Polícia Federal na casa de Aécio; PF apura propina da JBS no valor de R$ 110 milhões

Publicado em 11/12/2018 06:51 e atualizado em 12/12/2018 03:34
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A procura de documentos faz parte de operação baseada em delações de Joesley Batista e Ricardo Saud. Os executivos do grupo J&F relataram repasse de propina de quase R$ 110 milhões ao senador.(G1)

Equipes da Polícia Federal e do Ministério Público cumprem, na manhã desta terça-feira (11), mandados de busca e apreensão em imóveis no Rio de Aécio Neves (PSDB) e da irmã dele, Andréa Neves.

Agentes estão em prédio de luxo na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, onde o senador e deputado federal eleito tem residência. Equipe também está em um imóvel em Copacabana, que seria de Andréa.

A procura de documentos faz parte de operação baseada em delações de Joesley Batista e Ricardo Saud. Os executivos do grupo J&F relataram repasse de propina de quase R$ 110 milhões ao senador Aécio Neves.

Outros alvos desta operação é Paulo Pereira da Silva, Paulinho da Força, presidente nacional do partido Solidariedade, e empresários que emitiram notas fiscais frias para Aécio.

A operação no Rio é braço de investida que ocorre em São Paulo (capital e interior), Minas Gerais, Brasília, Bahia e Rio Grande do Norte e decorre do inquérito 4519, que tem como relator no Supremo Tribunal Federal, o ministro Marco Aurélio.

Segundo a PF, o senador Aécio Neves comprou apoio político do Solidariedade, por R$ 15 milhões, e empresários paulistas ajudaram com doações de campanha e caixa 2, por meio de notas frias.

O Antagonista apurou que a operação da Polícia Federal hoje é um desdobramento da delação dos executivos da JBS.

Estão sendo cumpridos 28 mandados de busca e apreensão, além é intimações – pedidos de prisao foram negados pelo ministro Marco Aurelio.

A PF está vasculhando a casa de Aécio Neves à procura de documentos que comprovem o repasse de 110 milhões de reais delatado por Joesley Batista e Ricardo Saud.

O pedágio bolsonarista (por MERVAL PEREIRA, em O GLOBO)

A suspeita é que Flávio Bolsonaro tenha cobrado um pedágio de seus funcionários na Assembleia Legislativa.

Diz Merval Pereira:

“A explicação do presidente para vários depósitos, num total de R$ 24 mil, para a futura primeira-dama Michelle, é plausível: tratar-se-ia de pagamento de um empréstimo, que não foi declarado no Imposto de Renda. Até aí, nada grave.

É normal ajudar funcionários em dificuldade, e receber pagamentos parcelados, tudo de maneira informal. Não declarar no IR pode ser uma falha, nunca um crime.

A coisa começa a pegar quando o presidente, e seu futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, consideram que, com a explicação, o caso sai de suas alçadas e vai para a do próprio Fabrício.

Nem mesmo do filho Flávio é cobrada qualquer explicação para a movimentação de dinheiro de seus funcionários na Assembleia Legislativa, onde atuava como deputado estadual.

É claro que, mesmo que tenha dado uma explicação para o caso de sua mulher, o comportamento dos filhos alcança o presidente, assim como as acusações contra Lulinha alcançam Lula, mesmo que as quantias conhecidas sejam consideravelmente menores.

À boca pequena sabe-se, sem que tenha sido investigado e comprovado ainda, que parlamentares de maneira geral, com raras exceções, e em todos os níveis de representação, costumam, e não é de hoje, cobrar um pedágio de seus funcionários.”

A façanha de errar de véspera (editorial do ESTADÃO)

Explicações de Jair Bolsonaro & família, em vez de esclarecer, geram mais suspeitas

O governo de Jair Bolsonaro & família ainda não começou, mas tem conseguido a façanha de errar antes da estreia, com explicações que, em vez de explicarem e esclarecerem, geram mais suspeitas. É lamentável o modo como Jair Bolsonaro e sua equipe vêm tratando o caso relativo ao ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente eleito.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectou movimentação atípica, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, no valor de R$ 1,2 milhão, feita por Fabrício Queiroz, policial militar que, até 15 de outubro, estava lotado no gabinete de Flávio Bolsonaro. Segundo o Coaf, as movimentações são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor parlamentar.

