Lula tenta intimidar a juíza, que reage: "Se começar nesse tom, a gente vai ter problema"...

Publicado em 14/11/2018 18:45 e atualizado em 15/11/2018 14:25
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 Lula adotou a mesma estratégia de enfrentamento na audiência com a juíza Gabriela Hardt, para tentar desestabilizá-la emocionalmente.

Iniciou dizendo que não sabia do que era acusado e a questionou: “Sou dono do sítio ou não?” Hardt endureceu: Isso é o senhor que tem que responder. Se começar com esse tom, a gente vai ter problema.”

O advogado José Roberto Batochio também partiu para o ataque. A magistrada então emparedou o advogado: “O senhor orientou o seu cliente sobre o processo ou precisa sair para explicar?”

Na sequência, a juíza decretou: “É o tempo de responder às minhas perguntas. Está claro? Está claro que não vou ser interrogada?”

Assista à primeira parte do depoimento:

(A continuação do depoimento de Lula - íntegra -  voce acompanha nos "posts" exibidos na home)

As broncas da ju[iza Gabriela Hardt em Lula (ESTADÃO/BR18)

A juíza Gabriela Hardt mostrou para Lula que ele não terá vida fácil, ao menos enquanto ela estiver à frente da Lava Jato em Curitiba. Durante depoimento, o petista foi reprendido pelo tom de suas falas em mais de uma ocasião. A primeira foi quando Lula quis indagar a juíza se ele era ou não o dono do sítio de Atibaia. “Senhor ex-presidente, esse é um interrogatório  e se o senhor começar nesse tom comigo a gente vai ter problema”, disse Hardt.

Posteriormente, ao reclamar do “Power Point” apresentado pelo Ministério Público onde era apontado como comandante de um esquema de corrupção,  Lula foi novamente reprendido pela juíza. “Eu se fosse presidente do PT pediria para que todos os filiados do PT no Brasil inteiro abrissem processo contra o MP”, disse Lula. “O senhor está intimidando a acusação assim. Vamos mudar o tom. Está instigando e intimidando a acusação. O senhor está estimulando os filiados do partido a tumultuar o processo. Se isso acontecer o senhor será o responsável”, avisou Hardt.

“Nunca foi tão fácil ser ladrão nesse país”

Em seu depoimento, Lula irritou-se quando foi questionado pela juíza Gabriela Hardt sobre o “caixa-geral” do PT.

“Eu não acredito”, disse o condenado.

“O senhor não acredita, mas foi lhe dito nos outros depoimentos sobre quantidades de valores devolvidos por diretores e gerentes da Petrobras relativos a propinas e os valores em contas bloqueadas de políticos no exterior”, completou a juíza.

“Aí é caixa deles, na verdade eles ganhavam um prêmio. Nunca foi tão fácil ser ladrão nesse país. Você rouba, aí depois você faz a delação e fica com um terço do roubo ou dois terços do roubo”.

SÍTIO STA. BÁRBARA

O depoimento fez parte da ação penal que trata das reformas feitas no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), frequentado por Lula e sua família.

O sítio foi alvo das investigações da Operação Lava Jato, que apura a suspeita de que as obras de melhorias no local foram pagas por empreiteiras investigadas por corrupção, como a OAS e a Odebrecht.

Além de Lula, mais 12 réus respondem ao processo, entre eles os empresários Marcelo e Emílio Odebrecht e Léo Pinheiro, da OAS, e o pecuarista José Carlos Bumlai.

Reforma

Segundo os investigadores, as reformas começaram após a compra da propriedade pelos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna, amigos de Lula, quando "foram elaborados os primeiros desenhos arquitetônicos para acomodar as necessidades da família do ex-presidente".

No laudo elaborado pela Polícia Federal, em 2016, os peritos citam as obras que foram feitas, entre elas a de uma cozinha avaliada em R$ 252 mil. A estimativa é de que tenha sido gasto um valor de cerca de R$ 1,7 milhão, somando a compra do sítio (R$ 1,1 milhão) e a reforma (R$ 544,8 mil).

A defesa de Lula sustenta que o ex-presidente e sua família frequentavam a propriedade, mas que Lula não é proprietário do sítio. 

