China exige que Canadá solte executiva de Huawei ou enfrente consequências

Publicado em 08/12/2018 20:08 e atualizado em 09/12/2018 11:30
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PEQUIM/OTTAWA (Reuters) - A China alertou o Canadá de que haverá sérias consequências se o país não libertar imediatamente a vice-presidente financeira da Huawei Technologies, classificando o caso como “extremamente desagradável“.

    Meng Wanzhou, chefe financeira global da fabricante de equipamentos para telecomunicações e celulares Huawei, foi presa no Canadá em 1º de dezembro e pode ser extraditada para os Estados Unidos, sob acusações de que encobriu ligações da empresa com uma companhia que tentou vender equipamentos para o Irã, em violação de sanções econômicas que pesam sobre o país. A executiva é filha do fundador da Huawei.

    Se for extraditada para os EUA, Meng pode ser acusada de conspiração para fraudar instituições financeiras, com penas que podem chegar a 30 anos para cada delito.

    Ainda não houve decisão na audiência de extradição mesmo após seis horas de argumentação, e a próxima sessão ocorrerá na segunda-feira.

    Em um curto comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o vice-chanceler, Le Yucheng, emitiu um alerta para a libertação de Meng para o embaixador do Canadá em Pequim, que foi convocado para a expressão de um “forte protesto”.

    Adam Austen, porta-voz da ministra das Relações Exteriores do país, Chrystia Freeland, afirmou no sábado que “não há nada para dizer além do que já foi dito pela ministra”. Ela disse na sexta-feira que as relações com a China são muito importantes, e que Meng terá acesso a serviços consulares.

    Quando perguntado sobre a deterioração das relações entre os dois países, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, afirmou que o Canadá tem elos muito bons com Pequim.

    De acordo com o vice-chanceler chinês, a prisão de Meng a pedido dos Estados Unidos, enquanto ela trocava de avião em Vancouver, foi uma grave violação de seus direitos.

    “A China fortemente exige que o Canadá liberte imediatamente a pessoa detida, e proteja seus legítimos direitos, caso contrário o Canadá deverá aceitar toda a responsabilidade por todas as consequências causadas”, disse ele em comunicado.

    Neste domingo, o jornal oficial do Partido Comunista publicou que ninguém deve subestimar a determinação do país nesse caso.

    “Somente se os canadenses corrigirem seu erro e pararem imediatamente de infringir os legítimos direitos de uma cidadã chinesa, e deem uma explicação apropriada ao povo chinês, só assim evitarão pagar um alto preço por isso”, disse o jornal em editorial.

    A prisão de Meng ocorreu no mesmo dia em que o presidente norte-americano, Donald Trump, encontrou-se com o seu colega chinês, Xi Jinping, na Argentina, durante a cúpula do G20, na tentativa de resolver uma crescente guerra comercial iniciada por Washington.

China alerta Canadá de consequências se não libertar CFO da Huawei 

PEQUIM, 8 Dez (Reuters) - A China alertou o Canadá neste sábado de que o país sofreria sérias consequências se não libertar imediatamente a diretora financeira da Huawei Technologies Co. LTD's, chamando o episódio de "extremamente desagradável".

Meng Wanzhou, diretora financeira global da Huawei, foi presa no Canadá em 1º de dezembro e enfrenta extradição para os Estados Unidos, que alega ter descoberto que ela acobertava as ligações de sua empresa com uma companhia que tentou vender equipamentos para o Irã, apesar das sanções.

A executiva também é a filha do fundador da Huawei.

Se for extraditada para os Estados Unidos, Meng pode enfrentar acusações de conspiração para fraudar várias instituições financeiras, disse um tribunal canadense na sexta-feira, com uma sentença máxima de 30 anos para cada acusação.

Nenhuma decisão foi tomada na audiência de extradição, após seis horas de argumentações e contra-argumentações, e a audiência foi adiada para segunda-feira.

Em um comunicado curto, o ministro das Relações Exteriores da China disse que o seu vice-ministro, Le Yucheng, havia emitido o alerta para liberar Meng para o embaixador canadense em Pequim, convocando-o para apresentar um "forte protesto".

