Ibovespa fecha em leve queda mas avança 2% em semana de máximas

Publicado em 11/01/2019 18:11 e atualizado em 11/01/2019 21:27
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SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista fechou em leve queda nesta sexta-feira, em meio a movimentos de realização de lucros e fraqueza em Wall Street, após um semana de recordes do Ibovespa, que se aproximou dos 94 mil pontos e contabilizou valorização de 2 por cento no período.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,16 por cento, a 93.658,31 pontos, tendo alcançado 93.960,78 pontos na máxima do dia.

O volume financeiro somou 15,01 bilhões de reais.

Na semana, o Ibovespa renovou máxima de fechamento três vezes, encerrando na quinta-feira a 93.805,93 pontos, em sessão que chegou a 93.987,17 pontos no melhor momento.

O pano de fundo, segundo agentes de mercado, continua favorável a ações brasileiras, tendo em vista a agenda liberal do governo e perspectivas de um Federal Reserve 'flexível'.

Ainda assim, esses operadores não descartam alguma volatilidade, em meio a ajustes de posições e movimentos de realização de lucros, dado o rali nos papéis.

Após o Ibovespa acumular alta de 15 por cento em 2018, os primeiros dias de 2019 já resultam em um ganho adicional de 6,6 por cento.

Tal desempenho ocorre mesmo com os estrangeiros ainda hesitantes, conforme dados de capital externo na Bovespa, ainda negativo em mais de 1 bilhão de reais no ano até o dia 9.

Para Jorge Mariscal, diretor de investimentos em mercados emergentes da UBS Wealth Management, o mercado brasileiro foi um dos melhores no ano passado e muito otimismo foi precificado, então reduzir alguma exposição é algo prudente a se fazer.

Ele, contudo, afirma esperar um retorno do fluxo de recursos para as ações brasileiras se a reforma da Previdência for aprovada.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN cedeu 1,07 por cento, em sessão de queda do preço do petróleo no exterior. O papel também segue volátil a expectativas relacionadas ao desfecho da revisão do contrato de cessão onerosa com a União. Na semana, porém, subiu cerca de 1 por cento.

- VALE fechou em baixa de 1,36 por cento, também pesando no Ibovespa, mas acumulou na semana ganho de 0,4 por cento. Analistas reiteraram recentemente em relatórios visão positiva para os papéis da mineradora.

- ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,61 por cento, pesando negativamente no Ibovespa, assim como BRADESCO PN, que caiu 0,65 por cento. BANCO DO BRASIL, por sua vez, avançou 0,41 por cento.

- GOL PN avançou 7,35 por cento, entre os destaques do Ibovespa, após a companhia revisar projeções para uma série de indicadores econômicos, elevando entre eles as estimativas de margem Ebitda de 2018 e 2019.

- EMBRAER subiu 2,57 por cento, após o governo abrir caminho na quinta-feira para a aliança de 5,3 bilhões de dólares da fabricante brasileira de aeronaves com a norte-americana Boeing. Na máxima, os papéis subiram 10 por cento.

- GPA PN ganhou XX3,63 por cento, em meio à divulgação de que a receita líquida no quarto trimestre somou 14 bilhões de reais, um crescimento de 12 por cento sobre o desempenho obtido um ano antes.

- BRF cedeu 2,13 por cento, tendo no radar venda da sua controlada Campo Austral, concluindo a saída da Argentina, por 35,5 milhões de dólares. A XP Investimentos cortou a recomendação dos papéis para 'neutra'.

Wall St tem leve recuo com investidores de olho no início da temporada de balanços

NOVA YORK (Reuters) - Wall Street fechou nesta sexta-feira em leve baixa, com a queda nas ações de energia e investidores de olho no início da temporada de resultados na próxima semana, com a divulgação dos dados do Citigroup, JPMorgan e outros grandes bancos.

O Dow Jones Industrial Average <.DJI> caiu 0,02 por cento, a 23.995 pontos, o S&P 500 <.SPX> perdeu 0,01 por cento, a 2.596 pontos, e o Nasdaq Composite <.IXIC> caiu 0,21 por cento, a 6.971 pontos.

ANÁLISE da REUTERS:

Bolsa brasileira interessa a estrangeiro, mas governo precisa mostrar serviço

SÃO PAULO (Reuters) - Uma famosa citação do bilionário Warren Buffett, de que é muito melhor comprar uma empresa maravilhosa por um preço justo do que uma empresa justa por um preço maravilhoso, pode ajudar a explicar o comportamento de investidores estrangeiros em relação às ações brasileiras neste começo de ano.

