Estadão aponta um "ponto estranho" na pesquisa do Datafolha. E tudo fica por isso mesmo???

Publicado em 12/06/2018 05:46 e atualizado em 13/06/2018 16:34
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Os votos de Bolsonaro "quase desaparecem" na pesquisa estimulada do Datafolha. Isso faz sentido???? O jornalista José Fucs, do ESTADÃO, acha que não... (por João Batista Olivi)

O mistério dos dados de Bolsonaro no Datafolha

Um ponto estranho na pesquisa divulgada pelo Datafolha no domingo, 10, está intrigando os analistas. Enquanto Lula tem 10% das intenções de voto na pesquisa espontânea e 30% na estimulada, Jair Bolsonaro aparece à frente de Lula, com 12% na espontânea, mas registra só 17% na estimulada —  uma distância muito menor entre as duas sondagens que a do petista.
“Ou a pesquisa está errada ou o Bolsonaro tem teto”, afirmou ao BR18 um analista. “Ou, então, tem muito apoiador enrustido de Bolsonaro que, por alguma razão, prefere não declarar o seu voto no momento, mesmo numa pesquisa eleitoral.”  Ganha um doce quem decifrar o enigma. / José Fucs.

Bolsonaro chega a 25% em pesquisa

Pesquisa telefônica feita pelo DataPoder360, instituto de pesquisa do portal Poder360, dá de 21% a 25% de intenções de voto a Jair Bolsonaro, a depender do cenário. A pesquisa foi registrada no TSE, ouviu 10.500 pessoas por telefone fixo e celular em 369 cidades, e tem margem de erro de 1,8 ponto percentual.

E as simulações de 2º turno?

O cientista politico Rodolfo Costa Pinto, responsável pela área de pesquisas do site Poder360, publcou artigo comentando os resultados do Datafolha. Ao comparar os dados dos dois institutos,Rodolfo dá uma "pista" para entender o que o instituto da Folha de S. Paulo trouxe neste domingo. Acompanhe: 

Por que há diferença entre o que apurou o Datafolha e o DataPoder360?
A resposta está nas metodologias usadas. Não apenas na coleta de dados (em entrevistas face a face ou por telefone), mas também na ordem das perguntas com a presença do ex-presidente Lula entre os candidatos. 

As perguntas sobre possíveis embates no 2º turno estão na parte final da pesquisa. (Antes), o eleitor já foi “esquentado” com várias possibilidades que incluem o ex-presidente Lula. É natural que o viés que vai se formando e chegue a 1 ponto máximo quando são apresentadas as possibilidades de 2º turno.

Ao incluir o nome de Lula na pesquisa, portanto, a empresa que faz a coleta dos dados induz parte dos eleitores a achar que Lula possa ser candidato. Isso produz resultado condizente com esse tipo de impulso.

Repita-se: isso não está errado, mas deve ser considerado quando se analisa o resultado final do levantamento.
Não há erro em nenhuma pesquisa, mas uma maneira diferente de abordar o entrevistado, conclui o cientista político..

A real força de Lula nas pesquisas

Na pesquisa do Datafolha de domingo, 10, Lula aparece com 30% das intenções de voto e segue na liderança da disputa, embora nem deva participar das eleições. Mas, ainda que se imagine que ele possa concorrer, convém analisar os dados com cautela, para não sobrevalorizar sua força eleitoral. É preciso levar em conta que Lula alcança os 30% na pesquisa estimulada, na qual os nomes dos candidatos são apresentados por cartão aos entrevistados.

Na espontânea, na qual os eleitores indicam suas preferências sem ver a lista de concorrentes, considerada a mais realista por muitos analistas, Lula tem apenas 10%. Para chegar aos 30% da estimulada, teria de amealhar quase a metade dos indecisos, que ainda somam 46% do eleitorado. Com sua prisão e todas as denúncias de corrupção de que é alvo, isso parece pouco provável. / José Fucs.

