Moro vai prender corruptos com 'rede arrastão', diz Bolsonaro (ESTADÃO)

Publicado em 09/11/2018 18:56 e atualizado em 10/11/2018 09:45
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Em vídeo transmitido pelo Facebook, presidente eleito reafirma que dará 'carta branca' para juiz federal trabalhar e critica o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)

O presidente eleitoJair Bolsonaro (PSL), prometeu um intenso combate à corrupção durante seu governo com o juiz federal Sérgio Moro à frente do Ministério da Justiça. "Moro vai pegar vocês, corruptos. Antes ele pescava de varinha, agora vai ser com rede arrastão de 500 metros", afirmou durante live realizada em sua conta no Facebook nesta sexta-feira, 9.

Jair BolsonaroJair Bolsonaro deve voltar a Brasília na próxima semana. Foto: Reprodução/Facebook

Ele também disse que Moro terá carta branca para trabalhar e voltou a dizer que conversou com o juiz somente após o segundo turno das eleições 2018. Antes, ele disse que a única interação entre os dois havia sido meses antes em uma conversa rápida em um aeroporto. Com isso, Bolsonaro afasta questionamentos sobre interferências no processo eleitoral e a possibilidade de que o convite para assumir o ministério tivesse sido feito antes da hora.

"Conversei uma vez com ele tem uns oito ou dez meses atrás, no aeroporto. Alguns dias depois ele ligou para mim, conversamos por uns dez minutos. Durante a campanha toda, nunca conversei com Sérgio Moro. Fui conversar com ele depois do segundo turno das eleições. Ele veio na minha casa, apresentou o que queria caso aceitasse o ministério da Justiça. Não tenho como falar não", disse. 

Um braço do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), atualmente inserido no Ministério da Fazenda, irá para a Justiça, porque, para combater a corrupção e o crime organizado, Moro deverá "seguir o dinheiro", disse o presidente eleito.

"Ele quer que a Polícia Federal realmente esteja sob o seu guarda-chuva. Para isso tive que trazer o Ministério da Segurança para dentro da Justiça. Então, ele vai ter toda liberdade para combater a corrupção e o crime organizado", afirmou Bolsonaro.

Bolsonaro critica questão do Enem sobre LGBTs

Bolsonaro aproveitou para criticar o que ele chama de ensino da ideologia de gênero nas escolas e o atual modelo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Neste ano, a prova trouxe temas como feminismo, ditadura militar e gírias do universo LGBT: "O que interessa a linguagem daquelas pessoas? Podem ter certeza que não vai ter questão deste tipo ano que vem, apenas o que interessa ao futuro do nosso Brasil. Queremos que a molecada aprenda algo que dê futuro. Quer ser feliz com outro homem ou outra mulher, tudo bem, mas não fica enchendo o saco no escola", afirmou.

O futuro presidente também confirmou que retornará a Brasília na próxima semana, apesar do feriado, para continuar os trabalhos da equipe de transição. Ele prometeu que os nomes dos ministros da Educação, Saúde e Relações Exteriores serão anunciados nos próximos dias.

Exploração da Amazônia

Na transmissão, Bolsonaro demonstrou interesse em permitir que empresas de alguns países explorem os recursos naturais da Amazônia. Ele questionou "por que não fazer acordo" para explorar a região "sem viés ideológico". 

Nos 40 minutos de sua fala, durante a qual por diversas vezes criticou a gestão do meio ambiente no Brasil, Bolsonaro afirmou que o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) cometem "caprichos". O presidente eleito ainda disse que pretende avançar com o turismo em áreas protegidas ambientalmente para garantir que não sejam abandonadas. 

"Se tivesse hotéis em áreas protegidas, o meio ambiente estaria preservado. O turismo preservaria o meio ambiente e não essa forma xiita do Ibama", afirmou. 

Embora demonstre interesse em explorar a Amazônia, Bolsonaro não informou quais setores e países teriam acesso à região em seu governo. Mais uma vez, apenas citou o mercado de nióbio, que, segundo o presidente eleito, "não será privatizado". Disse ainda que "parece que 40% das multas (ambientais) aos produtores” vão para organizações não governamentais. "Não vai ter ativismo", acrescentou.

