Conversas comerciais entre EUA e China terminam sem avanços e tarifas entram em vigor

Publicado em 23/08/2018 07:43 e atualizado em 23/08/2018 21:30
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WASHINGTON/PEQUIM (Reuters) - Autoridades dos Estados Unidos e da China encerraram dois dias de conversas nesta quinta-feira sem avanços significativos, conforme a guerra comercial entre os país aumentou após ativação de outra rodada de tarifas sobre o equivalente a 16 bilhões de dólares em bens de cada país.

“Nós concluímos dois dias de discussões com contrapartes da China e trocamos opiniões sobre como alcançar equidade, equilíbrio e reciprocidade na relação econômica”, disse a porta-voz da Casa Branca Lindsay Walters em breve comunicado enviado por e-mail.

    As discussões incluíram “respostas às questões estruturais na China”, incluindo suas políticas de propriedade intelectual e transferência tecnológica, disse Walters.

    Autoridades de nível intermediário do governo Trump que participaram das conversas irão informar os chefes de suas agências sobre as discussões, disse Walters.

    Implementação das mais recentes tarifas de 25 por cento nesta quinta-feira não descarrilou as conversas, lideradas pelo subsecretário do Tesouro dos EUA, David Malpass, e pelo vice-ministro do Comércio da China, Wang Shouwen. As conversas foram as primeiras cara a cara entre China e EUA desde o início de junho para tentar encontrar uma solução para um intenso conflito comercial e tarifas crescentes.

Mais cedo, uma autoridade sênior do governo Trump minimizou chances de sucesso, dizendo que a China ainda precisava responder queixas norte-americanas sobre suposta apropriação indevida de propriedade intelectual dos EUA e subsídios industriais.

“Para que tenhamos um resultado positivo destes compromissos, é realmente crítico que eles (a China) respondam a preocupações fundamentais que nós levantamos”, disse a autoridade em teleconferência sobre a nova lei de revisão de segurança dos EUA para aquisições estrangeiras. “Nós ainda não vimos isto, mas nós vamos continuar encorajando-os a responder problemas que nós levantamos”.

    Uma porta-voz da embaixada da China em Washington não pôde ser imediatamente contatada para comentários.

    O Ministério do Comércio da China informou em Pequim que apresentou uma queixa na Organização Mundial do Comércio sobre a rodada mais recente de tarifas norte-americanas. Os dois países agora miram 50 bilhões de dólares em bens um do outro e ameaçaram taxas sobre a maior parte do restante de seu comércio bilateral, levantando preocupações de que o conflito pode pressionar o crescimento econômico global.

    Autoridades do governo Trump têm expressado divergências sobre a quantidade de força que devem usar para pressionar Pequim, mas a Casa Branca aparenta acreditar estar vencendo a guerra comercial, conforme a economia da China desacelera e seu mercado de ações tropeça.

    Economistas calculam que cada 100 bilhões de dólares de importações atingidos por tarifas irão reduzir o comércio global em torno de 0,5 por cento.

Eles assumiram um impacto direto sobre o crescimento econômico da China em 2018 de 0,1 para 0,3 ponto percentual, e um pouco menos para os Estados Unidos, mas o impacto será maior no ano que vem, junto a danos colaterais para outros países e companhias ligadas às cadeias de abastecimento global da China.

Guerra comercial entre EUA e China se intensifica com novas tarifas

PEQUIM/WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos e a China intensificaram sua guerra comercial nesta quinta-feira com a adoção de tarifas de 25 por cento sobre 16 bilhões de dólares em mercadorias um do outro, mesmo que autoridades de ambos os lados tenham retomado negociações em Washington.

As duas maiores economias do mundo adotaram agora tarifas sobre um total combinado de 100 bilhões de dólares em produtos desde o início de julho, com mais por vir, ampliando os riscos ao crescimento econômico global.

O Ministério do Comércio da China disse que Washington "permanece obstinado" em implementar as mais recentes tarifas, que entraram em vigor por ambos os lados como previstos à 01h01 (horário de Brasília).

"A China se opõe firmemente a isso, e continuará a adotar contramedidas necessárias", disse o ministério em comunicado, acrescentando que Pequim entrará com uma reclamação junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou colocar tarifas sobre quase todos os mais de 500 bilhões de dólares em bens chineses exportados aos EUA anualmente a menos que Pequim concorde com mudanças a suas práticas de propriedade intelectual, programas de subsídio à indústria e estruturas tarifárias, e compre mais produtos norte-americanos.

Esse número representaria bem mais do que a China importa dos EUA, levantando preocupações de que Pequim poderia avaliar outras formas de retaliação.