Impacto da ausência de Lula é menor do que se diz

Ao interpretar a pesquisa do Datafolha deste domingo, 10, muitos analistas destacaram o fato de que, no cenário sem Lula e sem o PT na disputa, o número de eleitores sem candidato chega a 34%. Aparentemente, a intenção seria mostrar que a não participação do ex-presidente e de seu partido no pleito deixaria cerca de 1/3 dos eleitores a ver navios. Mas, na verdade, não é bem assim.

Mesmo no cenário em que o nome de Lula é apresentado aos entrevistados, o número de eleitores que se declara sem candidato é elevado e alcança 21% do total, segundo a pesquisa estimulada do próprio Datafolha. Ou seja, a não participação de Lula no pleito deixaria, na real, de acordo com o levantamento, só mais 13% dos eleitores sem candidato e não todos os 34% falados por aí. É uma diferença e tanto. / José Fucs

Indecisos ainda são quase 50% e devem definir eleição

As análises sobre a pesquisa divulgada pelo Datafolha no domingo, 10, deixaram praticamente de lado uma questão que pode alterar de forma significativa o quadro eleitoral nos próximos meses: o índice de indecisos continua extremamente elevado.

Segundo a pesquisa espontânea do Datafolha, na qual os eleitores indicam suas preferências sem ver a lista dos candidatos, a fatia dos indecisos ainda alcança 46% do total, sem contar, é claro, os 23% que pretendem votar em branco e nulo. Ainda é um patamar muito alto, que recomenda toda a cautela na hora de avaliar os dados apurados agora. Muita água ainda deve rolar até o dia da eleição. / José Fucs.

‘A espontânea não mente’

Para o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, “o dado mais preciso dessa pesquisa Datafolha foi o derretimento de Lula na espontânea”, disse se referindo ao fato de Jai Bolsonaro ter ultrapassado o ex-presidente nesse item.

“Esse é o resultado mais certeiro. O resto é apenas uma tentativa de se passar a imagem que sem Lula não há outros candidatos etc. A espontânea não mente”, afirma. /M.M.

O chega pra lá de Bolsonaro

Jair Bolsonaro usou as redes sociais para dar um chega pra lá nos adversários dos partidos mais tradicionais que tentam provocá-lo para um debate e tentar subir nas pesquisas.

“Até ontem alguns sequer falavam meu nome, não crendo que os brasileiros desejariam uma política diferente do tradicional toma lá, dá cá, responsável pela corrupção generalizada em nosso País”, disse. “Agora, imploram por atenção porque, mesmo com estrutura, continuam irrelevantes. Não terão”, afirmou. /M.M.

‘O desafio de Bolsonaro é conquistar as meninas’

A jornalista Joice Hasselmann, pré-candidata ao Senado pelo PSL em São Paulo, disse em vídeo divulgado em suas páginas nas redes sociais, que “o grande desafio de Jair Bolsonaro é conquistar as meninas”.

Segundo Joice, JB tem uma rejeição de 70% entre as mulheres, que representam a maioria do eleitorado nacional ( 52%), em alguns Estados e precisa mudar isso. “Se não conseguir conquistar voto da mulher vai perder a eleição”, afirmou. José Fucs.

Sem batina, sem visita a Lula

Quem trouxe o rosário dado pelo papa Francisco ao ex-presidente Lula foi Juan Grabrois, consultor do Pontifício Conselho Justiça e Paz. Amigo do papa, ele ficou “indignado” por não poder visitar o petista na sede da Polícia Federal em Curitiba.

Lula tem recebido às segundas-feiras aconselhamento religioso e já teve visitas de figuras como Leonardo Boff e Frei Betto. A justificativa para impedir Grabrois de ser o convidado da semana na cela de Lula foi que ele não foi consagrado sacerdote e, portanto, não poderia dar orientação espiritual para o ex-presidente. Teve que se contentar em deixar o presente e uma carta.

