Trump perde Câmara para Democratas, mas eleva apoio no Senado

Publicado em 07/11/2018 06:28 e atualizado em 07/11/2018 08:39
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O Estadão informa que até as 6h15, o Partido Democrata havia conquistado 218 cadeiras contra 193 dos republicanos; no Senado, o Partido Republicano conseguiu 51 vagas contra 45, o suficiente para manter a maioria (em O Estado de S. Paulo)

No Estadão: Democratas retomam Câmara e complicam metade final do mandato de Trump

WASHINGTON - Depois de oito anos, os democratas retomaram o controle da Câmara dos Deputados nas eleições legislativas de 2018 ao ganharem as cadeiras necessárias em distritos nos quais o presidente Donald Trump é impopular. O Senado, no entanto, permanece nas mãos dos republicanos.

Até as 7h desta quarta-feira, 7, os democratas haviam conquistado 219 cadeiras contra 193 dos republicanos. Para garantir a maioria da Casa, são necessários 218 assentos. No Senado, o Partido Republicano conseguiu 51 vagas contra 45 do Partido Democrata, o suficiente para manter a maioria. Mesmo que os democratas não venham a promover um julgamento político contra Trump, como se especulou, agora poderão comandar comitês de controle da Câmara, impulsionar leis e abrir processos de investigação.

Apesar do revés, Trump disse que as eleições de meio de mandato foram um "tremendo sucesso". "Muito sucesso esta noite. Obrigado a todos", agradeceu ele no Twitter. 

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Democratas conquistam maioria na Câmara dos EUA, em revés para Trump

LOGO REUTERS

Por John Whitesides

WASHINGTON (Reuters) - Democratas aproveitaram uma onda de insatisfação com o presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, para conquistar o controle da Câmara dos Deputados, obtendo a oportunidade de bloquear a agenda de Trump e de colocar o governo norte-americano sob intensa fiscalização.

Nas eleições parlamentares de terça-feira, dois anos depois de chegar à Casa Branca, Trump e seus colegas republicanos ampliaram a maioria no Senado, após uma campanha divisória marcada por fortes embates sobre raça, imigração e outras questões culturais.

Entretanto, a perda da maioria na Câmara dos Deputados representou um amargo revés para o presidente, após uma campanha que se tornou uma espécie de referendo sobre sua liderança.

Com algumas disputas ainda não decididas, os democratas parecem a caminho de ampliar sua bancada em mais de 30 assentos, muito além dos 23 que precisavam para estabelecer sua primeira maioria na Casa de 435 membros em oito anos.

A nova Câmara dos Deputados terá a habilidade de investigar as declarações fiscais de Trump, possíveis conflitos empresariais de interesse e alegações envolvendo a campanha do presidente em 2016 e a Rússia.

Os deputados também poderão forçar Trump a reduzir suas ambições legislativas, possivelmente condenando ao fracasso as promessas do presidente de construir um muro na fronteira com o México, de aprovar um segundo grande pacote de cortes fiscais e de aplicar mudanças nas políticas comerciais.

Uma maioria simples na Câmara seria suficiente para abrir um processo de impeachment contra Trump se surgirem evidências de que ele obstruiu a Justiça ou de que sua campanha de 2016 conspirou com a Rússia. Entretanto, o Congresso não pode removê-lo do cargo sem a aprovação de dois terços do Senado, que é controlado pelos republicanos.

A nova Câmara dos Deputados pode estar planejando lançar uma investigação usando os resultados do inquérito do procurador especial Robert Mueller sobre alegações de interferência Rússia a favor de Trump na eleição presidencial de 2016. Moscou nega ter interferido na votação e Trump nega qualquer conspiração.

"Graças a vocês, amanhã será um novo dia nos Estados Unidos", disse a líder democrata na Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, a uma multidão de apoiadores em uma festa de vitória em Washington.

"Nós teremos a responsabilidade de chegar a um consenso quando conseguirmos, e de defender nosso posicionamento quando não conseguirmos", disse Pelosi.

Apesar de perder a maioria na Câmara dos Deputados, Trump escreveu no Twitter: "Sucesso tremendo hoje à noite".

No Senado, onde democratas estavam defendendo assentos em 10 Estados onde Trump venceu em 2016, os republicanos derrotaram quatro democratas em exercício: Bill Nelson (Flórida), Joe Donnelly (Indiana), Heidi Heitkamp (Dakota do Norte) e Claire McCaskill (Missouri), desta forma ampliando sua liderança na Casa.

No G1: Trump perde Câmara para Democratas, mas eleva apoio no Senado

O Partido Democrata conquistou a maioria da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pela primeira vez em oito anos. O resultado das eleições legislativas significa uma derrota parcial para o presidente Donald Trump já que o seu partido, o Republicano, ampliou sua vantagem no Senado.

Até o momento, os democratas elegeram 219 deputados, enquanto os republicanos ficaram com 193 vagas na Câmara.
No Senado, republicanos conseguiram 51 vagas e os democratas, 45.

As “midterms” (eleições de meio de mandato) desta terça (6) definiram uma nova Câmara e renovaram um terço do Senado, além de mais de 75% dos governos estaduais. Até agora, os republicanos mantinham maioria nas duas casas, o que facilitava a aprovação da agenda presidencial.

Todas as 435 cadeiras da Câmara estavam em disputa, e um partido precisava de 218 eleitos para garantir a maioria. Para os democratas, isso significava ter que "roubar" 24 postos de seus adversários, o que eles conseguiram. No momento em que os democratas conseguiram 219, o Partido Republicano somava 193 deputados eleitos. 

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Análise do Estadão: Perder a Câmara pode ajudar Trump em 2020?

Há desvantagens óbvias para os republicanos em perder a Câmara. A principal é que os democratas poderiam alavancar seu recém-descoberto poder de intimidação para investigar o governo Trump. Eles poderiam até mesmo obter declarações de imposto de renda que o mandatário claramente não quer revelar e expor o que o New York Times chamou de "esquemas fiscais fraudulentos".

Ele também estaria perdendo a capacidade de aprovar leis, um arranjo que deu ao governo dele uma redução de impostos e pelo menos uma chance de outras vitórias - que poderia desaparecer no momento em que os democratas controlarem a agenda na metade do Congresso.

Mas, se olharmos isso puramente a partir do ponto de vista do interesse próprio de Trump - particularmente no que se refere à vitória na reeleição em 2020 -, há um convincente argumento de que uma Câmara democrata pode ser ótima para o presidente.

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Fonte: Estadão + Reuters + G1

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