O documento do Coaf foi anexado pelo Ministério Público Federal (MPF) à investigação que deu origem à Operação “Furna da Onça”, deflagrada no mês passado e que levou à prisão dez deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Entre as transações listadas, consta a compensação de um cheque de R$ 24 mil em favor da mulher do presidente eleito, Michelle Bolsonaro.

Em relação a esse cheque, Jair Bolsonaro disse que era o pagamento de uma dívida de Queiroz, e que não a declarara ao Imposto de Renda porque os repasses foram crescendo. “O empréstimo foi se avolumando e eu não posso, de um ano para o outro, (colocar) mais R$ 10 mil, mais R$ 15 mil. (...) Foi na (conta) da minha esposa, pode considerar na minha. Só não foi na minha por uma questão de mobilidade”, disse Jair Bolsonaro. Como se esclarecesse definitivamente o assunto, o presidente eleito ainda afirmou que “ninguém recebe ou dá dinheiro sujo com cheque nominal” e que sobre “a conta do Queiroz não tenho nada a falar”. Questionado pelo Estado sobre a movimentação financeira considerada atípica, Queiroz respondeu que não sabe “nada sobre o assunto”.

Não bastasse a falta de clareza em tema tão sensível, o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tratou o caso como se fosse perseguição da imprensa contra Jair Bolsonaro. “Quero pedir para a imprensa que nos acompanha, por favor, uma trégua, em nome do Brasil”, disse Onyx Lorenzoni na sexta-feira passada.

“Algumas áreas da imprensa brasileira abriram francamente um terceiro turno. Temos nossas limitações, nossas dificuldades. Vamos fazer um grande pacto. Não ganhamos carta em branco. Sabemos que temos oposição. Temos tido todo respeito do ponto de vista do futuro do nosso país. A partir do dia 1.° de janeiro, quando o governo assumir e tiver diretriz, aí sim, se estiver errado, critica”, afirmou Lorenzoni.

É preocupante a confusão feita por ele. A governabilidade exige clareza de informações e não comporta explicações pela metade, muito menos por parte de quem se elegeu proclamando a alvorada da honestidade na política. Não há nenhuma tentativa de terceiro turno. O presidente eleito para assumir o Palácio do Planalto no dia 1.º de janeiro de 2019 é Jair Bolsonaro e, justamente por isso, deve à população explicações consistentes, bem fundamentadas, sobre assunto que afeta sua família, que teve e tem grande influência sobre a política nacional. Eleito com a bandeira de uma nova moralidade pública – repetimos –, Jair Bolsonaro não pode deixar dúvidas sobre a lisura de seus familiares no trato de dinheiro.

Pedir trégua à imprensa, atribuindo o caso a uma injusta perseguição, beira a irresponsabilidade. Além de revelar completo desconhecimento do papel da imprensa num Estado Democrático de Direito, a declaração de Onyx Lorenzoni traz dúvidas sobre a capacidade do futuro governo de lidar com situações adversas.

A equipe de Bolsonaro parece não se dar conta de que, em menos de um mês, terá a responsabilidade de governar o País. Enfrentará problemas muito mais sérios do que este. Precisará, por isso, demonstrar maturidade, seja para esclarecer as questões que virão à tona, seja para não criar novos problemas.

Bolsonaro sem intermediários (por DIOGO MAINARDI, na CRUZOÉ)

Jair Bolsonaro vai manter um canal direto com os eleitores.

Ele disse ontem à tarde:

“O poder popular não precisa mais de intermediação. As novas tecnologias permitiram relação direta entre o eleitor e os representantes. Nesse novo ambiente a crença na liberdade é a melhor garantia de respeito aos altos ideias que balizam nossa constituição.”

Eu, Diogo, sugeri exatamente isso na Crusoé.

