Bolsa tem valorização de 2,4% e dólar fecha perto de R$ 3,86 (ESTADÃO)

Publicado em 30/11/2018 16:11 e atualizado em 01/12/2018 09:39
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Cautela do mercado em relação às reformas, forte recuo nos preços do petróleo no mercado internacional, disputa entre EUA e China e temores de desaceleração global são motivos para resultados do último pregão de novembro

dólar terminou o último pregão de novembro em leve alta ante o real (+0,14%, a R$ 3,8588), refletindo o comportamento do câmbio no exterior, mas, no mês, acumulou ganho de 3,50%. Entre os fatores que pesaram sobre a moeda brasileira estão a cautela em relação ao andamento das reformas, em especial a da Previdência, durante o futuro governo de Jair Bolsonaro e, externamente, o forte recuo nos preços do petróleo, a disputa comercial entre EUA e China e os temores de desaceleração global.

Além disso, há pressão de alta da divisa dos EUA nos dois últimos meses do ano, por causa do envio de remessas ao exterior. O Ibovespa, por outro lado, fechou novembro com valorização de 2,38%, sustentado por investidores domésticos, uma vez que o fluxo saída de capital externo da Bolsa foi mantido em novembro. Enquanto o estrangeiro segue em postura cautelosa, o local apostou na melhora do cenário brasileiro no curto prazo.

O principal índice da Bolsa terminou a sexta-feira com leve queda de 0,23%, aos 89.504,03 pontos, após ter superado os 90 mil pontos no intraday e no dia seguinte à máxima histórica de fechamento. Na semana, o Ibovespa avançou 3,80%. No mercado de juros futuros, o principais contratos encerraram o mês com alívio nas taxas entre 20 e 30 pontos-base em relação ao fechamento de outubro, tanto nos prazos longos quanto nos curtos.

Essa redução se deu pela perspectiva de que o aperto monetário nos EUA será gradual, sem grandes choques, e, internamente, à boa repercussão dos principais nomes indicados para a equipe econômica do novo governo. Além disso, a inflação corrente surpreendeu positivamente e levou a uma sequência de revisões para o início do ciclo de alta da Selic. Em Nova York, as bolsas ganharam força à tarde, mas ainda sem muito fôlego, com investidores à espera de novidades na cúpula do G20, em Buenos Aires, sobretudo das negociações comerciais entre Washington e Pequim. 

Câmbio 

A moeda americana respondeu a agentes diferentes nos dois turnos do pregão de desta sexta-feira. Se até as 13h quem determinou a cotação foi a disputa pelo fechamento da última Ptax do mês, à tarde a diminuição da queda no preço do barril de petróleo favoreceu perda de fôlego do dólar frente ao real. A moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 8588, em alta de 0,14%.

No mês, a divisa ficou valorizada em 3,50% frente ao real. Operadores ouvidos pelo Broadcast apontam que há pressão de alta nos últimos dois meses do ano, por conta do envio de remessas de empresas ao exterior, o que aumenta a procura por dólares. Além disso, a queda de mais de 20% nos contratos para janeiro do barril de petróleo acumulada no mês ajudam a desvalorizar o real, bem como outras moedas ligadas à commodity. Operadores apontam ainda alguma insatisfação com a dificuldade no andamento de matérias domésticas no Congresso, como a cessão onerosa e o futuro da reforma da Previdência, além do receio em relação à desaceleração global.

No dia, na briga entre comprados e vendidos pela formação da Ptax, prevaleceu viés de alta, com a taxa medida pelo Banco Central encerrando novembro em elevação de 0,17%. A disputa deixou o dólar instável pela manhã: a divisa renovou mínimas por volta das 11h, quando atingiu o menor patamar do dia, aos R$ 3,8382 (-0,39%), e reverteu a trajetória logo em seguida, chegando à máxima intraday às 13h, R$ 3,8886 (+ 0,91%).

À tarde, o alívio na queda do preço do barril de petróleo ajudou moedas ligadas a commodities a reduzirem movimento de desvalorização frente ao dólar. Os contratos de petróleo para janeiro negociados na Nymex tinham queda de 0,27%, e na ICE, de 1,26%.

Ante emergentes, o dólar tinha alta significativa, acima de 1% nos casos das divisas turca, sul africana e russa. E subia 0,50%, às 17h, frente ao índice DXY, que mede uma cesta de moedas fortes. Após ter perdido fôlego globalmente nos últimos dois dias, com o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, indicando que o aperto monetário pode estar próximo do fim, a moeda voltou a ganhar força. Favorece a alta um ambiente de cautela na expectativa da reunião do G-20 e possíveis desdobramentos positivos em relação às tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

A grande expectativa dos investidores é em relação à reunião entre os presidentes americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jinping, que deve ocorrer neste sábado. Ainda que não se espere um acordo em relação às tarifas comerciais, há uma percepção de que o encontro frente a frente entre os dois dirigentes pode resultar em sinalizações na direção de um entendimento.

"Existe um retranca em relação à expectativa com o G-20, mas foi o petróleo quem determinou a movimentação intraday na tarde de desta sexta-feira", aponta um operador.

