Dólar recua e retoma patamares de R$ 3,85 com alívio das tensões comerciais no exterior

Publicado em 12/12/2018 17:08 e atualizado em 13/12/2018 07:51
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Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar interrompeu uma sequência de seis altas consecutivas e recuou nesta quinta-feira, terminando em 3,85 reais, acompanhando o melhor humor no mercado internacional em dia de trégua nas preocupações com a guerra comercial após declarações de Donald Trump sobre um acordo com a China.

O dólar recuou 1,74 por cento, a 3,8524 reais na venda, maior queda percentual diária desde o recuo de 2,35 por cento ocorrido em 8 de outubro, dia seguinte ao primeiro turno das eleições deste ano.

Na mínima, a moeda foi a 3,8367 reais e, na máxima, a 3,9012 reais. O dólar futuro tinha baixa de cerca de 1,30 por cento.

"O noticiário internacional abriu espaço para muitos investidores estrangeiros diminuírem parte da sua posição comprada (que aposta na alta) em dólar, o que garantiu o forte recuo da moeda no Brasil", explicou um profissional da mesa de derivativos de uma corretora local.

Nas últimas semanas, os investidores aumentaram suas posições compradas em dólar em sintonia com o avanço das preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, e com a desaceleração econômica mundial, movimento que içou as cotações locais e foi amplificado pela sazonalidade do período, com as emissões de recursos de empresas a suas matrizes no exterior.

Nesta quarta-feira, no entanto, declarações mais suaves de Donald Trump sobre as relações comerciais com a China despressurizaram o mercado e garantiram a forte queda do dólar ante o real.

Em entrevista à Reuters, Trump afirmou que estão ocorrendo negociações com Pequim por telefone e que ele não elevará as tarifas sobre importações chinesas até que esteja certo sobre um acordo.

Trump também afirmou que vai intervir no caso do Departamento de Justiça contra a executiva da chinesa Huawei Technologies se for do interesse da segurança nacional ou se ajudar a fechar um acordo comercial.

Um tribunal canadense concedeu na terça-feira fiança à vice-presidente financeira da Huawei enquanto ela aguarda audiência de extradição para os EUA.

À tarde, a possibilidade de um acordo entre União Europeia e Itália em relação ao Orçamento do país também reforçou a lista de boas notícias, bem como a possibilidade da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, conseguir se manter no cargo após a votação do voto de censura à sua liderança.

A Itália concordou em reduzir sua meta de déficit orçamentário a 2,04 por cento do PIB, de 2,40 por cento inicialmente e, depois disso, acredita em aprovação do Orçamento pela UE.

A libra se valorizava com essa expectativa em torno de May, e o dólar caía ante a cesta de moedas e ante divisas de países emergentes, como o peso chileno.

Internamente, agradou ao mercado a informação dada na véspera pelo deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN), futuro secretário da Previdência no governo Jair Bolsonaro, de que buscará a aprovação de uma reforma previdenciária nos seis primeiros meses do novo governo.

Os investidores também monitoraram a sessão extraordinária do Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliar o processo de revisão do contrato de cessão onerosa entre governo e Petrobras. O TCU, no entanto, pediu mais documentos, adiando a sua decisão para 2019.

"O TCU já deu parecer favorável à revisão do contrato da cessão onerosa sem aval do Congresso, onde o projeto emperrou, depois que Estados e municípios entraram na roda para levar uma parte dos recursos", lembrou mais cedo a corretora H.Commcor em relatório.

O BC vendeu nesta sessão 13,83 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 5,532 bilhões de dólares do total de 10,373 bilhões de dólares que vence em janeiro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final da semana que vem, terá feito a rolagem integral.

BC mantém juros em 6,5% e abandona sugestão de alta à frente

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa de juros no seu piso histórico de 6,5 por cento, conforme amplamente esperado pelo mercado, e indicou que vê um quadro mais benigno para a inflação, que deve jogar para frente o início de um aperto monetário.

Ao falar sobre os riscos que enxerga para o avanço de preços na economia, o BC disse no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) que houve, de um lado, elevação no risco do nível de ociosidade elevado produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado.

Quanto ao risco associado à frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia, que poderia afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação, o BC destacou que houve "arrefecimento".

O BC também melhorou a projeção para o IPCA em 2018 pelo cenário de mercado a 3,7 por cento, sobre 4,4 por cento antes. Para 2019 e 2020, a estimativa foi a 3,9 e 3,6 por cento, ante 4,2 por cento e 3,7 por cento anteriormente.

Com isso, os cálculos -- que levaram em conta a Selic fechando 2019 em 7,5 por cento e 2020 em 8 por cento -- ficaram ainda mais longe do centro da meta de inflação, que é de 4,5 por cento em 2018, 4,25 por cento em 2019 e 4,0 por cento em 2020, sempre com banda de 1,5 ponto para mais ou para menos.

"O Copom está vendo cenário muito tranquilo para inflação no ano que vem, não há muito desconforto em deixar (a Selic em) 6,5 por cento por tempo indeterminado e seguir acompanhando evolução do mercado", avaliou o economista do Santander Luciano Sobral, que prevê uma taxa básica de juros estável ao longo do ano que vem.

Em pesquisa Reuters, todos os 35 economistas consultados pela Reuters já esperavam a manutenção da Selic neste patamar, o que ocorreu pela sexta reunião consecutiva do Copom.

A decisão ressalta a persistente ociosidade que assola a maior economia da América Latina, com o desemprego de dois dígitos limitando a alta dos salários, enquanto o crescimento econômico segue vagaroso.

O quadro tem contido pressões inflacionárias e feito economistas apostarem que a Selic seguirá neste nível por ainda mais tempo. Apenas quatro de 33 economistas que responderam a uma questão adicional em pesquisa Reuters esperam que o BC eleve os juros antes do segundo semestre de 2019, e seis projetaram o primeiro aumento em 2020.

Em sua última reunião do ano, o BC apontou novamente que a conjuntura econômica ainda prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

Ao mesmo tempo, excluiu trecho que vinha utilizando logo na sequência de que "esse estímulo começará a ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora".

Fonte: Reuters

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