Diga-me com quem andas e direi quem tu és

Nas redes sociais, o lançamento da campanha presidencial de Lula pelo PT, na sexta-feira, 8, em Contagem (MG), virou motivo para um mar de ironias de seus opositores.

Os mais aguerridos não perderam a oportunidade de dizer que a escolha de Lula — preso há dois meses na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba — deve ser vista como um fato normal para o PT, chamado por eles de “organização criminosa” (orcrim), porque o partido tem muitos de seus líderes investigados e condenados por corrupção. / J.F.

Da Vera: A ‘obsessão’ de Lula por FHC

Lula chamar Fernando Henrique Cardoso para sua testemunha de defesa tem um quê de obsessão que a psicanálise parece explicar melhor que o direito. Depois de uma transição civilizada, Lula e o PT se puseram a sistematicamente desconstruir o legado de FHC, martelando teclas como a “herança maldita”, assim batizada por José Dirceu, e o “nunca antes neste País” com que Lula pretendia dizer que tinha inventado a roda em todas as áreas.

Muitas vezes Lula investiu na contraposição entre os feitos de um operário de poucas letras (ele) e o “príncipe dos sociólogos”. Quando começaram as investigações do petrolão, era comum ele ou petistas dizerem que seu instituto tinha recebido contribuições parecidas com as feitas ao do rival. Foi essa a tese que levou Lula a arrolar o antecessor para depor. Pelo tom algo jocoso que adotou, FHC parece ter tido o gostinho de mostrar, 16 anos depois, quem está hoje em melhores condições. Mais um tiro pela culatra no aspecto jurídico de uma defesa que prefere, sempre, a política. / Vera Magalhães.

Petistas querem ser donos da camisa da seleção?

Ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e um dos responsáveis pelo programa de governo que o PT prepara, Nélson Barbosa usou sua conta no Twitter para alimentar a polêmica sobre vestir ou não a camisa amarela para torcer na Copa. Barbosa escreveu que tipo de camisa da seleção está liberada “para torcer sem problema”.

“Eu sei que coxinhas mancharam nossa camisa, mas Copa é Copa. Para torcer sem problema para o Brasil, basta uma pequena adaptação na camisa”, postou, publicando a imagemde uma camisa amarela com a estrela vermelha do PT no lugar do escudo e o nome de Lula e o número 13 às costas. /M.M.

Moro reage a ‘propaganda’ de Lula

Sergio Moro não gostou da “propaganda” que o escritor Fernando Morais estava fazendo de Lula durante depoimento como testemunha de defesa no processo que investiga o sítio de Atibaia. Os advogados do petista acharam relevante que Morais contasse das viagens que fez com o ex-presidente, incluindo um encontro com Bono, da banda U2, em Londres. “Estamos falando da reputação do acusado”, afirmou o advogado Cristiano Zanin. 

“O senhor pode divulgar questões meritórias fora do processo. Acho que o processo não deve ser usado para esse tipo de propaganda”, disse Moro.

 

Vaticano diz que terço que teria sido dado a Lula não é presente do Papa

O Vaticano afirmou nesta terça-feira (12) que o terço que teria sido entregue ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, na segunda-feira (11), não foi enviado pelo Papa Francisco.

O simbolo religioso foi levado por Juan Gabois, assessor de questões de Justiça e Paz do Vaticano e coordenador de encontros do Papa com movimentos sociais. Segundo ele, o presente era em nome do Papa.

Veja a notícia na íntegra no site do G1

Marina é opção no ‘polo democrático’

Signatários do manifesto Por um Polo Democrático e Reformista, manifesto encabeçado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e que prega a união de pré-candidatos de centro, dizem que Marina Silva (Rede) pode ser uma opção nesse campo, e não apenas Geraldo Alckmin. O terceiro nome citado é o do senador Alvaro Dias (Podemos).

