Trump, observando turbulência francesa, sugere fim do pacto de mudança climática

Publicado em 08/12/2018 20:02
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WASHINGTON, 8 Dez (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar sobre os confrontos entre a polícia e manifestantes "coletes amarelos" em Paris, disse neste sábado que pode ser a hora de acabar com o acordo de Paris sobre mudança climática.

"Dia e noite muito tristes em Paris", disse o presidente em uma mensagem divulgada no Twitter. "Talvez seja a hora de acabar com o ridículo e extremamente caro Acordo de Paris e devolver o dinheiro para as pessoas na forma de impostos mais baixos?", questionou.

'Coletes amarelos' fazem nova manifestação na França; polícia prende mais de mil (no ESTADÃO)

PARIS - A polícia francesa disparou bombas de gás lacrimogêneo nos “coletes amarelos” que se manifestavam no centro de Paris neste sábado, 8, no início de uma manifestação planejada contra o alto custo de vida sob o governo do presidente Emmanuel Mácron.

De acordo com o ministro do Interior, Laurent Nuñez, cerca de 31 mil membros dos coletes amarelos protestam em todo o país. Mais de mil pessoas foram detidas neste sábado, o quarto consecutivo de manifestações desse coletivo antigoverno.

ctv-576-coletes1 Policiais entram em confronto com manifestantes. EFE/EPA/IAN LANGSDON

Em Paris, onde houve conflitos entre manifestantes e policiais, pelo menos 8 mil pessoas participavam dos protestos e 651 foram detidas, disse Nuñez à emissora France 2. Estes números são similares aos da semana passada. 

A atuação dos agentes antidistúrbio começou por volta das 9 horas (6 horas em Brasília), quando um grupo de manifestantes foi impedido de passar pela avenida Champs-Elysées a partir de um determinado ponto, perto do Palácio do Eliseu.

Cerca de uma hora depois, os agentes utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar as dezenas de coletes amarelos que tentavam de entrar pela rua Arsène Houssaye, adjacente à Champs-Elysées.

Centenas de manifestantes estavam em volta do Arco do Triunfo, que foi desfigurado com grafites no último sábado, quando manifestantes também incendiaram carros e saquearam lojas.

“Faremos tudo que pudermos para que hoje possa ser um dia sem violência, para que o diálogo que começamos nesta semana possa continuar nas melhores circunstâncias possíveis”, disse o primeiro-ministro Edouard Philippe na televisão francesa.

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Protestos dos coletes amarelos na França

Na terça-feira, Philippe anunciou que o governo suspenderia os aumentos planejados para os impostos de combustível por pelo menos seis meses para ajudar a neutralizar semanas de protestos, a primeira reviravolta de Macron desde que chegou ao poder há 18 meses.

Mais de 89 mil policiais foram mobilizados em toda a França neste sábado, cerca de 8 mil deles em Paris. “Preparamos uma resposta robusta”, disse o ministro do Interior, Christophe Castaner, ao site de notícias online Brut. Ele pediu aos manifestantes pacíficos para não se misturarem aos “hooligans”.

“Os encrenqueiros só podem ser eficazes quando se disfarçam de coletes amarelos. A violência nunca é uma boa maneira de conseguir o que você quer. Agora é hora de discutir”, disse ele.

“Se você não for agressivo, não seremos agressivos”, disse um policial mascarado enquanto um manifestante colocava flores amarelas de plástico em policiais. 

Pela primeira vez em mais de 40 anos, as forças da ordem em Paris contam com 12 blindados da gendarmaria que podem ser utilizados para atravessar barricadas.

A cidade se protegeu diante do temor da violência: estão fechados os principais museus e monumentos (como a torre Eiffel e o Louvre), diversas lojas de departamento e comércios, além de aproximadamente 40 estações de trem e metrô.

As ações dos manifestantes por toda a França começaram há três semanas, em razão do anúncio de que haveria aumento nos impostos sobre combustíveis, em especial do diesel. A medida, que iria passar a valer a partir de 1º de janeiro, foi adiada por Philippe, mas os protestos contra o governo continuaram.

Polícia francesa entra em conflito com manifestantes do 'colete amarelo' em Paris

Uma porta-voz da polícia disse a repórteres que havia cerca de 1.500 manifestantes na avenida Champs-Élysées e autoridades disseram que 211 pessoas foram presas depois que a polícia encontrou armas, como martelos, tacos de beisebol e bolas de metal.

Centenas de manifestantes estavam em volta do monumento do Arco do Triunfo, que foi desfigurado com grafites no último sábado, quando manifestantes também incendiaram carros e saquearam lojas.

