasileiro foi para a cadeia. Seguramente não era um homem mal intencionado. Seguramente tinha grandes sonhos. Se foi parar na cadeia é porque tem algo muito errado nesse modelo. Esse modelo social-democrata, intervencionista. O excesso de gasto do governo corrompeu a democracia, derrubou o crescimento. É indissociável a degeneração da política desse modelo dirigista, onde as estatais são os braços usados para fazer governabilidade. Da mesma forma, a concentração de recursos no governo federal. O futuro é feito em novos eixos, em cima do pacto federativo e de princípios republicanos. As propostas encaminhadas devem ser aprovadas por uma aliança de centro-direita em apoio a um programa econômico liberal. Vai ter “toma lá dá cá”? Não.

O que garante isso?

Primeira coisa: em vez de 40 ministérios para agraciar partidos, cai para dez ou doze. Segundo, o acordo é em torno de programas. O programa é liberal. Quem quiser apoiar esse programa está dentro. Quem não quiser, está fora. E não tem problema nenhum.

O problema é a necessidade de aprovar medidas no Congresso.

Se o presidente não propuser uma reforma política, ele está onde? No mundo da lua? Nossa sugestão é uma cláusula de fidelidade programática. Votação em bloco do partido. E acaba com compra do voto no varejo, o voto mercenário. É combinar o chamado fechamento de questão com fidelidade partidária. Queremos valorizar os partidos. Hoje não valem nada, são legendas de aluguel.

Isso resolve o problema?

É a nova política. Como você vai comprar voto se fez um programa? O programa é liberal. Se votar contra, não está na base.

Como enfrentar a questão das contas públicas?

O plano é gastar menos e melhor. Por que privatizar? Quero baixar as despesas de juros, que são um absurdo. É o cultivo do rentismo, arma de destruição em massa de empreendedores. Mas tem de fazer com consistência fiscal. Não adianta baixar juro artificialmente, como Dilma fez, porque a inflação volta logo. Esse foi meu argumento com Bolsonaro para ele entender que precisa de Banco Central independente.

Como os juros baixarão?

Privatizando vou matando dívida. Pretendíamos ter resgate de dívida no primeiro ano. Amortizar uns R$ 400 bilhões logo no início do governo.

E de onde vem esse dinheiro?

Começam a chegar as privatizações. Vamos derrubar permanentemente a taxa de juros com política fiscal. O coração do programa é fiscal. Se somar três anos de juros, dá R$ 1 trilhão. É um absurdo essa conta. Na hora que você fala: “vou privatizar, vou botar para crescer, vou reduzir imposto”, o País começa a andar, os juros desabam. Daqui a pouco tem gente aceitando 1% de juro, pedindo pelo amor de Deus. Tem de mostrar que o Estado não vai precisar de financiamento. Não precisa seguir com essa conta absurda de juros. O cara fez o Cruzado e devia ter vergonha. Aí volta, faz o Real, coloca o juro na lua e diz que fez algo extraordinário (uma referência aos economistas Persio Arida e André Lara Resende, que participaram da elaboração dos dois planos). Não, cara, você endividou o País, quebrou as empresas. Só que as pessoas nem percebem. Ninguém entende nada, é o caos. Estou tentando ajudar o caos. As pessoas acham que é o caos o Bolsonaro andar por aí. Não é o caos. O caos já está aí há muito tempo.

O que mais além de privatizar?

Outro canhão estará virado para a Previdência. O Brasil está novinho e já quebrou a Previdência. Falei para o Bolsonaro: se aprovar isso aí agora (reforma proposta por Temer) o avião não cai na sua cabeça e segue mais dez, 15 anos. Se não aprovar, vai cair na sua cabeça e na minha. Não acho legal. Ele me disse: “Pô, Paulo, você faz o que quiser depois, mas se eu fizer isso, nem chego lá. O Lula está falando que vai mexer na Previdência? O Alckmin? Acredito em você, mas não posso”. O meu papel é apresentar uma reforma liberal. Se ele quiser, aprova. Se não aprovar, não vou. Não preciso do poder. Mas não gosto do caminho para onde o Brasil está indo. Não gosto da mídia achar normal uma pessoa que solta bomba e achar bandido um cara que entrou na academia militar.

