Ibovespa acelera no final e fecha em alta de 1,3% com Petrobras e JBS

Publicado em 14/11/2018 21:36
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SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira, véspera de feriado no Brasil, após trocar de sinal algumas vezes durante o dia, acelerando os ganhos no fim do pregão com a alta de 3,55 de Petrobras PN em meio a expectativas sobre a votação da cessão onerosa e o salto de quase 16 por cento de JBS após resultado trimestral acima das expectativas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,25 por cento, a 85.973,06 pontos, na máxima do dia, após bater 84.267,01 pontos no pior momento do pregão. O volume financeiro somou 19,6 bilhões de reais, em sessão também marcada pelo vencimento dos contratos de opções do Ibovespa.

Apesar da alta, o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos, vê o Ibovespa ainda pressionado pela saída dos estrangeiros de posições de risco no mundo, buscando ativos considerados mais seguros, como os títulos do Tesouro dos EUA e o dólar, por preocupações com o processo de alta dos juros norte-americanos e desaceleração global, entre outros fatores.

Dados da B3 mostram saída líquida de 1,275 bilhão de reais de capital externo do segmento Bovespa em novembro até o dia 12. No ano, o saldo está negativo em 7,18 bilhões de reais.

Em paralelo a esse cenário, Chinchila acrescenta que indefinições sobre assuntos importantes no processo de transição do governo, como a reforma da Previdência e questões fiscais de uma forma geral, têm gerado ruídos no mercado, que também segue atento à composição do primeiro escalão da equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro.

"A equipe de transição segue apresentando alguns ruídos nas negociações políticas e precisando de uma interlocução segura e confiável com o mercado financeiro", avalia.

Investidores também repercutiram o rebalanceamento semestral dos índices acionários MSCI Global Standard, que contemplou, no caso de papéis brasileiros, a entrada da empresa de comércio eletrônico B2W Digital e as saídas da elétrica EDP Energias do Brasil e da operadora de planos odontológicos Odontoprev.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN subiu 3,55 por cento, favorecida pela sinalização do presidente do Senado de que o projeto de lei que trata do contrato da cessão onerosa, que deve viabilizar um mega leilão de petróleo excedente na área no pré-sal, pode ser votado na Casa na próxima semana. Ajudou no final reportagem da Reuters de que, segundo uma fonte da equipe de transição, a Petrobras ficaria com "30 bilhões de reais ou mais" do total arrecadado com um eventual leilão do excedente de petróleo das áreas da cessão onerosa. As ações da petrolífera de controle estatal também tiveram de pano de fundo a recuperação dos preços do petróleo, após tombo na véspera.

- JBS disparou 15,74 por cento, a 11,40 reais, encerrando na maior cotação de fechamento desde março de 2017, antes do escândalo de corrupção gerado pela delação de executivos da empresa. O salto nesta sessão ocorreu após a maior processadora de carnes do mundo divulgar resultado acima das expectativas para o terceiro trimestre, incluindo queda na alavancagem. A companhia também reafirmou o plano de realizar o IPO da unidade dos EUA.

- SUZANO valorizou-se 7,82 por cento, no segundo dia de recuperação, após acumular em outubro queda de mais de 20 por cento e recuar 10,7 por cento nos primeiros sete pregões de novembro. No ano, porém, as ações ainda acumulam elevação de 110 por cento, apoiadas principalmente por expectativas favoráveis para a fusão com a rival Fibria, anunciada em março deste ano.

- BRMALLS subiu 6,05 por cento, em meio à repercussão do balanço do terceiro trimestre, que mostrou lucro líquido ajustado de 123,4 milhões de reais, alta de 12 por cento sobre um ano antes, impulsionado por melhor resultado financeiro e redução em despesas com inadimplência de lojistas. A administradora de shopping centers também aguarda resultado consistente no quarto trimestre do ano.

- CIELO perdeu 5,21 por cento, a 9,83 reais, mínima da sessão e menor cotação de fechamento desde outubro de 2012, conforme agentes de mercado seguem apreensivos com o efeito da competição mais acirrada nos resultados da maior empresa de meios de pagamentos do país. O BTG Pactual cortou recentemente estimativa para os lucros de 2019 e 2020, para algo em torno de 2,5 bilhões de reais em ambos os períodos. No ano, as ações acumulam perda de cerca de 55 por cento.

- EDP ENERGIAS DO BRASIL caiu 4,8 por cento, tendo no radar a revisão semestral dos índices MSCI Global Standard, que excluiu os papéis da elétrica do sua composição.

- VALE recuou 1,97 por cento, pesando no Ibovespa em razão da fatia elevada que detém no índice, acompanhando suas pares na Europa, que também sofreram com preocupações sobre desaquecimento da demanda da China, maior consumidor de metais do mundo. Papéis de siderúrgicas também recuaram, com USIMINAS PNA liderando as perdas ao fechar com variação negativa de 2,76 por cento no final do pregão.

Bolsa sobe 1,3% apoiada pela Petrobrás e dólar cai a R$ 3,78 (ESTADÃO)

Após ter superado os R$ 3,82 na terça-feira, o dólar teve um dia de correção frente ao real e registrou a maior queda entre os países emergentes. Um dos motivos foi a recuperação do petróleo, que interrompeu uma sequência de 12 baixas, além do ambiente interno mais tranquilo.

