Bolsonaro diz que não quer procurador-geral da República de esquerda

Publicado em 17/10/2018 06:50
176 exibições

(Reuters) - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, disse nesta terça-feira que não escolherá para procurador-geral da República alguém de esquerda, mesmo que ele seja o mais votado pela categoria, mas ressaltou que pode escolher alguém de centro, não necessariamente de direita, e que não será militar.

"O critério é isenção, é alguém que esteja livre do viés ideológico de esquerda, que não tenha feito carreira em cima disso, que não seja um ativista no passado por certas questões nacionais", disse Bolsonaro ao Jornal Nacional, da TV Globo.

O presidenciável garantiu que "não vai ser do Ministério Público Militar, como alguns têm dito", mas alguém "que tenha uma visão macro".

"Não queremos à esquerda, que seja ao centro. Não quero alguém do MP subordinado a mim, como tivemos no passado a figura do engavetador geral da União, mas alguém que pense grande, que pense no seu país", disse Bolsonaro, fazendo uma alusão ao ex-procurador-geral Geraldo Brindeiro, que ocupou o cargo durante os governos do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

"O MP é muito importante, agora se tiver um ativismo, nós não podemos correr o risco de ter alguém que atrapalhe a nação", acrescentou o presidenciável.

Bolsonaro, que lidera com folga as pesquisas de intenção de voto no segundo turno da eleição presidencial, disse que irá apoiar a aprovação pelo Congresso de um projeto que reuniu dez medidas de combate à corrupção apresentadas pelo Ministério Público Federal.

O presidenciável afirmou que conta com o Congresso renovado, com muitos parlamentares jovens, para que essas medidas sejam aprovadas.

"Tivemos uma excelente renovação em Brasília, talvez possamos aproveitar essa garotada, esse pessoal mais novo que está chegando lá e aprovar o máximo possível das 10 medidas de combate à corrupção", disse.

Filho de Bolsonaro diz que reformas e pauta de segurança terão prioridade no início de eventual governo do pai

BRASÍLIA (Reuters) - O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que um eventual governo de seu pai aproveitará os primeiros meses para tocar a pauta econômica no Congresso – em especial as reformas tributária e da Previdência – e também a agenda de segurança pública.

Para o parlamentar, os seis primeiros meses do governo serão “cruciais” para definir o rumo do restante do mandato.

“É um sentimento meu... Eu acredito que o início do mandato vai ser muito importante para colocar adiante reformas como a reforma da Previdência e a reforma tributária. Isso daí não tem como fugir, são vitais e urgentes”, disse o deputado a jornalistas.

Eduardo explicou que dentro da pauta de segurança, uma demanda que tem ouvido com frequência, está projeto que na prática revoga o Estatuto do Desarmamento.

De acordo com Eduardo, as articulações para a construção de uma base de sustentação para governo ainda estão “no forno”, mas há expectativa de aumento da bancada de seu partido a partir da migração de deputados de outras siglas que não alcançaram a cláusula de barreira.

Sobre a Presidência da Câmara, voltou a dizer que o ideal seria um nome alinhado às bandeiras do pai. Ponderou que um nome fora do PSL traria mais governabilidade, não descartou um apoio a uma candidatura do atual presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas admitiu preferência pelo deputado Capitão Augusto (PR-SP).

“É um bom nome, está no PR. Entre os dois (Maia e Capitão), tenho uma certa simpatia por ele”, disse a jornalistas. “É um nome que faço muito gosto”, afirmou, lembrando que ainda não há definição.

Eduardo também não descartou articulações com partidos do chamado centrão, porque não se pode generalizar e são partidos que “você consegue conversar”.

No começo do mês, o presidente licenciado do PSL e deputado federal eleito, Luciano Bivar (PE), afirmou que o partido iria reivindicar a presidência da Casa ao se tornar o maior partido da Câmara.

