Dólar cai para menor valor em 2 meses, perto de R$ 3,70, com ajuda externa

Publicado em 04/01/2019 17:57 e atualizado em 04/01/2019 20:46
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Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - Depois de dois dias acompanhando à distância o mercado externo, o dólar no Brasil 'colou' nesta sexta-feira na trajetória externa e encerrou em baixa pela terceira sessão consecutiva, perto de 3,70 reais, após declarações chairman do Federal Reserve, Jerome Powell.

O dólar recuou 1,04 por cento, a 3,7147 reais na venda, menor nível desde 1º de novembro, quando fechou a 3,6943 reais.

Nos três primeiros pregões de 2019, que coincidem com a semana, a moeda norte-americana acumulou baixa de 4,15 por cento ante o real. Foi a terceira semana seguida de queda do dólar ante a moeda brasileira.

Na mínima desta sessão, o dólar recuou a 3,7101 reais e, na máxima, subiu a 3,7865 reais. O dólar futuro caía 1,06 por cento.

"Powell trouxe um discurso de que a economia está boa, tem potencial de continuar crescendo, com inflação sob controle, trazendo euforia ao mercado", explicou o economista-sênior do Banco Haitong, Flávio Serrano.

O chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que apesar do bom momento, o banco central norte-americano será sensível aos riscos ressaltados por investidores e será paciente com a política monetária em 2019.

"Estamos sempre preparados para mudar a postura da política monetária de maneira significativa, se necessário", disse Powell.

Antes de sua fala, o dólar havia se firmado em alta após dados robustos sobre o mercado de trabalho norte-americano que, segundo Serrano, já reduziam "um pouco as preocupações de uma recessão" nos EUA.

Foram criadas 312 mil vagas de emprego fora do setor agrícola no mês passado nos EUA, o maior ganho desde fevereiro. Os dados de outubro e novembro foram revisados para mostrar um acréscimo de 58 mil empregos ante o que tinha sido anteriormente relatado.

A taxa de desemprego também subiu para 3,9 por cento, de uma mínima de quase 49 anos em novembro, de 3,7 por cento, com o mercado de trabalho mais forte atraindo alguns norte-americanos desempregados.

No exterior, o dólar, que também estava subindo ante uma cesta de moedas depois da divulgação dos dados do mercado de trabalho dos EUA, voltou a cair com a fala do Powell. A divisa norte-americana também caía ante divisas de emergentes como a lira turca.

No começo do dia, o ambiente já era positivo no exterior após notícia sobre nova rodada de negociações entre China e Estados Unidos no começo da próxima semana.

"Depois de um telefonema entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, que ambos os lados descreveram como positivo, esta reunião da próxima semana é vista com bons olhos e, segundo alguns especialistas, a probabilidade de chegar a um acordo dentro de 90 dias está aumentando", destacou em nota a corretora XP Investimentos.

Além disso, a China cortou o compulsório dos bancos para ajudar a amparar a economia, que sente os efeitos da guerra comercial com os Estados Unidos.

O mercado local, no entanto, ficou um tempo descolado do exterior por causa da entrevista dada na véspera pelo presidente Jair Bolsonaro, na qual sinalizou uma proposta de reforma previdenciária que foi entendida como mais leve, com idade mínima de aposentadoria de 62 anos para homens e 57 para mulheres.

"Ao longo o dia, o mercado também foi reavaliando a leitura sobre as declarações de Bolsonaro. Não é porque ele falou em idade mínima de 62-57 anos que necessariamente é ruim", disse Serrano, ressaltando que ainda faltam informações sobre a proposta.

O BC vendeu nesta sessão 13,4 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 2,01 bilhões de dólares do total de 13,398 bilhões de dólares que vencem em fevereiro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Wall St salta após dados do mercado de trabalho dos EUA e comentários de Powell

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NOVA YORK (Reuters) - Wall Street se recuperou nesta sexta-feira e fechou no nível mais alto em duas semanas, após um forte relatório do mercado de trabalho dos Estados Unidos em dezembro e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, garantir que o banco central será paciente e flexível na condução da política de juros.

Em uma sessão emblemática da volatilidade que dominou os mercados durante semanas, os três principais índices de ações dos EUA subiram mais de 3 por cento em um dos maiores avanços em anos. Os ganhos mais do que compensaram as perdas da sessão anterior e foram liderados pelo setor de tecnologia, que se recuperou do maior declínio diário em mais de sete anos após a Apple cortar suas perspectivas de vendas.

O índice Dow Jones subiu 3,29 por cento, a 23.433 pontos, o S&P 500 ganhou 3,43 por cento, a 2.531 pontos e o Nasdaq avançou 4,26 por cento, a 6.738 pontos.

Desde que atingiu um piso de 20 meses na véspera de Natal, o índice S&P 500 subiu 7,7 por cento. O avanço desta sexta-feira, medido pelo número de ações em alta versus as que caíram, foi o mais amplo em mais de oito anos.

O principal catalisador para o aumento foi o relatório do mercado de trabalho dos EUA em dezembro, que mostrou a maior criação de vagas em 10 meses e muito superior ao esperado por economistas, e comentários de Powell do Fed.

Em declarações à Associação Econômica Americana, Powell acalmou os nervos do mercado com garantias de que o banco central é sensível aos riscos que preocupam os investidores e não está em um caminho pré-definido para aumentos das taxas de juros.

"(Powell está) dizendo as coisas certas: que o Fed está preparado para mudar, que está ouvindo atentamente, que é sensível às mensagens que o mercado está enviando", disse James Athey, gerente sênior de investimentos da Aberdeen Standard Investments, em Londres. "É uma boa mensagem para o mercado que está começando a se consumir de medo".

Ainda assim, outros alertam que a montanha-russa de sobe e desce do mercado esta semana pode ser o novo normal.

Todos os 11 principais setores do S&P 500 encerraram a sessão em território positivo, com as ações de tecnologia, serviços de comunicação, materiais e industrias tendo os maiores ganhos percentuais.

As ações da Apple subiram 4,3 por cento e lideraram o avanço do setor de tecnologia, com a companhia começando a recuperar o terreno perdido após o alerta feito na quarta-feira sobre as vendas no trimestre das festas de fim de ano.

Fonte: Reuters

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