Bolsonaro ironiza Haddad e chama petista de "fantoche" e "camaleão" (Reuters)

Publicado em 11/10/2018 11:46 e atualizado em 12/10/2018 19:56
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RIO DE JANEIRO (Reuters) - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, criticou e ironizou o adversário no segundo turno da disputa presidencial, o petista Fernando Haddad, ao chamá-lo de fantoche e pau mandado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba.

O ex-capitão do Exército também chamou o adversário de "camaleão" por conta da mudança na logomarca da campanha do petista, com a adoção do verde, amarelo e azul em vez do tradicional vermelho.

Em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, o candidato do PSL negou que seja um candidato de extrema-direita, e cutucou o adversário ao dizer que Haddad se moveu para a direita pela mudança na imagem da campanha do petista.

"Você é um fantoche, um pau mandado e age como um camaleão", disse Bolsonaro na entrevista, após encontro com parlamentares em um hotel na zona oeste do Rio.

"As cores do PT agora são verde e amarelo, vi o Haddad falando em família e Deus. Fico com vergonha, porque cumpre a risca o que Lula manda ele falar. Haddad não é de esquerda é de direita", disse ele mudando o tom de voz como se fosse um ventríloquo.

Na entrevista, em que houve vaias por parte de seguidores de Bolsonaro a uma repórter do jornal Folha de S.Paulo e ao veículo --interrompidas apenas com a intervenção do presidente do PSL, Gustavo Bebianno, que defendeu a liberdade de imprensa-- o ex-capitão disse que apoia a imprensa livre.

Sobre os casos de violência que teriam sido cometidos por simpatizantes, Bolsonaro afirmou que não tolera crime nenhum.

"Se por ventura foi uma pessoa que votou em mim, dispenso esse tipo de voto. Cometeu crime, vai ter que pagar", disse.

"Meu pessoal não está disseminando o ódio, até porque quem levou a facada fui eu", frisou ele, lembrando do ataque que sofreu no início de setembro durante evento de campanha em Juiz de Fora (MG).

Bolsonaro acrescentou que, se for eleito, invasão de propriedade privada no Brasil será tratada como crime e tipificada como "terrorismo".

No caso das relações comerciais, Bolsonaro, declarou que não vai abandonar o Mercosul, mas que não pretende atuar no bloco com o viés político que, de acordo com o candidato, foi usado nos governos do PT.

"O Mercosul tem seu valor, mas foi deturpado e desfigurado pelo PT e não podemos nos prender por questões ideológicas... não faremos negócios por questões ideológicas", finalizou o candidato do PSL.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

 

Vitória de Bolsonaro 'escapou por pouco', diz vice; para economista, pesquisa indica 'tsunami'

A pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (10) indica mais que uma onda, segundo declaração ao blog do economista Paulo Guedes, futuro ministro na hipótese de vitória do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno. "Está ficando claro que é um tsunami", afirmou.

De acordo com o candidato a vice na chapa de Bolsonaro, o general Hamilton Mourão, a vitória no primeiro turno "escapou por pouco". Para ele, segundo disse ao blog, o resultado da pesquisa está "dentro da expectativa".

O levantamento do Datafolha aponta Bolsonaro com 58% das intenções de voto (considerados os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos) e o rival Fernando Haddad (PT) com 42%.

Se considerados os votos totais (que incluem brancos, nulos e indecisos), Bolsonaro tem 49% das intenções de voto, e Haddad, 36%.

Leia a notícia na íntegra no blog de Andréia Sadi no G1

Diferença entre candidatos na 1ª pesquisa de 2º turno é a maior desde 2002, segundo Datafolha

A primeira pesquisa de intenção de votos para o 2º turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) trouxe a maior diferença entre os candidatos desde a eleição presidencial de 2002, considerando levantamentos feitos pelo instituto Datafolha.

A pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) mostrou uma diferença de 13 pontos entre os concorrentes - a mais alta desde a primeira pesquisa do 2º turno de 2002, quando 26 pontos separavam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de José Serra (PSDB). A comparação leva em conta o percentual de votos totais de cada candidato.

Em 1989, Fernando Collor de Mello (PRN) começou o segundo turno com uma vantagem de 9 pontos sobre Lula. Nas eleições seguintes (1994 e 1998), não houve segundo turno. Já na disputa de 2002, a vantagem de 26 pontos de Lula sobre Serra marcou a maior desse conjunto de pesquisas desde a redemocratização.

Leia a notícia na íntegra no site do G1.

O que pesa contra o poste (em O Antagonista)

Analistas da Arko Advice elencaram aspectos que pesam contra o poste do presidiário no segundo turno da corrida presidencial:

1) o forte sentimento anti-petista;

2) o ambiente de renovação expressado pelas urnas no primeiro turno, fato que ajuda Bolsonaro em função de sua imagem de político anti-establishment;

3) a melhor situação de Bolsonaro nos palanques estaduais de segundo turno; e

4) os apoios de líderes regionais que o candidato do PSL tem conquistado desde o último domingo.

A avaliação é de que sumir com Lula e o vermelho a esta altura da disputa também não produzirá o resultado que os petistas esperam.

“É tarde demais”

Um aliado dos petistas disse a O Antagonista, pedindo para não ser identificado, que na campanha de Fernando Haddad o sentimento é de que “é tarde demais” para alcançar Jair Bolsonaro.

Gleisi Hoffmann e seu grupo fizeram prevalecer suas estratégias e já são vistos internamente como derrotados.