O Estadão ouviu de lideranças como o presidente do PPS, Roberto Freire, que Marina pode ser uma alternativa caso Geraldo Alckmin (PSDB) não cresça. Os tucanos, no entanto, não admitem abrir mão de uma candidatura.

Simon vê ‘desespero’ em FHC

As possibilidades levantadas por FHC de unir as candidaturas de Geraldo Alckmin e Marina Silva são interpretadas como desespero por Pedro Simon. Em entrevista para O Globo, o ex-senador e conselheiro da pré-candidata disse que “Fernando Henrique está desesperado com o que está vendo.

” Ele (FHC) não sabe o que fazer diante do crescimento dos extremos e a fragmentação do centro. Ele sabe que a situação é dramática e tem tentado uma saída com a junção do centro progressista”, afirmou o ex-senador. Simon, entretanto, diz que Marina se nega a participar do “toma-lá-dá-cá” dos partidos de centro.

Sob o ‘efeito Lula’

Na rota por uma união de esquerda, o PSB está em compasso de espera da posição que o PT vai adotar na disputa presidencial, dados os obstáculos à candidatura de Lula.

O presidente do partido, Carlos Siqueira, afirmou à Rádio Eldorado nesta manhã de segunda, 11, que é necessário esperar a indicação do candidato do PT, “sem pressa”. “Sabemos que Lula não será candidato; mas PT deverá lançar um nome.”

Abandono do barco

Sem perspectiva da aprovação de reformas até o fim do ano e com a retração da expectativa de crescimento, aliados vão abandonando o governo de Michel Temer, observa Fernando Limongi em texto no Valor.

“O governo entrou em sua fase terminal. Com a greve dos caminhoneiros e a saída de Pedro Parente, Temer perdeu a capa de respeitabilidade que ainda o protegia”, analisa o colunista.

A ESQUERDA ELEGERÁ JAIR BOLSONARO (Por Pedro Henrique Alves, Instituto Liberal)

Por Pedro Henrique Alves, publicado pelo Instituto Liberal

canal de Jair Bolsonaro, no YouTube, foi deletado; e a única coisa que conseguia pensar após saber dessa nova censura descarada dos ditadores da tolerância, foi o seguinte: “a esquerda elegerá Bolsonaro”.

Não é difícil equacionar e nem chegar à conclusão, se você assim como eu acompanhou as eleições americanas de 2016, que quem elegeu Donald Trump foi a mídia abertamente esquerdista e censora das opiniões conservadoras. Os únicos que acreditavam na vitória do conservador foram dois tipos pessoas: os abertos seguidores do magnata e os analistas políticos que não endossavam as ideologias oficiais do mainstreamsocialista (CNN, The New York Times, Huffpost, etc); não obstante, ele não só ganhou a eleição como está a cada dia mais tirando o baby doll da vergonhosa parcialidade midiática americana.

A população percebe os exageros e as forçosas difamações das grandes mídias, tais difamações são tão abertamente orquestradas que parece — hora ou outra — surgir até uma espécie de vergonha dos próprios censores oficiais. O grande problema da intelligentsia socialista, desde Karl Marx, é confundir falta de conteúdo acadêmico — o que a grande população de classe média e baixa realmente padece —, com falta capacidade de percepção e interpretação da realidade — o que o senso comum do povo tem às toneladas.

Não se trata de defender o Bolsonaro, se trata de constatar o que está acontecendo. Aliás, abertamente afirmei que não pretendo votar no Deputado por suas incongruências filosóficas e incapacidade de definir um norte claro de atuação política e econômica para além das frases prontas. Não obstante, negar que o pré-candidato tem chances reais de vir a ser o Presidente da República, que ele consegue angariar para si seguidores fieis e, até mesmo, um dos melhores e mais lúcidos economistas liberais nacionais, Paulo Guedes; bom, acredito que esses pontos não têm como negar ou contrapor sem nos unirmos à esquerda e passarmos a impugnar a realidade dos fatos.