Lula está preso na carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba após condenação em outro processo, que trata do apartamento tríplex do Guarujá (SP). Desde 7 de abril, Lula cumpre, na capital paranaense, pena de 12 anos e um mês de prisão, imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

‘Não paguei nem um real’, afirma Bumlai sobre reforma do sítio de Atibaia (ESTADÃO)

Pecuarista José Carlos Bumlai. FOTO: Rodolfo Buhrer/REUTERS/

O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, afirmou nesta quarta-feira, 14, que não pagou ‘nem um real’ pela reforma do sítio Santa Bárbara, em Atibaia. Em depoimento à juíza federal Gabriela Hardt, sucessora de Sérgio Moro nas ações penais da Lava Jato em Curitiba, Bumlai reafirmou a tese apresentada por outros delatores que o sítio seria uma ‘surpresa’ de Marisa para o ex-presidente.

Bumlai é réu por lavagem de dinheiro na Lava Jato e acusado de repassar R$ 150 mil em propina do Grupo Schain, por meio da reforma do sítio que posteriormente foi assumida pelas empreiteiras Odebrecht e OAS.

O pecuarista afirmou que ouviu sobre o sítio de Atibaia pela primeira vez durante um encontro com a família Lula e Jacob Bittar no Palácio da Alvorada, em agosto de 2010. À época, Bittar, amigo de Lula e fundador do PT, afirmou que ‘procurava na internet um sítio para comprar onde ele e a família do presidente pudessem desfrutar após saída (de Lula) da Presidência’.

“Ela (Marisa) me procurou e me perguntou se eu tinha pedreiros para arrumar um muro que estava por cair e algumas ampliações que ela queria fazer”, afirmou Bumlai.

Segundo ele, a ex-primeira-dama, morta em fevereiro de 2017, queria expandir o sítio para abrigar o acervo presidencial de Lula e afirmou que obra seria ‘surpresa’ para o presidente.

O pecuarista disse que agendou um encontro no sítio entre ele, Marisa Letícia, Fernando Bittar – filho de Jacob Bittar e proprietário formal do sítio -, o engenheiro Reinaldo Bertin, sócio de Bumlai, e o engenheiro Emerson Cardoso Leite, que iria trabalhar na reforma.

“Naquele momento não se discutiu pagamento nem custo, pois não sabia o que iria fazer. Se foi discutido depois, eu não participei”, afirmou. “Não paguei nem um real”

Bumlai afirmou à juíza Gabriela Hardt que não se envolveu mais na reforma do imóvel e que soube apenas que a obra mudaria de mãos após ligação de Rogério Aurélio, ex-assessor de Lula. “O Aurélio me ligou dizendo: ‘O pessoal que você indicou, nós vamos estar dispensando. Vamos botar uma firma maior para fazer (a reforma), pois temos pressa”, relatou o pecuarista.

Na semana passada, o empresário da Odebrecht e delator Alexandrino Alencar afirmou que foi abordado por Marisa Letícia, que havia reclamado da demora na entrega do sítio por parte de Bumlai, prevista para até o fim do mandato de Lula, em dezembro de 2010.

O encontro entre os dois teria ocorrido na antessala da presidência, no Palácio do Planalto, no início daquele mês e, poucos dias depois, a Odebrecht assumiria a reforma e entregaria o sítio em janeiro de 2011.

Confira abaixo o depoimento completo de José Carlos Bumlai:

 

 

Fonte: Agência Brasil+ O Antagonista

1 comentário

  • Heber Marim Katuete - PY - PI

    Eu era analfabeto de sítio... Sei...

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    • ALE MACEDOPORTO ALEGRE - RS

      ...uma pergunta ao site: vcs sabem quem são as 4.013 pessoas (fisicas e juridicas) que devem 906 bilhões à União??

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      Ale Macedo, tenho uma pergunta a você também. Você sabe por que, se isso é realmente verdade, essas 4.013 pessoas devem todo esse dinheiro à união, ao mesmo tempo que o trabalhador que é pobre é obrigado a pagar todos os impostos? Partindo da premissa de que a eficiência do governo em controlar aquilo que é produzido, o que é vendido, cobrando sem apelação até o leite que se compra para as crianças? Enquanto todos esses outros que você cita possuem uma série de mecanismos jurídicos garantindo que "escapem"?

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