Dólar sobe e termina no maior nível em quase 1 mês com exterior

Publicado em 06/11/2018 17:07 e atualizado em 06/11/2018 20:19
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Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar encerrou a terça-feira em alta e no maior nível em quase um mês sob influência do exterior, em meio às expectativas pelo desfecho das eleições parlamentares norte-americanas, e ainda monitorando o noticiário político doméstico.

O dólar avançou 0,83 por cento, a 3,7583 reais na venda, maior nível de fechamento desde 11 de outubro, quando terminou em 3,7788 reais.

Na máxima, a moeda foi a 3,7703 reais. O dólar futuro tinha alta de 0,74 por cento.

"A configuração das Casas é importante para determinar o grau de dificuldade que terá Donald Trump nos seus últimos dois anos de mandato", disse o operador de câmbio da Advanced Corretora Alessandro Faganello, citando expectativas de que o partido Republicano do presidente norte-americano deve manter o Senado enquanto os democratas devem ficar com a maioria na Câmara.

O dólar passou o dia rondando a estabilidade ante a cesta de moedas com o mercado aguardando o resultado da eleição norte-americana e as consequências para a maior economia do mundo.

"Seja qual for o resultado das eleições de meio de mandato de hoje, achamos que a economia dos EUA diminuirá drasticamente no próximo ano, à medida que o estímulo fiscal anterior se esvair e o Fed apertar as subidas", escreveu a empresa de pesquisas macroeconômicas Capital Economics em relatório.

Ante divisas emergentes, a moeda norte-americana operava mista, em alta ante a lira turca e queda ante o peso mexicano.

Internamente, os investidores continuaram monitorando o noticiário político, em dia de visita do presidente eleito, Jair Bolsonaro, a Brasília, onde participa de sessão solene dos 30 anos da Constituição na Câmara dos Deputados. Na quarta-feira ele irá se reunir com o presidente Michel Temer.

Na véspera, Bolsonaro afirmou que o governo fará "alguma reforma da Previdência" no começo do ano que vem. E ponderou que a Previdência pode receber ajustes graduais com o mesmo resultado de uma reforma mais profunda e sem levar alarde à população.

Ao mostrar desconfiança sobre o modelo de capitalização proposto por seu futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, Bolsonaro trouxe um pouco de cautela ao mercado, diante da indefinição ainda do que será de fato proposto e perseguido.

"O mercado está evitando tomar posições até ter um cenário mais claro, mas a moeda em alta acabou gerando 'stop loss' ao redor dos 3,75 reais, atraindo mais compradores", disse um profissional da mesa de câmbio de uma corretora ao explicar o repique da moeda mais cedo.

Nesta tarde, Guedes disse que caso a reforma da Previdência enviada pelo governo Michel Temer não seja aprovada neste ano no Congresso caberá a Bolsonaro trabalhar com uma "nova reforma" no ano que vem.

O Banco Central vendeu nesta sessão 13,6 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 2,04 bilhões de dólares do total de 12,217 bilhões de dólares que vence em dezembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Cautela externa e ruído sobre Previdência deixam dólar instável (ESTADÃO)

Com um ambiente externo de cautela, impactado pelas eleições parlamentares nos Estados Unidos, e o mercado doméstico respondendo de forma sensível a ruídos nas sinalizações do governo eleito sobre a reforma da Previdência, o dólar operou nesta terça-feira, 6, alternando entre altas mais significativas e amenas. Após ter tocado os R$ 3,7699 na máxima do pregão, a divisa fechou cotada a R$ 3,7597, alta de 0,92%.

No mercado de ações, depois de uma sequência de altas que se estendeu por quatro pregões - com direito a dois recordes históricos sucessivos -, o Ibovespa cedeu a um movimento de realização de lucros e fechou em baixa de 1,04%, aos 88.668,92 pontos.

Dólar

Internamente, o mercado opera sensível às sinalizações do presidente eleito Jair Bolsonaro e sua equipe em relação às medidas na área econômica, com destaque para a reforma da Previdência. A avaliação dos investidores é que há ruídos na comunicação do novo governo em relação à viabilidade de se votar a reforma ainda este ano. Pela manhã, por exemplo, enquanto Bolsonaro afirmava que é necessário votar "a reforma possível", sinalizando que concordaria com o texto que está atualmente no Congresso, seu filho, Eduardo Bolsonaro, afirmou achar "difícil" que a votação saísse esse ano.

"O mercado está bipolar em relação à Previdência, sensível a essas informações trocadas sobre a votação este ano, ora do Bolsonaro, ora do Guedes, ora dos filhos (do presidente eleito), ora do atual governo", aponta um operador. 

Lá fora, o principal impacto do dia são as eleições de meio de mandato para o parlamento americano, cujo resultado deve sair apenas na madrugada desta terça.

Para o operador da corretora Hcommcor, Cleber Alessie Machado, a postura mais cautelosa do mercado externo explicita uma briga entre compradores e vendedores, o que alimenta a volatilidade. "A conjuntura externa leva investidores que estão muito expostos a enxugarem posições e quem está menos exposto aproveita para comprar, o que afeta dólar e bolsa", diz. 

Bolsa

A queda desta terça-feira foi mais brusca pela manhã, quando os investidores repercutiam ruídos do cenário político doméstico e exibiam cautela ante o cenário internacional. À tarde, o índice se estabilizou em baixa moderada, com exceção da última hora de negociação, quando a piora das bolsas de Nova York impôs nova aceleração das ordens de venda. Os negócios somaram R$ 14,5 bilhões.

Na mínima do dia, registrada antes da abertura das bolsas de Nova York, o Ibovespa chegou aos 88.065,84 pontos, em queda de 1,71%. O movimento de baixa foi amenizado gradativamente, contando com a contribuição das bolsas americanas, que operaram em alta mesmo diante da cautela com a eleição no país. Analistas consideraram o movimento de realização de lucros natural e esperado, apontando alguns gatilhos específicos que a justificaram.

Na análise por ações no dia, o destaque ficou por conta das ações da Petrobras, que caíram 2,58% (ON) e 3,44% (PN). Além do balanço trimestral aquém do esperado, os papéis foram penalizados pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional, em meio à elevação das previsões de produção da commodity nos Estados Unidos. A maior queda do Ibovespa, no entanto, ficou com Magazine Luiza ON, que perdeu 8,36%, em movimento de realização de lucros após a companhia ter divulgado balanço trimestral dentro das expectativas dos analistas.

Fonte: Reuters

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