Bolsonaro quer destravar projetos de infraestrutura com dinheiro privado (no ESTADÃO)

Proposta da equipe do candidato do PSL, líder nas pesquisas, é ampliar ferrovias, rodovias e aeroportos no País sem colocar dinheiro público, além do que já está previsto no Orçamento; papel do BNDES deve ser limitado nas concessões

RIO - O pacote de concessões planejado por auxiliares de Jair Bolsonaro (PSL) para deslanchar projetos de infraestrutura deve incluir a possibilidade de renovar antecipadamente contratos em curso e relicitar aqueles que apresentam problemas. O plano de um eventual governo Bolsonaro baseia-se em expandir ferrovias, rodovias e aeroportos quase que exclusivamente com recursos privados.

O BNDES poderá entrar com financiamento para a fase de construção, segundo Paulo Coutinho, economista que supervisiona propostas para infraestrutura do PSL. “Objetivo é não colocar mais dinheiro do governo. O limite é o que está hoje no Orçamento”, disse em entrevista ao Estado.

Professor da UnB, ele responde ao general Oswaldo Ferreira, homem de confiança de Bolsonaro que assumiu a coordenação-geral em Brasília dos debates sobre o plano de governo.

Segundo o economista, a proposta em elaboração dá ênfase à expansão de ferrovias e prevê estímulo à cabotagem (transporte marítimo na costa de um mesmo país), cujo potencial hoje está subestimado, na avaliação do grupo. Uma das propostas é criar terminais exclusivos nos portos para cabotagem, o que ajudaria a reduzir custo no curto prazo sem promover a abertura do mercado para empresas estrangeiras.

Os recursos chineses serão bem-vindos, disse Coutinho. A depender do projeto, se a China quiser, a autorização “pode vir no dia seguinte”, disse. “Bolsonaro é contrário aos chineses comprarem terras. Não há resistência para ferrovias”.

Os auxiliares de Bolsonaro entendem que o BNDES deve ter papel no pacote de concessões, mas preveem atuação limitada do banco estatal na oferta de crédito, que não incluiria subsídios nas taxas de juros. A ideia é que os financiamentos tenham como referência a TLP (Taxa de Longo Prazo) e que banco assuma postura gerencial, auxiliando na elaboração de projetos e na atração dos investimentos.

“Não queremos colocar mais dinheiro no BNDES, já tem muito lá”, disse. Segundo Coutinho, o País é muito atrativo e os investidores virão. “O que falta é segurança jurídica e projeto”.

A equipe de Bolsonaro fia-se no interesse de investidores, especialmente estrangeiros, para o sucesso do plano. O governo Michel Temer também prometeu estimular dinheiro privado em infraestrutura, criou o Programa de Parcerias e Investimentos, mas teve sucesso em poucos leilões. A crise política, questionamentos de órgãos de controle, e a falta de interesse em empreendimentos travaram muitos projetos.

Privatização

Diante das resistências de Bolsonaro quanto à privatização da Eletrobrás e da Petrobrás, a proposta por ora é fatiar as estatais, mantendo com o governo suas áreas de geração de energia e de exploração de petróleo. A Transpetro, estatal de transporte de óleo e gás, também não deve entrar nos planos de venda. “Os militares entendem que é questão de segurança nacional. Numa guerra, você pode usar essas embarcações”, explica Coutinho.

Segundo ele, as propostas estão em fase avançada, mas a aprovação de Bolsonaro ainda não foi dada. “A palavra dele não se discute. Bolsonaro traça as grandes metas: Caixa, Eletrobrás não serão privatizadas? Então, acabou, não serão”.

Coutinho afirmou que, mesmo nas áreas preservadas sob mando estatal, há propostas em andamento. Se depender do grupo, Petrobrás e Transpetro não irão privilegiar estaleiros nacionais, pois eles “cobram caro”. Esses estaleiros devem virar unidades de reparo.

 

Fonte: Reuters/Estadão

Nenhum comentário