Ibovespa fecha em nova máxima recorde apoiado nos ganho em Wall Street

Publicado em 04/01/2019 18:50 e atualizado em 04/01/2019 19:56
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SÃO PAULO (Reuters) - O mercado acionário brasileiro se firmava no azul nesta sexta-feira após alternar alta e baixa mais cedo, apoiando-se nos ganhos de Wall Street, diante de fortes dados de emprego dos Estados Unidos.

Às 14:13, o Ibovespa subia 1,14 por cento, para 92.609,32 pontos. O giro financeiro somava 7,8 bilhões de reais.

O índice começou o dia pressionado por embolso de lucros, na esteira de declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre uma reforma da Previdência com idade mínima mais baixa que a esperada, chegando a cair 0,8 por cento no pior momento.

Mas a abertura positiva das bolsas norte-americanas contagiou o mercado doméstico. Com isso, o Ibovespa chegou a subir à máxima intradia de 92.701 pontos.

"Lá fora hoje é um dia muito favorável para ativos de risco... Mesmo com os comentários do Bolsonaro não fazia sentido seguir realizando (lucros)", afirmou Rafael Passos, analista da Guide Investimentos.

Em Wall Street, o S&P 500 subia cerca de 2,6 por cento, enquanto o Dow Jones avançava 2,9 por cento, acentuando os ganhos depois de comentários do chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, para acalmar investidores preocupados com a desaceleração econômica dos EUA.

Mais cedo, o Departamento de Trabalho dos EUA informou que a criação de vagas de empregos no país cresceu no maior ritmo em 10 meses em dezembro, enquanto os salários aumentaram. Foram criadas 312 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em dezembro, o maior ganho desde fevereiro.

DESTAQUES

- CIELO ON saltava 7,7 por cento, liderando os ganhos do Ibovespa, em meio a otimismo sobre a economia brasileira e tendo ainda no radar as liquidações de varejistas para impulsionar as vendas do primeiro trimestre.

- USIMINAS PNA subia 6,2 por cento, também entre os melhores desempenhos do índice, em movimento alinhado ao de siderúrgicas no exterior, na esteira do avanço dos preços do aço na China. Ainda no setor, GERDAU PN avançava 3,3 por cento e CSN ON ganhava 4,94 por cento.

- VALE ON valorizava-se em 5,6 por cento, entre as principais influências positivas do índice, após a cotação do minério de ferro atingir máxima em mais de dois meses na China com otimismo sobre a demanda.

- PETROBRAS PN subia 0,9 por cento e PETROBRAS ON ganhava 0,6 por cento, revertendo perdas de mais cedo, de carona na alta dos preços do petróleo no mercado internacional.

- TAESA UNIT avançava 3,95 por cento, depois que os acionistas da elétrica aprovaram a aquisição de ativos de transmissão de energia da Âmbar, controlada pela holding J&F, em negócio orçado em mais de 940 milhões de reais.

- ITAÚ UNIBANCO ganhava 0,2 por cento, enquanto BRADESCO PN subia 1 por cento. BANCO DO BRASIL ON ganhava 0,9 por cento e SANTANDER UNIT tinha estabilidade.

- EMBRAER ON recuava 1,14 por cento, após comentários do presidente Jair Bolsonaro sobre a aliança da fabricante brasileira de aeronaves com a norte-americana Boeing sinalizando receios com o futuro da empresa.

Marcos Cintra, da Receita, nega aumento do IOF após se reunir com Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro no Congresso Nacional

BRASÍLIA (Reuters) - O secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, afirmou nesta sexta-feira, após se reunir com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, que não haverá aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), ao contrário do que disse o presidente mais cedo em entrevista.

Segundo Bolsonaro, a medida seria necessária para compensar a prorrogação de benefícios fiscais às regiões Norte e Nordeste, após ter sancionado lei que prorroga incentivos fiscais para empresas instaladas nas áreas de atuação das superintendências do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Nordeste (Sudene).

Por determinação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), esses casos exigem que haja compensação do ponto de vista fiscal, o que pode acontecer via aumento de impostos ou redução de benefícios tributários.

No entanto, Cintra afirmou que, na prática, essa compensação não precisará ser feita já que Bolsonaro limitou o uso dos benefícios à disponibilidade de recursos orçamentários previstos na lei orçamentária de 2019. O secretário afirmou ter se reunido pessoalmente com Bolsonaro no Palácio do Planalto, em agenda que não foi divulgada publicamente.

"O impacto em 2019 facticamente e juridicamente não existirá. Juridicamente porque não há necessidade de compensação, não vai se utilizar recursos além do que está previsto no Orçamento de 19", disse Cintra a jornalistas, no Palácio do Planalto.

Questionado sobre as declarações de Bolsonaro, ele afirmou que deve ter ocorrido "alguma confusão".

"Ele não assinou nada. Ele sancionou o benefício e assinou um decreto limitando o usufruto desse benefício à existência de recursos orçamentários", disse.

SEM ALTERAÇÃO DE IR

Em entrevista posterior à Globonews, Cintra afirmou que não vai haver nada de alteração do Imposto de Renda -- reportagens publicadas na sexta-feira pela imprensa apontariam para mudança de alíquotas. O próprio presidente Bolsonaro disse, nesta sexta-feira, que a alíquota mais alta do Imposto de Rende, hoje em 27,5 por cento, passaria para 25 por cento.

"Imposto de Renda é um capítulo da reforma tributária que vai ser analisada posteriormente, no tempo correto, no tempo devido", disse Cintra. Mais cedo nesta semana, Cintra defendeu a redução das alíquotas do IR para empresas e pessoas físicas, mas também a criação de alíquotas adicionais para detentores de rendas maiores.

O secretário também reafirmou que não haverá "nenhum incremento" de IOF para dar respaldo e oferecer compensação aos benefícios fiscais que estão sendo concedidos agora para Sudam e Sudene.

Questionado pela Globonews se a fala do presidente deve ser relativizada, Cintra disse que Bolsonaro deveria estar "provavelmente" se referindo a "algum outro fato ou alguma outra época ou algum outro debate não a este que está especificamente relacionado à questão deste benefício fiscal".

À TV, o secretário disse que a conversa com Bolsonaro foi "excelente". "Ele está animado com as perspectivas de desenvolvimento do país, trabalhando com muito afinco e sobretudo transmitindo um otimismo a todos nós que é contagiante", disse.

Fonte: Reuters

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