Coreia do Norte suspende conversa com Coreia do Sul e põe em dúvida reunião de Trump e Kim Jong-Un

Publicado em 15/05/2018 20:15 e atualizado em 16/05/2018 02:02
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Reuters

SEUL (Reuters) - A Coreia do Norte colocou em dúvida uma reunião sem precedentes entre o seu líder, Kim Jong-Un, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agendada para o mês que vem, denunciando exercícios militares entre a Coreia do Sul e os EUA como uma provocação e suspendendo as conversas de alto nível com o sul.

Os Estados Unidos afirmaram que tomaram conhecimento das informações divulgadas na mídia sul-coreana informando que a Coreia do Norte decidiu cancelar as conversas com a Coreia do Sul, afirmou nesta terça-feira a Casa Branca, acrescentando que os EUA "vão ver o que a Coreia do Norte afirmou ... e seguirão coordenando de perto" a questão com aliados.

Uma reportagem da Agência Coreana de Notícias Coreana atacou furiosamente os combates aéreos "Max Thunder", que segundo os EUA envolveram caças furtivos e bombardeiros B-52, e pareciam marcar uma pausa nos meses de aproximação entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul.

Qualquer cancelamento do encontro, a primeira reunião entre os líderes norte-americano e norte-coreano, representaria um grande revés nos esforços de Trump para conseguir a maior conquista diplomática de sua Presidência.

Trump aumentou as expectativas para uma reunião bem-sucedida, apesar de muitos analistas duvidarem das chances de superar a lacuna devido a dúvidas sobre a disposição da Coreia do Norte de abandonar um arsenal nuclear que agora ameaça os Estados Unidos.

A Agência Coreana Central de Notícias chamou os exercícios de "provocação" que vai contra a tendência de estreitamento dos laços.

"Esse exercício, que nos tem como alvo, que está acontecendo na Coreia do Sul, é um desafio flagrante à Declaração de Panmunjon e uma provocação militar intencional que vai contra o desenvolvimento político positivo na Península Coreana", disse a agência KCNA.

"Os EUA também terão que empreender cuidadosas deliberações sobre o destino da planejada cúpula norte-coreana e norte-americana, à luz desse tumulto militar provocativo conduzido em conjunto com as autoridades sul-coreanas."

O encontro de Trump e Kim até recentemente parecia impossível devido aos insultos e ameaças que os dois líderes trocaram durante o ano passado, em decorrência do desenvolvimento de mísseis nucleares norte-coreanos capazes de atingir os Estados Unidos.

Heather Nauert, representante do Departamento de Estado dos EUA, disse que não tinha informações da Coreia do Norte sobre a ameaça de cancelar o encontro e que continuava o planejamento para a reunião.

"Kim Jong Un havia dito anteriormente que ele entende a necessidade e a utilidade dos Estados Unidos e da República da Coreia continuarem em seus exercícios conjuntos", disse Nauert em uma entrevista coletiva.

"Não ouvimos nada desse governo ou do governo da Coreia do Sul para indicar que não continuaríamos conduzindo esses exercícios ou que não continuaríamos planejando nosso encontro entre o presidente Trump e Kim Jong Un no próximo mês", disse.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O chefe da Segurança Nacional da Coreia do Sul, Chung Eui-yong, disse no início de março, depois de se encontrar com Kim, que o líder norte-coreano entendeu que exercícios militares conjuntos "rotineiros" entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos continuariam apesar do estreitamento dos laços.

Isso foi amplamente considerado uma importante concessão da Coreia do Norte, embora Pyongyang nunca tenha retirado publicamente sua antiga demanda por um fim aos exercícios.

O mais recente movimento de Kim poderia ter como objetivo testar a disposição de Trump em fazer concessões antes da cúpula.

Um especialista do governo dos EUA na Coreia do Norte disse que Kim também pode estar tentando avaliar se Trump está disposto a abandonar a reunião, o que levou os partidários do presidente a sugerir que ele merece ganhar o Prêmio Nobel da Paz.

