Futuro chanceler diz que política externa vai incentivar o agronegócio

Publicado em 21/12/2018 08:30 e atualizado em 23/12/2018 08:05
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Segundo Ernesto Araújo, Itamaraty terá Departamento do Agronegócio

O futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou hoje (21) que no próximo governo a política externa brasileira vai incentivar as negociações para ampliar o comércio e o agronegócio de forma “ativa e sistematicamente”. Ele criticou duramente a conduta adotada pelos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

“Nos governos petistas, o Itamaraty foi a casa do MST [movimento dos trabalhadores sem terra]. Agora estará à disposição do produtor”, disse o futuro chanceler em sua conta no Twitter. Ele fez 12 postagens sobre o tema nesta sexta-feira.

Araújo acrescentou que o objetivo é construir um novo momento para o país. “A pujança agrícola será parte do projeto de engrandecimento do Brasil. Ao mesmo tempo, a projeção de um país confiante, grande e forte servirá ainda mais aos interesses da agricultura.”

Sem antagonismos

Na série de tuítes, Araújo condena o discurso sobre o antagonismo entre os incentivos ao agronegócio e a preservação ambiental. Segundo ele, o Itamaraty e o Ministério da Agricultura trabalharão juntos. O futuro chanceler também destacou que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (Apex) será redirecionada.   

“Querem jogar a agricultura contra os ideais do povo brasileiro? Não conseguirão. O trabalho incansável, a fé, a inventividade, o patriotismo dos agricultores são a própria essência da brasilidade.”

Segundo Araújo, o governo brasileiro vai defender o produtor rural e não colocá-lo como adversário do meio ambiente. “Defenderemos o produtor brasileiro nos foros internacionais, da pecha completamente falsa de ser agressor do meio ambiente. O produtor agrícola brasileiro contribui para a preservação ambiental como em nenhum outro lugar do mundo.”

Orientações

O futuro chanceler afirmou também que será criado um departamento específico no Ministério das Relações Exteriores para cuidar dos temas relativos ao agronegócio.

“Estamos criando no Itamaraty um Departamento do Agronegócio para trabalhar junto com o Ministério da Agricultura na conquista de mercados internacionais. Daremos ao agro a atenção que no MRE [Itamaraty] ele nunca teve.”

Ele acrescentou que orientações serão transmitidas às representações do Brasil no exterior para dar mais atenção ao agronegócio. “Orientaremos as embaixadas a promover os produtos agrícolas brasileiros ativa e sistematicamente. A Apex será direcionada no mesmo sentido.”

Para Araújo, a forma como são conduzidas certas negociações não gera resultados positivos para o Brasil. “Algumas negociações comerciais em curso são ruins para a agricultura. Vamos reorientá-las em benefício dos produtores brasileiros.”

Identificação

De acordo com o futuro chanceler, há uma identificação entre o meio rural e as propostas do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. “O setor produtivo agrícola identifica-se profundamente com os valores da nação e os defende, tanto que apoiou e apóia maciçamente [presidente eleito Jair] Bolsonaro. Mas o establishment da velha política e da velha mídia quer usar o agro como pretexto para reduzir o Brasil a um país insignificante.”

Segundo Araújo, nos últimos governos não foram fechados acordos comerciais relevantes. “Nesses longos anos sem ideais e sem identidade, não fechamos nenhum acordo comercial relevante. Isso mostra que não é pela autonegação ou pela adesão automática aos cânones do globalismo que o Brasil conquistará mercados, mas pela autoconfiança e pelo trabalho.”

O futuro chanceler acrescentou que o Brasil quer ir além da exportação de frango, soja, carne e açúcar. “Nova política externa: o Brasil não deixará de exportar frango e soja, carne e açúcar, mas passará a exportar também esperança e liberdade. O fato de ser uma potência agrícola não nos proíbe de ter ideais e de lutar por eles.”

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Futuro chanceler avisa que destituirá todos os subsecretários do Itamaraty, dizem fontes

BRASÍLIA (Reuters) - O futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, avisou aos subsecretários da pasta que eles serão destituídos de seus postos no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, uma ação atípica na tradição do Itamaraty, disseram nesta sexta-feira duas fontes à Reuters.

