Forte votação de Bolsonaro já melhora a posição do Brasil na Europa

Publicado em 07/10/2018 20:33 e atualizado em 08/10/2018 09:25
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LONDRES (Reuters) - Os ETFs, fundos de índices, do Brasil listados na Europa saltaram nesta segunda-feira depois que o candidato do PSL Jair Bolsonaro conquistou quase metade dos votos no primeiro turno da eleição presidencial brasileira, no domingo.

Bolsonaro conquistou uma votação expressiva, mas não o suficiente para evitar um segundo turno contra o petista Fernando Haddad em 28 de outubro.

Dois dos ETFs do Brasil do iShares MSCI listados em Londres saltaram 6,8 e 6,2 por cento respectivamente, enquanto o ETF Xtrackers MSCI subiu 6,3 por cento.

Os American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras listados em Frankfurt também saltaram 6,4 por cento.

"Haverá um forte rali nos ativos brasileiros hoje conforme os mercados financeiros se movimentam para assumir que Bolsonaro vai se tornar o próximo presidente do Brasil", disse Edwin Gutierrez, chefe de dívida soberana de mercados emergentes da Aberdeen Standard Investments.

Mercado reage a 2º turno entre Bolsonaro e Haddad e dólar é cotado perto dos R$ 3,72 (no ESTADÃO)

Após o resultado do 1º turno, o dólar à vista no balcão abriu o pregão aos R$ 3,7263, com baixa de 3,36%. Os mercados locais, que tinham esperança em uma vitória de Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno, se ajustam à realidade de um segundo turno com Fernando Haddad (PT). A grande vantagem do candidato de direita em relação ao petista e o crescimento do PSL no Congresso, no entanto, devem sustentar um ambiente positivo.

O papel da ação da Petrobrás (American Depository Receipt - ADR) opera em forte alta no pré-mercado em Nova York, após o primeiro turno eleitoral no Brasil. Às 8h22 (de Brasília), o ADR da companhia brasileira avançava 11,57%, a US$ 15,52.

Nesta manhã, os índices referenciados em papéis brasileiros (ETFs) disparavam mais de 6% nas bolsas europeias. Mas um ajuste depois não está descartado, diante da perspectiva de uma disputa acirrada e agressiva, e após os mercados locais terem fechado eufóricos na sexta-feira, esperando um desfecho em primeiro turno.

a semana passada, o dólar caiu 4,81% ante o real e a Bovespa subiu 3,75% em meio ao fortalecimento de Bolsonaro nas pesquisas. No final da etapa eleitoral de ontem, Bolsonaro teve 46,4% dos votos, vencendo em 16 Estados e no Distrito Federal, e Haddad, 28,9%, com grande vantagem no Nordeste. Bolsonaro já tem o apoio das bancadas da bala, evangélica e ruralista no Congresso. Aliás, o candidato também conseguiu ampliar de forma significativa a bancada da bala, com a eleição de dezenas de deputados que carregam em seus nomes políticos suas patentes militares.  

Vantagem de Bolsonaro no 1º turno deve agradar mercados, mas não assegura euforia

SÃO PAULO (Reuters) - O resultado do primeiro turno da eleição presidencial no país deve agradar investidores, mas não assegura uma sessão de euforia no mercado brasileiro na segunda-feira, apesar da vantagem significativa do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, frente a Fernando Haddad (PT), que se enfrentarão no segundo turno, em 28 de outubro.

Bolsonaro obteve 46,1 por cento dos votos válidos neste domingo, enquanto Haddad registrou 29,3 por cento.

Conforme agentes financeiros consultados pela Reuters, um cenário com Bolsonaro e Haddad no segundo turno, com o candidatodo PSL à frente, já estava no preço dos ativos; e pode frustrar principalmente aqueles que já trabalhavam com um desfecho neste domingo.

-- "Havia uma expectativa crescente de que talvez a eleição acabasse já no primeiro turno", disse o economista Evandro Buccini, da Rio Bravo Investimentos, acrescentando que os investidores podem adotar uma posição mais defensiva.

Na visão do analista Filipe Villegas, da corretora Genial, o Ibovespa teve uma semana bastante positiva e a possibilidade de vitória de Bolsonaro não era pequena, então não seria de estranhar uma realização de lucros" dado o cenário de segundo turno.

Na semana que antecedeu a votação, o dólar acumulouqueda de 4,5 por cento, encerrando a sexta-feira a 3,8570 reais,enquanto o Ibovespa contabilizou um ganho de 3,76 porcento, fechando a 82.321,52 pontos. A avaliação no mercado é de que agora começa uma nova campanha, com novas pesquisas e novos debates, além de anúncios de potenciais alianças partidárias.

Para o gestor Frederico Mesnik, sócio-fundador da Trígono Capital, o mercado pode até abrir com um tom positivo, mas deve corrigir até o final do dia, com investidores preferindo cautela até a próxima pesquisa sobre intenção de votos.

