2019 inicia com grandes expectativas para os brasileiros. Desafios são gigantescos

Publicado em 31/12/2018 18:06 e atualizado em 02/01/2019 17:20
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Nesta terça-feira, às 14h30, em Brasília, terá inicio a cerimonia de posse de Jair Messias Bolsonaro como o 38.o presidente da República, marcando o começo de um novo ciclo da História do Brasil. E o brasileiro se mostra otimista em relação aos novos rumos do País, conforme mostra o levantamento feito pelo Datafolha, divulgado hoje. 

Segundo o instituto, 65% acham que o governo Bolsonaro, será ótimo ou bom — percentual maior que seu índice de vitória no segundo turno (55% dos votos válidos). Para 17% dos entrevistados, ele será regular e, para 12%, Bolsonaro fará uma gestão ruim ou péssima. Não souberam opinar 6%.

Na opinião dos entrevistados Saúde e segurança são os principais problemas do Brasil

Segundo o instituto, 40% dos ouvidos acham que a área que deveria ter prioridade é a saúde. Educação vem bem abaixo, com 18%, empatada tecnicamente com segurança, com 16%. Saúde foi citada espontaneamente por 22% dos entrevistados; segurança, por 18%.

Temas econômicos receberam poucas menções (7% falam em desemprego, 2% em economia no geral). A corrupção, outro ponto central do discurso moralizante do presidente eleito, só é prioridade para 3%.

Já a segurança, foco da campanha bolsonarista, será a área mais bem-sucedida do novo governo para nada menos que 46% dos ouvidos. Saúde é a segunda colocada no ranking, com 9%, e educação será um sucesso para 7%.

Na comparação com a expectativa antes das primeiras posses de Luiz Inácio Lula da Silva (2003) e Dilma Rousseff (2011), fica clara a diferença em relações aos petistas —alvos prioritários de Bolsonaro na campanha eleitoral.

Na segurança, apenas 1% dos brasileiros acreditavam que esse seria o ponto de maior sucesso de Lula. O desemprego liderava com 27%, e um tema de então, o combate à fome e à miséria, vinha com 18% — hoje é zero.

Já sob Dilma 18% achavam que a saúde seria a melhor área, seguida de perto por educação (12%). Segurança, apenas 2% dos ouvidos.

Entre faixa mais jovem da população, a corrupção foi o problema mais mencionado (24%). Na parcela mais pobre, o desemprego atinge 19% das menções, no mesmo patamar de segurança (18%) e saúde (23%). 

A segurança mantém um número estável de menções em todas as faixas de renda familiar. A preocupação com o desemprego, por outro lado, tende a cair conforme aumenta a renda (8% no grupo que ganha mais de dez salários mínimos). Com a corrupção ocorre processo oposto: 12% das respostas nas faixas mais pobres, 21% nas mais ricas.

No segmento com mais escolaridade, a corrupção lidera a lista (20%). No de menor grau de instrução, a saúde é tida como o maior problema (24%).

As preocupações do brasileiro são um retrato do momento político e social do país. Em março de 2011, no início do governo Dilma, apenas 3% dos entrevistados citaram a corrupção como o principal problema do país. 

Em 2015 e 2016, em meio a inúmeros escândalos envolvendo o PT, a corrupção alcançou seus maiores índices de menções nesta década. Chegou a 37% em março de 2016, dias após grandes manifestações de rua contra o governo que impulsionaram o processo de impeachment.

O levantamento foi feito com 2.077 entrevistados em 130 cidades, em 18 e 19 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Veja a programação da posse de Jair Bolsonaro:
  • 14h30 – Cortejo presidencial na Esplanada dos Ministérios segue até a Catedral de Brasília
  • 14h45 – Cortejo presidencial segue da Catedral Metropolitana de Brasília até o Congresso
  • 15h – Sessão Solene de Posse no Plenário da Câmara dos Deputados
  • 15h45 – Término da sessão solene na Câmara dos Deputados
  • 16h10 – Execução do Hino Nacional, seguida de salva de tiros e revista de tropas, na rampa do Congresso
  • 16h25 – Cortejo presidencial segue do Congresso para o Palácio do Planalto
  • 16h30 – Chegada do cortejo ao Palácio do Planalto
  • 16h40 – Recebimento da faixa presidencial, seguida de pronunciamento oficial à Nação
  • 17h – Cumprimentos dos Chefes de Governo e de Estado
  • 17h30 – Nomeação dos ministros no Salão Nobre do Palácio do Planalto
  • 18h15 – Fotografia oficial no Salão Oeste do Palácio do Planalto
  • 18h45 – Partida do cortejo presidencial para o Palácio Itamaraty
  • 19h – Recepção oferecida pelo presidente Jair Bolsonaro e primeira-dama Michelle Bolsonaro no Palácio Itamaraty
  • 21h – Término da recepção

2018, o ano da onda Bolsonaro (em O Antagonista)

Jair Bolsonaro iniciou o ano como uma espécie de curiosidade eleitoral: já liderava as pesquisas de intenção de voto nos cenários sem a candidatura de Lula, mas, à exceção dos seus seguidores mais aguerridos, pouca gente acreditava que pudesse manter e até expandir sua liderança.

