Dólar termina em baixa ante real com otimismo em relação às negociações comerciais EUA-China

Publicado em 08/01/2019 17:20 e atualizado em 08/01/2019 22:18
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Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em baixa ante o real nesta terça-feira, com o mercado otimista com um provável desfecho positivo nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China e também com o governo Jair Bolsonaro, que realizou nesta terça-feira uma nova reunião ministerial.

O dólar recuou 0,50 por cento, a 3,7155 reais na venda, depois de ter subido 0,53 por cento na véspera. Durante a sessão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de 3,7045 reais e a máxima de 3,7435 reais.

"O mercado entrou o ano com um viés otimista com o Brasil... além disso, tem a notícia de que a reforma da Previdência tende a ser até mais agressiva do que a de Temer", disse o operador de câmbio da corretora H.Commcor Cleber Alessie Machado.

Ele se referia à notícia trazida pela Folha de S.Paulo de que a equipe econômica do novo governo estuda proposta de reforma da Previdência que prevê uma regra de transição de 10 a 12 anos, período bem mais curto do que os 21 anos previstos na versão do ex-presidente Michel Temer, o que representaria uma maior economia de gastos.

Mas, após a segunda reunião ministerial do governo Bolsonaro, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, disse apenas que as idades mínimas para aposentadoria precisam ser viáveis para que a reforma da Previdência possa ser aprovada no Congresso.

Sem nenhuma medida por ora, o mercado espera que o encontro desta terça-feira tenha servido ao menos para que a equipe se alinhe depois do mal-estar da última semana, quando o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro “se equivocou” ao dizer que havia assinado um aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O episódio levou o ministro da Economia, Paulo Guedes, a tecer uma série de elogios na véspera ao presidente e a afirmar que a equipe está afinada.

Os investidores também ficaram atentos ao encontro entre representantes dos Estados Unidos e da China, na tentativa de costurar um acordo que dê fim à guerra comercial entre os dois países, que ameaça uma desaceleração econômica global.

Steven Winberg, um representante da delegação dos EUA, disse que as negociações continuarão na quarta-feira.

No exterior, o dólar subia ante a cesta de moedas, em dia de recuo do euro com pressão de dados fracos sobre a economia alemã. A moeda norte-americana operava mista ante as divisas de países emergentes, em alta ante o rublo e queda ante o peso chileno.

O BC vendeu nesta sessão 13,4 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 3,350 bilhões de dólares do total de 13,398 bilhões de dólares que vencem em fevereiro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Bolsa fecha acima de 92 mil pontos e dólar recua com negociações entre China e EUA (na FOLHA)

A Bolsa brasileira teve alta modesta nesta terça-feira (8), mas suficiente para superar pela primeira vez o patamar de 92 mil pontos, em um dia mais benigno para mercados acionários. O dólar recuou e segue próximo ao patamar de R$ 3,70.

Com noticiário fraco, investidores se apegaram a notícias de que China e Estados Unidos persistem nas negociações para por fim à guerra comercial travada entre os dois países.

Haverá uma nova rodada de conversas nesta quarta (9), que não estava prevista na agenda, após duas reuniões na segunda e terça-feira.

O Ibovespa, principal índice acionário do país, teve ganho de 0,36% e fechou cotado a 90.031 pontos. O giro financeiro foi de R$ 14,2 bilhões.

No noticiário doméstico, investidores aguardam detalhes sobre a reforma da Previdência que é discutida pelo governo Bolsonaro.

No exterior, as Bolsas americanas avançavam, seguindo os ganhos dos principais índices europeus.

O dólar voltou a cair ante o real e terminou o dia cotado a R$ 3,7160 (-0,48%).

"O mercado entrou o ano com um viés otimista com o Brasil... além disso, tem a notícia de que a reforma da Previdência tende a ser até mais agressiva do que a de Temer", disse o operador de câmbio da corretora H.Commcor Cleber Alessie Machado.

No exterior, o dia foi majoritariamente negativo para moedas emergentes. De uma cesta de 24 divisas, 19 perderam força ante a americana.

Fonte: Reuters/Folha

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