Estão dando motivos para que a população busque pelo Bolsonaro e o defenda da censura oficial dos “guardiões da tolerância”. A própria Agenda socialista tornou Bolsonaro o inimigo dos poderosos e protetor do “povo comum”; foram os socialistas das redações que reafirmaram nele o título do pré-candidato antissistema; foram eles próprios que “tatuaram” em sua testa a chancela de “procurado” pela máquina dos detentores do poder. Ou seja, vitimaram o homem que fala e atua como o povo espera que um líder nacional atue e fale; em suma, a esquerda unida à sua burrice é a grande causa do fenômeno Bolsonaro!

Aliás, deve-se estudar a capacidade ímpar das grandes mídias contemporâneas de perder credibilidade com a população média; fazendo com que as Fakes News sejam mais identificadas com as grandes marcas jornalísticas do que com os demais sites “paralelos”.

Assim como o Index Librorum Prohibitorum medieval só fazia crescer a curiosidade daqueles a quem eram vetadas as leituras das obras proibidas; da mesma maneira o Index Prohibitorum moderno do establishment fará com que as pessoas procurem pelas opiniões do conservador que tentam emudecer. A estratégia número um é criar uma legislação oficial — ou extra-oficial — que permitisse tirar os conteúdos de seus inimigos do alcance da população em geral; o segundo é apagar suas contas e banir seus espaços digitais de pregação e influência; por fim, o último modo de afastarem aqueles que erigiram como “inimigos da república”, será a famigerada urna eletrônica, o pilar de papel machê de nossa democracia. O passo definitivo será, enfim, vetar o uso do voto impresso para que a burla da manipulação de votos aconteça de forma inconteste, sem possibilidade de revisão.

Analisando hoje o cenário político nacional, considerando os fracassos desses passos acima elencados, Bolsonaro não só será eleito Presidente da República, como chegará no Palácio do Planalto através das sandices e difamações da esquerda. Até o momento o grande cabo eleitoral de Bolsonaro é a grande mídia nacional.

Comentário do blog: A questão da “censura” do site não ficou clara, e pode ter sido apenas uma falha técnica, como o próprio candidato reconheceu. Mas isso não altera o teor da mensagem do texto, o mesmo que eu já tentei resumir num vídeo que teve grande repercussão, em que afirmava que a esquerda caviar tinha criado a candidatura competitiva do capitão. Quanto mais a mídia bate em Bolsonaro, de forma escancaradamente enviesada, mais ele angaria apoio entre a população, que percebe o duplo padrão, a perseguição, a torcida ideológica. A mídia é o maior cabo eleitoral de Bolsonaro hoje. (Rodrigo Constantino).

O Fator Bolsonaro e as chances de vitória (por Bruno Garschagen/GAZETA DO POVO)

Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

O deputado federal e pré-candidato Jair Bolsonaro está cada vez mais perto de se tornar presidente da República, algo (exercer a presidência) que eu não desejaria ao meu pior inimigo. Duas pesquisas recentes de intenção de voto são as evidências empíricas do seu atual momento. 

O levantamento realizado pelo DataPoder360 mostrou Bolsonaro como líder em três cenários distintos com variação de 21% a 25%. Também em três cenários, a pesquisa feita pelo Datafolha mostrou o candidato do PSL liderança com 19% das intenções de voto. E, sim, continua a ser estranho o instituto inserir como candidato um presidiário condenado pela justiça – Luís Inácio Lula da Silva. 

O atual e grande problema para Bolsonaro e demais candidatos é o alto índice de rejeição individual somado a uma parcela significativa de eleitores que não decidiu em que votar ou que está disposta a votar nulo ou em branco. Até a eleição, porém, esses elementos adversos podem ser uma ótima janela de oportunidades para ganhar votos hoje dado como perdidos. Há um espaço para convencimento que nenhum candidato pode menosprezar. 