Para o próximo mês, a expectativa é que a pressão de alta prossiga, por motivos sazonais. Isso porque, durante meses de dezembro é comum o envio de remessas por parte de multinacionais à sede e, ainda, a volta de fundos a seus países de origem para fechamento de balanço. "O próximo mês a movimentação é maior, a procura por dólares é maior por conta do envio de remessas. Então, existe pressão de alta", aponta o operador de câmbio da corretora Intercam, Glauber Romano.

O dólar para janeiro, fechou em R$ 3,8640, alta de 0,10%. O volume de negócios para janeiro foi de US$ 22,86 bilhões. O volume no mercado à vista foi de US$ 2,37 bilhões. 

Bolsa 

O Índice Bovespa teve um pregão de instabilidade nesta sexta-feira e por pouco não emplacou sua quarta alta consecutiva. Depois de ter subido 4,87% em três dias de ganhos e de ter renovado seu pico histórico, desta sexta-feira, o índice alternou altas e baixas ao longo de todo o pregão e acabou por fechar em baixa de 0,23%, aos 89.504,03 pontos. Os negócios somaram R$ 19,4 bilhões, inflados pelos ajustes da carteira do MSCI Brasil, que geraram maior movimentação ao longo do dia.

Mesmo com o resultado desta sexta-feira, o Ibovespa encerrou novembro com ganho de 2,38%. Assim como aconteceu em outubro, a valorização do mês foi sustentada por investidores domésticos, uma vez que o fluxo de saída do capital externo na Bolsa foi mantido em novembro. Enquanto o estrangeiro segue em postura cautelosa, o local apostou na melhora do cenário doméstico no curto prazo.

Para Eduardo Magalhães, especialista em ações da Levante Investimentos, a confiança do investidor foi alimentada recentemente por fatores importantes para o mercado, como o tom mais ameno do Federal Reserve e a divulgação de nomes da equipe econômica do governo eleito, que foram bem recebidos pelos investidores. 

"A sinalização do Fed foi um importante acontecimento, que levou o juro do Treasury (de 10 anos) a cair abaixo de 3%. Apesar de o investidor estrangeiro ainda não ter voltado ao mercado, essa é uma sinalização importante", afirmou. Internamente, disse, "os nomes anunciados para Banco Central, BNDES, Petrobras, Banco do Brasil e Caixa têm todos uma orientação bastante pró-mercado, alinhados a uma agenda liberal. Tudo isso é muito positivo."

Guimarães ressaltou ainda dos resultados das empresas no terceiro trimestre, que ficaram 16% acima dos registrados no período anterior, reforçando a estimativa de retomada gradual da economia. A alta no mês também aconteceu em meio a uma forte volatilidade dos preços das commodities, observa o analista. Na contramão do Ibovespa, os papéis da Petrobras encerraram novembro com perdas de 6,93% (ON) e de 7,51% (PN). No dia, essas ações subiram 1,01% e 1,15%, respectivamente.

Outro fator positivo são os indicadores econômicos divulgados no mês, que apontaram para uma recuperação gradual da economia. O mais recente foi o Produto Interno Bruto (PIB), que cresceu 0,8% no terceiro trimestre, resultado idêntico à mediana (0,80%) das estimativas dos analistas de 30 instituições consultados pelo Projeções Broadcast. 

No varejo, um importante termômetro do aquecimento econômico foram as vendas da Black Friday, que cresceram 4,7% em 2018 ante 2017, segundo dados divulgados nesta semana pela Boa Vista SCPC. O avanço superou a projeção da empresa, de alta de 4,5%. Não à toa que o IConsumo (ICON), índice da B3 que reúne empresas de consumo e varejo, terminou novembro com ganho superior ao do Ibovespa, com 4,08%.

No pregão de desta sexta-feira, as altas mais significativas ficaram principalmente com as ações do setor de commodities. Além de Petrobras, subiram Vale ON (+1,54%) e as siderúrgicas, com destaque para Usiminas PNA (+4,12%). Suzano ON avançou 5,03%, como reflexo da conclusão da fusão com a Fibria. As ações do setor financeiro passaram por ajustes e terminaram o dia em queda, o que conteve a alta do Ibovespa no final dos negócios. Bradesco ON, por exemplo, fechou na mínima do dia, em baixa de 2,98%.

Pela manhã, o Ibovespa chegou a subir 0,60%, atingindo recorde intraday de 90.246 pontos. Na análise gráfica da corretora Itaú BBA, o Ibovespa segue em busca de romper a resistência dos 89.600 pontos. A tendência de alta se mantém e, uma vez superada a primeira resistência, o índice deve buscar os 91.700 e 95.300 pontos. 

O saldo dos investidores estrangeiros em novembro está negativo em R$ 3,757 bilhões até o dia 28. Em 2018, o saldo de capital estrangeiro na B3 está negativo em R$ 9,666 bilhões. No mercado futuro de Ibovespa, os estrangeiros mantinham na última quinta-feira posição vendida em 117.670 contratos. 

Fonte: Estadão

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