Agentes ligados ao Kremlin ajudam a proteger Maduro na Venezuela, informa a Reuters

Publicado em 26/01/2019 09:51 e atualizado em 27/01/2019 07:50
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MOSCOU (Reuters) - Agentes contratadas pela Rússia para missões militares secretas se dirigiram nos últimos dias à Venezuela para reforçar a segurança do presidente Nicolás Maduro, que enfrenta protestos de oposicionistas apoiados pelos Estados Unidos, de acordo com duas pessoas próximas a essas companhias.

Uma terceira fonte próxima aos russos também disse à Reuters haver um grupo de pessoas contratados por Moscou na Venezuela, mas não pôde precisar quando chegaram ou qual função iriam cumprir.

A Rússia, que tem apoiado o governo socialista de Maduro com bilhões de dólares, prometeu nesta semana manter-se leal a ele depois de o líder oposicionista Juan Guaidó ter se autoproclamado presidente interino, com o respaldo de Washington.

Trata-se da mais recente crise internacional a contrapor as superpotências mundiais, com os EUA e a Europa apoiando Guaidó, enquanto Rússia e China defendem a não interferência.

Yevgeny Shabayev, líder de um braço local de um grupo paramilitar ligado aos terceirizados russos, disse saber da existência de cerca de 400 russos contratados para atuar na Venezuela. Mas as outras fontes falaram em grupos menores.

O Ministério da Defesa russo e o Ministério da Informação venezuelano não responderam a pedidos de comentário sobre as empresas contratadas. Mas o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou: “não temos tal informação”.

Os terceirizados estão associados ao chamado grupo Wagner, cujos membros, a maioria ex-agentes de segurança, já combateram clandestinamente em apoio às forças russas na Síria e na Ucrânia, de acordo com entrevistas feitas pela Reuters com dezenas de contratados, seus amigos e parentes.

Uma pessoa que acredita-se trabalhar para o grupo Wagner não respondeu a uma mensagem com pedidos de informação.

Ao citar contatos no aparato de segurança russo, Shabayev disse que o contingente que voou para a Venezuela se dirigiu ao país no início da semana, um ou dois dias antes de começarem os protestos da oposição.

Ele disse que os terceirizados partiram em dois aviões fretados para Havana, em Cuba, onde foram transferidos para voos comerciais em direção à Venezuela. O governo cubano, que pelas duas últimas décadas tem sido um aliado próximo do governo socialista venezuelano, não respondeu a pedidos de comentário.

A tarefa dos terceirizados russos na Venezuela seria proteger Maduro de qualquer tentativa de prendê-lo por parte de simpatizantes da oposição infiltrados nas forças de segurança, disse Shabayev. “Nosso pessoal está lá para sua proteção direta”, disse.

EUA intensificam pressão contra Maduro enquanto Rússia apoia aliado venezuelano

WASHINGTON/CARACAS (Reuters) - Os Estados Unidos intensificaram nesta sexta-feira a pressão pela queda do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e retiraram diplomatas da embaixada do país em Caracas, enquanto a Rússia prometeu prestar apoio a seu aliado socialista no país da América do Sul.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que vai pedir no sábado aos membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que reconheçam o líder oposicionista Juan Guaidó como legítimo chefe de Estado na Venezuela.

Washington solicitou uma reunião do conselho composto por 15 países-membros depois que uma série de países manifestaram apoio a Guaidó, que é o presidente da Assembleia Nacional e busca o afastamento de Maduro.

A Rússia se opôs à solicitação e acusou Washington de apoiar uma tentativa de golpe, colocando a Venezuela no centro de um crescente embate geopolítico. Moscou vai insistir no cumprimento da lei internacional, disse nesta sexta-feira o chanceler russo, Sergei Lavrov, segundo a agência de notícias russa RIA.

Agentes privados que conduzem missões militares secretas para a Rússia voaram para a Venezuela nos últimos dias para incrementar a segurança de Maduro, segundo fontes.

Maduro disse concordar com o debate sobre a situação da Venezuela e em uma resposta irônica numa entrevista coletiva, nesta sexta-feira, agradeceu Pompeo por fazer a solicitação à ONU.

“Eu estava prestes a dizer paro o ministro das Relações Exteriores ‘peça uma discussão no Conselho de Segurança’, (mas) Mike Pompeo saiu na minha frente”, disse Maduro. “Obrigado, Mike... vamos contar a verdade sobre os artigos da Constituição, sobre o golpe.”

Mais cedo, diplomatas norte-americanos deixaram a embaixada dos EUA em Caracas em um comboio com escolta policial em direção ao aeroporto, de acordo com uma testemunha da Reuters. Maduro, em um discurso exaltado na quarta-feira, rompeu as relações diplomáticas com Washington e ordenou a saída do staff dos EUA dentro de 72 horas.

Na quinta-feira, o Departamento de Estado dos EUA disse a alguns funcionários do governo para deixarem a Venezuela e aconselhou cidadãos norte-americanos a considerarem o mesmo. Até o momento, o órgão não respondeu a um pedido de comentário sobre a movimentação do staff da embaixada nesta sexta-feira.

A chefe de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, defendeu nesta sexta-feira a investigação de relatos sobre o uso excessivo da força contra manifestantes pelas forças de segurança venezuelanas, afirmando estar “extremamente preocupada” com uma rápida e possível perda de controle da situação.

Guaidó, que tem animado a oposição na Venezuela, se autoproclamou presidente interino na quarta-feira, durante uma marcha com centenas de milhares de pessoas em Caracas.

