Equipe de transição de Bolsonaro foca questão fiscal, quer zerar déficit em 2019

Publicado em 04/11/2018 18:06
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Por Rodrigo Viga Gaier (Reuters)

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro pretende mergulhar fundo nos dados e informações da economia, especialmente as questões fiscais, para montar um plano de zerar o déficit fiscal já em 2019, disse à Reuters uma fonte que acompanha de perto a transição.

O objetivo da equipe econômica de Bolsonaro é entrar em 2020 com o problema fiscal superado e com a garantia de um superávit sustentável para os próximos anos, ainda de acordo com a fonte, que falou sob a condição de anonimato.

No ano que vem está previsto mais um déficit fiscal de aproximadamente 140 bilhões de reais. Esse será o sexto ano seguido de resultado fiscal negativo.

A equipe de transição de Bolsonaro começa a trabalhar na segunda-feira com os técnicos do atual governo de Michel Temer/

Até setembro, o déficit primário acumulado é de 59,3 bilhões de reais, o que abre a possibilidade de o déficit do ano ser menor que os cerca de 160 bilhões estimados pelo governo.

"A grande preocupação da equipe de transição é com equilíbrio fiscal já para 2019" , disse a fonte.

"O que se busca não uma solução para dizer que acabou, e sim que o equilíbrio seja permanente", adicionou.

Caberá à equipe de transição buscar os caminhos que poderão levar ao prometido equilíbrio fiscal no curto prazo.

Um consenso no grupo de Bolsonaro é a necessidade de corte de despesas para se buscar o almejado equilíbrio das contas. A redução no número de ministérios vai nessa direção, segundo a fonte, embora somente a redução de pastas não passe nem perto de ser uma solução para o problema fiscal.

O presidente eleito fala em reduzir para até 17 o total de pastas em seu governo.

"São menos gastos, secretários, comissionados e despesas de custeio...o efeito é muito pequeno, mas ajuda, claro", disse a fonte.

Especialistas avaliam que uma reforma da Previdência seria essencial para o equilíbrio das contas públicas, e Bolsonaro disse em entrevista na quinta-feira que a reforma será apoiada por sua equipe, com o objetivo de aprovação ainda no governo Temer. Ele ressaltou, no entanto, que a meta não seria já chegar a uma reforma ideal, mas "aquela que pode ser aprovada pela Câmara".

Outra alternativa importante para a redução do déficit seria viabilizar o leilão do excedente da cessão onerosa, que poderia obter algo perto de 100 bilhões de reais ao governo em troca de contratos para exploração de petróleo no pré-sal.

A realização do leilão, no entanto, ainda depende da aprovação de um projeto de lei pelo Congresso e de um acordo com a Petrobras.

"Não tem uma proposta definida e ainda vai ser fechado como tentar o equilíbrio", apontou a fonte.

Bolsonaro usa Twitter para defender unidade em torno do novo governo (ESTADÃO)

BRASÍLIA e RIO - O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) voltou a recorrer às redes sociais para defender a unidade em torno do novo governo. Em sua conta no Twitter, Bolsonaro argumentou que estão todos “no mesmo barco”.

“Para colocarmos o Brasil no caminho da prosperidade é preciso compreender que todos estamos no mesmo barco, e que trabalhar para prejudicá-lo é prejudicar a si próprio. Se cada um levar consigo estes valores, certamente chegaremos em posição de destaque no mundo. Conto com vocês!”, escreveu Bolsonaro.

BolsonaroO presidente eleito, Jair Bolsonaro, usou as redes sociais para defender a unidade em torno do novo governo. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Mais cedo, Bolsonaro já tinha usado o Twitter para repercutir a sua trajetória na corrida eleitoral e anunciar o que considera ser uma "nova era" que está por vir no cenário político.

 

Gastamos cerca de 20 vezes menos que o segundo colocado, sem prefeitos, governadores ou máquinas. Todo o possível quadro foi mudado graças a conexão com o que almeja a população. Surge um novo momento, onde o estado servirá à população e não o historicamente destrutivo oposto!

Pela manhã, o presidente eleito deixou sua residência na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, em direção à Igreja Batista Atitude, frequentada pela esposa, Michele Bolsonaro.

Durante o culto, ele foi homenageado e afirmou para os mais de quatro mil fiéis presentes que vai governar para todo o Brasil e não apenas para quem votou nele. Chamado ao palco um pouco depois da coleta de dinheiro, Bolsonaro agradeceu os votos recebidos e pediu sabedoria e coragem "para tomar as decisões acertadas e executar o firme propósito de mudar a política brasileira".

O deputado voltou a atacar a mídia, ressaltando que foi eleito "apesar de parte da mídia contrária às nossas propostas". Segundo Bolsonaro, sua eleição ocorreu "porque Deus quis".

"Quem diria que alguém com apelido de palmito ia chegar à presidência", brincou. Ele citou vários salmos e finalizou em coro com a plateia o conhecido "Conhecereis a verdade e a verdade o libertará". 

Em Brasília, o presidente Michel Temer afirmou neste domingo, 4, desejar sorte e sucesso ao seu sucessor.

Os dois se encontrarão pela primeira vez após o resultado das eleições na próxima quarta-feira na capital federal. A transição entre os governos começa nesta semana.

Temer falou sobre Bolsonaro ao ser questionado a respeito de que dica daria a ele sobre a Presidência. O presidente esteve no Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa Anísio Teixeira (Inep) para acompanhar o início da aplicação das provas do Enem.

Fonte: Reuters

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