Setores empresariais apresentam a Bolsonaro pautas para aceleração do crescimento

Publicado em 23/10/2018 02:36

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Uma coalizão empresarial se reuniu com candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, nesta segunda-feira e apresentou uma agenda para retomada do crescimento da economia, já de olho no cenário de vitória do capitão da reserva, que lidera as pesquisas de opinião.

Representantes dos setores siderúrgico, de máquinas e equipamentos, construção civil, químico e têxtil, além de comércio exterior e integrantes das indústrias de petróleo, gás e energia participaram do encontro, realizado na residência do presidenciável, em um condomínio do Rio de Janeiro.

"Fomos mais para nos colocar à disposição para ajudar o Brasil voltar a andar", disse o consultor da área de petróleo e gás, Adriano Pires, que participou do encontro. "Mas falamos também da importância de se manter o calendário de leilões (de áreas de petróleo e gás) e que a tarifa de energia está muito cara no Brasil", disse ele em entrevista à Reuters.

A coalizão quer um encontro com Paulo Guedes, indicado por Bolsonaro para comandar o ministério da Fazenda, logo na primeira semana após a eleição de domingo, na expectativa de que Bolsonaro seja eleito.

O porta voz do grupo, o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo Lopes, disse que a agenda para o crescimento do Brasil inclui reformas tributária e previdenciária, ajuste fiscal e abertura progressiva do Brasil ao comércio exterior mediante contrapartidas.

"Fomos falar com ao que tudo indica que será o futuro presidente, como indicam as pesquisas. Falamos dos temas prioritários para botar a roda para girar e gerar crescimento, emprego e bem estar", disse Lopes à Reuters.

"Foi um encontro excelente e a ideia é que tão logo passe a eleição a gente possa sentar com Paulo Guedes e interagir...Os motores da economia seriam a construção civil, que gera muito emprego, e a exportação, que está com capacidade enorme para operar lá fora", acrescentou.

Em nota à imprensa, o presidente-executivo da associação de fabricantes de máquinas e equipamentos (Abimaq), José Velloso, também defendeu "isonomia competitiva do setor produtivo" e afirmou que o próximo governo "tem que ter a clara noção de que o aumento da desigualdade social e da violência, a polarização da sociedade, o alto desemprego e o crescente desalento de nossa juventude não podem ser enfrentados sem a retomada do crescimento sustentado".

Bolsonaro diz que aceita oposição, mas que maioria é quem decide futuro do país

(Reuters) - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, disse nesta segunda-feira que a oposição é útil, explicou que se referiu à cúpula do PT e de outras entidades quando falou na véspera sobre deixarem o país ou irem para a cadeia e ressaltou que é a maioria quem decide o futuro do país.

Em entrevista, questionado sobre declaração de domingo, quando falou "essa turma se quiser ficar aqui vai ter que se colocar sob a lei de todos nós, ou vão para fora ou vão para a cadeia", Bolsonaro disse que se referia à cúpula do PT.

"É a cúpula que teima em fazer com que os brasileiros que foram doutrinados por eles têm que fazer algo que interesse para essa cúpula e não para o Brasil, essa cúpula do PT, essa cúpula do MST, do MTST, eles vão ter que se adequar às leis, porque algumas nós aprovaremos dentro do Parlamento, de modo que temos um país pacificado", disse o candidato à TV Record.

Bolsonaro repetiu que não se pode admitir invasão de propriedade em nome de movimentos sociais. "Esse é o recado que eu dei no dia de ontem no discurso para a Paulista", disse, referindo-se ao discurso transmitido na véspera a uma grande manifestação em São Paulo.

No discurso de domingo, o presidenciável do PSL afirmou que "esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria" e que a “pretalhada, vai tudo para a ponta da praia, vocês não terão mais vez em nossa pátria”, entre outras declarações duras contra seu adversário no segundo turno da eleição, Fernando Haddad (PT), e seus apoiadores.

Na entrevista divulgada nesta segunda-feira, Bolsonaro procurou amenizar o tom, mas insistiu que a oposição não pode querer parar o país em nome da minoria.

"A oposição é boa para você até refletir sobre aquilo que por ventura você não esteja fazendo acertadamente. Agora, a oposição não pode simplesmente querer parar o Brasil em nome de uma minoria. A maioria é quem decide o futuro de uma nação", disse. "Não havendo como compor, ganha quem tem mais votos."

Questionado se desrespeitaria alguém por ser petista ou de oposição em um governo seu, o presidenciável afirmou que "de jeito nenhum".

"Eu digo que tem Estados que temos governadores do PT ou do PCdoB e nós não faremos política diferente contra aquele Estado por causa desses governadores. Vamos atender a população como um todo."

Bolsonaro diz que oposição ‘não pode querer parar o Brasil em nome de uma minoria’ (em O Antagonista)

Questionado sobre sua declaração aos manifestantes reunidos na avenida Paulista ontem, Jair Bolsonaro afirmou que não vai expulsar ninguém do país, mas vai enquadrar quem não respeitar a lei.

“A cúpula do PT teima [em] fazer com que brasileiros que foram doutrinados por eles tentem fazer algo que interessa a essa cúpula, e não ao Brasil. A cúpula do PT e o MST vão ter que se adequar às leis. Não podemos permitir a invasão de propriedades, por exemplo.”

Segundo ele, a oposição “não pode querer parar o Brasil em nome de uma minoria”. “A maioria é que decide o futuro de uma nação.”

“Eu sempre digo: ‘Ganha quem tem mais votos’. É difícil compor com PT, PC do B e PSOL. Acho muito difícil que queiram dialogar, pois querem sempre fazer valer a sua vontade.”

Bolsonaro disse ainda que, caso eleito, não fará distinção partidária no tratamento a governadores e prefeitos.

Empresários criticam abertura comercial em encontro com Bolsonaro

Empresários e representantes do setor industrial levaram a Jair Bolsonaro críticas à proposta de abertura da economia em elaboração por seus aliados. 

Os industriais, membros de entidades como Abimaq e Anfavea, reclamaram dos custos de produzir no Brasil e do que consideram efeitos negativos de uma abertura unilateral aos importados, estudada pela equipe do presidenciável.

A reunião de Bolsonaro com os representantes da indústria, agendada por Onyx Lorenzoni, foi em sua casa no Rio. Paulo Guedes, o principal defensor da abertura econômica na campanha do deputado, não participou.

Fonte: Reuters/O Antagonista

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