Revista Piauí: Em grupo de WhatsApp de ruralistas, presidente da UDR, Nabhan Garcia, critica Onyx Lorenzoni

Publicado em 07/11/2018 10:37 e atualizado em 07/11/2018 22:27
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O clima esquentou entre ruralistas e o novo governo em formação. Entre acusações de ingerência indevida e despreparo, sobrou até para espécies da fauna. “Já vi muito pavão virar espanador” foi uma das frases que circularam no WhatsApp de produtores rurais que tentam influenciar na formação do ministério de Bolsonaro. Pavão, no caso, é um futuro ministro.

Algumas semanas antes do primeiro turno, o então candidato a presidente da República Jair Bolsonaro passou a ser visto, frequentemente, ao lado de Luiz Antônio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista, a UDR. Sua presença era tão constante que seu nome apareceu na imprensa como possível futuro ministro da Agricultura. Questionado por jornalistas, o ruralista nunca negou que pleiteava o posto. Mas o desejo pareceu distante já na primeira entrevista que Bolsonaro concedeu no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, quatro dias após a votação do primeiro turno. Naquele dia, Bolsonaro, depois se reunir com a bancada eleita pelo PSL, anunciou que três nomes estavam confirmados para o seu ministério, caso fosse eleito no segundo turno: o do economista Paulo Guedes, como ministro da Economia; o do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, para a Defesa, e o de Onyx Lorenzoni, para a Casa Civil. Quando um repórter perguntou se Nabhan Garcia seria o ministro da Agricultura, Bolsonaro disse que não.

Começou aí uma disputa acirrada no setor ruralista em torno da indicação do novo ministro. Parte do agronegócio, mais industrializado, como os produtores de soja, de cana e papel e celulose, não aceita o nome de Garcia para o ministério. Já a turma mais próxima à UDR, torce por sua indicação. Após a vitória de Bolsonaro no segundo turno, a briga se acentuou. Nabhan Garcia, diante da resistência ao seu nome, tentou emplacar um aliado para o ministério, o deputado Jerônimo Goergen, do PP do Rio Grande do Sul. Disse se tratar de uma escolha dos ruralistas. Mas a indicação foi imediatamente desautorizada por Lorenzoni.

Inconformado, o presidente da UDR deu mostras de que não está disposto a desistir da luta. A turma ligada a ele, representada principalmente pelos pecuaristas, está em campanha aberta pela nomeação de Nabhan. Esta semana, apoiadores seus fizeram circular em grupos de WhatsApp de integrantes da UDR um pedido de doações aos associados, para que a entidade financie a compra de “um espaço nobre na mídia” em defesa da indicação de Garcia para o ministério. A mensagem instrui os associados sobre como proceder. “No grupo da UDR já temos 5 mil [reais].”

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Fonte: Revista Piauí

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