Ibovespa renova máxima recorde e fecha acima de 89 mil pts pela 1ª vez

Publicado em 05/11/2018 20:17
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SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa voltou a renovar máximas recordes nesta segunda-feira, fechando acima dos 89 mil pontos pela primeira vez, com bancos e Petrobras entre os principais suportes, conforme agentes financeiros estenderam apostas em uma agenda positiva no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.

O noticiário corporativo corroborou a quarta alta seguida na bolsa paulista, tendo Cosan e Gerdau entre os destaques, além de expectativas para a safra de balanços, assim como Wall Street, com o S&P 500 e o Dow Jones avançando antes das eleições parlamentares nos EUA na terça-feira.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,33 cento, a 89.598,16 pontos, encerrando na máxima do dia e da sua história. O volume financeiro do pregão somou 14,7 bilhões de reais.

Bernd Berg, estrategista global de macro e moedas na Woodman Asset Management, disse que continua bastante otimista sobre a perspectiva para os ativos brasileiros.

"Bolsonaro está fazendo progresso formando uma equipe bem conceituada... Eu espero que reformas significativas sejam implementadas já no próximo ano", afirmou, acrescentando que vê potencial de o Ibovespa subir a 100 mil pontos até o fim do ano e alcançar 130 mil pontos até meados de 2019.

"Uma recuperação econômica e um aumento na confiança dos investidores vai desencadear novos fluxos para os portfólios", estima o estrategista.

Apesar da forte saída de estrangeiros do segmento Bovespa em outubro, de 6,2 bilhões de reais, dados disponibilizados nesta segunda-feira pela B3 mostraram entradas líquidas nos últimos dois pregões do mês passado, de 307 milhões de reais no dia 30 e de 532,25 milhões de reais no dia 31.

Juliano Ferreira, macroestrategista na BGC Liquidez DTVM, afirmou em nota a clientes que o cenário prospectivo para a reforma da Previdência - uma das principais questões no radar dos investidores - é positivo, mas não é simples, citando que há obstáculos a serem superados.

A corretora Spinelli espera novos anúncios da equipe de Bolsonaro para a semana, bem como detalhamento de seu plano econômico. "Bons nomes e boas intenções podem continuar mantendo positiva a perspectiva na bolsa", afirmou a equipe da corretora em relatório distribuído a clientes.

A equipe de transição de Bolsonaro começa a trabalhar nesta semana com os técnicos do atual governo de Michel Temer. O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) foi nomeado ministro extraordinário por Temer para coordenar a equipe.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 e o Dow Jones subiam no final do pregão, com o avanço do petróleo Brent dando suporte a ações de energia, antes da eleição parlamentar norte-americana, enquanto o Nasdaq cedia, afetado pelo recuo das ações da Apple.

A partir desta sessão, o horário de negociação no segmento Bovespa está alterado em razão do começo do horário de verão no Brasil e término do horário de verão nos EUA, com o 'call de fechamento' do pregão brasileiro ocorrendo das 17h55 às 18h, segundo informações da B3. [http://bit.ly/2QkMR3s]

DESTAQUES

- PETROBRAS PN subiu 3,07 por cento e PETROBRAS ON avançou 2,96 por cento, ajudadas pela alta do petróleo no exterior, antes da divulgação do balanço do terceiro trimestre, prevista para o começo da terça-feira. Analistas do Credit Suisse esperam Ebitda de 33 bilhões de reais e lucro líquido de 10,15 bilhões de reais. Os papéis da petrolífera de controle estatal também seguem influenciados pelas expectativas positivas para o governo de Jair Bolsonaro.

- BRADESCO PN valorizou-se 2,15 por cento, ainda reagindo ao resultado forte do terceiro divulgado na semana anterior. ITAÚ UNIBANCO PN subiu 1,08 por cento, tendo no radar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) tirou da pauta o julgamento marcado para a próxima quarta-feira envolvendo um caso bilionário do banco, após uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). BANCO DO BRASIL encerrou com variação positiva de 0,07 por cento e SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 0,38 por cento.

- COSAN disparou 11,45 por cento, após cancelar a operação de incorporação da Cosan Logística, citando "preocupações demonstradas" por acionistas e investidores. Desde o anúncio sobre estudos para tal transação, em 24 de outubro, até o pregão da última quinta-feira, as ações do grupo tinham recuado mais de 13 por cento.

- CEMIG PN valorizou-se 4,64 por cento, em meio a expectativas relacionadas à privatização da elétrica mineira, após eleição de Romeu Zema para o governo de Minas Gerais. Em entrevista à Radio CBN, ele disse que fará de tudo para que a companhia seja privatizada. A Cemig também concluiu a venda dos ativos de telecomunicações, arrecadando um total de 654,5 milhões de reais. Ainda, a Moody's elevou o rating da Cemig para 'B1', com perspectiva estável.