Discussão sobre maioridade penal

Jair Bolsonaro demonstrou intenção de propor ao Congresso a redução da maioridade penal de 18 para 17 anos, numa demonstração de que tentará chegar a um acordo com o ministro da Justiça indicado por ele, o juiz Sérgio Moro. Bolsonaro gostaria que adolescentes de 16 anos já respondessem por crimes como qualquer adulto, enquanto Moro defende a redução apenas para casos de crimes graves, como homicídio, lesão corporal grave e estupro. 

Bolsonaro ainda defendeu a escolha da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), integrante da bancada ruralista, para o ministério da Agricultura e contou que aceitou prontamente o nome assim que recebeu a indicação. Afirmou ainda que não "houve recuo na questão da fusão" com o ministério do Meio Ambiente. "O entendimento depois foi de que seria melhor separado. Agora, quem vai indicar o ministro do Meio Ambiente será Jair Messias Bolsonaro", afirmou.

É "absurdo" aumentar contribuição previdenciária, diz Bolsonaro

(Reuters) - O presidente eleito Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira que seria "um absurdo" aumentar a contribuição previdenciária e voltou a afirmar que quer a reforma da Previdência, ao mesmo tempo que disse que há pouco que pode ser aproveitado de projetos sobre o assunto que já tramitam no Congresso.

Em uma transmissão ao vivo pelo Facebook, Bolsonaro disse que tem conversado com o economista Paulo Guedes, futuro superministro da Economia, sobre o tema e afirmou ter recebido projetos sobre a reforma da Previdência durante sua visita a Brasília nesta semana.

"A questão da reforma da Previdência --está no jornal O Globo de hoje-- botando na minha conta a possibilidade de passar de 11 para 22 por cento a contribuição previdenciária", disse Bolsonaro.

"O que eu recebi em Brasília foram projetos, ou de iniciativa do Executivo, ou de iniciativa de parlamentares para estudar. O que a gente pode aproveitar ali para o ano que vem, e pelo que eu estou vendo, pouca coisa pode ser aproveitada", acrescentou ele.

O presidente eleito classificou de "absurda" a ideia de elevar a contribuição previdenciária.

"Passar de 11 para 22 por cento o desconto previdenciário, isso é um absurdo! É melhor o trabalhador ficar com aquilo que ele é obrigado a dar para o Estado e deixar o líquido para o Estado, é melhor fazer isso aí. Não podemos falar em salvar o Brasil quebrando o trabalhador", garantiu.

Diante da impossibilidade de aprovar mudanças constitucionais, como a da reforma da Previdência proposta pelo governo do presidente Michel Temer, por conta da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, uma das possibilidades aventadas foi a de realizar mudanças na Previdência que não necessitassem de alterações constitucionais, caso do percentual de contribuição previdenciária.

Bolsonaro afirmou ainda que uma decisão final sobre o reajuste dos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), aprovado pelo Senado na quarta-feira, não cabe a ele, mas sim ao presidente Temer, que deverá decidir se veta ou sanciona a medida.

"Não sou o presidente da República. Estão botando na minha conta o reajuste do Judiciário, como se tivesse poderes para impedir. Eu dei minha opinião, que era inoportuno aquilo no momento, mas a decisão não é minha, a decisão agora está nas mãos do presidente Michel Temer, se vai aprovar ou se vai vetar", disse.

O presidente eleito também fez a avaliação de que a situação orçamentária do Brasil está chegando no limite e classificou que o Brasil "tem direito para tudo, só não tem emprego". Ele ressalvou, entretanto, que os direitos trabalhistas estão assegurados na Constituição.

Bolsonaro afirmou que Guedes e o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, receberão "carta branca" dele para trabalharem e adiantou que os futuros titulares das pastas de Educação, Meio Ambiente, Saúde e Relações Exteriores podem ser anunciados na próxima semana, quando ele retornará a Brasília.

(Por Laís Martins e Eduardo Simões, em São Paulo)

Fonte: Estadão

1 comentário

  • Elói Petry Batista Cerro Largo - RS

    Bolsonaro após receber recado do Egito felizmente, parece ter desistido da transferência da Embaixada. Torço que também desista de dar embaixada a Temer na Itália.

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