Ausência de Ciro prejudica a farsa de Haddad

A ausência de Ciro Gomes do país nos próximos dias prejudica, pelo menos num primeiro momento, a estratégia de dar um caráter de “frente democrática” à candidatura de Fernando Haddad na etapa final da eleição, registra O Globo, lembrando que o vermelho petista já foi trocado pelas cores da bandeira brasileira “para passar a ideia de que o presidenciável não representa apenas o PT”.

“Não há nenhum encontro marcado com a campanha do Haddad. Manteremos nossa posição de ter um apoio crítico”, disse o presidente do PDT, Carlos Lupi.

Para o PT, é pouco.

“O Ciro é uma liderança fundamental. Nós esperamos que o Ciro tenha um papel mais ativo do que simplesmente um apoio crítico. A nossa campanha está aberta a ele. O papel do Ciro está reservado para o que ele quiser ser na nossa campanha”, declarou o petista Emídio de Souza, um dos coordenadores da campanha de Haddad.

Ciro embarca para a Europa e frustra o PT

Ciro Gomes vai embarcar hoje para a Europa, confirma O Globo.

“A viagem do pedetista frustra os planos do PT, que gostaria de contar com a sua participação ativa na campanha de Fernando Haddad no segundo turno contra Jair Bolsonaro (PSL) imediatamente.

Ciro planeja voltar ao Brasil somente na metade da semana que vem, quando faltarão cerca de 10 dias para a eleição.”

Equipe econômica de Bolsonaro ainda discute se pauta econômica deverá ser atacada de uma vez ou aos poucos

Por Maria Carolina Marcello e Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - A equipe que elabora o programa econômico do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) ainda discute se a pauta econômica no Congresso, incluindo a reforma da Previdência, deverá ser abordada de uma vez ou aos poucos, informou uma fonte que acompanha as negociações.

Segundo essa fonte, uma corrente do grupo, liderada pelo economista Paulo Guedes, entende que é necessário investir nos temas prioritários já no início de um eventual governo de Bolsonaro, enquanto outra frente, formada principalmente por técnicos e burocratas com experiência na máquina pública em Brasília, aconselha uma abordagem mais paulatina.

Um dos temas que poderiam funcionar como teste, segundo essa abordagem gradual, seria o projeto que trata da autonomia do Banco Central. O assunto, avalia a fonte, não encontraria grandes resistências no Congresso e, uma vez aprovado, serviria para animar e dar fôlego à base de sustentação a ser construída em torno do governo. 

Para construir seu colchão de aliados, aliás, Bolsonaro contará muito com as bancadas parlamentares já identificadas com a sua pauta original, muito centrada nos problemas de segurança pública e em questões morais e culturais. São elas a bancada do agronegócio, a religiosa e a da “bala”, além dos parlamentares eleitos na esteira de corporações como policiais e militares. 

Na semana passada, reportagem da Reuters antecipou que Bolsonaro tem conquistado uma espécie de potencial “base” no Congresso por meio do suporte de importantes frentes parlamentares. As frentes da segurança pública, da agropecuária e dos evangélicos, conhecidas como a bancada BBB --bala, boi e Bíblia-- são apostas de aliados de Bolsonaro para avançar propostas no Congresso.

A  declaração de neutralidade dos principais partidos do centrão foi encarada como positiva, uma vez que um apoio formal poderia ser visto como "mais do mesmo na política", segundo essa fonte. Isto é, um aval do chamado establishment político poderia contradizer o ativo que o próprio Bolsonaro tem cultuado durante toda a sua campanha.

Essa agenda moral e de costumes, a pauta “raiz” do candidato, seria usada, neste contexto, como um instrumento de negociação justamente para a aprovação da pauta econômica de interesse de Paulo Guedes no Congresso, nome confirmado por Bolsonaro nesta sexta-feira para comandar o Ministério da Fazenda em seu eventual governo.

A fonte, que tem circulação no Congresso, prevê ainda um isolamento da esquerda no Legislativo diante do apoio temático a Bolsonaro dessas bancadas, do crescimento do PSL e da provável inclusão do centrão à base. As chances de aprovação de uma reforma da Previdência ainda no governo Temer, segundo avaliou, são muito pequenas, quase nulas.

O PT, do adversário de Bolsonaro no segundo turno, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, elegeu a maior bancada na Câmara, com 56 deputados. O PSL de Bolsonaro conseguiu 52 cadeiras.

SUCESSÃO NA CÂMARA

Nessa conjuntura, há possibilidade de composição com o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que pretende se reeleger para o posto. A intenção, no entanto, pode ser ameaçada pelo PSL, que ainda pode inchar com a migração de parlamentares de partidos que não atingiram a cláusula de barreira e pleitear o cargo com base no critério da proporcionalidade.

No Senado, avaliou a fonte, o emedebista Renan Calheiros (AL) --identificado politicamente com os petistas-- deve encarar dificuldades para se lançar à Presidência da Casa. O Senado tem uma tradição de eleger para o comando da Casa o parlamentar do partido com o maior número de cadeiras --o MDB terá 12 senadores.

Ainda assim, há uma abertura para o eventual governo Bolsonaro buscar uma composição com um nome mais palatável do partido, como Simone Tebet (MS) e Fernando Bezerra Coelho (PE).

A equipe econômica do candidato já tem visão consolidada, no entanto, sobre a necessidade da presença de investimento estrangeiro na economia. Será dada prioridade a licitações internacionais, sem “preconceito” com o capital --mesmo que tenha origem na China. Bolsonaro, no entanto, tem mostrado repetidas vezes preocupação com a entrada de capital chinês no país.

Para esse grupo, o Programa de Parceria de Investimentos (PPI), criado para ampliar a interação entre o Estado e a iniciativa privada em contratos de parceria e de medidas de desestatização, já oferece um avanço em relação ao que era praticado.

Fonte: G1 RS/Reuters/O Antagonista

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