Wall Street despenca e índices têm maiores quedas desde março

Publicado em 07/12/2018 18:55 e atualizado em 08/12/2018 04:20
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(Reuters) - As bolsas de valores dos Estados Unidos afundaram nesta sexta-feira com vendas generalizadas de ações de tecnologia. O índice S&P 500 teve a maior queda semanal desde março, uma vez que receios sobre as tensões comerciais EUA-China e a trajetória dos juros abalaram Wall Street.

O Dow Jones caiu 2,24 por cento, para 24.388 pontos, o S&P 500 perdeu ou 2,33 por cento, a 2.633 pontos e o Nasdaq recuou 3,05 por cento, para 6.969 pontos.

O S&P 500 praticamente apagou todos os seus ganhos de uma semana atrás, quando teve o maior ganho semanal em sete anos.

Após uma trégua firmada no fim de semana entre Washington e Pequim, as negociações na bolsa tiveram forte volatilidade durante toda a semana, à medida que investidores buscavam sinais de que as nuvens da tensão comercial se dissipariam.

Mas o receio com a tensão comercial EUA-China voltou após comentários de Peter Navarro, assessor econômico da Casa Branca, de que autoridades dos EUA aumentarão tarifas se os países não conseguissem fechar um acordo durante os 90 dias de negociações.

Além do comércio, Wall Street tem focado no rendimento dos títulos e a direção da política monetária do Federal Reserve, com alguns investidores esperando um ritmo mais lento de aumentos do que imaginado anteriormente.

"É uma crise de confiança na situação comercial, o que vai acontecer e talvez um pouco da crise de confiança no Fed, diante da velocidade com que tiveram que mudar de tom", disse Walter Todd, chefe de investimentos na Greenwood Capital Associates.

As ações de tecnologia despencaram, com o setor de tecnologia do S&P 500 caindo 3,5 por cento. Ações do setor de saúde, o maior ganhador entre os grandes setores do S&P 500 neste ano, recuaram 2,5 por cento.

A média móvel de 50 dias do S&P 500 caiu abaixo da média móvel de 200 dias, um fenômeno conhecido como "cruz da morte" e que alguns observadores do mercado veem como sinal de mercado em baixa no curto prazo.

Na semana, o Dow caiu 4,5 por cento, o S&P 500 recuou 4,6por cento e o Nasdaq perdeu 4,9 por cento.

Ibovespa fecha em queda com piora em NY por preocupações com economia dos EUA

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, na esteira de fortes perdas de Wall Street por receios sobre a saúde da economia dos Estados Unidos após dados mais fracos do que o esperado sobre o mercado de trabalho do país em novembro.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,82 por cento, a 88.115,07 pontos. O volume financeiro do pregão somou 13,84 bilhões de reais.

Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 1,55 por cento.

Dados de criação de empregos e renda dos trabalhadores nos EUA em novembro mostraram desaceleração acima do esperado por analistas ante outubro, corroborando perspectivas de moderação no processo de alta dos juros, mas também de acomodação no ritmo da economia.

No Twitter, Mohamed A. El-Erian, economista na Allianz, citou que o relatório de emprego dificilmente adiará uma nova alta no juro norte-americano neste mês, mas deve ser outro fator para uma revisão para baixo no ritmo de aumentos à frente.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do banco central norte-americano realiza a última reunião de política monetária do ano em 18 e 19 de dezembro.

No primeiro momento, a bolsa paulista reagiu positivamente aos dados, uma vez que juros menores nos EUA podem estimular fluxo de recursos para mercados emergentes, mas perdeu força, conforme Wall Street aprofundou perdas diante de preocupações com o risco de uma desaceleração mais acentuada à frente.

Nos EUA, o S&P 500 e o Dow Jones recuavam cerca de 2 por cento perto do final da sessão.

"O mercado está se dando a conta de que a economia norte-americana tende a reduzir o ritmo de crescimento nos próximos anos e os dados do mercado de trabalho de novembro reforçaram esse cenário", disse o gestor Henrique Bredda, da Alaska Asset Management, que tem sob gestão cerca de 7,5 bilhões de reais.

Ele acrescentou, contudo, que tal cenário pode endossar uma migração de recursos de ativos de mercados desenvolvidos para mercados emergentes e que a bolsa brasileira pode ter um desempenho melhor do que as norte-americanas.

"Podemos até andar na mesma direção, mas a tendência é se distanciar aos poucos - enquanto o S&P 500 cai 2 por cento, o Ibovespa recua 1 por cento; e quando o S&P 500 subir 1 por cento, o Ibovespa tende a avançar 2 por cento", disse Bredda.

Declarações de membros do Federal Reserve reforçaram a cautela, entre eles as de Lael Brainard, que apoiou aumentos de juros "no curto prazo", mas disse que alguns impulsos econômicos estavam diminuindo e que os riscos estavam crescendo, inclusive no exterior, e nos mercados de dívida corporativa.

O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, por sua vez, disse que há um "risco real" de a curva de rendimentos dos Treasuries se inverter neste mês e defendeu uma pausa nas altas de juros, em parte para evitar essa inversão. Ele será membro votante nas decisões de juros dos EUA em 2019.

"Para os mercados emergentes (Brasil incluído), política monetária menos restritiva é uma força construtiva, mas desaceleração de crescimento atrapalha. Qual dessas variáveis vai dominar é uma questão em aberto", citou a equipe da Verde Asset Management, liderada Luiz Stuhlberger, em nota a clientes.

DESTAQUES

- VALE caiu 1,93 por cento, contaminada por preocupações com o cenário frágil da trégua comercial entre EUA e China, além do risco de desaquecimento norte-americano, com efeitos em outras economias. Papéis de siderúrgicas acompanharam a queda, com CSN caindo 3,34 por cento.

- ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,81 por cento, em meio a deterioração generalizada na bolsa, com o rival BRADESCO PN cedendo 0,47 por cento. BANCO DO BRASIL perdeu 0,77 por cento, mas SANTANDER BRASIL UNIT fechou com variação positiva de 0,07 por cento.

- PETROBRAS PN avançou 0,73 por cento e PETROBRAS ON subiu 1,64 por cento, embaladas pela alta do petróleo, com o barril de Brent subindo mais 5 por cento no melhor momento, em meio a acordo entre os maiores produtores do Oriente Médio na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia para reduzir a produção.

- ELETROBRAS ON e ELETROBRAS PNB avançaram 2,26 e 1,18 por cento, respectivamente, tendo após reportagens sobre interesse pelo leilão da distribuidora da companhia no Amazonas, previsto para a próxima segunda-feira, bem como uma eventual privatização da elétrica de controle estatal.

Fonte: Reuters

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