"Lula pede para ir ao banheiro" -- (em O Antagonista/Josias de Souza, UOL)

Publicado em 14/11/2018 21:45 e atualizado em 16/11/2018 20:25
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Sem saber o que responder ao procurador da Lava Jato, Lula pediu para ir ao banheiro.

Diz Josias de Souza:

“No ápice do interrogatório, o procurador Athayde Ribeiro Costa aplicou em Lula algo muito parecido com um xeque-mate: ‘No caso do tríplex, o senhor alegava que as obras de melhorias do apartamento não foram para o senhor sob o argumento de que o senhor nem ia lá. Agora, o senhor constantemente estava no sítio, mantinha lá bens pessoais de toda ordem e os empresários alegam que a obra era para o senhor. Eu gostaria do senhor qual é a explicação que o senhor tem para isso, senhor ex-presidente’.

Lula tentou desconversar. Seu advogado, Cristiano Zanin, interveio. Houve um princípio de barraco. O réu cavou um intervalo providencial. Pediu para ir ao banheiro. Ao retornar, Lula ouviu o procurador repetir a mesma pergunta. A flacidez da resposta potencializou a impressão de que o presidiário petista estava mesmo indefeso:

‘Ah, meu Deus do céu, sem eu pedir. Você não acha muito engraçado alguém fazer uma obra que eu não pedi?’

O procurador esclareceu que a condenação independe de um pedido formal para a realização das obras bancadas com verbas de má origem: ‘O senhor pode alegar que não pediu. Mas o crime de corrupção tem a modalidade receber.'”

A confissão de Lula

Lula reconheceu que Léo Pinheiro, dono da OAS, foi chamado para fazer a reforma do sítio em Atibaia, mas tratou-o como um pedreiro:

“Eu não estranhei, porque não era uma grande empreiteira fazendo uma reforma. Era uma pessoa com quem eu tinha relação há mais de 20 anos. Achei que ele tinha cobrado.”

Ele cobrou, é claro. Da Petrobras.

A Lava Jato cumpriu seu papel

Os interrogatórios de Lula em Curitiba acabaram.

A juíza Gabriela Hardt já pode sentenciá-lo pelo prédio do Instituto Lula, fruto de um pacto de sangue com Emílio Odebrecht, pelo qual ele entregou a petroquímica à empreiteira e recebeu em troca 200 milhões de reais em propinas.

Em seguida, ele poderá ser condenado também pelas reformas do sítio em Atibaia.

A Lava Jato cumpriu seu papel, prendendo o chefe da ORCRIM. Agora Sergio Moro precisa ir a Brasília e criar mecanismos para impedir o surgimento de uma nova ORCRIM.

Feliz Natal, Lula

Aliados de Lula disseram à Folha de S. Paulo que a juíza Gabriela Hardt está em “marcha acelerada” para condená-lo ainda em 2018.

“Se seguir rigorosamente os prazos processuais e rejeitar eventuais pedidos da acusação e da defesa de apresentação de novas provas, Hardt pode condenar Lula às vésperas das festas de fim de ano.”

‘Nunca foi tão fácil ser ladrão neste país’, diz Lula... acompanhe o embate com a Juíza Gabriela Hardt

O ex-presidente Lula disse à juíza Gabriela Hardt nesta quarta, 14, que ‘nunca foi tão fácil ser ladrão nesse país’. Interrogado por três horas na ação penal em que é réu no caso do sítio de Atibaia, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o petista exaltou-se quando questionado sobre propinas pagas no âmbito de contratos da Petrobrás e a criação de um suposto ‘caixa-geral’ do PT, que teria sido administrado pelo ex-tesoureiro da legenda João Vaccari, preso na Operação Lava Jato desde abril de 2015.

“Eu não acredito”, disse Lula, durante a audiência marcada por um embate nervoso e ríspido com a magistrada.

 

“O senhor não acredita, mas foi lhe dito nos outros depoimentos sobre quantidades de valores devolvidos por diretores e gerentes da Petrobrás relativos a propinas e os valores em contas bloqueadas de políticos no exterior”, seguiu Gabriela Hardt.

“Aí é caixa deles, na verdade eles ganhavam um prêmio. Nunca foi tão fácil ser ladrão nesse país. Você rouba, aí depois você faz a delação e fica com um terço do roubo ou dois terços do roubo”, retrucou o ex-presidente.

“Mas, então aconteceu?”, indagou a juíza.

“Eu quero saber se encontraram dinheiro do Vaccari no exterior, eu quero saber se encontraram conta do PT no exterior. Por isso, quando um cidadão vem aqui e grita ‘olha, era tudo do caixa do PT, era tudo do caixa do PT’, ele está mentindo!”, afirmou o petista.