As duas últimas semanas contribuíram para solidificar a percepção de parte da sociedade de que ele é a pessoa mais indicada para ocupar a função a partir de janeiro de 2019. Três fatos foram fundamentais para isso: 1) a paralisação dos caminhoneiro e os seus desdobramentos políticos e econômicos; 2) o agravamento da violência no país, especialmente no Rio de Janeiro e o drama da mãe que faleceu ao saber que seu filho policial militar havia sido assassinado por bandidos; 3) a constrangedora disputa judicial entre Polícia Civil, Polícia Federal e Exército para ver quem poderia ficar com as armas e munições apreendidas com traficantes. 

Bolsonaro, que assumiu há anos essa bandeira, nem precisa ter um projeto pronto e acabado de segurança pública. O que mais importa para parte dos eleitores neste momento é ter a percepção de que ele é o único candidato que se preocupa com o assunto e que, portanto, fará o que nenhum outro terá a coragem de fazer. 

Coragem é uma palavra-chave para a eleição de 2018. Bolsonaro pode ser acusado de não ter traquejo verbal, de tergiversar quando questionado sobre projetos específicos, de não dominar os assuntos de sua predileção, mas transmite a imagem para uma parcela crescente da sociedade de que, mesmo desconhecendo os detalhes do problema, terá o destemor e a disposição para enfrentá-lo. 

Em política, a imagem de confiabilidade e empenho pessoal é fundamental. Um candidato pode morrer na praia mesmo que ofereça soluções detalhadas e plausíveis se não conseguir estabelecer com as pessoas os vínculos primordiais de honestidade e de confiança. Num momento em que a classe política – e não a política per se como se costuma afirmar por aí – tem recebido a moção pública de repúdio que merece, Bolsonaro é visto como um político que jamais se deixou corromper e que tem vontade e energia para enfrentar o sistema degradado.

Nem se trata de fenômeno novo na política brasileira. Em outro momento e em circunstâncias distintas, políticos como Jânio Quadros capitalizaram eleitoralmente em cima da imagem de honestidade. O exemplo de seu fracasso político na curta presidência é, inclusive, pedagógico para qualquer postulante ao cargo. Percepção pública, por isso mesmo, não garante a realização de bom governo, mas pode garantir a eleição. Sem a vitória eleitoral, obviamente, não há governo – nem bom nem ruim. 

Outro aspecto importantíssimo que tem sido ignorado é aquilo que eu defini como política com testosterona para falar sobre a política externa do governo de Donald Trump. Bolsonaro é seu representante e somente Ciro Gomes, do lado negro da força, consegue aparentar fazer parte do clube. Muitos estão fartos de políticos frouxos e covardes e, por essa razão, os dois lideram a pesquisa do DataPoder360 e Ciro aparece em terceiro lugar no levantamento Datafolha. 

Os demais candidatos, contudo, a despeito de eventuais qualidades, parecem aos olhos do brasileiro médio desprovidos da virilidade necessária para liderar um país repleto de janelas quebradas e com mais de 60 mil homicídios por ano. Marina Silva, por exemplo, que aparece na segunda posição na pesquisa do Datafolha, conseguiu até aqui manter a preferência de parcela do eleitorado que não se vê representada por Bolsonaro ou Ciro, mas, a depender de sua campanha, ela corre o risco de naufragar como na eleição anterior.

Um aspecto que, como estudioso da política brasileira, tem me chamado a atenção é a capacidade do pré-candidato do PSL de aprimorar a sua atitude pública e o seu discurso num espaço de tempo tão curto. O personagem irritadiço e sempre pronto a voar na jugular de quem o provocava tem se mostrado cada vez mais paciente, bem humorado e, vá lá, humilde nas entrevistas e intervenções. 

Quando, por exemplo, afirma que não é especialista em economia e, por isso mesmo, se aproximou do economista Paulo Guedes, reforça a imagem de político sincero que não tem medo de confessar suas limitações, mas que, principalmente, sabe escolher o melhor em cada área de governação. Nesse caso, a aparente fragilidade é convertida em demonstração de inteligência.

