BC atua, dólar recua e termina abaixo de R$ 3,90

Publicado em 27/11/2018 17:20 e atualizado em 27/11/2018 19:40
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SÃO PAULO (Reuters) - Após subir por cinco sessões seguidas, o dólar cedeu e terminou abaixo de 3,90 reais nesta terça-feira, num movimento de correção impulsionado pelo anúncio de leilão de 2 bilhões de dólares em linha --venda com compromisso de recompra-- pelo Banco Central, numa tentativa de aliviar a pressão altista de final de ano, período em que comumente empresas enviam recursos ao exterior.

O dólar recuou 1,04 por cento, a 3,8767 reais na venda, depois de registrar na véspera a maior alta percentual desde junho e encerrar a 3,9175 reais, maior valor desde 2 de outubro.

Na mínima, a moeda foi a 3,8704 reais. O dólar futuro tinha baixa de cerca de 1,70 por cento.

"É de amplo conhecimento a tendência do BC em realizar leilões de linha no fim do ano, quando empresas costumam remeter recursos ao exterior... De todo modo, não dá para negar uma 'relação' entre o movimento de ontem no câmbio e o anúncio do BC", escreveu a corretora H.Commcor em relatório nesta terça-feira, ao ponderar que muitos consideram o anúncio do BC "uma sinalização da autoridade àqueles que -teoricamente- estariam forçando um movimento para 'além dos fundamentos'".

A alta da véspera foi influenciada por uma série de fatores. Além do movimento tradicional de remessa de recursos ao exterior no final do ano por empresas multinacionais, houve a zeragem de posições vendidas e nervosismo com o exterior.

Essa influência negativa externa continou nesta sessão, patrocinada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que espera seguir em frente com o aumento de tarifas sobre 200 bilhões de dólares em importações chinesas, jogando um balde de água fria sobre o otimismo vigente diante do encontro dele com o presidente da China, Xi Jinping, no G20, no final da semana.

"O envolvimento ativo de Trump no G20 implica muita incerteza. As expectativas para a reunião são exageradas. O conflito comercial entre os EUA e a China provavelmente não será resolvido. O melhor cenário é que não haverá novas tarifas, mas as existentes não serão removidas tão cedo", trouxe a corretora dinamarquesa Nordea Markets em relatório.

No final da tarde, entretanto, o assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, aliviou na retórica ao afirmar que se a China levar novas ideias ao G20, "há boa possibilidade de que Trump possa fazer um acordo".

O dólar, no entanto, continuou subindo ante a cesta de moedas, mas operava misto ante as divisas emergentes, em queda ante o peso mexicano e alta ante o rublo.

"O mercado exagerou ontem e a atuação do BC com oferta de liquidez e o exterior ajudam na correção... mas nada impede que o excesso volte a ser visto. Temos Ptax à frente e muita gente está comprada", avaliou o operador de câmbio da H.Commcor Cleber Alessie Machado.

A taxa Ptax de final de mês é usada na liquidação de diversos derivativos cambiais e sua formação de preços no último pregão do mês acaba deixando o mercado mais volátil, com a briga entre os investidores que apostam na queda da cotação e na alta.

Os dados de investimentos diretos no país (IDP), acima do previsto pelos analistas, também ajudaram a aliviar o dólar, comentaram profissionais.

Os investidores também seguiram na expectativa por novidades sobre a trajetória de juros nos EUA. Nesta manhã, o vice-chairman do Fed, Richard Clarida, declarou que a economia dos EUA segue robusta e que espera que em 2019 essa trajetória se mantenha.

O Banco Central fez nesta terça-feira leilão de linha no qual colocou 2 bilhões de dólares em novos contratos, com vencimento em 4 de fevereiro. Em dezembro, vencem outros 1,250 bilhão de dólares em linha e o BC ainda não se pronunciou se fará ou não rolagem.

O Banco Central vendeu nesta sessão 13,6 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 10,880 bilhões de dólares do total de 12,217 bilhões de dólares que vence em dezembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Bolsa sobe 2,74% e dólar cai a R$ 3,87 em meio a otimismo com leilão de pré-sal (ESTADÃO)

Um conjunto de fatores, essencialmente locais, conduziu os ganhos dos ativos brasileiros, a despeito de no exterior ter permanecido o tom de cautela, com temores relacionados à guerra comercial entre EUA e China.

Ibovespa renovou máximas sucessivas e o dólar atingiu mínimas, assim como os juros futuros passaram a cair na sessão estendida, com o otimismo gerado pela perspectiva de que seja fechado um acordo para colocar em votação, ainda nesta terça-feira, 27, o projeto que revisa a cessão onerosa do pré-sal entre a União e a Petrobrás.

Apesar da fraqueza das Bolsas em Wall Street, o Ibovespa encerrou a sessão com valorização de 2,74%, aos 87.891,18 pontos, enquanto as ações da Petrobrás tiveram altas superiores a 3% (ON) e 5% (PN). Os papéis de bancos também registraram fortes altas. A expectativa quanto à agenda de privatizações no futuro governo de Jair Bolsonaro e a apreciação do real também ajudaram a impulsionar a Bolsa doméstica.

Destoando do movimento em outros mercados emergentes, o dólar fechou em baixa de 1,24%, a R$ 3,8739, no segmento à vista, influenciado pela atuação do Banco Central, que ofertou US$ 2 bilhões em leilão de linha. Operadores atribuíram ainda o movimento no câmbio a uma correção, após a alta tida como "exagerada" de segunda-feira, quando a divisa superou os R$ 3,92.

Os juros futuros, que passaram o dia oscilando entre a estabilidade e alta moderada, tiveram um ligeiro alívio na etapa estendida. No exterior, os investidores continuaram preocupados quanto ao crescimento global, e os rendimentos dos títulos americanos tocaram as mínimas do dia quando o diretor do Conselho Econômico Nacional americano, Larry Kudlow, afirmou que, se não houver acordo com a China, o presidente Donald Trump irá impor tarifas sobre outros US$ 267 bilhões em produtos chineses.

Fonte: Reuters/Estadão

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