- KROTON subiu 6,6 por cento, capitaneando os ganhos do setor de educação na bolsa paulista. De acordo com o chefe da área de renda variável da corretora de um banco em São Paulo, o avanço refletiu zeragem de elevadas posições vendidas (short) no papel e especulações de que a empresa teria margem para crescer na educação básica, que está no foco do novo governo, segundo discursos recentes de Bolsonaro.

- GERDAU PN avançou 3,17 por cento, também entre as maiores altas, após concluir nesta segunda-feira a venda de quatro usinas de vergalhões e de unidades de corte e dobra de aço nos Estados Unidos para a Commercial Metals Company , incluindo um adicional de 100 milhões de dólares no valor total da operação, anunciada no começo do ano por 600 milhões de dólares. O BTG Pactual recomendou comprar papéis da siderúrgica no atual patamar de preço.

- MAGAZINE LUIZA fechou em alta de 1,78 por cento, tendo acelerado os ganhos no meio da tarde, antes da divulgação do resultado, ainda nesta segunda-feira. Durante o call de fechamento, a B3 disse que estava verificando a solicitação de erro operacional nos papéis.

- ULTRAPAR caiu 2,92 por cento, em meio a expectativas de resultado trimestral novamente afetado pelo desempenho da divisão Ipiranga.

- IGUATEMI fechou em baixa de 1,73 por cento, liderando as perdas entre as companhias de shopping centers listadas no Ibovespa, com MULTIPLAN recuando 1,38 por cento e BR MALLS cedendo 1,67 por cento.

Bolsa sobe pela 4ª vez seguida e fecha aos 89,6 mil pontos (ESTADÃO)

Principal índice de ações do País, o Ibovespa emplacou nesta segunda-feira, 5, a sua quarta alta consecutiva e renovou o recorde histórico ao atingir 89.598,16 pontos, com valorização de 1,33% e R$ 14,6 bilhões em negócios. No mercado cambial, pesou a cautela em relação às eleições legislativas nos Estados Unidos, levando o dólar à vista a fechar em alta de 0,74%, cotado a R$ 3,7254.

Boa parte da valorização das ações foi relacionada a ajustes após o feriado de Finados, quando o mercado brasileiro esteve fechado, mas os papéis de empresas nacionais registraram ganhos significativos nas bolsas de Nova York. À exceção do Nasdaq, o viés positivo foi mantido em Wall Street.

A atual sequência de altas do Ibovespa intensifica as discussões nas mesas de operações em torno da possibilidade de o indicador ter fôlego para se sustentar acima dos 90 mil pontos no curto prazo.

No acumulado de outubro, o saldo líquido de investimentos de estrangeiros na B3 indicou saída de R$ 6,2 bilhões. Essas retiradas foram compensadas pelo ingresso de recursos de investidores domésticos, que levaram o Ibovespa a uma alta superior a 10%, a segunda maior variação mensal do ano. 

"A tendência do Ibovespa é de alta no médio e no longo prazo, mas há riscos no curto, uma vez que estamos na contramão dos demais mercados. Como o índice está nas máximas históricas, é possível que a aversão ao risco no cenário externo o obrigue a se acoplar às bolsas internacionais", disse José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos.

Na análise por ações, as altas foram comandadas principalmente pelos papéis da Petrobrás, que subiram 2,96% (ON) e 3,07% (PN), também nas máximas do dia, mesmo em um dia de instabilidade dos preços do petróleo. A empresa divulga nesta terça-feira os números do seu balanço trimestral. Com as quatro altas consecutivas registradas, o Ibovespa contabiliza ganho de 6,92%.

Dólar sobe 0,7%

O mercado de câmbio voltou do feriado e operou na segunda-feira com liquidez reduzida, em meio à cautela dos investidores com eventos que acontecem esta semana. Nesta terça-feira, os Estados Unidos fazem eleições para o Congresso e, por aqui, o presidente eleito Jair Bolsonaro vai a Brasília colocar em marcha a transição de governo e se reunir com Michel Temer, na quarta-feira.

No exterior, o dólar operou em queda ante divisas de emergentes que são pares do Brasil no mercado de moedas, principalmente o México (-0,37%). Operadores ressaltam que o descompasso do real em relação a outros emergentes ocorreu porque o mercado estava fechado aqui na sexta-feira, no feriado de Finados, e o dólar subiu no exterior após a divulgação de dados fortes do mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Os números reforçaram a previsão de mais altas de juros na maior economia do mundo. Com isso, o real teve o pior desempenho hoje perante o dólar considerando os principais mercados emergentes.

Passada a euforia inicial do mercado e a melhora da confiança dos agentes, que fizeram o real subir forte ante o dólar nas últimas semanas, o estrategista de América Latina do Société Generale, Dev Ashish, ressalta em relatório que as atenções vão crescentemente se focar no relacionamento entre o novo governo e o Congresso, que permanece altamente fragmentado. "Dada a situação da economia e das finanças públicas do Brasil, o capital político do novo governo pode não durar muito e a janela de oportunidade para implementar reformas cruciais provavelmente não é mais do que um ou dois anos", destaca ele.

Fonte: Reuters

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