Dólar fecha com leve alta ante real acompanhando exterior após fala de Draghi

Publicado em 24/01/2019 18:58 e atualizado em 25/01/2019 03:16
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SÃO PAULO (Reuters) - O dólar encerrou com leve alta ante o real nesta quinta-feira, acompanhando a movimentação da moeda no exterior após comentários do presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi.

O dólar avançou 0,23 por cento, a 3,7719 reais na venda. Na máxima da sessão, alcançou 3,7952 reais e na mínima, chegou a 3,7383 reais. O dólar futuro operava em alta de 0,3 por cento.

Em pregão de volume mais baixo, devido ao feriado municipal em São Paulo na sexta-feira, investidores voltaram-se para o exterior, onde o dólar subiu para uma máxima de mais de cinco semanas contra o euro após fala de Draghi.

Draghi reconheceu que o crescimento da zona do euro provavelmente será mais fraco que o previsto por causa de impactos de eventos que incluem a desaceleração da China e o Brexit.

"A fala do Mario Draghi, do BCE, em que ele comentou que as perspectivas para a economia mudaram para o lado negativo impactou a moeda no exterior", afirmou Carlos Müller, analista da Geral Investimentos.

No lado doméstico, a reforma da Previdência continuou no radar do mercado no último dia de participação do governo em Davos.

Em entrevista à Reuters nesta quinta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a proposta de reforma da Previdência que está sendo estruturada pelo governo pode render uma economia de 700 bilhões a 1,3 trilhão de reais em 10 anos, podendo chegar a dois terços a mais que o esforço do governo anterior, que falhou.

O Banco Central vendeu nesta sessão 13,4 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 11,39 bilhões de dólares do total de 13,398 bilhões de dólares que vencem em fevereiro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Dólar se fortalece no Exterior (ESTADÃO)

O dólar teve um dia volátil no mercado. O movimento refletiu o aumento de posições defensivas por conta do feriado em São Paulo nesta sexta-feira, 25, que fecha a B3 e o mercado futuro, muito mais líquido e que determina os preços no segmento à vista. A moeda americana também se fortaleceu no exterior, sobretudo por conta da forte queda do euro após o Banco Central Europeu (BCE) alertar de riscos negativos para o crescimento da região. O dólar à vista fechou em alta de 0,23%, a R$ 3,7709. O dólar para fevereiro subiu 0,15%, cotado em R$ 3,7730.

Na máxima, o dólar chegou a bater em R$ 3,79, enquanto na mínima caiu a R$ 3,73. Operadores ressaltam que houve antecipações de negócios, pois o mercado em São Paulo estará fechado nesta sexta-feira, 25, e só haverá o segmento à vista, inclusive com definição do referencial Ptax do dia. Com isso, o volume negociado no mercado futuro subiu para US$ 19,6 bilhões, um dos maiores dos últimos dias. No segmento à vista, somou US$ 1,4 bilhão. 

Para o trader e sócio fundador do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, no Fórum Econômico Mundial em Davos foi positiva e ajudou a fazer o dólar voltar da casa dos R$ 3,80. O ministro reforçou o compromisso em avançar com a reforma da Previdência e disse em entrevista que o texto pode gerar economia fiscal de até R$ 1,3 trilhão, estimativa acima do que vinha sendo comentado recentemente. Com a expectativa em alta pela Previdência, ressalta ele, o principal evento que o mercado vai monitorar nos próximos dias é o fim do recesso no Congresso, com a volta dos parlamentares em 1º de fevereiro. 

"Independentemente do que acontece no exterior, o Brasil segue com uma esperança, com um projeto de melhora das contas públicas", disse o gerente da mesa de renda variável da H.Commcor, Ariovaldo Ferreira. Ele afirma que o Ibovespa poderia ter subido ainda mais caso os bancos não estivessem sendo penalizados, segundo sua avaliação, pela possibilidade de mudanças na taxação dos juros sobre capital próprio (JCP). "Se não fosse a queda dos bancos, o índice teria subido mais", diz Ferreira.

O Ibovespa encerra a semana com mais um recorde histórico, o 11º de 2019. Pela primeira vez, marcou mais de 97 mil pontos. Fechou na máxima aos 97.677,19 pontos em alta de 1,16%. Com esse resultado, o índice acumulou alta de 1,64% na semana e de 11,14% no ano. O giro financeiro foi de R$ 15 bilhões, pouco menor que a média diária de janeiro.  

O nível entre 95 mil e 97 mil pontos aumenta a sensibilidade para uma alguma correção do índice. "Nesse nível, pelos indicadores gráficos, e apesar de ainda estar subindo, começa a se observar um enfraquecimento da força compradora. A Bolsa vai ficando mais sensível a notícias negativas", afirma Filipe Villegas, analista da Genial Investimentos. Isso não quer dizer que, no longo prazo, o índice passará a cair. As casas de análise seguem firmes em prever o Ibovespa acima dos 100 mil pontos. Para o Citi, a Bolsa brasileira encerra 2019 aos 104 mil pontos. 

Entre as maiores altas da carteira Ibovespa, o destaque foi a Cielo. A ação da empresa de transações com cartões valorizou-se depois que o Citi elevou de neutra para compra a recomendação para o papel e elevou o preço-alvo de R$ 13,80 para R$ 15,00, o que implica em um potencial de crescimento de 47% em relação ao fechamento de ontem (R$ 10,21). De acordo com os analistas do Citi Felipe Gaspar Salomão, Jörg Friedemann e Dante Fagherazzi, a instituição espera que os volumes de pré-pagamento da Cielo dobrem até 2020 em comparação com os níveis de 2018. 

Outro destaque de alta do Ibovespa foram as ações da Ecorodovias e da CCR. Os investidores reagiram positivamente à notícia de que o governador de São Paulo, João Doria, planeja renovar as concessões de rodovias administradas pela iniciativa privada no Estado que vencem até o fim de seu mandato, em 2022. Além de estender o prazo dos portfólios de grupos de infraestrutura e destravar investimentos nas estradas, a novidade sugere que o Estado poderá chegar a um acordo com as concessionárias para encerrar as disputas judiciais por causa de aditivos contratuais assinados em 2006, segundo analistas do BTG Pactual e do Bradesco BBI. 

 

Fonte Reuters/Estadão

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