Gabriela seguiu. “Quando se vincula pagamento no exterior ao publicitário contratado pelo PT, o senhor não vê vinculação numa coisa com a outra?”

“Eu não tenho vinculação uma coisa com a outra.”

“Eu não estou falando que o senhor tem, estou falando de propinas que são imputadas ao partido.”
“Veja, se o empresário resolveu corromper alguém e depositar o dinheiro a pedido do cidadão que tinha direito àquele dinheiro no exterior é problema dele. Paga pelo erro, tá?” Até porque, agora, a MP aprovada no ano passado anistiou todos os ladrões que depositaram dinheiro lá fora, todos os sonegadores que depositaram foram anistiados.”

“Sonegador pode ser, lavagem de dinheiro não, senhor ex-presidente”, corrigiu Gabriela.

“O que eu quero dizer é que toda vez, é a segunda vez, o Léo (Pinheiro, da empreiteira OAS) vem aqui e diz ‘foi caixa do Vaccari’. O Vaccari fez uma carta desmentindo e o juiz Moro não aceitou. Agora, vem outra vez ‘vai pro caixa dois’. Ora, o caixa dois virou um pote de água benta. E o Vaccari tá aqui perto, é só trazer o Vaccari. Pergunta pro Vaccari se ele quer falar.”

Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, também é réu na ação penal do sítio de Atibaia. Em seu interrogatório, ele detonou Lula. Disse que o sítio era mesmo para Lula.

No interrogatório desta quarta, 14, a juíza cercou o ex-presidente com indagações sucessivas sobre a reforma do sítio e a instalação da cozinha – tudo ao custo de R$ 1,02 milhão, valor supostamente bancado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht e pelo amigo do ex-presidente, o pecuarista José Carlos Bumlai.

A juíza perguntou ao petista sobre eventual pagamento aos executores das benfeitorias na propriedade rural. Lula reagiu com veemência. “Agora é muito cômodo jogar em cima de um caixa-geral para culpar o Vaccari. Duvido. O Léo Pinheiro está há dois anos tentando negociar uma delação e não aceitam. Ou acusa o Lula de verdade ou não vai ter delação.”

“Eu nego veementemente, eu nego a existência dessa conta-geral.”

“Quem fez a reforma da cozinha?”, insistiu a juíza.

“Eu não sei quem fez, o que eu sei é que foi discutido entre o Fernando (Bittar, em nome de quem está o sítio de Atibaia), a mulher do Fernando e a Marisa (ex-primeira dama, morta em fevereiro de 2017). Precisava aumentar que a cozinha estava pequena.”

A juíza insistiu uma vez mais. “O sr não achou estranho não buscar a OAS para ressarcir? Fernando Bittar disse que o sr e dona Marisa iam pagar. O sr. pagou?”

“Estamos falando de 2014, eu não era mais presidente da República. Eu nem disputava mais eleições. Eu sempre parti do pressuposto que o cara fez um serviço e alguém pagou, ou o Fernando ou a dona Marisa. Eu não estranhei porque não era uma grande empreiteira fazendo uma reforma. Era uma pessoa (Léo Pinheiro) que eu conheço há mais de 20 anos sem falar de caixa-geral que eu tô sabendo agora e acho que ele tinha cobrado.”

O ex-presidente foi irônico. “Não sei se a sra é casada, mas o seu marido entende pouco de cozinha, como eu. Não era comigo esse assunto.”

“Sou divorciada”, disse Gabriela.

Lula tenta intimidar a juíza, que reage: "Se começar nesse tom, a gente vai ter problema"...

 Lula adotou a mesma estratégia de enfrentamento na audiência com a juíza Gabriela Hardt, para tentar desestabilizá-la emocionalmente.

Iniciou dizendo que não sabia do que era acusado e a questionou: “Sou dono do sítio ou não?” Hardt endureceu: Isso é o senhor que tem que responder. Se começar com esse tom, a gente vai ter problema.”

O advogado José Roberto Batochio também partiu para o ataque. A magistrada então emparedou o advogado: “O senhor orientou o seu cliente sobre o processo ou precisa sair para explicar?”

Na sequência, a juíza decretou: “É o tempo de responder às minhas perguntas. Está claro? Está claro que não vou ser interrogada?”

Assista à primeira parte do depoimento:

(A continuação do depoimento de Lula - íntegra -  voce acompanha abaixo)

As broncas da ju[iza Gabriela Hardt em Lula (ESTADÃO/BR18)

A juíza Gabriela Hardt mostrou para Lula que ele não terá vida fácil, ao menos enquanto ela estiver à frente da Lava Jato em Curitiba. Durante depoimento, o petista foi reprendido pelo tom de suas falas em mais de uma ocasião. A primeira foi quando Lula quis indagar a juíza se ele era ou não o dono do sítio de Atibaia. “Senhor ex-presidente, esse é um interrogatório  e se o senhor começar nesse tom comigo a gente vai ter problema”, disse Hardt.