Jair Bolsonaro não depende da imprensa e a imprensa não pode depender de Jair Bolsonaro.

Sem intermediação? (por ELIANE CANTANHÊDE, no ESTADÃO)

Para governar, é preciso boa comunicação com a sociedade e negociação com Congresso

Presidir o País é tomar decisões muitas vezes duras, desagradar a interesses e mediar conflitos, ciúmes e invejas na própria equipe, o que exige força popular e política. Logo, é preciso ter uma excelente comunicação com a sociedade e uma negociação azeitada com o Congresso.

É estranho, portanto, que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, tenha usado sua diplomação para dar uma canelada desnecessária na mídia. No “novo tempo”, segundo ele, “o poder popular não precisa mais de intermediação”. E fez questão de especificar que falava das “novas mídias, que permitiram uma relação direta entre eleitor e seus representantes”.

Jornais, revistas, rádios e TVs são canais não só tradicionais, mas também legítimos e de grande alcance para a mediação entre poderosos e sociedade, eleitos e eleitores. Dispensá-los, ou desdenhá-los, é apostar numa anarquia na comunicação entres os três Poderes e os cidadãos e cidadãs.

As “novas mídias” são importantes e vieram para ficar, mas carregam um perigo: a difusão rápida e irresponsável, muitas vezes paga, de mentiras, manipulações e falsificação grosseira dos fatos, tanto a favor quanto contra. O efeito é deletério e isso pode virar uma guerra sangrenta, num mundo paralelo de verdades e mentiras. O “novo tempo” não pode se transformar no “paraíso das fake news”, nem na propaganda acrítica de governos.

Bolsonaro também está dando sinais confusos nas relações com o Congresso, essencial para sua agenda de reformas e seu plano de governo. Ok, é compreensível que bata de frente com Renan Calheiros e tente bombardear sua volta à presidência do Senado, porque o senador, apesar de muito experiente e implacável, é campeão de processos no Supremo e ele se elegeu para “mudar tudo”. Ninguém muda nada com Renan Calheiros numa posição tão estratégica em Brasília.

Mas e Rodrigo Maia? Por que trabalhar contra a reeleição dele à presidência da Câmara e ainda por cima alardear publicamente? Maia é do DEM que, dos partidos médios a grandes, é o que saiu menos chamuscado da Lava Jato. Basta comparar com o MDB de Renan, o PT, o PP, o PTB, o PSDB... Até por isso, emplacou a Casa Civil e os ministérios da Agricultura e da Saúde. Não por pressão ou reivindicação, mas porque o partido tem bons quadros.

Além de a sigla ser muito conveniente, ninguém como Rodrigo Maia reúne tantas condições para ser uma mão na roda para o futuro governo no Congresso. Já está no cargo, negocia bem com esquerda, centro e direita, conhece o regimento e, principalmente, é um economista identificado com a agenda, as reformas e a equipe de Paulo Guedes. Quem melhor do que ele para tocar a reforma da Previdência?

Entre os erros políticos de Bolsonaro, está desperdiçar a oferta de Michel Temer para aprovar em dezembro a primeira fase da reforma previdenciária. Jogou fora essa chance de dividir o ônus e ficar com todo o bônus, está descartando Rodrigo Maia e ainda não providenciou um adversário à altura de Renan no Senado.

reforma da Previdência não é só a primeira nem só a mais importante. Ela é “A” reforma. Os investidores internacionais olham para o Brasil com lupa e com a caneta na mão. Mas só vão usá-la se essa reforma passar, sinalizando ajuste fiscal e enxugamento do Estado. É o desafio mais dramático do novo governo, do “novo tempo”, do “novo Congresso” e das “novas mídias”. Desprezar intermediação e negociação pode ser uma péssima ideia.

Guardanapo

Governador eleito do Rio, Wilson Witzel está em Israel com o presidente e o vice do PSL, todos com suas mulheres. As despesas são pagas pelo partido, mas fica a pergunta: qual será a cor do guardanapo na cabeça desta vez?