Quem diz que ele é bandido?

O tratamento é esse, é diferente. Lembro do tratamento que recebi quando voltei de Chicago (Universidade de Chicago, onde fez doutorado). Sei o que é ser discriminado. O que nos aproximou foi um pouco isso.

Bolsonaro votou diversas vezes contra reformas. Acredita que ele se tornou um liberal?

Você acredita que Persio Arida (coordenador do programa de Geraldo Alckmin) é liberal? Acredita que Alckmin é liberal? Tenho de acreditar que Bolsonaro está mais próximo (de ser liberal). Ele não é idiota, né? Vai pedir o que não quer?

O sr. não teve curiosidade de entender essa guinada?

Acho que ele está progredindo à taxa mais rápida do que a dos economistas brasileiros. Continua dizendo que gostaria que tivesse um ministério só, com comando único, e nessa direção. Se o Persio Arida acredita no Alckmin, acho que posso acreditar no Bolsonaro. Quero melhorar meu País, que as pessoas tomem o remédio certo.

O sr. defende o sistema de capitalização na Previdência. Como viabilizar esse modelo?

A ideia é oferecer uma alternativa. Não quero nossos filhos e netos condenados. É covardia. Temos um plano interessantíssimo, mas não posso falar.

Há dinheiro de privatização suficiente para dar conta do rombo da Previdência e da dívida?

Por exemplo, sim. Você não vai comprar a dívida toda num dia só. As privatizações renderiam de R$ 500 bilhões a R$ 800 bilhões em números atuais. Então, vai ser próximo de R$ 1 trilhão, porque com programa pró-economia de mercado, os ativos vão subir de preço.

Há espaço para programas sociais em seu programa?

Evidentemente. Programas sociais de transferência de renda são inteiramente louváveis. Os liberais compreendem e criaram as mais potentes ferramentas para erradicação da miséria. Estamos examinando um programa de renda mínima. Mas não adianta só incluir os pobres no orçamento. A verdadeira inclusão social é o emprego. O sujeito que tem emprego cuida dele mesmo.

O sr. deseja participar de um eventual governo Bolsonaro?

Nunca quis me associar a partido. A única vez que considerei ir – e teria ido – foi quando fiz o plano para Guilherme Afif Domingos. Agora parece ser uma situação semelhante. Não sabemos ainda, estamos em conversa.

Governar no vermelho, editorial da FOLHA

Sem reformas e uma ampla agenda de ajustes do Estado, as contas caminharão para o colapso

O projeto de lei orçamentária para 2019, cujas principais balizas foram divulgadas pelo governo na última quinta-feira (12), mostra que a situação das finanças públicas continua dramática.

O quadro apontado não chega a surpreender —despesas previdenciárias cada vez mais altas e progressiva asfixia da máquina pública. A novidade está na previsão de permanência das contas no vermelho até 2021, pelo menos. 

As metas de déficit primário (a diferença entre receitas e despesas, excluído o pagamento de juros) para este ano e o próximo foram mantidas em R$ 159 bilhões e R$ 139 bilhões, respectivamente.

Entretanto a projeção do rombo para 2020 subiu quase 70%, para R$ 110 bilhões. Pela primeira vez, além disso, foi divulgada a expectativa para o ano seguinte, também negativa em R$ 70 bilhões. 

O projeto indica que a Previdência consumirá R$ 758,5 bilhões em 2021, 36% a mais que o esperado para este ano. O espaço para despesas discricionárias —aquelas sobre as quais o governo tem margem de controle, incluindo obras e outros investimentos— cairá praticamente à metade no período, para R$ 52,4 bilhões.