A notícia foi levada aos nove embaixadores que chefiam as subsecretarias do ministério por Otávio Brandelli, braço direito de Araújo e que deve assumir a Secretaria-Geral do Itamaraty em 2019, acrescentaram as fontes.

Os chefes das subsecretarias são funcionários sêniores da carreira diplomática, e normalmente se aguarda que encerrem seu período no posto naturalmente para então serem substituídos por um novo diplomata dentre aqueles mais graduados e com mais tempo de casa.

Segundo as fontes, o plano do novo chanceler envolve a redução do número de subsecretarias de nove para quatro ou cinco. Esses postos são abaixo apenas do chanceler e do secretário-geral, e têm a coordenação de temas como negociações econômicas e assuntos consulares, além dos que tratam da relação do Brasil com regiões, como América do Sul e Caribe.

De acordo com as fontes, Araújo deve indicar para as subsecretárias que restarem embaixadores menos graduados, com o mesmo grau de carreira que ele próprio.

Há ainda uma preocupação com a alocação dos embaixadores do chamado "quadro especial". Pelo menos dois desses que já voltaram do exterior --um deles ex-secretário-geral--, inicialmente indicados para as subsecretárias, agora estão sem nova designação.

Procurados, o Ministério de Relações Exteriores e a equipe de transição não responderam de imediato a questionamentos sobre as destituições dos subsecretários.

DEPARTAMENTO DO AGRONEGÓCIO

Apesar da diminuição de subsecretarias, o futuro chanceler anunciou em uma sequência de tuítes publicados na noite de quinta-feira a criação de um Departamento do Agronegócio dentro do Itamaraty para trabalhar junto com o Ministério da Agricultura "na conquista de mercados internacionais".

"Daremos ao agro a atenção que no MRE ele nunca teve", afirmou. "Algumas negociações comerciais em curso são ruins para a agricultura. Vamos reorientá-las em benefício dos produtores brasileiros."

Em rápida entrevista a jornalistas nesta sexta-feira, o ministro confirmou que pretende reduzir o número de subsecretarias, sem dar mais informações.

“Vai ter uma diminuição”, disse o futuro chanceler, acrescentando que não anteciparia detalhes porque será editada medida provisória conjunta e não gostaria de divulgar apenas os “dados do Itamaraty”.

Segundo Araújo, vai haver um enxugamento na pasta, de acordo com orientação passada a todas as áreas do novo governo.

“A gente tem as orientações gerais de enxugamento de cargos, mas isso não quer dizer que as pessoas vão sair, a carreira continua”, explicou. “A carreira é a carreira, as pessoas que estão, estão”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil/Reuters

2 comentários

  • Elói Petry Batista Cerro Largo - RS

    Sr. Edmilson. O senhor não entendeu. Já disse outras vezes. Se o agronegócio quebrar, o Brasil quebra junto.....O agronegócio precisa da China e do Mundo Árabe....Setores do novo governo defendem o alinhamento automático com os EUA.....E isso é muito prejudicial ao agronegócio.

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    • EDMILSON JOSE ZABOTT PALOTINA - PR

      Ninguém até agora do novo governo falou em alinhamento com EUA. O que dizem às claras é "respeitem o Brasil"... Exemplo é a preocupação do Presidente da França. Com acordos que querem que o Brasil assuma .

      O mundo precisa reconhecer o Brasil como uma potência .

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  • Elói Petry Batista Cerro Largo - RS

    Torço para que nosso Ministro, após a posse, consiga descer do palanque. Precisamos da China e do Mundo Árabe. Espero que o agronegócio consiga convencer o nosso ministro desta realidade....Caso o novo governo não possa ajudar, que não atrapalhe.

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    • EDMILSON JOSE ZABOTT PALOTINA - PR

      Sr. Elói, se para o sr o agronegócio foi invasor ao longo destes últimos anos de governo comunista, para nós foi o esteio da economia do Brasil, que salvou este País do ridículo.... O sr. pode ficar tranquilos pois o agronegócio será a grande bandeira e dará muito orgulho para os Brasileiros... Nós vamos produzir comida para o mundo .

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