Trump diz que um acordo comercial com a China "pode muito bem acontecer"

Publicado em 18/01/2019 18:33 e atualizado em 19/01/2019 18:26
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WASHINGTON (Reuters) - O presidente norte-americano, Donald Trump, disse neste sábado que houve progresso em relação a um acordo comercial com a China, mas negou que esteja considerando levantar as tarifas sobre as importações chinesas. 

"As coisas estão indo muito bem com a China e com o comércio", disse ele a jornalistas na Casa Branca, acrescentando que viu algumas “informações falsas” indicando que as tarifas norte-americanas sobre produtos chineses seriam levantadas.

"Se chegarmos a um acordo certamente não teremos sanções e, se não chegarmos a um acordo, teremos", disse Trump. "Nós tivemos um número extraordinário de reuniões e um acordo pode muito bem acontecer com a China. Está indo bem. Eu diria que está indo tão bem quanto possível."

O vice-primeiro-ministro chinês Liu He visitará os Estados Unidos em 30 e 31 de janeiro para a próxima rodada de negociações comerciais com Washington.

A visita ocorrerá após negociações de menor nível ocorridas em Pequim na semana passada para solucionar a amarga disputa entre as duas maiores economias do mundo até 2 de março, quando o governo Trump agendou um aumento de tarifas sobre produtos chineses avaliados em 200 bilhões de dólares.

De acordo com fontes informadas sobre as negociações, citadas exclusivamente pela Reuters na sexta-feira, os EUA estão pressionando por revisões regulares do progresso da China nas prometidas reformas comerciais como uma condição para um acordo comercial – e podem recorrer a tarifas novamente se considerar que Pequim violou o acordo.

China oferece aumentar importação de produtos dos EUA, diz Bloomberg

(Reuters) - A China apresentou um plano de compras de seis anos para incrementar as importações dos Estados Unidos, com o objetivo de reconfigurar as relações entre os dois países, segundo uma fonte familiarizada com o assunto citada pela Bloomberg nesta sexta-feira.

Com um aumento de mais de 1 trilhão de dólares nas importações dos Estados Unidos, a China reduziria o saldo positivo de sua balança comercial, que no ano passado foi de 323 bilhões de dólares, para zero até 2024, segundo uma das fontes ouvidas pela Bloomberg.

Não estava clara a diferença entre esta oferta e a que foi feita pela China quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jiping, se encontraram em Buenos Aires, em dezembro. Naquela reunião, a China ofereceu o compromisso de mais 1,2 trilhão de dólares em compras, segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin.

Em 9 de janeiro, a Reuters noticiou que os representantes dos EUA aproveitaram três dias de negociações com seus pares chineses em Pequim para exigir mais detalhes sobre a promessa da China de fazer grandes compras de produtos norte-americanos. A China ofereceu compromissos similares, embora em menor escala, durante conversas em Washington em maio do ano passado.

A reportagem publicada pela Bloomberg nesta sexta-feira provocou um rali em Wall Street, onde os principais índices de ações se encaminhavam para uma quarta semana de ganhos, em parte devido ao otimismo de que os EUA e a China cheguem a um acordo para resolver a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Os dois lados têm imposto tarifas recíprocas que prejudicam o comércio na ordem de centenas de bilhões de dólares.

Enquanto uma compra maior de produtos dos EUA tem dominado parte das conversas, os negociadores norte-americanos também focam em questões que demandariam mudanças mais estruturais na China. Isso incluiria a implementação de medidas para interromper a apropriação indevida da propriedade intelectual de empresas norte-americanas e o corte em subsídios industriais.

Com a aproximação da metade dos 90 dias de trégua na guerra comercial entre China e EUA, iniciada com o encontro de Trump e Xi na reunião do G20 na Argentina em 1 de dezembro, ainda há poucos detalhes que indiquem a realização de qualquer progresso. Na terça-feira, um senador republicano disse que Robert Lighthizer, um dos representantes dos EUA nas negociações comerciais, havia lhe relatado ter visto pouco progresso sobre as questões estruturais.