Se já hoje se mostram precários os serviços à população, o que dirá nesse cenário futuro.

Tudo isso a despeito da esperada volta do crescimento econômico, que impulsiona a arrecadação. O governo projeta alta do PIB de 3% para 2018 e 2019, seguida por uma desaceleração modesta, para 2,3% e 2,4%, nos anos subsequentes.

A razão apontada é que, na falta de reformas que alavanquem a produtividade, o país retornaria ao padrão de expansão tímida das últimas décadas após esgotado o empuxo inicial da saída da recessão.

É possível que o resultado orçamentário seja melhor, dado que não estão previstas receitas de concessões e novas medidas para reforçar a arrecadação. A queda dos juros, além disso, proporciona algum alívio ao reduzir a velocidade de aumento da dívida.

Ainda assim, os limites estão se impondo rapidamente. Além da dificuldade para cumprir o teto de gastos, o governo terá problemas crescentes para atender ao dispositivo constitucional que proíbe bancar dispêndios cotidianos com endividamento.

A conclusão é inescapável. Sem a continuidade das reformas, sobretudo a previdenciária, mas também uma ampla agenda de ajustes do Estado, as contas caminharão para o colapso.

Nenhum candidato sério poderá ignorar ou esconder essa realidade durante a campanha, sob pena de cometer um novo estelionato eleitoral e pôr em risco sua gestão.

A eleição sem Lula (a disputa segue muito aberta), ANÁLISE DA FOLHA

A maioria dos eleitores não acredita que Luiz Inácio Lula da Silva (PT)vá disputar a corrida presidencial. Não era assim em janeiro, antes da prisão do ex-mandatário.

Tal evolução, contudo, não contribuiu para clarear ou alterar sobremaneira a disputa entre os demais pré-candidatos.

Na nova pesquisa do Datafolha, 62% entendem que Lula está fora do pleito, crença de 43% dos entrevistados há pouco mais de dois meses. Expressivos 40% consideram seu encarceramento injusto, mas uma maioria de 54% o aprova.

Essa ambivalência se reflete nas intenções de voto no petista, que ainda lidera a pesquisa, com 30% ou 31% das preferências.

Na sua ausência, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) aparece à frente em qualquer cenário, sempre com 17%, tecnicamente empatado com Marina Silva (Rede), que tem 15% ou 16%.

A ex-senadora e Ciro Gomes (PDT) são os que mais crescem quando Lula não está na cédula. O pedetista divide o terceiro lugar com Joaquim Barbosa (PSB) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Não se trata de uma situação propriamente nova, consideradas as pesquisas de 2017, embora os cenários não possam ser comparados com precisão.

Bolsonaro parece por ora estagnado. Barbosa, um nome alheio ao universo político tradicional, atrai parcela relevante do eleitorado, mesmo sem ter feito campanha. Alckmin continua com dificuldades para se sobressair.

Mesmo com base partidária minguante e intervenções rarefeitas no debate nacional, Marina se aproxima da liderança. Ciro apresenta boas chances de se tornar um aglutinador de votos da centro-esquerda, ainda mais se controlar seu destempero desagregador.

Para 28% dos entrevistados, ele deveria ser o candidato apoiado por Lula, contra 15% de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo.

Ainda notável é a discrepância regional das preferências. O líder petista deveria ser impedido de disputar a eleição para 50% dos entrevistados, na média nacional; no Nordeste, 72% acham que ele deveria estar no pleito.

A disputa segue muito aberta, com quantidade desmedida de postulantes. Mesmo que muitos sejam nanicos de votos, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), a fragmentação dificulta identificar os mais competitivos.

As coalizões nacionais e regionais mal começam a ser negociadas. Há candidaturas apenas especuladas, outras recém-definidas; várias ficarão pelo caminho. De mais certo, no momento, há apenas o destino de Lula.

Fonte: Gazeta do povo/ESTADÃO

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