Qualquer aquiescência de Trump à exigência norte-coreana de suspensão dos exercícios conjuntos provavelmente prejudicaria a confiança sul-coreana e japonesa em seu compromisso com sua segurança. Kim também demonstrou o desejo de obter aprovação internacional para seu trabalho diplomático, e qualquer sinal de que ele esteja sabotando as negociações pode prejudicar esse esforço.

Europa não dá garantias, mas promete manter vivo acordo com Irã

Por Parisa Hafezi, John Irish e Robin Emmott

BRUXELAS, 15 Mai (Reuters) - Potências europeias prometeram deixar o acordo nuclear de 2015 vivo sem os Estados Unidos, ao tentarem manter investimentos e petróleo do Irã fluindo, mas admitiram que terão que se esforçar para fornecer as garantias que o governo iraniano busca.

Ministros das Relações Exteriores de Reino Unido, França e Alemanha, junto à diplomata mais sênior da União Europeia, discutiram os próximos passos com o chanceler iraniano, uma semana após o presidente dos EUA, Donald Trump, abandonar o pacto que chamou de “o pior acordo já feito” e reimpor sanções norte-americanas sobre o Irã.

    “Todos nós concordamos que temos um parente em terapia intensiva e nós todos queremos tirá-lo ou tirá-la da terapia intensiva o mais rápido possível”, disse a chefe de política externa da UE, Federica Mogherini, a repórteres após o encontro de 90 minutos.

    Ela afirmou que todas as partes haviam concordado em encontrar soluções práticas durante as próximas semanas. Estas incluem continuar vendendo produtos de petróleo e gás do Irã, manter transações bancárias e proteger investimentos europeus no Irã.

    “Eu não posso falar sobre garantias legais ou econômicas, mas eu posso falar sobre trabalho sério, determinado e imediato do lado europeu”, disse Mogherini.

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, disse que o encontro foi um bom começo, mas que gostaria de ver as garantias se materializarem. “Nós estamos no caminho certo... muito irá depender do que podemos fazer nos próximos dias”, disse.

Destacando quão difícil isto será, o Tesouro dos EUA anunciou nesta terça-feira mais sanções, incluindo sobre o chefe do banco central do Irã, minutos antes do encontro em Bruxelas.

Zarif disse que a decisão norte-americana mais recente é “ilegal”.

    O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, foi contundente sobre as chances de evitar sanções norte-americanas que também buscam proibir companhias estrangeiras de fazerem negócios com o Irã.

    “Nós temos que ser realistas sobre o trilho eletrificado, o circuito elétrico de extraterritorialismo americano e como isto pode servir como um impedimento para negócios”, disse Johnson a repórteres.

    O acordo entre o Irã e seis potências mundiais suspendeu a maioria das sanções internacionais em 2016 em troca de Teerã conter seu programa nuclear, sob vigilância rígida do órgão de monitoramento nuclear da Organização das Nações Unidas.

Autoridades iranianas ameaçaram retomar enriquecimento.

    Trump denunciou o acordo, feito sob seu antecessor, Barack Obama, por não abordar o programa de mísseis balísticos do Irã, o papel do país em conflitos no Oriente Médio ou o que acontece após o acordo expirar, em 2025.

    Potências europeias compartilham das preocupações de Trump, mas dizem que o acordo nuclear é a melhor maneira de impedir Teerã de obter uma arma atômica.

    “O que é significativo é que Zarif reafirmou o desejo de seguir com o acordo caso encontremos uma maneira de ajudá-los um pouco”, disse um diplomata europeu sênior.

    Diversas autoridades iranianas disseram à Reuters que enquanto o Irã puder vender seu petróleo e receber seu dinheiro, o acordo permanece vivo.

    Os europeus e iranianos agora encarregaram especialistas de criarem medidas rapidamente e irão se encontrar novamente em Viena na semana que vem, em nível de vice-chanceleres.

Fonte: Reuters

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