Moody's reduz previsão para PIB do Brasil e vê risco em guerra EUA-China (na FOLHA)

Agência diz que a paralisação dos caminhoneiros provocou contração da atividade econômica

A agência de classificação de risco Moody’s reduziu nesta quinta-feira (23) a previsão para o crescimento do Brasil em 2018, em meio a um cenário ruim para emergentes pelo aumento do preço do petróleo e pelas tensões comerciais entre EUA e diante das incertezas eleitorais no país.

Segundo a Moody’s, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro crescerá 1,8% neste ano. Antes, a expansão prevista era de 2,5%. Para 2019, a projeção diminuiu de 2,7% para 2%. A análise está no relatório “Global Macro Outlook 2018-2019” (“Panorama Macro Global 2018-2019”, em tradução livre), divulgado nesta quinta.

A agência atribui a piora na perspectiva de curto prazo a uma combinação de cenário externo mais desafiador e a fragilidades internas do país.

A Moody’s diz que a paralisação dos caminhoneiros em maio provocou uma contração da atividade econômica, e que dados de varejo e produção industrial indicam que uma recuperação mais ampla está perdendo ímpeto.

Enquanto isso, as expectativas de inflação começaram a subir, e a desvalorização do real deve contribuir para uma pressão inflacionária adicional, diz o relatório. “A inflação crescente vai afetar os gastos do consumidor ao erodir os salários reais, enquanto maiores taxas de juros vão refrear os investimentos.”

A esse panorama, ainda é preciso somar a incerteza sobre o resultado das eleições e as políticas do próximo governo, “fonte adicional de risco”, indica a agência. E um contexto global de alta de juros nos Estados Unidos, que favorece a atração de fluxo de investimentos para o mercado americano e agrava as turbulências locais.

“O maior risco para os mercados emergentes é o aperto na política monetária americana. Como esperamos que a política monetária continue se normalizando nos EUA, esperaríamos fluxo monetário saindo dos mercados emergentes”, afirma Elena Duggar, diretora-adjunta da Moody’s.

Segundo o relatório, o aumento do preço do petróleo e a desvalorização das moedas de emergentes constituem uma considerável deterioração nas trocas comerciais desses países, o que leva à piora nas perspectivas econômicas.

“De uma maneira geral, os mercados emergentes permanecem inerentemente vulneráveis ao risco de fluxos de capitais associados ao aperto da liquidez global, conforme bancos centrais de economias avançadas revertem medidas de estímulo”, indica o texto.

E como pano de fundo, a disputa comercial entre EUA e China, que, segundo a agência, deve se agravar neste ano e pesar sobre o crescimento econômico em 2019. “A magnitude do impacto macro vai depender crucialmente na resiliência do sentimento”, indica o estudo.

Para a China, a disputa deve retirar de 0,3 a 0,5 ponto percentual do crescimento do PIB em 2019 --a Moody’s projeta expansão de 6,6% neste ano e 6,4% em 2019.

Nos Estados Unidos, a perda deve ser de 0,25 ponto percentual, “ofuscando parte do forte momento atribuído aos estímulos fiscais” do governo de Donald Trump.  O PIB americano deve crescer 2,9% neste ano e 2,3% no próximo, diz a Moody’s.

As previsões da agência não consideram as tarifas de 25% sobre US$ 200 bilhões de importação da China ou a tarifa de 25% sobre veículos e autopeças. “A implementação de qualquer uma delas significaria um grande choque adverso por múltiplos canais e também significaria uma séria escalada na disputa comercial”, indicam.

A Moody’s avalia que um passo nessa direção poderia ser prejudicial ao crescimento global, não apenas pelas cadeias de valor no comércio mundial, mas por injetar um alto nível de incerteza, frear o investimento e pressionar os preços de ativos no mundo.

No Estadão: EUA impõem novas tarifas sobre US$ 16 bilhões em produtos chineses

WASHINGTON - O governo americano impôs nesta quinta-feira, 23, um novo pacote de tarifas de 25% sobre US$ 16 bilhões de produtos chineses, escalando a guerra comercialcontra Pequim em meio às negociações entre representantes dos dois países em Washington. A China reagiu com a adoção de medida semelhante contra importados americanos.

A medida entrou em vigor à meia-noite de Washington (meio-dia em Pequim). A China respondeu em seguida e impôs tarifas sobre US$ 16 bilhões de produtos americanos, seguindo o histórico de reagir às ações americanas com medidas semelhantes. O governo chinês afirmou que adotaria "represálias necessárias" contra o que considera uma violação dos Estados Unidos às normas do comércio internacional.

A escalada na guerra comercial ocorre na mesma semana em que autoridades do médio escalão dos governos chinês e americano retomam as conversas para encontrar uma solução para a disputa. As negociações foram iniciadas em abril, mas terminaram sem acordo. Em junho, os dois países voltaram à mesa, mas novamente não chegaram a um consenso.

Leia a notícia na íntegra no site do Estadão

Fonte: Reuters + Estadão + EM

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