Oceanos se aquecem mais rápido que o esperado e batem recorde de calor em 2018, dizem cientistas

Publicado em 10/01/2019 18:56
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OSLO (Reuters) - Os oceanos estão se aquecendo mais rápido do que o estimado anteriormente, tendo atingido um novo recorde de temperatura em 2018 e mantendo uma tendência prejudicial à vida marinha, disseram cientistas nesta quinta-feira.

Novas medições, feitas com o auxílio de um rede internacional de 3,9 mil flutuantes lançados nos oceanos desde o ano 2000, mostraram o aquecimento mais acentuado desde 1971 e maior do que o calculado pela mais recente avaliação da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o aquecimento global, feita em 2013, segundo os pesquisadores.

Eles acrescentaram que “registros observacionais do calor interno do oceano mostram que o aquecimento está acelerando”, escreveram cientistas da China e dos Estados Unidos em estudo publicado na revista Science, para o qual foram medidas as temperaturas até os 2 mil metros de profundidade.

A emissão de gases do efeito estufa pela ação humana estão aquecendo a atmosfera, de acordo com a grande maioria dos climatologistas, e uma grande parte desse calor é absorvida pelos oceanos. Isso obriga a vida marinha a fugir para águas mais frias.

“O aquecimento global está aqui e já tem grandes consequências. Não resta dúvida, nenhuma!”, escreveram os autores do estudo em um comunicado.

Pelo Acordo do Clima de Paris, cerca de 200 países concordaram em reduzir o uso de combustíveis fósseis ainda neste século, com o objetivo de conter o aquecimento. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que quer promover os combustíveis fósseis produzidos nos EUA, planeja se retirar do pacto em 2020.

Aquecimento dos oceanos está mais rápido e calor bate recorde em 2018 (no ESTADÃO)

Os dados apontam que 2018 provavelmente será o ano mais quente para os oceanos desde que se iniciaram os registros históricos – recorde quebrado pelo terceiro ano consecutivo, o que mostra a tendência de aquecimento

Responsáveis por absorver cerca de 93% do excesso de energia solar aprisionado no planeta por causa da alta concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, os oceanos estão aquecendo mais rápido do que se imaginava e se apresentam como um sinal claro das mudanças climáticas sofridas pelo planeta.

Mar aquecido

Tempestade Harvey é vista se aproximando do Texas, nos EUA, em 2017. O aquecimento dos oceanos, que vem batendo recordes consecutivos, promove um aumento de tempestades como essa. Foto: Noaa

De acordo com pesquisadores da China e dos Estados Unidos, liderados por Lijing Cheng, do Instituto de Física Atmosférica da Academia de Ciências Chinesa, observações feitas por quatro sistemas de observação confirmam não só que o oceano está aquecendo, como de forma acelerada. A análise foi publicada nesta quinta-feira, 10, na revista Science. Um dos modelos, o Argo, conta com quase 4 mil robôs flutuantes ao redor do planeta, fazendo medições desde o ano 2000. Os outros consideraram medições ajustadas desde os anos 1970.

Os dados apontam que 2018 provavelmente será o ano mais quente para os oceanos desde que se iniciaram os registros históricos – recorde quebrado pelo terceiro ano consecutivo, o que mostra a tendência de aquecimento.

Para o planeta como um todo, 2018 provavelmente foi o 4º ano mais quente (os dados consolidados devem ser divulgados até o final da semana que vem), mas essa diferença ocorre porque a temperatura na superfície é influenciada também por outros fatores, como o El Niño – que ajudou 2016 a ser o ano mais quente da história – e erupções vulcânicas.

Já os oceanos são menos afetados por essas variações anuais. “Os sinais de aquecimento global são muito mais fáceis de detectar se a mudança está ocorrendo nos oceanos do que na superfície”, disse Zeke Hausfather, pesquisador da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos autores do trabalho.

A nova análise mostra que as tendências de aquecimento dos oceanos correspondem às previstas pelos principais modelos de mudança climática, o que dá força para as previsões futuras também estarem certas.

 
Modelos usados no último relatório geral do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas preveem que num cenário de “business as usual”, em que nenhum esforço seja feito para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, a temperatura dos primeiros 2.000 metros de profundidade dos oceanos do mundo aumentará 0,78 °C até o final do século. 
A expansão térmica causada por esse aumento na temperatura – pense no que ocorre com a água em uma chaleira fervente – elevaria os níveis do mar em mais 30 centímetros além da já significativa elevação do nível do mar causada pelo derretimento das geleiras e dos lençóis de gelo. Oceanos mais quentes também contribuem para a ocorrência de tempestades mais fortes, furacões e precipitações extremas, além de afetarem a vida marinha, que precisa fugir para águas mais frias.

