Estrangeiros observam ações e não palavras de Bolsonaro para investir no Brasil

Publicado em 10/10/2018 20:19
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Reuters

NOVA YORK (Reuters) - Um rali nos ativos brasileiros pode se estender se o candidato preferido pelo mercado, Jair Bolsonaro (PSL), vencer a eleição presidencial em 28 de outubro e avançar com reformas do sistema previdenciário e com privatizações, disseram investidores.

Mercados parecem estar dando de ombros para a falta de detalhes de Bolsonaro em suas propostas de políticas públicas durante a campanha, assim como para seu discurso misógino, homofóbico e racista. Eles também parecem estar rejeitando as preocupações de alguns brasileiros sobre o que seu discurso pode desencadear, em um país atolado em violência e profundamente polarizado.

    "Nenhum investidor me disse 'Não vou entrar no Brasil porque está muito polarizado'”, disse Alberto Bernal, chefe de mercados emergentes e estrategista global da XP Investments em Miami.

    "A realidade é que a polarização que existe no Brasil não é diferente da que existe no Reino Unido, na Alemanha, nos Estados Unidos", disse. "O mundo se tornou muito mais polarizado."

    Bolsonaro superou expectativas ao receber 46 por cento dos votos, quase 17 pontos acima de Fernando Haddad (PT), que ficou em segundo no primeiro turno, no domingo. Ele precisava de mais de 50 por cento para uma vitória no primeiro turno.

    Investidores ainda temem que uma vitória do PT irá significar um retorno à economia comandada pelo Estado, que descarrilaria as reformas que o presidente Michel Temer (MDB) fez avançar parcialmente no Congresso. A vitória do partido de Bolsonaro sobre o PT na eleição do último fim de semana ajudou a valorizar ativos brasileiros

    "Em jogo está um retorno às políticas intervencionistas do PT. Isto agora é menos provável, mas não impossível", disse Alberto Ramos, chefe de pesquisas econômicas do Goldman Sachs para a América Latina.

    "Se o mercado ficar mais confortável com implementação, há muito mais vantagem possível", disse.

    A reforma da previdência é o item mais importante nas mentes de investidores, disse Jim Craige, chefe de mercados emergentes na Stone Harbor Investment Partners.

    “Isto irá exigir destreza política da parte dele e nós ainda não sabemos o suficiente sobre ele para dizer com alto grau de convicção que isto será feito”, disse Craige.

    “Isto irá se desenvolver conforme ele monta sua equipe”.    

PACIFICADOR ORTODOXO

Bolsonaro transferiu suas políticas econômicas para seu provável ministro da Fazenda, o economista Paulo Guedes, treinado na Universidade de Chicago. A instituição é conhecida por suas visões conservadoras e ortodoxas sobre políticas econômicas. Ele abordou um número de executivos, a maioria de bancos, para eventualmente assumir posições em seu ministério.

"O mercado está dando o benefício da dúvida de que Bolsonaro será capaz de entregar algumas das coisas sobre as quais Guedes tem falado e está muito mais realista sobre o que está acontecendo. Privatizar tudo não vai acontecer”, disse Bernal.

O consenso geral entre analistas do mercado financeiro é que ainda há espaço para crescimento dos ativos brasileiros.

C&A vê com "otimismo conservador" cenário para 2019

SÃO PAULO (Reuters) - A varejista de vestuário holandesa C&A planeja ampliar os investimentos no mercado brasileiro no próximo ano, com expectativa de colher resultados um pouco melhores que em 2018, disse o presidente da companhia no país, Paulo Correa, nesta quarta-feira.

"Nós trabalhamos com um cenário conservadoramente positivo. Em tese, vai ser um pouco melhor que em 2018", afirmou Correa durante o evento do grupo de tecnologia VTEX, em São Paulo.

De acordo com ele, a empresa já tem oito novas lojas contratadas para 2019 e dará continuidade aos esforços de renovação de parte dos 280 pontos existentes. Em 2018, a C&A abriu mais de 60 unidades, incluindo reinaugurações, disse Correa.

Questionado sobre o desempenho da plataforma de comércio eletrônico da C&A no Brasil, lançada em 2015, o executivo ressaltou a companhia vem se empenhando para integração dos canais físicos e online. Atualmente, mais de 25 por cento das vendas pelo site são para retirada dos produtos em loja, segundo ele.

"A integração dos dois canais está cada vez mais sólida", disse Correa, acrescentando que o próximo passo será implementar um projeto piloto para entrega de mercadorias a partir das lojas.

O executivo observou ainda que a C&A por enquanto não tem planos de aderir a marketplaces de terceiros. “Tem essa discussão, mas não está claro o valor disso”, afirmou. Segundo Correa, a companhia também não cogita neste momento abertura de capital no Brasil.

Condições econômicas ainda prescrevem política monetária expansionista, diz diretor do BC

SÃO PAULO (Reuters) - As condições econômicas ainda prescrevem a adoção de uma política monetária de estímulo para o crescimento da economia, com juros abaixo do nível estrutural, afirmou o diretor de Relações Internacionais do Banco Central, Tiago Berriel, em uma apresentação divulgada pela instituição.

O estímulo gerado por taxas de juros mais baixas deve ser removido gradualmente em caso de piora no cenário prospectivo para a inflação ou se houver deterioração do balanço de riscos, afirmou Berriel, na apresentação em inglês que ele deve fazer na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Bali, na Indonésia.

A avaliação reitera a visão abordada pelo BC até a semana passada, na primeira comunicação da autoridade monetária após o primeiro turno das eleições, cujos resultados embalaram os mercados brasileiros nos últimos dias.

Em sua apresentação, o diretor repete, ainda, que não há relação mecânica entre os choques recentes e a política monetária, uma indicação de que o BC pode não reagir imediatamente à valorização do dólar a não ser que haja impacto secundário na inflação.

O nível de repasse cambial vinha se mostrando contido, com exceção de alguns preços administrados, mas as medidas de inflação subjacente se elevaram para níveis apropriados, disseram os diretores do BC no fim do mês passado na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve os juros na mínima histórica de 6,5 por cento.

Desde a reunião do Copom, o dólar norte-americano recuou 8,75 por cento ante o real, diante das perspectivas de que o deputado Jair Bolsonaro (PSL) vencerá as eleições deste ano e escolherá o economista Paulo Guedes para implementar uma agenda de austeridade fiscal, privatizações e reformas.

Sob o título "expectativas do mercado ancoradas", um dos slides da apresentação de Berriel diz que "as expectativas de inflação para 2018 e 2019 estão em cerca de 4,1 por cento. Expectativas para 2020, em torno de 4 por cento e aquelas relativas a 2021 recuaram para cerca de 3,9 por cento".

"Várias medidas subjacentes de inflação estão registrando níveis apropriados, incluindo os componentes que são mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária", diz o diretor em outro trecho do documento.

Fonte: Reuters

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