Com poucos recursos, apoiando-se ostensivamente no uso de redes sociais e no engajamento dos simpatizantes, apresentou um discurso claro de intransigência com a corrupção e as velhas prática políticas e de combate incessante à criminalidade que apavora a população brasileira e ceifa milhares de vidas por ano; como nenhum outro candidato, atacou a podridão de Lula e seus partidários e, assim, encarnou o antipetismo.

acordo com o PSL, que possibilitaria concorrer à Presidência, veio logo nos primeiros dias do ano; antes, chegou a negociar com o Patriota (ex-PEN) e o PSC.

Em fevereiro, ainda na condição de pré-candidato, Bolsonaro concedeu uma entrevista exclusiva a O Antagonista em que declarou: “O povo está comigo!” (e estava mesmo).

Fechada a adesão ao PSL, Bolsonaro começou a negociar alianças com outras legendas: só conseguiu o apoio do nanico PRTB, partido do seu vice, o general Hamilton Mourão.

O resultado do fracasso em atrair mais aliados: apenas 9 segundos na propaganda eleitoral de rádio e TV — mas o resultado das eleições revelaria que isso não foi um problema.

O lançamento oficial da candidatura aconteceu no dia 22 de julho, durante a convenção do PSL.

No dia 6 de setembro, o atentado ao candidato do PSL chocou o país: no meio da multidão em Juiz de Fora, Adélio Bispo de Oliveira desferiu uma facada no abdômen do líder das pesquisas e quase o matou.

O atentado tirou Bolsonaro dos debates e das ruas, mas não da liderança da disputa.

Além da facada, Bolsonaro viria sofrer sucessivos ataques dos adversários. Nunca antes na história deste país houve um candidato tão vilipendiado.

Foi chamado de “fascista” e “anti-ser humano”, por Haddad, e “projetinho de Hitler tropical”, por Ciro; Marina Silva disse que ele era um “risco à democracia”, ecoando todos os jornais tradicionais.

Proibido pelos médicos de fazer campanha nas ruas ou ir a debates, Bolsonaro seguiu falando com o eleitorado pelas redes sociais.

Deu certo. A internet suplantou a TV — e a sua força deverá aumentar ainda mais nas campanhas futuras.

Com 55 milhões de votos, Bolsonaro foi eleito presidente.

A “onda” elegeu também uma expressiva bancada no Congresso e 12 governadores de estado alinhados.

No discurso da vitória, o presidente eleito desceu do palanque e prometeu  “unir o Brasil”. Agora existe um Bolsonaro de Facebook, mais radical, e outro institucional, mais pacífico.

Logo após a eleição, deixou claro de que estava disposto a cumprir a promessa de combater a corrupção e a criminalidade, convidando o juiz Sergio Moro para ocupar o superministério da Justiça e Segurança Pública.

Moro como juiz pescava de varinha. Como ministro, irá pescar com rede de arrastão”, explicou.

O presidente eleito construiu seu ministério apoiado basicamente em quatro pilares: a Justiça com Moro, a economia com o ultraliberal Paulo Guedes, a coordenação política, sob a batuta de Onyx Lorenzoni, e o núcleo militar, que comandará áreas como infraestrutura e também terá papel nas negociações com o Congresso. Nesse último, Augusto Heleno terá papel central.

A composição dos ministérios também mostrou alguns limites de Bolsonaro: apesar de prometer que seu governo teria no máximo 15 ministérios, ele acabou fechando em 22.

No apagar das luzes do ano, teve de enfrentar um desgaste em família.

O Coaf identificou uma movimentação “atípica” de R$ 1,2 milhão na conta do policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito.

Uma das transações revelou o depósito de um cheque no valor de R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Em entrevista a O Antagonista, Bolsonaro declarou que o cheque foi pagamento de uma dívida.

O caso ainda não foi totalmente esclarecido.

O assunto é apenas um dos desafios que ele terá em 2019.

RESUMÃO ANTAGONISTA 2018

Assista à sétima parte do Resumão Antagonista 2018, com Felipe Moura Brasil – a retrospectiva do ano. Incluindo: o primeiro e o segundo turnos da eleição que deu novos rumos ao país.

Todos os capítulos disponíveis até agora podem ser vistos na playlist da retrospectiva: AQUI.