Posteriormente, ao reclamar do “Power Point” apresentado pelo Ministério Público onde era apontado como comandante de um esquema de corrupção,  Lula foi novamente reprendido pela juíza. “Eu se fosse presidente do PT pediria para que todos os filiados do PT no Brasil inteiro abrissem processo contra o MP”, disse Lula. “O senhor está intimidando a acusação assim. Vamos mudar o tom. Está instigando e intimidando a acusação. O senhor está estimulando os filiados do partido a tumultuar o processo. Se isso acontecer o senhor será o responsável”, avisou Hardt.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, DEFENSOR DE LULA
Depoimento de Lula mostra arbitrariedade da acusação

O ex-presidente Lula rebateu ponto a ponto as infundadas acusações do Ministério Público em seu depoimento, reforçando que durante o seu governo foram tomadas inúmeras providências voltadas ao combate à corrupção e ao controle da gestão pública e que nenhum ato de corrupção ocorrido na Petrobras foi detectado e levado ao seu conhecimento.

Embora o Ministério Público Federal tenha distribuído a ação penal à Lava Jato de Curitiba sob a afirmação de que 9 contratos específicos da Petrobras e subsidiárias teriam gerado vantagens indevidas, nenhuma pergunta foi dirigida a Lula pelos Procuradores da República presentes à audiência. A situação confirma que a referência a tais contratos da Petrobras na denúncia foi um reprovável pretexto criado pela Lava Jato para submeter Lula a processos arbitrários perante a Justiça Federal de Curitiba. O Supremo Tribunal Federal já definiu que somente os casos em que haja clara e comprovada vinculação com desvios na Petrobras podem ser direcionados à 13ª. Vara Federal de Curitiba (Inq. 4.130/QO).

Lula também apresentou em seu depoimento a perplexidade de estar sendo acusado pelo recebimento de reformas em um sítio situado em Atibaia que, em verdade, não têm qualquer vínculo com a Petrobras e que pertence de fato e de direito à família Bittar, conforme farta documentação constante no processo.

O depoimento prestado pelo ex-Presidente Lula também reforçou sua indignação por estar preso sem ter cometido qualquer crime e por estar sofrendo uma perseguição judicial por motivação política materializada em diversas acusações ofensivas e despropositadas para alguém que governou atendendo exclusivamente aos interesses do País.

Cristiano Zanin Martins

Fonte: Estadão

2 comentários

  • Elvio Zanini Sinop - MT

    Estive visitando à EIMA-2018 em Bologna -Itália. Quero salientar que lá se presencia o resultado do trabalho, confiança e honestidade.. é grande a diferença daqui para lá..., Não há cercas ELETRICAS nas casas, e em quase três mil kms, rodados não presenciamos nenhum acidente nas estradas ,,, A esperança é que em 50 anos possamos chegar à semelhança da Itália. (??????)

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  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Diante dos fatos, penso, as bancas de advogados do Lula vão entrar com um pedido no STF para que os seus processos sejam redirecionados ao juiz Sérgio Moro... A mudança para a atual responsável da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, juíza Gabriela Hardt, frustrou todas as expectativas dos defensores do ex-presidente. Encontraram ali um verdadeiro "palanque de aroeira", como se diz lá pelas bandas de onde vivo.
    Após várias investidas da "tchurma", pergunto: ... Tomou, "tucura"?

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    • DEJAIR MINOTTIJABOTICABAL - SP

      O iletrado que nunca trabalhou, depois que entrou na mamata de diretor de sindicato, e nunca fez nada, se transforma num "anjo de pessoa".... Não sabe de nada, e ainda pergunta "como pode um responsável por alguma coisa se não sabe de nada?"!!!,... quem sabe (os responsáveis) são os ministros, nunca o presidente..., podia ter comprado o sitio citado, mas o valor devia ser alto, e, portanto, como prova renda para isto e outros patrimônios?.... Tudo que ele sabe é pela imprensa e como a imprensa é "contra ele e o PT", então não tem como incriminá-lo... Ele precisa ser condenado até dezembro, pois em janeiro haverá a nomeação de outro juiz para o lugar do Moro e são 200 estão querendo o lugar (que é por indicação).... Ele tem que responder a colocação do Hélio Bicudo: "conheci o lula morando numa casa de 40 metros quadrados, como ficou milionário em tão pouco tempo??, ou deixou os amigos milionários???, pois tudo que não é dele é de outro... .A justiça tem que colocar este apedeuta na cela comum e não em sala de estar.... Lembro bem de uma colocação do apedeuta dizendo que quando saisse da presidência da Republica queria ser presidente da PeTrobrás.... Aí tinha.

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