Com paralisação do governo, Pelosi pede a Trump que adie discurso do Estado da União

Publicado em 16/01/2019 17:46 e atualizado em 16/01/2019 21:23
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Por Makini Brice e James Oliphant

WASHINGTON (Reuters) - Com a paralisação parcial do governo dos Estados Unidos em seu 26º dia, a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, pediu ao presidente Donald Trump que remarque seu discurso do Estado da União --uma tentativa de evitar que o presidente utilize a solenidade para criticar os democratas devido ao impasse, dentro da própria Casa que controlam.

Pelosi escreveu para Trump, cujo discurso está marcado para 29 de janeiro, alegando preocupações de segurança em função da falta de recursos do Serviço Secreto --cuja atuação é exigida durante o pronunciamento-- devido à paralisação. 

O impasse foi provocado pela exigência de Trump por verbas para a construção de um muro prometido por ele na fronteira entre os EUA e o México.

Os presidentes norte-americanos tradicionalmente fazer o discurso do Estado da União, no qual apresentam as metas do governo para o ano, na Câmara dos Deputados, em uma sessão conjunta do Congresso que conta ainda com a presença da maior parte do gabinete ministerial.

Os democratas assumiram o controle da Câmara após as eleições parlamentares do ano passado. Durante a paralisação do governo, Trump tem culpado com frequência seus adversários pela paralisação, embora antes tenha dito que assumiria a responsabilidade.

Em declarações a jornalistas nesta quarta-feira, Pelosi sugeriu que se Trump não concordar em remarcar o discurso para depois da reabertura do governo, ele pode em vez disso fazer o pronunciamento no Salão Oval, cenário menos grandioso que o plenário da Câmara.

A Casa Branca não comentou o pedido de Pelosi, e a carta dela pareceu surpreender assessores do presidente. Na mensagem, ela convida Trump a fazer o discurso de Estado da União no Capitólio, mas diz que a paralisação complica a situação.

“Infelizmente, devido às preocupações de segurança e a menos que o governo reabra nesta semana, sugiro que trabalhemos juntos para determinar outra data adequada para esse pronunciamento, para depois que o governo tenha reaberto, ou que considere encaminhar o discurso do Estado da União por escrito ao Congresso”, escreveu Pelosi.

O congressista Jim Jordan, integrante de um grupo grupo de republicanos conservadores próximos a Trump, disse que a manobra de Pelosi mostra até onde os democratas estão dispostos a ir para obstruir Trump.

Nesta quarta-feira, Trump deve sancionar uma legislação que garanta o pagamento retroativo, quando o governo for reaberto, do salário de 800 mil servidores federais.

Mercado de trabalho dos EUA fica mais forte, salários crescem moderadamente, diz Fed em Livro Bege

WASHINGTON (Reuters) - O mercado de trabalho ficou mais forte nos Estados Unidos, com as empresas enfrentando dificuldades para encontrar trabalhadores em qualquer nível de qualificação, e os salários em geral cresceram moderadamente, disse o Federal Reserve nesta quarta-feira em seu mais recente relatório sobre a economia.

O Livro Bege do banco central norte-americano, um relatório da economia a partir de discussões com representantes do empresariado, mostrou um mercado de trabalho forte ao redor de todos os 12 distritos do Fed, com a maioria reportando ganhos moderados nos salários.

A maioria dos distritos também relatou aumentos de preços de modestos a moderados, com alguns afirmando que tarifas mais elevadas impulsionaram os custos.

O Fed reportou que as perspectivas para a economia em geral foram positivas, mas acrescentou que muitos distritos disseram que os representantes ouvidos estavam menos otimistas devido à maior volatilidade do mercado financeiro, crescentes taxas de juros de curto prazo, queda nos preços de energia, e elevada incerteza política e comercial.

O efeito da paralisação parcial do governo dos Estados Unidos, que agora está em sua quarta semana, parece não ter aparecido durante a compilação do Livro Bege.

A única menção de impacto relacionado à paralisação veio do Fed de Chicago, que disse que produtores e outros estavam enfrentando maior incerteza devido à divulgação mais lenta de relatórios de agricultura pelo governo. Pagamentos a agricultores impactados por tarifas também foram prejudicados pela paralisação.

Fonte: Reuters

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