Bolsonaro é eleito presidente, promete respeitar Constituição e unificar país

Publicado em 28/10/2018 22:15
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Por Eduardo Simões e Ricardo Brito e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro, de 63 anos, foi eleito neste domingo presidente da República e em seu primeiro pronunciamento após a vitória sobre o petista Fernando Haddad prometeu respeitar a Constituição, fazer um governo democrático e unificar o Brasil, baixando o tom que adotou em uma das campanhas mais polarizadas da história do país.

"Faço de vocês minhas testemunhas de que este governo será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é uma promessa a Deus", disse Bolsonaro em sua casa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

"Liberdade é um princípio fundamental. Liberdade de ir e vir, andar nas ruas em todo o país, liberdade de empreender, liberdade política e religiosa, liberdade de formar e ter opinião, liberdade de fazer escolhas e ser respeitado por elas", acrescentou.

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Bolsonaro, em seção eleitoral no Rio de Janeiro 28/10/2018 REUTERS/Pilar Olivares

O candidato do PSL também prometeu um governo comprometido com a responsabilidade fiscal e disse que o relacionamento do Brasil com outras nações perderá o que chamou de viés ideológico e passará a ser feito com países que possam agregar comercialmente e tecnologicamente ao Brasil.

"Emprego, renda e equilíbrio fiscal é o nosso compromisso para ficarmos mais próximos de oportunidades e trabalho para todos. Quebraremos o ciclo vicioso do crescimento da dívida, substituindo pelo ciclo virtuoso de menores déficits, dívida decrescente e juros mais baixos. Isso estimulará os investimentos, o crescimento e a consequente geração de emprego", afirmou.

"Libertaremos o Brasil e o Itamaraty das relações internacionais com viés ideológico a que foram submetidos nos últimos anos. O Brasil deixará de estar apartado das nações mais desenvolvidas, buscaremos relações bilaterais com países que possam agregar valor econômico e tecnológico aos produtos brasileiros. Recuperaremos o respeito internacional pelo nosso amado Brasil", acrescentou.

Com 99,61 por cento das seções eleitorais apuradas, Bolsonaro tinha 55,2 por cento dos votos válidos, enquanto Haddad tinha 44,8 por cento, de acordo com dados da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ao ser anunciado o resultado da apuração, que mostrou a vitória de Bolsonaro, milhares de apoiadores do capitão da reserva que estavam em frente ao condomínio onde mora o candidato do PSL na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, festejaram.

Em São Paulo, fogos de artifício foram ouvidos, e simpatizantes do capitão da reserva se reuniram para comemorar na avenida Paulista. A tropa de choque da Polícia Militar paulista teve de atuar na avenida para dispersar manifestantes favoráveis ao PT que estavam no local.

Mais cedo, Bolsonaro votou sob forte esquema de segurança nesta manhã em uma escola de uma vila militar do Rio de Janeiro e afirmou que estava confiante de uma vitória.

A eleição de Bolsonaro encerra uma campanha acirrada e de elevado patamar de polarização, apontada por analistas como um plebiscito entre o antipetismo, encarnado por Bolsonaro, e o petismo, que teve Haddad escalado para representá-lo por decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No hotel onde Haddad e apoiadores acompanharam a apuração, as cerca de 200 pessoas não mostravam muito entusiasmo. O petista assistiu à apuração reunido apenas com a esposa, Ana Estela, os dois filhos, mãe e irmãs. Do lado de fora, em outra sala, com coordenadores de campanha, dirigentes e parlamentares do partido em uma suíte.

Após a apuração do TSE sacramentar a derrota, Haddad fez um discurso de defesa da democracia e de defesa dos direitos daqueles que votaram nele no segundo turno, e prometeu uma oposição voltada aos interesses de todos os brasileiros.

Ao contrário de quando perdeu a eleição para a prefeitura de São Paulo, em 2016, para João Doria, Haddad decidiu, segundo uma fonte, não telefonar para o adversário para parabenizá-lo pela vitória.

(Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, em São Paulo)

Temer diz acreditar que Bolsonaro fará governo de "paz e harmonia" e oferece tramitar Previdência ainda neste ano

(Reuters) - O presidente Michel Temer disse em pronunciamento neste domingo ter "absoluta convicção" de que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, fará "um governo de muita paz e muita harmonia, que é mais o que o nosso país necessita".

De acordo com Temer, as primeiras declarações de Bolsonaro, com quem falou por telefone, como presidente eleito buscam a unidade, a pacificação e a harmonia do país.

"Seguramente, eu posso dizer, testemunhando as palavras do presidente eleito, que ele buscará precisamente isso", disse Temer em Brasília.

O presidente afirmou ainda que a transição de governo já está "praticamente formatada e organizada" e terá início na segunda-feira, acrescentando que deve se encontrar com Bolsonaro em algum momento desta semana.

Segundo Temer, quando houver oportunidade, pretende conversar com Bolsonaro para oferecer a ideia de tramitar a reforma da Previdência, que segundo ele já está "formatada e pronta para ser votada".

Temer afirmou que se o Congresso quiser modificar "demais aquilo que já está pronto para ser votado, evidentemente não dá tempo", mas se Bolsonaro quiser avançar com a proposta que está pronta, dois meses podem ser suficientes.

"Devo esclarecer que ela só irá adiante se evidentemente tiver o apoio do presidente eleito e da sua equipe. Se isso ocorrer, eu acho que ainda é possível realizá-la nesse ano", disse Temer a jornalistas em Brasília.

"A estrada estará inteiramente asfaltada para o próximo governo."

Bolsonaro derrotou o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Com 97,4 por cento das urnas apuradas, o candidato do PSL tinha 55,4 por cento dos votos válidos, contra 44,6 por cento do petista.

Presidente do STF diz que momento é de união e defende pacto nacional

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, fez um apelo neste domingo à união, afirmou que é preciso combater qualquer forma de intolerância e defendeu que é chegada a hora de os Poderes da República e a sociedade civil celebrarem um grande pacto nacional pelas reformas que o país necessita.

Em entrevista coletiva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) como presidente da República na disputa mais polarizada em décadas, Toffoli fez também uma defesa à imprensa livre, afirmando que atacar a imprensa e o Judiciário é atacar a própria democracia.

O presidente do STF disse que é na pluralidade, na diversidade e no respeito às diferenças que se constrói uma nação.

Haddad diz que responsabilidade agora é fazer uma oposição pelo interesse de todos brasileiros

SÃO PAULO (Reuters) - O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, derrotado neste domingo por Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno da eleição presidencial, disse que a responsabilidade agora é fazer uma oposição que busque colocar os interesses dos brasileiros acima de tudo.

Haddad disse que 45 milhões de eleitores divergiram da maioria sobre o projeto que querem para o país e precisam ser respeitados neste momento.

Em pronunciamento a simpatizantes em São Paulo, Haddad lembrou que daqui a quatro anos haverá uma nova eleição presidencial e que é preciso garantir as instituições do país.

Fonte: Reuters

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