"Faremos tudo que pudermos para que hoje possa ser um dia sem violência, para que o diálogo que começamos nesta semana possa continuar nas melhores circunstâncias possíveis", disse o primeiro-ministro Edouard Philippe na televisão francesa.

Na terça-feira, Philippe anunciou que o governo estava suspendendo os aumentos planejados para os impostos de combustível por pelo menos seis meses para ajudar a neutralizar semanas de protestos, a primeira reviravolta de Macron desde que chegou ao poder há 18 meses.

Cerca de 89.000 policiais foram mobilizados em toda a França no sábado, cerca de 8.000 deles em Paris.

"Preparamos uma resposta robusta", disse o ministro do Interior, Christophe Castaner, ao site de notícias online Brut. Ele pediu aos manifestantes pacíficos para não se misturarem aos "hooligans".

"Os encrenqueiros só podem ser eficazes quando se disfarçam de coletes amarelos. A violência nunca é uma boa maneira de conseguir o que você quer. Agora é hora de discutir", disse ele.

"Se você não for agressivo, não seremos agressivos", disse um policial mascarado enquanto um manifestante colocava flores amarelas de plástico em policiais.

Polícia belga prende centenas de manifestantes "coletes amarelos"

BRUXELAS (Reuters) - A polícia belga deteve mais de 400 pessoas neste sábado depois que manifestantes "coletes amarelos", inspirados por tumultos na França, atiraram pedras e fogos de artifício e danificaram lojas e carros enquanto tentavam chegar aos prédios oficiais em Bruxelas.

Na segunda violência do gênero na capital, em oito dias, uma multidão, que a polícia estimou em cerca de mil, enfrentou esquadrões anti-motim que usavam canhões de água e gás lacrimogêneo para manter as pessoas longe da sede da União Europeia e do bairro do governo belga. A calma foi restaurada após cerca de cinco horas.

O movimento na Bélgica, inspirado nos "gilets jaunes", ou "coletes amarelos", que protestam na França, deu voz a queixas sobre o custo de vida e exigiu a remoção do governo de coalizão de centro-direita da Bélgica, seis meses antes que uma eleição nacional seja realizada em maio.

Negociadores da ONU sobre o clima sofrem com detalhes, enquanto o prazo se aproxima

Por Barbara Lewis e Anna Koper

KATOWICE, Polônia (Reuters) - Na metade do caminho de conversas cruciais para revitalizar o Acordo de Paris, negociadores discutem como dividir o custo de conter o aquecimento global e sofrem para reduzir um texto amplo. 

As duas semanas de negociações, que começaram no início da semana, são anunciadas como a conferência mais importante da ONU desde o acordo de Paris sobre as mudanças climáticas em 2015.

O objetivo é cumprir um prazo no fim do ano para acordar um livro de regras sobre como aplicar os limites ao aquecimento global. 

Ao fim do sábado, negociadores buscam ter um rascunho simplificado para o debate no alto escalão dos ministérios, que começa na segunda-feira. 

"Ainda temos muito a fazer", disse o presidente polonês das conversações da ONU, Michael Kurtyka, em uma entrevista coletiva. "É muito técnico, muito complexo, muito difícil". 

O desafio é garantir que qualquer livro de regras concordado em Katwice seja acompanhado por ambição e resolver tensões profundas entre os país desenvolvidos e o mundo em desenvolvimento sobre como financiar a mudança. 

"Estamos no período inicial, então todo mundo está aquecendo os músculos. Não é hora de concessões ainda", disse um delegado, sob a condição de anonimato. 

Delegados afirmam que um grande problema é como fornecer garantias aos países em desenvolvimento de promessas de financiamento futuro de países ricos. 

"Essas conversas são uma questão de regras para regras: regras de ação como a redução de emissões em troca de regras sobre a previsibilidade do financiamento para os países em desenvolvimento", disse Mohamed Adow, líder do grupo internacional Christian Aid.

Ele disse que ainda há cerca de 800 parênteses no texto, indicando pontos de desacordo, mas isso se compara com quase 3.000 antes do início das negociações em Katowice.

As preocupações territoriais também complicaram a discussão.

A polícia francesa disse que mais de 30 mil pessoas se manifestaram e mais de 30 pessoas ficaram feridas no segundo sábado consecutivo de violência em Paris.

Os manifestantes belgas vestindo os coletes fluorescentes amarelos levados por todos os motoristas para emergências também bloquearam brevemente uma rodovia perto da fronteira da Bélgica com a França.

Fonte: Reuters/Estadão

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