“A sombra do PT pode pesar nos negócios... pelo menos até às próximas pesquisas”, avaliou.

O gerente de renda fixa Carlos Fernando Mendes, da corretora Lerosa, acrescenta ainda que próximos movimentos dependerão das coligações que serão anunciadas, dos próximos debates. “É outra campanha", disse.

Na visão do economista Dev Ashish, do Société Générale, o segundo turno está em aberto.

Após o resultado do primeiro turno, a equipe da XP Investimentos ajustou sua carteira recomendada para refletir um cenário de risco menor, mas destacou que uma vitória de Bolsonaro no segundo turno ainda não está garantida.

“Esperamos volatilidade”, afirmou a equipe liderada pelo estrategista Karel Luketic, em nota a clientes.

Ambos os candidatos encerraram a primeira fase da campanha presidencial com elevadas taxas de rejeição, o que mostra as dificuldades que terão no segundo turno.

Os discursos adotados por cada candidato serão outro foco deatenção, após declarações polêmicas durante os últimos meses,principalmente no campo econômico.

A preferência no mercado financeiro por Bolsonaro é apoiadano seu coordenador econômico, o economista liberal Paulo Guedes,oriundo do mercado, a quem repassa praticamente qualquerquestionamento referente a temas econômicos, mas também em umsentimento anti-PT, após deterioração de indicadores econômicosprincipalmente no governo de Dilma Rousseff.

No caso de Haddad, persiste a desconfiança em relação à capacidade do candidato do PT de implementar uma política de maior austeridade fiscal e promover reformas como a da Previdência, com apreensão sobre uma guinada mais populista.

Bolsonaro tem votação expressiva, mas Nordeste salva Haddad e o leva ao 2º turno

Por Eduardo Simões e Mateus Maia

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, conquistou votação expressiva no primeiro turno da eleição presidencial deste domingo, mas não o suficiente para evitar um segundo turno contra o petista Fernando Haddad, salvo pela Região Nordeste, que garantiu uma nova rodada de votação daqui a três semanas, na qual o ex-capitão do Exército larga na frente.

Com 99,95 por cento das seções eleitorais apuradas, Bolsonaro tem 46,04 por cento dos votos válidos, ou 49,2 milhões de votos, enquanto Haddad ficou com 29,26 por cento, o equivalente a 31,3 milhões de votos.

O candidato do PSL venceu em todos os Estados, exceto nos nove do Nordeste e no Pará. Haddad foi o mais votado em oito Estados nordestinos --Ciro Gomes (PDT) ganhou no Ceará-- e no Pará.

A votação expressiva em solo nordestino, tradicional reduto do PT e especialmente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, garantiu a Haddad, de perfil mais acadêmico e bem menos popular que Lula, a vaga no segundo turno.

Assim, Bolsonaro, que tem encarnado o antipetismo nos últimos anos e, nesta eleição, consolidou-se como principal nome do antagonismo ao PT, enfrentará Haddad, ungido à cabeça de chapa do PT por Lula, depois de o ex-presidente ter a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa.

Os dois candidatos registraram índice elevado de rejeição entre o eleitorado, segundo pesquisas de opinião, o que deverá implicar em uma escolha pelo menos pior por parte do eleitorado.

Em discurso após a definição do segundo turno com Bolsonaro, Haddad disse que quer unir o país em defesa da democracia, já dando o tom de conciliação que pretende usar para tentar recuperar, na segunda rodada, o espaço ganho pelo discurso antipetista de Bolsonaro.

"Queremos unir os democratas do Brasil, as pessoas que têm atenção aos mais pobres do Brasil, sempre tão desigual", disse Haddad.

Bolsonaro, por sua vez, voltou a questionar as urnas eletrônicas e afirmou que registraram "problemas" ao longo do domingo que, na avaliação dele, impediram que o novo presidente fosse definido já no primeiro turno. O ex-capitão também manteve discurso antipetista e pregou contra a esquerda, o comunismo e o socialismo.

"Não queremos a volta desse tipo de gente que trouxe o pior da política ao Palácio do Planalto. O Brasil teve uma experiência de 13 anos com o que é o pior que tem na política", disse. "Não podemos continuar flertando com o socialismo e o comunismo", completou.

A polarização entre o petismo e Bolsonaro também se refletirá no Congresso Nacional. De acordo com estimativa da XP Investimentos, o PT terá a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 57 deputados, seguido pelo PSL, que terá 51.

Ainda na seara das eleições parlamentares, a eleição deste domingo representou a queda de nomes tradicionais da política. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), por exemplo, não conseguiu se reeleger, assim como senadores que não conseguiram renovar seus mandatos a partir de fevereiro como Roberto Requião (MDB-PR), Edison Lobão (MDB-MA), Garibaldi Alves (MDB-RN), Romero Jucá (MDB-RR) e Lindbergh Farias (PT-RJ).