Dados divulgados na segunda-feira mostraram que as exportações chinesas tiveram a maior queda em dois anos para o mês de dezembro, e que as importações também se retraíram, indicando menos vigor em 2019 para a segunda maior economia do mundo e uma maior deterioração na demanda global.

(Reportagem de Rishika Chatterjee em Bangalore)

EUA exigem verificações periódicas de reformas comerciais chinesas

PEQUIM/WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos pressionam por revisões periódicas das reformas comerciais prometidas pela China como uma condição para o acordo comercial – e podem recorrer novamente à tarifação se julgarem que Pequim não está cumprindo o acordado, disseram fontes com conhecimento das negociações sobre o fim da guerra comercial entre os dois países.

Uma ameaça contínua de tarifação pairando sobre o comércio das duas maiores economias do mundo significaria que um acordo não seria capaz de afastar o risco de investir em ativos ou negócios impactados pela guerra comercial.

“A ameaça de tarifação não vai embora, mesmo se houver acordo”, disse uma das três fontes com conhecimento das negociações, que falou à Reuters sob a condição de anonimato.

Os negociadores chineses não ficaram felizes com a ideia de verificações regulares sobre o cumprimento do acordo, disse a fonte, mas a proposta dos EUA “não desandou as negociações”.

Uma fonte chinesa disse que os EUA querem “avaliações periódicas”, mas que não ficou claro com qual frequência.

“Parece uma humilhação”, disse a fonte. “Mas talvez ambos os lados possam encontrar uma maneira de livrar a cara do governo chinês.”

O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas de importação sobre produtos chineses para pressionar Pequim a aceitar uma longa lista de exigências capazes de reformular os termos do comércio entre os dois países.

Entre as exigências estão mudanças nas políticas chinesas relacionadas à propriedade intelectual, à transferência de tecnologia, aos subsídios industriais e a outras questões comerciais.

Um processo de verificação de cumprimento é incomum em acordos comerciais e remonta ao processo utilizado quando se trata de sanções econômicas, tais como as impostas contra a Coreia do Norte e o Irã.

O mais comum é que acusações de cunho comercial sejam resolvidas por meio do Judiciário, da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou de painéis de arbitragem, bem como outros mecanismos de resolução de conflitos previstos nos próprios acordos comerciais.

A equipe de Trump tem criticado a OMC por fracassar em punir a China por não implementar as prometidas reformas no campo comercial.

Os EUA também são críticos do processo de resolução de conflitos da OMC, e buscam promover mudanças na organização.

Revisões periódicas seriam uma possível solução para atender à demanda do representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, por uma verificação contínua de qualquer pacto entre os dois países, disseram à Reuters três fontes familiarizadas com as negociações.

A ameaça de tarifação serviria para manter a continuidade das reformas, disseram as fontes.

Exportação do agronegócio do Brasil tem recorde de US$ 101,7 bi em 2018 com China, diz governo

O recorde anual anterior ocorreu em 2013, quando o país exportou 99,9 bilhões de dólares. O Brasil é o maior exportador global de itens como açúcar, café, suco de laranja e soja.

De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do ministério, as exportações para a China aumentaram em 9 bilhões de dólares no ano passado, à medida que o gigante asiático se voltou principalmente à soja brasileira, dada a guerra comercial entre Pequim e Washington.

No complexo soja, o grão foi o principal produto exportado, com volume recorde de 83,6 milhões de toneladas em 2018. Segundo o boletim da secretaria, "o incremento na quantidade exportada não ocorreria sem a forte demanda chinesa".

Já o comércio de carne bovina in natura atingiu volume recorde na série histórica iniciada em 1997. No ano passado, foram exportadas 1,35 milhão de toneladas (+12,2 por cento), sendo 322,3 mil toneladas à China.

A celulose também registrou bom desempenho em 2018, graças à demanda da China, disse a secretaria do ministério.

Fonte: Reuters

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