Ele considera buscar recursos em instituições internacionais, incluindo o Fundo Monetário Internacional (FMI), disseram nesta sexta duas pessoas familiares com os planos.

No entanto, ele ainda não possui controle sobre o aparato de Estado venezuelano nem sobre os militares, que até agora continuam leais a Maduro, apesar da profunda crise econômica e política que tem provocado um fuga em massa do país, ante estimativas para inflação que ultrapassam os 10 milhões de por cento ao ano. Guaidó prometeu anistiar os militares que renegarem Maduro.

Nesta sexta, Guaidó repetiu a oferta aos membros das Forças Armadas em toda a Venezuela, pedindo aos soldados “que se coloquem ao lado da Constituição”.

A maioria dos países latino-americanos se juntaram aos EUA no apoio à autoproclamação de Guaidó como presidente, embora o novo governo de esquerda do México não tenha apoiado nenhum dos lados. O presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador disse nesta sexta-feira que seu governo está disposto a servir como mediador.

Maduro diz que Venezuela continuará a vender petróleo aos EUA, mesmo após romper relações

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se mostrou disposto nesta sexta-feira a continuar vendendo petróleo aos Estados Unidos, mesmo depois de insistir em um prazo para a retirada de todo o corpo diplomático norte-americano de seu país após romper as relações com os EUA.

Maduro disse a jornalistas no palácio presidencial que sua decisão foi de romper com o governo do presidente Donald Trump, não com os EUA, depois que a Casa Branca manifestou apoio ao líder oposicionista Juan Guaidó, que nesta semana se autoproclamou presidente interino do país rico em petróleo.

O mandatário, sob forte pressão internacional para que se realizem novas eleições na Venezuela, disse que se os EUA decidirem não comprar mais petróleo de seu país, ele buscará outros mercados.

Maduro voltou a afirmar que a autoproclamação de Guaidó como presidente interino faz parte de um golpe de Estado tramado pelos EUA, acrescentando não se importar se outras representações diplomáticas, como a da Espanha, deixarem o país.

Maduro classificou como "insolentes" as declarações feitas pelo chanceler espanhol a favor de novas eleições na Venezuela.

Alemanha, França e Espanha dizem estar prontas para reconhecer Guaidó como presidente da Venezuela

MADRI/PARIS/BERLIM (Reuters) - Três grandes países europeus -- Alemanha, França e Espanha -- vieram a público neste sábado para dizer que estão prontos para reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela caso eleições não sejam convocadas dentro de oito dias.

"O governo da Espanha dá (ao presidente) Nicolás Maduro oito dias para convocar eleições livres, transparentes e democráticas", disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em comunicado.

"Se isso não acontecer, a Espanha reconhecerá Juan Guaidó como presidente interino encarregado de convocar essas eleições."

No que pareceu ser uma mensagem coordenada dos países da União Europeia, quase ao mesmo tempo o presidente francês, Emmanuel Macron, publicou um tuíte repetindo os comentários de Sánchez.

"A menos que eleições sejam anunciadas dentro de oito dias, estaremos prontos para reconhecer Juan Guaidó como 'presidente interino' da Venezuela, a fim de desencadear um processo político", disse Macron.

Uma porta-voz do governo alemão também publicou no Twitter a mesma mensagem logo após os comentários vindos de Madri e Paris.

Guaidó proclamou-se presidente interino na quarta-feira durante uma marcha de centenas de milhares em Caracas.

No entanto, o Estado venezuelano e os militares até agora permanecem leais a Maduro, apesar de uma profunda crise econômica e política que provocou a saída em massa da população do país.

EUA pressionam Conselho de Segurança da ONU a apoiar Guaidó na Venezuela

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Os Estados Unidos estão pressionando o Conselho de Segurança das Nações Unidas para que emita uma declaração de apoio irrestrito à Assembleia Nacional da Venezuela como “única instituição democraticamente eleita” do país, mas a Rússia deve barrar a iniciativa, disseram diplomatas na sexta-feira.

O conselho vai se reunir neste sábado a pedido dos Estados Unidos, depois de Washington e uma série de países americanos terem reconhecido o líder oposicionista venezuelano Juan Guaidó como chefe de Estado e terem pedirem a saída do presidente Nicolás Maduro do poder.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, bem como diversos outros ministros, devem se pronunciar no conselho composto por 15 países membros. Antes da reunião, os EUA fizeram circular um rascunho de uma declaração do Conselho de Segurança.

A minuta, vista pela Reuters, diz: “Com a deterioração das condições na República da Venezuela, o Conselho de Segurança expressa seu total apoio à Assembleia Nacional como a única instituição venezuelana democraticamente eleita”.

Se o conselho aprovar a declaração, estará na prática reconhecendo Guaidó – que é presidente da Assembleia Nacional – como chefe de Estado da Venezuela. Guaidó se autoproclamou presidente interino do país na quarta-feira.

No entanto, o embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, disse na sexta-feira que Moscou deve se opor à iniciativa dos EUA para que o Conselho de Segurança da ONU apoie Guaidó como presidente interino. As declarações do conselho devem ser aprovadas por consenso.

Antes de Washington distribuir a minuta de declaração para os países membros do conselho, na noite de sexta-feira, Nebenzia disse à Reuters que “isso não vai passar ... para nós nada mudou”.

A minuta de declaração também “pede o início imediato de um processo político que leve a eleições livres, justas e críveis, com observadores internacionais, no menor espaço de tempo possível”.

Fonte: Reuters

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