Outros nomes conhecidos que tentavam ingressar no Senado também fracassaram neste domingo, casos da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que buscava uma vaga por Minas Gerais; de Eduardo Suplicy (PT), que pretendia voltar a representar São Paulo na Casa, e do ex-governador do Paraná, Beto Richa, que deixou o comando do governo do Estado neste ano para tentar entrar no Parlamento.

ELEIÇÃO PLEBISCITÁRIA

Com o elevado nível de polarização, a expectativa é de uma campanha de segundo turno calcada nos esforços de desconstrução do adversário de ambos os lados e de uma espécie de plebiscito entre petistas e antipetistas.

"Muito provavelmente nós vamos ter uma eleição de segundo turno que vai estar muito mais marcada por elementos negativos --quer dizer, Haddad tentando desconstruir Bolsonaro e Bolsonaro tentando desconstruir Haddad-- do que de fato por uma lógica de valores positivos", disse o cientista político Creomar de Souza, da Universidade Católica de Brasília.

Entre os derrotados neste domingo, Ciro, que ficou com 12,47 por cento dos votos válidos, disse que ainda fará reuniões para definir seu posicionamento no segundo turno, mas descartou apoio a Bolsonaro, lembrando que tem histórico de defesa da democracia e contra o fascismo.

"Uma coisa eu posso adiantar logo: como vocês já viram, minha história de vida é de defesa da democracia e contra o fascismo", disse ele a jornalistas em Fortaleza. "Ele não, sem dúvida", completou, referindo-se ao presidenciável do PSL.

Em seu discurso, Haddad disse ter conversado por telefone com Ciro, com a candidata da Rede, Marina Silva, e Guilherme Boulos, do PSOL, que já anunciou apoio ao petista no Twitter.

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que registrou 4,76 por cento dos votos válidos, manifestou respeito pelo resultado das urnas.

"Quero transmitir em primeiro nosso absoluto respeito ao resultado das urnas, a manifestação dos eleitores", disse ele em São Paulo, acompanhado de sua esposa, Lu Alckmin, e de sua vice na chapa, a senadora Ana Amélia, do PP. "De outro lado também destacar aqui a nossa serenidade como democratas que somos."

Presidente do PSL, Gustavo Bebiano, e o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), um dos aliados de primeira hora de Bolsonaro, disseram que o ex-capitão buscará os votos do PSDB e tentará apoios de todos os partidos, menos o da esquerda. Não querem, no entanto, o apoio de Alckmin por causa da agressividade da campanha do tucano contra Bolsonaro.

Marina Silva, candidata da Rede, que viu seu apoio junto ao eleitorado derreter ao longo da campanha chegando a este domingo com 1 por cento e apenas a oitava posição, disse que seu partido ainda discutirá sobre apoios no segundo turno, mas que fará oposição a partir de 2019.

Pesquisa Crusoé, feita pelo Instituto Paraná: só para registro

O Instituto Paraná previu, na pesquisa exclusiva para a Crusoé, que Jair Bolsonaro terá um vantagem de 9 pontos sobre Fernando Haddad no segundo turno, enquanto os outros institutos projetavam empate técnico ou vitória apertada de Bolsonaro.

Só para registro.

Fonte: Reuters/ Estadão de S. Paulo

1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Qual será o resultado da disputa BOLSO X BOLSA?

    Muitos vão dizer que se o Bolsonaro aumentar a Bolsa também aumenta. Mas não falo sobre a Bolsa de Valores.

    Falo da disputa verificada neste domingo (07/10), onde os números mostraram sinais contrários. Onde o Programa Bolsa Família tem uma grande influência o Haddad (que não é Haddad, deve ser "Andrade" ou Lula) obteve uma votação superior. Com certeza é o voto de agradecimento ao ajutório que "os homi do governo" dão aos mais necessitados. Veja que os coronéis de antanho ainda se fazem presente nos fundões de miséria que existem no Nordeste... e a retórica e o procedimento de mantê-los na servidão é o mesmo há séculos.

    O Governo Bolsonaro terá de desenvolver ações no intuito de mudar esse estado de coisas. Com isto, as desigualdades vão diminuir, e a "gratidão" dos sertanejos será somente ao "Padre Cicero" e a Deus!

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    • JORGE A. GRAUNKEPONTA PORÃ - MS

      Srs, foi notório a dificuldade de voto no 17, na minha cidade foram muitas pessoas esclarecidas que não conseguiram validar seus votos.

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    • RAFAEL DA SILVA LUNARECIFE - PE

      Só no Nordeste não, em todo Brasil. Acontece que como Lula é pernambucano e fez várias alianças com governadores de outros estados da região, acabou virando esse voto de cabresto todo..., mas nas Capitais só deu Bolsonaro.... O Nordeste é uma das regiões mais ricas do país, acontece que os governantes mamam nas tetas do Governo e não distribuem igualitariamente a renda. Ai fica nessa, os governantes roubam descaradamente, o Sul-Sudeste do Brasil tem que produzir mais e para ter o que distribuir para o Norte-Nordeste, para equilibrar a balança.

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