Conter aumento de temperatura pode evitar danos maiores: 

  1. Entre 1901 e 2010, o nível do mar global médio já subiu cerca de 20 centímetros.
  2. Há estimativas de que ele pode subir pelo menos mais uns 30 centímetros até 2100.
  3. Relatório do IPCC mostra que conter o aumento da temperatura do planeta a 1,5°C até 2100, em vez de 2°C, representaria um aumento de 10 centímetros a menos
  4. Evitar esse aumento de 10 centímetros a mais no nível do mar globalmente implicaria em deixar até 10 milhões de pessoas a menos expostas aos riscos relativos.
  5. Conter o aquecimento dos oceanos e sua elevação também pode ser benéfico para os estoques pesqueiros. Um modelo global projeta uma queda de cerca de 1,5 milhão de toneladas no total de pescado em um mundo 1,5°C mais quente. Essa perda pode chegar a 3 milhões de toneladas se a temperatura subir 2°C.

Agroconsult corta previsão para safra de soja do Brasil em 4,2% por tempo ruim

SÃO PAULO (Reuters) - A safra de soja 2018/19 do Brasil, já em colheita, deverá totalizar 117,6 milhões de toneladas, projetou nesta quinta-feira a Agroconsult, em um corte de 4,2 por cento ante a estimativa anterior, de 122,8 milhões, em razão da irregularidade climática há mais de um mês.

Produtores e representantes já vinham cortando suas expectativas para a safra do maior exportador global da oleaginosa em virtude das temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média.

Mais cedo nesta quinta-feira, foi a vez de a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citar “danos irreversíveis” e reduzir sua estimativa para 118,8 milhões de toneladas.

“Tudo leva a crer que a safra recorde do ano passado não será repetida”, afirmou o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa, durante coletiva em São Paulo para apresentar o Rally da Safra 2019, expedição agrícola que percorrerá diversos Estados do país nas próximas semanas avaliando as lavouras.

Em 2017/18, o Brasil produziu 119,3 milhões de toneladas de soja.

“Mais importante que a falta de chuvas foi o nível de temperatura extremamente alto alcançado em algumas regiões, o que encurtou o ciclo da soja em algumas regiões, reduzindo o peso do grão”, destacou Pessôa, acrescentando que só em Mato Grosso do Sul e Paraná as perdas somadas já chegam a 3,5 milhões de toneladas.

“Onde já tivemos quebra foi em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Piauí”, disse, citando encurtamentos de ciclos de uma semana a até 10 dias em certas áreas produtoras.

Dados do Agriculture Weather Dashboard, do Refinitiv Eikon, mostram que nos últimos dois meses choveu abaixo da média em diversos Estados, desde Paraná e Mato Grosso do Sul, passando por Mato Grosso e Goiás até a fronteira agrícola do Matopiba, composta por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Em Mato Grosso, líder nacional em produção de soja, há áreas com chuvas de mais de 150 milímetros aquém do normal, como no sudeste do Estado. No Paraná, o segundo maior produtor, os receios se voltam para a porção oeste, onde choveu até 88,3 milímetros a menos.

A falta de chuvas em bons volumes e altas temperaturas afetaram as lavouras em importante momento de desenvolvimento.

Para Pessôa, o viés é de baixa para a safra de soja, já que ainda há riscos climáticos.

Ele explicou que as lavouras apresentaram enraizamento não tão profundo neste ano em algumas regiões em razão justamente de chuvas em bom volume na fase de plantio. Assim, quando as condições ficaram adversas, houve maior estresse sobre as plantas.

Como resultado de uma esperada safra menor e de estoques enxutos após exportações recordes de cerca de 84 milhões de toneladas em 2018, a Agroconsult estima agora embarques de cerca 73 milhões em 2019, quantidade que pode ser diminuída caso ocorram mais cortes na previsão de safra.

O sócio-diretor destacou ainda que a rentabilidade do sojicultor em 2018/19 tende a ser menor, com preços mais baixos, e que a queda do dólar ante o real vem reduzindo o ritmo de vendas.

“Temos algo como 40, 45 por cento da soja comercializada. Não é por conta da guerra comercial (entre China e EUA) que estamos com a comercialização paralisada. Se formos colocar na balança, o fator mais restritivo é o câmbio... Acho que vamos retomar essa comercialização à medida que a colheita se intensifica”, afirmou.

Segundo ele, em torno de 50 milhões de toneladas de soja devem colhidas só em fevereiro, contra 30 milhões há um ano.

MILHO

Para o milho, a Agroconsult estima uma safra total de 95,6 milhões de toneladas, divididas em 27 milhões na primeira, colhida no verão, e 68,6 milhões na segunda, a “safrinha”, que fica para meados do ano.

Em 2017/18, a produção foi de 80,8 milhões de toneladas, sendo 26,8 milhões na primeira safra e 54 milhões na segunda –esta foi particularmente prejudicada por adversidades climáticas.

O sócio-diretor da Agroconsult disse que a área plantada com milho neste ano deverá aumentar 5,1 por cento, para 17,4 milhões de hectares, com produtores de olho em uma esperada “janela ideal” para semeadura.

A Agroconsult estima exportação de 31 milhões de toneladas de milho neste ano, após cerca de 23 milhões em 2018, mas Pessôa ponderou que a concretização desse volume dependerá de preço na Bolsa de Chicago e câmbio.

“Vistos hoje, esses 31 milhões são mais um desejo, mais um olhar pelo lado da demanda, do que uma tendência mesmo de exportação. Estamos com um desafio”, concluiu.

Fonte: Reuters

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