A bolsa brasileira começou 2019 com o Ibovespa renovando máximas históricas, mas o capital externo, que responde por quase metade das operações de compra e venda e será essencial para a continuidade do rali, ainda se mostra hesitante, aparentemente aguardando um quadro mais claro sobre o avanço de reformas no país, mesmo que isso tenha um preço.

O presidente Jair Bolsonaro tomou posse em 1º de janeiro e sua equipe adotou um discurso liberal para a economia, prometendo principalmente medidas fiscais, o que agradou o mercado de forma geral, mas em particular fundos locais, que têm sido determinantes para o rali nos últimos dias.

Índice de referência do mercado acionário do Brasil, o Ibovespa renovou seis vezes a máxima histórica desde o começo do ano, acumulando nas duas primeiras semanas alta de 6,7 por cento até a quinta-feira.

As operações de investidores estrangeiros no segmento Bovespa, contudo, mostram saída líquida de 1,1 bilhão de reais no acumulado do ano até 9 de janeiro, mas sem uma tendência única durante os pregões, conforme dados da B3. Em 2018, o resultado ficou negativo no ano em 11,5 bilhões de reais.

Números da EPFR Global por sua vez, que consideram também alocação em fundos de ações brasileiras no exterior, recibos de ações em bolsas externas e ETFs (fundo de índices negociado em bolsa), mostram saldo líquido positivo de 410 milhões de dólares no acumulado do ano.

Neste ambiente, Daniel Gewehr, chefe de estratégia em renda variável para América Latina no Santander Brasil em São Paulo, está na expectativa de evento do banco no próximo mês em Cancún, no México, que prevê a participação de cerca de 300 investidores internacionais, para reexaminar o sentimento dos investidores sobre o Brasil.

No final do ano passado, ele se encontrou com cerca de 50 gestores nos Estados Unidos, que demonstraram cautela com o Brasil, preferindo esperar algo de concreto no novo governo, principalmente em relação à reforma da Previdência.

"Eles não esperam necessariamente a aprovação dessa reforma no curto prazo, mas um 'momentum' de execução positivo, que poderia vir com a aprovação da revisão do contrato de cessão onerosa, racionalização de ativos estatais ou até da proposta de independência do Banco Central, e que culminaria na aprovação da reforma da Previdência", disse Gewehr.

Investidores veem a mudança no regime atual de Previdência do país como crucial para a melhora da situação fiscal brasileira, a fim de estabilizar o comportamento da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que alcançava 77 por cento em novembro, o dado mais recente disponível.

Uma melhora nessa quadro teria efeito de queda na curva longa de juros do país, que é vista como uma das principais métricas para o investimento em ações.

Para Jorge Mariscal, diretor de investimentos em mercados emergentes da UBS Wealth Management, em Nova York, a bolsa brasileira foi um dos melhores do mercado no ano passado e muito otimismo foi precificado, então reduzir alguma exposição é algo prudente a se fazer.

Ele, contudo, afirma esperar um retorno do fluxo de recursos para as ações brasileiras se a reforma da Previdência for aprovada. "Há alguns obstáculos políticos para aprovar uma reforma previdenciária, mas a dinâmica positiva está aumentando", afirmou.

Em meados de novembro, estrategistas do BTG Pactual estimaram uma entrada potencial de 251 bilhões de reais em ações brasileiras se as alocações dos fundos globais e daqueles voltados para mercados emergentes globais (GEM, na sigla em inglês) voltassem ao patamar de outubro de 2014.

O gestor Pablo Riveroll, chefe de renda variável para América Latina na Schroders, em Londres, afirma que está 'overweight' em Brasil e que tem comprado Brasil nos últimos meses.

"O Brasil é um dos mercados mais atraentes em relação ao restante dos mercados emergentes; tem uma recuperação doméstica cíclica que é relativamente independente do crescimento global e achamos que os preços (valuations) ainda são atraentes apesar do bom desempenho do mercado", afirmou.

Das 66 ações que compõem o Ibovespa, cerca de nove apenas apresentam desempenho negativo no acumulado do ano até esta sexta-feira.

Chris Dhanraj, chefe de estratégia de investimentos em iShares nos EUA da BlackRock, em Nova York, afirma que o crescimento acelerado e o excesso de capacidade produtiva do Brasil são uma combinação poderosa para a expansão dos lucros, com analistas estimando uma alta de 20 por cento em 2019.

"Investidores também esperam mais retornos do Brasil se o presidente Bolsonaro puder implementar mais reformas econômicas, que incluem privatizações, previdência social, tributária e liberalização do comércio.

Para o operador Alexandre Soares, da filial brasileira da norte-americana BGC Partners, apesar do fluxo via ETFs, os estrangeiros podem estar com uma postura um pouco "São Tomé", de precisar ver para crer, e assim aumentar de forma relevante a exposição a ações brasileiras.

Fonte: Reuters

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