Em meio a guerra comercial, EUA e China fazem escolhas protocolares para posse de Bolsonaro (no ESTADÃO)

BRASÍLIA - Travando uma disputa pela hegemonia planetária e tendo a América do Sul como um ponto estratégico, Estados Unidos e China optaram por um tom neutro na cerimônia de posse do presidente Jair Bolsonaro. Embora tenham circulado rumores que o presidente Donald Trump poderia vir à festa, os EUA serão representados pelo secretário de Estado, Mike Pompeo.

É um emissário de alto nível, porém com status na média dos que aqui estiveram de outras posses presidenciais. A China, por sua vez, enviou um vice-presidente do Congresso, Ji Bingxuan, igualmente mantendo o padrão para o Brasil.

Mike PompeoO secretário de Estado americano, Mike Pompeo, durante encontro da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Cingapura Foto: EFE/EPA/Wallace Woon

Em meio a desconvites aos mandatários de Cuba, Venezuela e Nicarágua, um “bolivariano” deverá marcar presença na cerimônia: o presidente da Bolívia, Evo Morales. Depois de haver condenado o “golpe” contra a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, ele tratou de moderar o tom na relação com o Brasil. Visitou o presidente Michel Temer em dezembro passado.

Apesar da diferença política, Evo tem uma questão importante a tratar: a renovação do fornecimento de gás para o Brasil. Vital para a economia boliviana, o contrato se encerra em meados de 2019 e a Petrobrás já sinalizou que pretende cortar suas compras pela metade.

O destaque internacional da festa ficará por conta do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que se encontra no Brasil desde a última sexta-feira. Ele contou que Bolsonaro lhe reafirmou o compromisso de mudar a embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém, o que representa o reconhecimento, pelo governo brasileiro, da reivindicação israelense sobre a cidade. A adoção da medida seria apenas uma questão de tempo, segundo informou.

Outro expoente da direita internacional, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, confirmou presença. Suas ideias contrárias à imigração foram discutidas num telefonema com Bolsonaro em novembro passado. Após a conversa, o presidente eleito se disse contrário à nova legislação brasileira sobre o tema, que considera aberta em excesso. O futuro chanceler, embaixador Ernesto Araújo, já anunciou que o País sairá do acordo de migrações da Organização das Nações Unidas (ONU).

O argentino Maurício Macri deverá ser a principal ausência entre os líderes da região. Ele deverá ser representado pelo chanceler, Jorge Faurie. Isso, porém, não significa um congelamento das relações. Macri já tem agendada uma reunião com Bolsonaro no dia 16 de janeiro. O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que o Mercosul não será uma prioridade no novo governo.

Sebastián Piñera, presidente do Chile, estará presente à festa. Logo após as eleições, Bolsonaro disse que o Chile é o primeiro país que pretende visitar. Além dele, estarão na festa os presidentes do Paraguai, Mario Abdo Benítez, do Uruguai, Tabaré Vázquez, do Peru, Martín Vizcarra. A Colômbia deverá estar representada pela vice-presidente, Marta Lucía Ramírez.

A Europa estará representada pelo presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza. A Espanha enviará a presidente das Altas Cortes Gerais (Parlamento), Pio García Escudero. Quando ainda era príncipe herdeiro, rei Felipe VI veio a duas cerimônias de posse no Brasil. A  Rússia enviou o presidente da Duma, Vychelsav Volodin.

De acordo com o Itamaraty, 11 chefes de Estado e governo confirmaram presença na cerimônia. Também estarão presentes três vice-presidentes, 11 chanceleres, 18 enviados especiais e três diretores de organismos internacionais. Nas últimas duas décadas, o representante do governo dos EUA de mais alto nível a uma posse presidencial foi o vice-presidente Dan Quayle. Ele veio para a posse de Fernando Collor de Melo, em 1990.

Na primeira posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, o então presidente George W.Bush enviou o representante de Comércio, Robert Zoellick, em meio a promessas, depois concretizadas, de o governo brasileiro detonar o projeto americano de criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Por causa disso, ainda durante a campanha de 2002,  Zoellick disse que o Brasil poderia fazer comércio com os pinguins da Antártida. Ao que Lula o classificou como “sub do sub”. A decisão de Bush de enviar Zoellick foi criticada pela imprensa norte-americana.

Então secretária de Estado, Hillary Clinton representou o governo norte-americano na primeira posse de Dilma Rousseff, em 2011. Foi esnobada. Seu pedido de audiência com a presidente brasileira não foi atendido, com a justificativa que a agenda estava cheia.

 

Fonte: NA/O Antagonista/Estadão/Reuters

1 comentário

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Muito bom o titulo da matéria "2019 inicia com grandes expectativas para os brasileiros. Desafios são gigantescos"... E a Aprosoja preocupada com moratória da soja, com ambientalismo..., realmente os produtores rurais não falam em outra coisa, não domem de noite pensando no ambientalismo e na moratória da soja. Além disso o funrural, mas é porque o governo quer meter ilegalmente a mão no bolso dos produtores, nisso são especialistas.

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