Desconheço um candidato à presidência que tenha sido tão beneficiado pelas circunstâncias e pelos seus adversários como Bolsonaro neste momento. De agora até o início e desenrolar formal da campanha, quando os partidos acionam suas estruturas locais, muito há de acontecer. Se por um lado os aspectos positivos de Bolsonaro poderão sobressair, seus aspectos negativos serão usados contra ele.

É fato: o fenômeno Jair Bolsonaro se ergue sob os escombros do establishment, que tenta sobreviver. As oligarquias políticas não são invencíveis, mas não estão mortas e farão de tudo para preservar a parte que elas acham que lhes cabe nesse enorme latifúndio político que é o Estado brasileiro. Quando o Fator Bolsonaro se apresentar maior do que é hoje, os oligarcas levarão a cabo o projeto de união de centro-esquerda num ambiente político onde sobra esquerda e centro, mas falta direita.

Analisando de acordo com as circunstâncias de hoje, se não é impossível, será um enorme desafio para Bolsonaro superar a máquina constituída e capilarizada país afora de siglas profissionais como PSDB, PMDB e PT. A seu favor, porém, existem os brasileiros exaustos com os políticos que estão aí e que são vistos por eles como responsáveis pela situação do país.

A eleição, hoje, caminha para um segundo turno entre Bolsonaro e Ciro Gomes, que, em se tratando de oligarquia, é PhD em Harvard. Bolsonaro já rompeu os 20% de intenções de voto e, ao contrário do que os especialistas têm afirmado com convicção questionável, tem potencial de crescimento porque os fatores que o beneficiaram na semana passada não serão resolvidos até a eleição, principalmente a insegurança pública. Pelo contrário, os problemas tendem a aumentar. As condições favoráveis, no entanto, podem mudar e as chances de Bolsonaro diminuírem.

Arrisco-me a dizer que o maior adversário de Bolsonaro, neste momento, não é Ciro Gomes, mas ele próprio: suas falas, escolhas, alianças. Se continuar, entretanto, a fazer a leitura correta do cenário político e a aprimorar as suas intervenções públicas nos discursos, entrevistas e redes sociais, poderá ser bem-sucedido naquilo que a maioria dos comentaristas políticos hoje considera uma impossibilidade: não só vencer a eleição presidencial, mas fazê-lo no primeiro turno.

VÍDEO: Bolsonaro questiona Datafolha

Jair Bolsonaro acabou de publicar um vídeo nas redes sociais questionando os números apresentados no Datafolha.

Segundo o presidenciável do PSL, na pesquisa Datafolha ele perderia de todos os candidatos no segundo turno.

Veja o vídeo abaixo:

O Datafolha e o vexame de sempre.

 

 

 

A ESQUERDA ELEGERÁ JAIR BOLSONARO

 

 

Fonte: Estadão/GazetadoPovo/Antagonista

1 comentário

  • JUSTINO CORREIA FILHO Bela Vista do Paraíso - PR

    Está difícil para o brasileiro de bom senso! Mas vamos lá, afinal é o que aparece no radar. Entre um presidiário, um brucutu do nordeste (falastrão e arrogante), ou um brucutu do sudeste (armado até os dentes, ou ainda, a fada pura da floresta), como decidir???. Difícil!!! ... penso ser melhor ficar com o brucutu do sudeste, que, com certeza, tende a sacar a arma primeiro. E vamos em frente!!!

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    • EBS FERTILIZANTESITANHANGA - MT

      Em uma banda onde os músicos 'tocam' tão porcamente, por mais graduado, instruído, ou armado que seja o maestro o máximo que ele conseguirá fazer é minimizar os desastres auditivos! Ser certo não é mais do que obrigação de todos, o candidato precisa ser competente para se executar uma gestão competente. Deverá ser um Napoleão lutando contra um sistema tão corrompido que se tornou nosso país.

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