Adam Austen, porta-voz da chanceler canadense, Chrystia Freeland, disse neste sábado que "não há nada a acrescentar além do que a ministra disse ontem".

Freeland disse a repórteres na sexta-feira que o relacionamento com a China é importante e valorizado, e o embaixador do Canadá em Pequim assegurou à China que o acesso consular será fornecido a Meng.

Quando perguntado sobre a possível reação chinesa após a prisão da CFO da Huawei, o primeiro-ministro Justin Trudeau disse a repórteres na sexta-feira que o Canadá tem um relacionamento muito bom com Pequim.

A prisão de Meng no Canadá, a pedido dos Estados Unidos, enquanto ela trocava de aviões em Vancouver, foi uma séria violação dos seus direitos, disse Le.

A medida "ignorou a lei, não foi razoável", e, na sua própria natureza, "foi extremamente desagradável", acrescentou.

"A China pede veementemente que o Canadá liberte imediatamente a pessoa presa e protege seriamente seus direitos legais e legítimos, do contrário, o Canadá precisa aceitar total responsabilidade pelas sérias consequências causadas”.

O comunicado não entrou em detalhes.

"Haverá provavelmente um profundo congelamento em visitas e trocas com chineses no alto nível", disse o ex-embaixador canadense na China, David Mulroney, na sexta-feira.

"A habilidade para falar sobre livre comércio será colocada na geladeira por um tempo. Mas vamos ter que viver com isso. Esse é o preço de lidar com um país como a China."

A prisão de Meng aconteceu no mesmo dia em que o presidente americano Donald Trump encontrou-se com Xi Jinping, na Argentina, para buscar maneiras de resolver uma cada vez pior guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Exportações e importações chinesas em novembro crescem bem menos do que projeções

PEQUIM (Reuters) - As exportações chinesas denominadas em dólar em novembro cresceram 5,4 por cento em relação a um ano antes, enquanto as importações avançaram 3 por cento, ambas muito abaixo das expectativas dos analistas, mostraram dados oficiais divulgados neste sábado.

Isso deixou o país com um superávit comercial de 44,74 bilhões de dólares no mês, disse a Administração Geral da Alfândega.

Analistas consultados em pesquisa Reuters esperavam que os embarques do maior exportador mundial tivessem crescido 10 por cento. As exportações haviam aumentado 15,6 por cento em outubro.

Havia expectativa de alta de 14,5 por cento nas importações, após avançarem 21,4 por cento em outubro.

Os analistas esperavam que o superávit comercial da China se mantivesse estável em novembro, em 34 bilhões de dólares, ante 34,02 bilhões de dólares em outubro.

Com a perspectiva de exportação turvada pelas tarifas norte-americanas e a economia chinesa em ritmo mais fraco desde a crise financeira global, os formuladores de políticas em Pequim recentemente voltaram seu foco para medidas de estímulo ao crescimento, incluindo reduções fiscais e maior apoio a empresas privadas.

     Na Argentina, no último fim de semana, os presidentes Donald Trump e Xi Jinping concordaram com uma trégua de 90 dias que adiou o aumento para 25 por cento nas tarifas americanas de 10 por cento aplicadas contra 200 bilhões de dólares em bens chineses enquanto negociavam um acordo comercial.

Índice de preços ao produtor na China sobe 2,7% em novembro sobre um ano antes

PEQUIM (Reuters) - O índice de preços ao produtor na China (PPI) subiu 2,7 por cento em novembro sobre um ano antes, desacelerando ante os 3,3 por cento registrados no mês anterior, segundo dados do departamento nacional de estatísticas (NBS), publicados no domingo.

 

Analistas consultados pela Reuters já esperavam que o indicador recuasse para 2,7 por cento no mês passado.

O índice de preços ao consumidor na China (CPI) subiu 2,2 por cento em novembro na comparação anual, abaixo das expectativas do mercado, de 2,4 por cento. Em outubro, o indicador subiu 2,5 por cento e a meta de Pequim para 2018 é de 3 por cento.

Fonte: Reuters

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