O dólar à vista fechou com desvalorização de 1,13%, a R$ 3,7837, mesmo sendo véspera de feriado prolongado no Brasil, o que normalmente gera cautela. O Ibovespa se descolou das Bolsas de Nova York e fechou na máxima do dia, aos 85.973,06 pontos, em alta de 1,25%, apoiado especialmente no avanço das ações da Petrobrás. Os papéis PN e ON da estatal terminaram o dia com altas de 3,55% e 1,84%, respectivamente.

Além da alta do petróleo, os papéis da estatal foram beneficiados pela afirmação do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), de que vai pautar com urgência a proposta de revisão do acordo da cessão onerosa na próxima terça-feira, dia 20.

Os investidores seguiram monitorando também as articulações do presidente eleito Jair Bolsonaro, que se reuniu nesta quarta-feira, 14, em Brasília com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e com governadores eleitos.

Em Wall Street, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq operavam no negativo. As ações de tecnologia foram pressionadas por revisões para baixo nas perspectivas da Apple e os papéis de bancos pioraram com uma declaração dura de uma deputada democrata sobre regulação.

S&P 500 cai pelo quinto dia com recuo de ações financeiras

NOVA YORK (Reuters) - Os principais índices acionários dos Estados Unidos caíram nesta quarta-feira, quando o S&P 500 registrou a quinta queda consecutiva, com ações financeiras atingidas por temores de aperto regulatório sobre a indústria bancária, depois de o Partido Democrata assumir o controle da Câmara dos Deputados.

O Dow Jones Industrial Average <.DJI> caiu 0,81 por cento, para 25.080,5 pontos, o S&P 500 <.SPX> perdeu 0,76 por cento, para 2.701,58 pontos e o Nasdaq Composite <.IXIC> recuou 0,9 por cento, para 7.136,39 pontos.

Ações financeiras recuaram depois que a deputada democrata Maxine Waters, que deve presidir a comissão de serviços financeiros na Câmara, deixou claro que ela pretende apresentar regras mais rígidas para o setor.

Waters disse estar preocupada com os esforços do Federal Reserve de reduzir exigências de capital e liquidez dos bancos e quer o banco central supervisionando de forma mais vigorosa as grandes instituições financeiras.

O setor financeiro <.SPSY> caiu 1,4 por cento, a maior queda percentual no S&P 500. O índice de bancos do S&P 500 <.SPXBK> caiu 1,7 por cento.

Os índices reduziram um pouco as perdas depois que a primeira-ministra britânica, Theresa May, obteve o apoio de seus ministros sobre uma proposta de acordo para deixar a União Europeia, embora tenham voltado a cair na última meia hora de negociação.

Índices europeus caem a mínimas de 2 semanas com vendas generalizadas em quase todos os setores

LONDRES (Reuters) - Os mercados acionários europeus atingiram seu menor nível em duas semanas nesta quarta-feira em vendas generalizadas amplas em petróleo, mineração, tecnologia e bancos, em meio a renovadas preocupações sobre uma desaceleração econômica global e aprofundamento da crise orçamentária italiana.

O índice FTSEurofirst 300 <.FTEU3> caiu 0,66 por cento, a 1.425 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 <.STOXX> perdeu 0,6 por cento, a 362 pontos

O STOXX o índice das principais ações da zona do euro <.STOX50E> fecharam em seu menor valor desde 31 de outubro por negócios do início da sessão, recuperando algum terreno depois e terminando o dia próximo a estes níveis à medida que Wall Street passou para o negativo com a Apple liderando outra queda nas ações de tecnologia.

Ações europeias de tecnologia <.SX8P> recuaram 0,6 por cento, com o fabricante de chips AMS <AMS.S> afundando outros 10 por cento para o piso do STOXX 600.

As ações perderam quase um terço de seu valor de mercado até agora neste mês, em meio a temores sobre uma temporada de feriados fraca nos Estados Unidos depois de alertas da Apple e da Qualcomm.

A decisão da Itália de manter seus planos de crescimento e déficit em uma nova versão de sua proposta orçamentária definiu o cenário para um duelo com a União Europeia sobre a violação de limites estruturais de déficit.

Isso elevou os rendimentos dos títulos do governo da Itália e o índice FTSE MIB <.FTMIB>, que recuou 0,8 por cento, com uma queda de 1,4 por cento nas ações dos bancos <.FTIT8300>.

"A pressão contínua sobre os títulos do governo italiano poderiam levar a uma grande crise da dívida, que facilmente poderia se espalhar pela região", disse David Madden, analista de mercado na CMC Markets UK.

"O tempo está passando para Theresa May, à medida que ela precisa convencer seu gabinete e depois a maioria da Casa dos Comuns a apoiar sua proposta de acordo sobre a saída do Reino Unido da UE."

O setor de petróleo e gás <.SXEP> caiu 0,5 por cento, reduzindo perdas maiores à medida que os preços do petróleo conseguiram recuperar um pouco de terreno depois do tombo de 7 por cento na véspera, pelo aumento de oferta. [O/R] Dessa forma, o setor perdeu o posto de maior ganhador no acumulado do ano para serviços de saúde.

O índice FTSEurofirst 300 <.FTEU3> fechou em queda de 0,66 por cento, a 1.425 pontos.

Em LONDRES, o índice Financial Times <.FTSE> recuou 0,28 por cento, a 7.033 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX <.GDAX> caiu 0,07 por cento, a 11.409 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 <.FCHI> perdeu 0,65 por cento, a 5.068 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib <.FTMIB> teve desvalorização de 0,78 por cento, a 19.077 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 <.IBEX> registrou baixa de 0,42 por cento, a 9.106 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 <.PSI20> valorizou-se 0,08 por cento, a 4.959 pontos.

Fonte: Reuters/Estadão

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