A cadeia amansou Lula (em O Antagonista)

Lula prometia incendiar o Brasil caso ele fosse preso. Ontem, em mensagem lida por Fernando Haddad, ele estava mais manso.

Josias de Souza comentou:

“Entre o Lula incendiário de abril e este Lula pacifista de dezembro há oito meses de cadeia, uma surra eleitoral, duas delações companheiras de Antonio Palocci e um sem-número de derrotas judiciais. O presidiário planejara ganhar a liberdade acuando juízes com a militância incendiária do PT e o “exército” de João Pedro Stédile, do MST. Entretanto, secaram as fontes de dinheiro público para sindicatos e movimentos sociais. Sem a condução e o sanduíche, faltou ânimo à multidão para sair de casa (…).

Mantido o timbre atual, Lula vai acabar convencendo o Judiciário de que a cadeia fez tão bem à sua alma que merece ser esticada ao máximo.”

Juíza nega novo pedido de visita de senadores a Lula

A juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, negou hoje um pedido de visita de membros da comissão de Direitos Humanos do Senado ao presidiário Lula, informa o UOL.

Em seu despacho, a juíza lembra que o lugar em que Lula está preso já foi inspecionado por diversas comissões parlamentares, incluindo os mesmos senadores que solicitaram a nova visita –Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias entre eles.

Moraes nega três pedidos de Dilma para anular impeachment

O ministro Alexandre de Moraes negou três pedidos de Dilma Rousseff para anular o processo de impeachment de 2016.

A defesa da ex-presidente questionava o ato da Câmara que abriu o processo e a tipificação do Senado das pedaladas como crime de responsabilidade.

No terceiro mandado de segurança, acusava Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, e outros parlamentares que apoiaram o impeachment de desvio de poder.

Moraes arquivou os pedidos sob o argumento de que cabe somente ao Senado decidir sobre o impeachment, não sendo possível ao STF rever a condenação.

Marco Aurélio sobre Aécio: “Inexistem elementos objetivos acerca do risco de abandono do país”

Como registramos, a PF pediu a prisão domiciliar de Aécio Neves.

A PGR não concordou. Nem Marco Aurélio Mello, que disse não ter identificado elementos para imposição de medidas cautelares contra o senador tucano.

Para o ministro, não cabe aos investigadores “partir-se da capacidade intuitiva”.

Ele escreveu em sua decisão, segundo registro do Jota:

“Quanto à representação por aplicação de medidas cautelares da prisão, tem-se impropriedade. Relativamente ao investigado, Aécio Neves, não há dados concretos, individualizados, a demonstrarem a indispensabilidade das medidas pretendidas. O órgão acusador, ao manifestar-se, destacou que a situação de plena liberdade do investigado não representa risco à ordem pública. Descabe partir-se da capacidade intuitiva, olvidando-se que a presunção é de postura digna, ante o fato de o investigado estar submetido aos holofotes da Justiça.”

Quanto ao recolhimento do passaporte de Aécio, Marco Aurélio afirmou que “inexistem elementos objetivos acerca do risco de abandono do país, havendo elos com o Brasil”.

Fonte: G1/O Antagonista/ESTADÃO

3 comentários

  • Ari Couto -

    As grandes ditaduras fascistas, o que inclui Hitler e Mussolini, governaram sem intermediação.

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  • Danilo Pianezzola Anta Gorda - RS

    Lula foi preso por 1.700.000,00 que até hoje não conseguiram provar..Aécio levou R$ 110.000.000,00 está solto até hoje e tem muitos outros 99% dos políticos levaram vantagem para não dizer 100% e nós que pagamos os Impostos absurdos estamos trabalhando cada vez mais para sustentar um País corrupto...

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  • Ari Couto -

    Essa busca em imóveis do Aécio é piada. Depois de tanto tempo, só mesmo se ele for um rematado idiota para acharem alguma coisa. As buscas tem de ser feitas com urgência nas contas dos assessores da família bolsonaro. e sobretudo chamar o queiroz para explicar o inexplicável. Evidentemente que tendo o ex-chefe da panela de Curitiba no ministério da justiça, nada disso vem ao caso

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