Trump diz que "grandes progressos" estão sendo feitos em possível acordo com China

Publicado em 29/12/2018 21:33
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WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no Twitter neste sábado que ele teve uma "longa e muito boa conversa telefônica" com o presidente chinês, Xi Jinping e que um possível acordo comercial entre EUA e China estava progredindo bem.

Com uma parcial paralisação do governo norte-americano entrando em seu oitavo dia, sem nenhum fim rápido à vista, o presidente republicano estava em Washington, publicando tuítes atacando Democratas e conversando sobre possíveis avanços nas relações com a China.

As duas nações estão numa guerra comercial em grande parte de 2018, que viu o fluxo de centenas de bilhões de dólares em mercadorias entre as duas maiores economias do mundo afetado pelas tarifas.

Trump e Xi concordaram com um cessar-fogo na guerra comercial, concordando em paralisar a imposição de mais tarifas durante 90 dias iniciados em 1º de dezembro, enquanto eles negociam um acordo que encerre a disputa após meses de tensões crescentes.

"Tive uma longa e muito boa conversa telefônica com o presidente Xi, da China", escreveu Trump. "O acordo está caminhando muito bem. Se fechado, será muito abrangente, cobrindo todos os assuntos, áreas e pontos da disputa. Grandes progressos sendo feitos!"

A mídia estatal chinesa também disse que Xi e Trump falaram neste sábado, e atribuiu ao presidente chinês a informação de que equipes dos dois países tem trabalhado para implementar um consenso alcançado com Trump.

A mídia chinesa também citou Xi dizendo que espera que ambos os lados possam se encontrar no meio do caminho e alcançar um acordo que seja mutuamente benéfico o mais rápido possível.

Ao cancelar seus planos de viajar para seu estado da Flórida para os feriados por causa da paralisação do governo que começou no dia 22 de dezembro, Trump tuitou que "eu estou na Casa Branca esperando os Democratas aparecerem para fazer um acordo".

O Congresso controlado pelos republicanos estava fechado no final de semana e poucos legisladores estavam na capital.

A paralisação, que afeta cerca de um quarto do governo federal, incluindo cerca de 800.000 trabalhadores, começou quando o financiamento para diversas agências federais expirou.

O Congresso tem que aprovar uma lei para restaurar o financiamento, mas não o fez devido a uma disputa sobre a exigência de Trump de que o projeto inclua 5 bilhões de dólares em dinheiro dos contribuintes para ajudar a pagar por um muro que ele deseja construir ao longo da fronteira entre os EUA e o México.

Presidente chinês diz esperar avançar nos laços sino-americanos que são coordenados, cooperativos, estáveis

PEQUIM (Reuters) - O presidente da China, Xi Jinping, disse numa ligação telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, neste sábado, que espera impulsionar uma relação sino-americana que seja coordenada, cooperativa e estável, informou a mídia estatal chinesa.

Xi disse que equipes de ambos os países têm trabalhado ativamente para implementar o consenso recentemente alcançado entre a China e EUA, disse a agência de notícias estatal Xinhua.

Ele disse ainda esperar que as equipes possam se encontrar na metade do caminho e chegar a um acordo que seja mutuamente benéfico o mais rápido possível, segundo a Xinhua.

Trump disse na chamada que as negociações e consultas com a China estavam alcançando progresso positivo, e que ele esperava alcançar resultados que beneficiassem a China, os Estados Unidos e o mundo, segundo a Xinhua.

Ambos os líderes também estenderam cumprimentos de Ano Novo para pessoas de seus respectivos países, disse a Xinhua.

Guerras comerciais custam bilhões de dólares aos EUA e à China em 2018 - Reuters News

Por Michael Hirtzer e Tom Polansek e Rajesh Kumar Singh

CHICAGO (Reuters) - A guerra comercial entre Estados Unidos e China resultou em bilhões de dólares em prejuízos para ambos os lados em 2018, atingindo setores como o automobilístico, tecnologia e, acima de tudo, agricultura.

Os amplos prejuízos causados com as tarifas comerciais destacados por vários economistas mostram que, embora setores especializados, como a indústria de processamento de soja norte-americana, tenham se beneficiado da disputa, ela teve um impacto prejudicial, no geral, sobre as duas maiores economias do mundo.  

Os prejuízos podem dar ao presidente norte-americano, Donald Trump, e a seu colega chinês, Xi Jinping, a motivação para solucionar suas diferenças comerciais antes do fim do prazo, em 2 de março, embora as conversas entre as potências econômicas ainda possam retroceder.

As economias norte-americanas e chinesa perdem cada uma cerca de 2,9 bilhões de dólares por ano somente devido às tarifas de Pequim sobre a soja, milho, trigo e sorgo, disse o economista agrícola da Universidade de Purdue Wally Tyner.

A interrupção do comércio agrícola prejudica ambos os lados de forma particularmente ruim, porque a China é o maior importador de soja do mundo e ano passado contou com os EUA para prover o equivalente a 12 bilhões de dólares da oleaginosa.

A China tem comprado soja do Brasil, principalmente, depois da imposição de uma tarifa de 25 por cento sobre a soja norte-americana em julho, em retaliação às tarifas dos EUA sobre produtos chineses. O aumento da demanda levou a patamares recorde os prêmios da soja brasileira ante os contratos futuros da soja norte-americana negociados em Chicago, em um exemplo de como a guerra comercial reduz as vendas dos exportadores norte-americanos e eleva os custos dos importadores chineses.

"É um problema que está implorando por uma solução", disse Tyner. "É uma situação que gera perdas tanto para os Estados Unidos quanto para a China."

Os embarques totais de exportação agrícola para a China nos primeiros 10 meses de 2018 caíram 42 por cento em relação ao ano anterior, para cerca de 8,3 bilhões de dólares, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.

Suprema Corte da China vai aceitar casos de propriedade intelectual

Por Ben e Blanchard

PEQUIM (Reuters) - Casos de direito de propriedade intelectual poderão ser aceitos pela Suprema Corte da China a partir do mês que vem, disse o governo neste sábado, com o país buscando fortalecer as proteções devido às queixas dos Estados Unidos sobre a questão.

A China e os Estados Unidos atualmente estão em conversas para solucionar uma disputa comercial, na qual ambos os países impuseram tarifas aos produtos um do outro.

Os Estados Unidos, junto com a União Europeia, têm se queixado há tempos sobre o fraco controle sobre os direitos de propriedade intelectual na China e essa tem sido uma queixa fundamental do governo Trump, junto com transferências forçadas de tecnologia e um amplo déficit comercial.

Em resposta, Pequim tem buscado mostrar que está levando a sério as formas de solucionar as preocupações dos EUA.

O vice-presidente da Suprema Corte, Luo Dongchuan disse em uma coletiva de imprensa que a partir de 1º de janeiro a Suprema Corte começaria a lidar com apelações em casos de direitos sobre propriedade intelectual, que antes só eram julgadas por tribunais de nível provincial.

"Criar um tribunal voltado a direitos de propriedade intelectual na Suprema Corte é uma decisão importante tomada pelo Partido Comunista, em um grande passo para fortalecer a proteção legal aos direitos de propriedade intelectual, que terá um grande impacto doméstico e no exterior." 

Luo não respondeu diretamente a uma pergunta sobre como os EUA deveriam ver a decisão e disse que os esforços da China para proteger a propriedade intelectual era uma "política nacional básica".

"A China já é a segunda maior economia do mundo e, no futuro, o desenvolvimento da China dependerá da inovação. A proteção da inovação precisa ter proteção legal para os direitos de propriedade intelectual."

Fonte: Reuters

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