MPF remete ao MP-RJ relatório com movimentação de ex-assessor de Flávio Bolsonaro para eventuais apurações

Publicado em 10/12/2018 21:57
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RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Ministério Público Federal (MPF) remeteu nesta segunda-feira ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) uma cópia do relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com indícios de movimentações de recursos incompatíveis com rendimentos declarados por profissionais da Assembleia Legislativa (Alerj), incluindo assessores de deputados estaduais.

Neste relatório consta a movimentação atípica de 1,2 milhão de reais na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Na semana passada, Flávio disse ter ficado incomodado e surpreso com o tema, mas que o ex-assessor ainda goza de sua confiança. O parlamentar disse que Queiroz está pronto para dar as explicações às autoridades e provar a legalidade da movimentação financeira.

Nota do Ministério Público Federal explica que o relatório do Coad tinha sido encaminhado espontaneamente pelo órgão e serviu de base para as investigações envolvendo deputados estaduais investigados na Operação Furna da Onça.

"No entanto, como o documento indicava a existência de movimentações atípicas de outras pessoas que não eram alvos da referida operação, o MPF na 2ª Região (RJ/ES), diante da ausência de indícios que justificassem alguma apuração em âmbito federal relacionados a tais nomes, remeteu o material ao MP-RJ, para que o órgão apure eventuais ilícitos de competência estadual cometidos na Alerj", diz a nota.

Segundo reportagens, Queiroz teria também feito um depósito de 24 mil reais para a futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

O presidente eleito disse que conhece Queiroz desde 1984 e tem uma amizade próxima.

“Eu já o socorri financeiramente em outras oportunidades. Nessa última agora houve um acúmulo de dívida e ele resolveu me pagar... em 10 cheques de 4 mil reais", disse Bolsonaro no sábado. "Tenho dificuldade para ir em banco e deixei para minha esposa.”

“Lamento o constrangimento que ele está passando, mas ninguém dá dinheiro sujo com cheque nominal. Espero que ele se explique", disse.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

Liga Árabe diz a Bolsonaro que mudança de embaixada em Israel pode prejudicar relações

BRASÍLIA (Reuters) - A Liga Árabe alertou o presidente eleito Jair Bolsonaro em uma carta que a transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém poderia prejudicar as relações com os países árabes, disse um diplomata na segunda-feira.

A carta a Bolsonaro do secretário-geral da liga, Ahmed Aboul-Gheit, foi entregue ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, segundo o diplomata árabe que pediu para não ser identificado.

Embaixadores de nações árabes se reunirão em Brasília na terça-feira para discutir o plano de Bolsonaro de seguir a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de transferir a embaixada de Tel Aviv e reconhecer que Jerusalém é a capital de Israel.

Tal movimento seria uma forte mudança na política externa brasileira, que tradicionalmente apoia uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino.

"O mundo árabe tem muito respeito pelo Brasil e queremos não apenas manter as relações, mas também melhorá-las e diversificá-las. Mas a intenção de transferir a embaixada para Jerusalém pode prejudicá-las", disse o diplomata.

O Brasil é um dos maiores exportadores de carne halal do mundo e esse comércio pode enfrentar problemas se Bolsonaro irritar os países árabes com a transferência da embaixada. Isso poderia afetar fortemente as exportações para os principais mercados do Oriente Médio das empresas BRF e JBS.

O lobby dos exportadores de carne tem pressionado o presidente eleito a não fazer isso, e ele pareceu ter mudado de ideia.

Mas seu filho Eduardo Bolsonaro disse durante uma recente visita a Washington que a mudança da embaixada "não é uma questão de se, mas de quando", em uma declaração após visitar o genro de Trump, Jared Kushner, na Casa Branca.

Fonte: Reuters

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